Nos primeiros minutos de A Noite é Delas o público pode ficar com uma sensação de que terá quase duas horas de projeção enfadonha, com piadas sem graça, personagens planas e estereotipadas e uma forçação de barra para ser cool. De fato, em seu princípio, o filme não traz nada de empolgante, numa aparente história sobre cinco amigas do tempo de faculdade que se encontram para a despedida de uma delas, a Jess (Scarlett Johansson, História de Um Casamento). Com uma apresentação cheia de diálogos expositivos, este começo é um tanto cansativo.

No entanto, o longa se faz a partir de seu primeiro plot twist. Sem entregar muito sobre a narrativa, é possível dizer que o estabelecimento das relações e das tensões dão vigor para a obra, que parece antes perdida e sem motivo aparente de existência. A forma como Alice (Jillian Bell, A Maratona de Brittany), Blair (Zoë Kravitz, Homem-Aranha no Aranhaverso), Pippa (Kate McKinnon, O Escândalo), Frankie (Ilana Glazer) e Jess precisam resolver o grande problema que têm em mãos é o que revela as fissuras do relacionamento delas e toda uma dinâmica atrapalhada, que fomenta a atmosfera cômica.

A direção de Lucia Aniello (Broad City), juntamente com a fotografia de Sean Porter (Mulheres do Século 20) e o design de produção de Bob Shaw (O Irlandês) dão a quebra de realidade necessária, após a primeira reviravolta do enredo. Antes da quebra é possível encontrar mais cores, luzes, slow motions e movimentos de câmera que acentuam a sensação de embriaguez – como panorâmicas que revelam a próxima loucura das meninas. Depois, o ambiente se torna mais clean, por assim dizer, com poucos elementos de cor e uma iluminação mais sóbria, dando enfoque maior para a rede de conflitos.

A Noite é Delas

Com zoom ins e outs e tilts, o desespero das personagens vai se ampliando e ficando mais visível. Este elemento também está presente no roteiro, que consegue aumentar a ação das sequências progressivamente, ainda que colocando alguns respiros para desanuviar as tensões. Após todo momento de respiro, vem um novo stress para elas, imprimindo a ausência de limites de criatividade e uma série de surpresas. Contudo, apesar de alcançar certo sucesso na manutenção da atenção do espectador e ter um ritmo equilibrado, a intensidade dos acontecimentos evoca um resultado um pouco negativo.

Após inserir tanto embate e problemas, a resolução do nó é realizada de forma brusca, ingênua e desleixada. Isto porque Aniello, ao lado de seu colega de escrita Paul W Downs (The Other Two), coloca tanta confusão que fica difícil de amarrar todas as situações criadas por eles. Além disso, ainda existe um detalhe posto no roteiro que destoa da totalidade da história que é a aparição de dois vizinhos, interpretados por Demi Moore (Ghost – Do Outro Lado da Vida) e Ty Burrell (série Modern Family). Uma adição desnecessária, porque a dupla não traz nada de importante e até atrapalha o desenvolvimento do desenlace. No final das contas, a produção tem um início e um desfecho complicados, mas um meio leve e espirituoso, que garantem uma sessão prazerosa.

Direção: Lucia Aniello

Elenco: Scarlett Johansson, Kate McKinnon, Zoë Kravitz, Ilana Glazer, Jillian Bell, Ty Burrell, Demi MoorePaul W Downs

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