Apesar de toda a obviedade da história de F1: O Filme, Joseph Kosinski (Oblivion) mostra como uma boa direção e uma boa equipe podem salvar um roteiro mediano. Em sua decupagem, Kosinski eleva a tensão através de close-ups. Além disso, os ruídos elaborados no desenho de som, os momentos de aceleração dos cortes e as sensações vindas dos efeitos de câmera são acentuados pelos quadros fechados.
Mas, se na técnica cinematográfica a obra apresenta destreza, é no estabelecimento de empatia com as personagens que ela cresce ainda mais. Sonny Hayes (Brad Pitt) e Joshua Pearce (Damson Idris) são figuras simpáticas, que aproximam o espectador do enredo. Sonny é o protagonista com a narrativa de redenção, aquele que vem para quebrar os estereótipos etaristas e que possui tem síndrome de pai presente – algo bem ficcional, porém que aparece muito em Hollywood.
Joshua é uma espécie de antagonista, mas daqueles que o ship brotp* é uma espécie de enemies to lovers**. Além de ser jovem e ingênuo, ele é totalmente ligado à mãe e é um sonhador, que sabe escolher o caminho mais certo quando a trama aperta. Para completar, a interação entre Pitt e Idris é bem construída. A contracena é o que faz a potencialidade das sequências que os dois estão juntos crescer.
As reações de Hayes para Pearce e vice-versa criam subtextos importantes sobre a personalidade da dupla, principalmente naquilo que os une: a necessidade de se provar. O que falta ao roteiro está impresso na construção de papel dos dois intérpretes, que conseguem mesclar rivalidade e parceria em olhares e gestos. Neste sentido, Kosinski também pode levar os louros, pois as marcações do elenco geram sensações importantes e no momento correto. O jeito como os deslocamentos ocorrem provoca tensão, relaxamento, lágrimas e risadas. Um exemplo é o momento no qual Joshua está hospitalizado e a plateia vê a reação da dupla ao mesmo tempo, no mesmo frame, mesmo eles estando em locais separados.
Ao mesmo tempo, toda a equipe de som do longa-metragem brilha e contribui para aumentar todas estas emoções. O barulho das rodas dos carros, dos exercícios de Sonny, da equipe de Ruben Cervantes (Javier Bardem) trabalhando para a vitória, cada ação é escutada com detalhes pelo público, que consegue imaginar como é estar dentro daqueles momentos inseridos no ecrã. Desta maneira, a F1: O Filme é mediano no que está contado, por sua obviedade e saídas fáceis.
No entanto, quando se olha para o resultado geral, ele é positivo porque cast e crew foram talentosos o suficiente para salvar uma obra que poderia ser entediante. Assim, a sessão surpreende porque vale a pena de ser consumida. Tem-se aqui conexão com as personagens e o sensorial experienciado através do que diretor, editores e captadores de imagem e áudio conseguiram realizar nas filmagens e na pós-produção.
*Ship brotp – relacionamento de amizade entre duas figuras. Ship é um diminutivo para relationship, uma palavra em inglês, que quer dizer relacionamento. Brotp é sigla para Brothers true pairing, ou seja, almas gêmeas fraternas. Amigos, amigas e amigues muito incríveis formam ships brotps. Ex.: Chandler e Joe, de Friends.
**Enemies to lovers: inimigos à amantes, em português, esse é o tipo de história que personagens se odeiam e terminam como affair. Nesse caso aqui foi usado para tratar de amizade, mas na trama eles começam como opositores e terminam muito amigos.
Direção: Joseph Kosinski
Elenco: Brad Pitt, Damson Idris, Javier Bardem
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