15º Olhar de Cinema: Adulto/Homem

2.5

Se tem uma coisa que vai acontecer é essa que vos escreve usar “plano adulto/homem” para falar de um plano longuíssimo. De fato, o longa-metragem de Pedro Diógenes acontece inteiro em um grande travelling de rostos e vozes off.

Cabe ao espectador decidir se sente empatia por esse formato ou não. O que é possível dizer deste filme de um tom só é que a luz é impecável, mas é uma luz apenas. Isso facilita demais o trabalho da fotografia.

Essa também é uma obra específica para um grupo, que os atores. Dificilmente algum ator vai passar batido pelo longa. Existe também uma destreza da fotografia pelo travelling bem realizado.

A forma de filmar é bem relevante aqui, porque ela é sutil e não retira a atenção do espectador. O foco são as personagens e, de fato, a estrutura funciona por um bom tempo de projeção.

Mas, é necessário se dizer que cinema é para o público e não para uma parte dele. E é preciso, com muita seriedade, ter respeito pelo espectador e refletir se um dado material interessa mesmo para toda e qualquer plateia.

No mínimo, tem-se que pensar como tornar aquele tema mais interessante narrativa ou visualmente. Cinema é linguagem. Diogenes arrisca nela aqui e isso dá certo por um momento.

Para essa que vos escreve, foram 40 minutos satisfatórios na sala do Museu Oscar Niemeyer. Quarenta, de 70 minutos.  Mas, lembrando que esta critica aqui é formada em interpretação teatral e é fascinada por escutar sobre o universo de seus colegas de profissão.

Então, o que foram os 30 minutos finais de projeção? Clamores mentais para que o próximo ombro, do próximo interprete não surgisse na tela. Cada mudança de voz, virava uma tortura dantesca. É tempo demais para a mesma estrutura quando o que está sendo dito não é tão interessante assim.

A redundância poderia ser amenizada por algo estético visual ou verbal. Reiteração de imagem e de fala e de texto ficcional, por 70 minutos, é pedir demais da plateia. Mas, é a partir dessa afirmação que uma contradição se forma nesta análise.

Porque, ao mesmo tempo, em uma era que quantidade de informação é privilegiada, mais do que a qualidade, um valor artístico se forma aqui. A sociedade atual quer velocidade excruciante e tem um desejo narcisista de fazer trends com o próprio rosto de temas variados.

Neste sentido, o filme de Diógenes é um ponto fora da curva e isso é um ganho. Ele oferta ao público um respiro. Ainda assim, a obra poderia sim ser mais enxuta ou contar com algum outro recurso, principalmente em termos de desenvolvimento da narrativa.

Porque os desabafos são relevantes, mas eles rodam em círculos durante toda a sessão. Assim, Adulto/Homem tem aspectos positivos como desafiar a mentalidade contemporânea de caos visual e digital.

Todavia, para firmar sua contribuição para o cinema e para a discussão sobre a realidade de atores no Brasil seria preciso ir mais fundo no debate.

15º Olhar de Cinema: Adulto/Homem
2.5