Amazing Grace

Crítica: Amazing Grace

Em 1972, Aretha Franklin era um dos maiores nomes do Soul mundial e o renomado diretor Sidney Pollack (A Intérprete) decidiu filmar sua apresentação no Behtel Baptist Church, que durou dois dias. No entanto, por problemas técnicos, o documentário Amazing Grace não foi finalizado na época. Assim, o diretor Alan Elliott assume o bastão do já falecido Pollack e consegue, finalmente, deixar disponível para o público a benção divina e transcendental de Aretha.

Aquele que vos escreve esta crítica não é uma pessoa religiosa e tampouco escuta o gênero musical cantado por Aretha. Todavia, isso não foi um impeditivo para que este grande louvor tocasse em minha alma. Aliás, mais do que isso, pois ele consegue fazer com que eu questione até minha falta de fé. Além do mais, e a título de curiosidade, interessante como 2019 têm sido um ano forte do Gospel para mim, um mero cético. Há poucos meses, Kanye West lançou seu disco (e obra-prima) Jesus Is King, que igualmente mexeu comigo.

Sejamos honestos, o poder da voz de Aretha é tanto que Amazing Grace já seria extremamente impactante se Pollack deixasse sua câmera parada em close-up enquanto ela fecha os olhos e se entrega de alma naquela apresentação.

Entretanto, o diretor conseguiu elevar tal experiência a um nível catártico. Existe aqui uma ligação direta entre a câmera e Aretha; entre Aretha e Deus. Enquanto performa, Pollack lhe enquadra, diversas vezes, junto com um imenso quadro de Jesus no fundo, chegando a sobrepor as duas imagens. É como se naquele momento, ela fosse a própria entidade sendo louvada, enquanto ela louva outra.

Amazing Grace

Neste sentido, o próprio figurino branco repleto de brilhantes de Aretha remete a essa figura divina. Similarmente – e acredito que isso nem seja proposital – mas o próprio suor da cantora acaba funcionando com uma extensão de seu brilho nos close-ups proporcionados pelas lentes de Pollack.

Por outro lado, não é só a Rainha do Soul que ocupa a tela. Pollack se preocupa em mostrar as reações das outras pessoas presentes naquela pregação divina, tanto da audiência quanto dos próprios membros do coral. Com tamanha emoção das pessoas presentes, somos transportados ao mesmo nível sensorial dos envolvidos.

No entanto, tudo que citei acima não deixam de ser pequenos detalhes que agem no subconsciente e aumentam a experiência daquele que está assistindo o maravilhoso show de Aretha. No fim, ela é a estrela. Seus olhos se fecham, ela brilha e resta apreciar sua o que ela faz. E nós, somos a testemunha de seu milagre.

Direção: Alan Elliott, Sydney Pollack
Elenco: Aretha Franklin, Mick Jagger, Sydney Pollack

Assista ao trailer!

*Filme assistido durante exibição no Festival do Rio 2019.

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