Bom Menino (2025)
Indy em cena de 'Bom Menino (2025)'

Crítica Bom Menino

Crítica Bom Menino
3.5

O burburinho é a alma do negócio mesmo, não é? Alguns anos atrás um projeto de terror independente sobre um cachorro jamais chegaria aos cinemas brasileiros, ainda mais por uma distribuidora grande como a Paris Filmes. Bom Menino, no entanto, fez o dever de casa e soube se vender muito bem para gerar uma alta demanda internacional por seu lançamento e eis que, nesta quinta-feira (30), o longa-metragem chega ao Brasil nas principais redes de cinema.

O diretor e co-roteirista Ben Leonberg criou um fenômeno antes mesmo de saber qual será o resultado da recepção do filme pelo grande público. Bom Menino já é uma produção que chama atenção do espectador por sua premissa básica de focar em um animal adorável passando por uma situação aterrorizante. E tudo se torna ainda mais curioso ao público quando se fala sobre o longo processo de produção com um cachorro não-ator.

Bom Menino inicia com Todd (interpretado por Shane Jensen), um jovem que sofre de uma doença pulmonar crônica, se muda da cidade de Nova York para a casa rural e desabitada do seu falecido avô na floresta com seu amado cão, Indy. A irmã de Todd, Vera (Arielle Friedman), se preocupa com o isolamento dele na casa, acreditando que o lugar seja assombrado e contribuiu para a morte do avô deles (Larry Fessenden). Ao chegar na casa, Indy imediatamente sente uma presença. Com o passar dos dias, os horrores só aumentam e Indy se vê precisando salvar a vida de Todd antes que seja tarde demais.

O filme cativa o espectador desde o primeiro momento por sua atmosfera de tensão. Ao mesmo tempo, o longa também prende o público por trabalhar com um tema tão caro à muitas pessoas, que é o amor com seu pet. Essa costura entre a parceria entre dono e cachorro e o contexto tenebroso do isolamento de Todd fazem de Bom Menino um filme com um ritmo de tirar o fôlego.

Bom Menino (2025)
Indy em cena de ‘Bom Menino (2025)’

O roteiro de Leonberg e Alex Cannon entrega uma narrativa curiosamente instigante. O filme é guiado por ações, atmosfera e a expressividade de Indy. Ele é a verdadeira alma do projeto. Ainda que tenha levado 3 anos para ser concluído, Bom Menino não sofre de nenhum descaso ou desconexo gerado pelo alongamento da produção. Pelo contrário, a proposta dos roteiristas parece se encaixar como uma luva para um projeto com tantas peculiaridades e funciona sem nenhum problema.

A coragem do roteiro e a sorte do diretor em ter um cachorro extremamente expressivo dão ao projeto a possibilidade de longa vida. Bom Menino tem mais ritmo do que muitos blockbusters do gênero, encabeçados por atores de longa data. Na verdade, Indy relembra ao público a importância do silêncio e do olhar. O que o cachorrinho entrega ao protagonizar mais de 70 minutos de filme, muitas pessoas não conseguiram fazer durante uma carreira inteira.

Ao lado do roteiro bem amarrado e da direção consciente de sua proposta e limitações, a fotografia entrega um jogo de luz, sombra, profundidade e perspectiva que merece aplausos. Tudo isso com um som que acompanha as necessidades da produção de compor a tensão exata para cada cena. Bom Menino é uma grata surpresa para os amantes de horror por ser um respiro de coragem e inventividade prática de um produto. Mesmo seguindo uma estrutura bem clássica de filmes sobre assombrações e lugares assombrados, o filme consegue fazer isso com um sopro de interesse e paixão pelo labor que inspiram e cativam o público.

 

Direção: Ben Leonberg

Elenco: Indy, Shane Jensen, Arielle Friedman, Larry Fessenden e Stuart Rudin

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