A Hora do Mal (2025)
Cena de 'A Hora do Mal (2025)'

Crítica A Hora do Mal

Crítica A Hora do Mal
4.5

O segundo semestre costuma ser o momento do ano com maior concentração de filmes aguardados. Independente do tipo de projeto e de seu orçamento, esse período é mais visado tanto pelas janelas de exibição das produtoras e distribuidoras, como também pela crítica e público. Especificamente para o horror, agosto chegou com a promessa de ser o mês ideal para os fãs do gênero com inúmeras estreias, incluindo o tão aguardado A Hora do Mal.

Dirigido por Zach Cregger, o longa-metragem chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (7) com a promessa de ser um dos melhores filmes de terror do ano. Mas será que A Hora do Mal cumpre seu objetivo? A produção marca o segundo longa de Cregger e, depois de sua estreia impactante com Noites Brutais (2022), tanto público quanto a crítica têm altas expectativas para o cineasta. Spoiler: para a alegria dos fãs do gênero, a promessa de Cregger é cumprida com um filme que choca, assusta e te deixa na beira da poltrona de uma forma pouco convencional.

A trama de A Hora do Mal se desenrola depois do desaparecimento de quase uma classe inteira de crianças. Durante uma madrugada, às 2h17, as crianças apenas se levantaram e saíram correndo, sozinhas, em direção à escuridão e não voltaram mais. Os pais, desesperados por respostas, se questionam porque apenas os alunos da professora Gandy sumiram. O que ela tem a ver com o mistério e onde foram parar as crianças?

O novo projeto do cineasta estadunidense instiga o espectador desde seu primeiro momento por ser formado por um mistério. Além de ser uma trama que naturalmente já chama a atenção do público, o roteiro de Cregger faz questão de investir num desenrolar narrativo que se preocupa em amarrar as pontas soltas dos acontecimentos aos poucos. A Hora do Mal não é o típico terror costurado por jumpscares – ainda que tenha os seus. Na verdade, o longa decide seguir uma linha investigativa que intriga ainda mais quem assiste ao filme.

Essa decisão de Cregger em conduzir o filme como um thriller investigativo bem ‘slow burn‘ – ou seja, aquelas tramas que tomam seu tempo para desenvolver os acontecimentos narrativos – é seu maior acerto. Atrelado à isso, ele divide A Hora do Mal a partir dos arcos centrais dos principais personagens do filme, se aprofundando em cada um deles antes de verdadeiramente trazer ao espectador às respostas que ele procura desde o início da sessão. Essa escolha pouco convencional ajuda a manter o público cada vez mais intenso e investido em sua história.

A Hora do Mal (2025)
Julia Garner em cena de ‘A Hora do Mal (2025)’

A Hora do Mal flerta com montagens paralelas, referências de clássicos do gênero e uma ambiência tensa do início ao fim. Se em Noites Brutais Cregger já havia provado que sabia construir cenas tensas e assustadoras, em seu novo projeto, o diretor prova que sabe brincar ainda mais com as possibilidades do horror. Ele não tem medo de tomar o tempo que for preciso para tensionar as relações entre os personagens, o clima de pavor e, principalmente, as dúvidas do público.

Existe uma sensação de prazer quase sádica do cineasta em horrorizar o espectador com essa espera pelas respostas. O mais interessante, no entanto, é que, quando elas chegam, ele não abandona a trama e foca apenas em sequências corridas e/ou de embate entre mocinhos e vilões/monstros. Zach Cregger mantém o público na beira da poltrona, embasbacado com as imagens de horror e insanidade vistas em tela no terço final de A Hora do Mal.

O filme como um todo merece elogios e méritos. A visualidade como um todo do projeto (arte, fotografia) merecem os parabéns por entregarem as imagens aterradoras necessárias. Da mesma forma, o som sabe se colocar muito bem, fugindo da obviedade costumeira desse tipo de projeto. O elenco também precisa ser parabenizado por conseguirem incorporar os terrores do roteiro e darem vida e, principalmente, corpo para ele. Mas o maior mérito de A Hora do Mal é seu roteiro.

Cregger faz um trabalho primoroso ao conseguir orquestrar perfeitamente um projeto que poderia ser desinteressante ou confuso em outras mãos. Este é o tipo de filme que facilmente poderia cair no lugar de ‘tinha potencial, mas não chegou lá’, mas ele chega – e com louvor! A Hora do Mal é uma aula de construção de clima, ambiente e atmosfera para o gênero. Ao mesmo tempo, também é uma aula de construção de personagem e desenvolvimento de trama. No fim, todo o burburinho e espera valem à pena, assim como a ida ao cinema para ver o filme na maior tela possível.

 

Direção: Zach Cregger

Elenco: Julia Garner, Josh Brolin, Cary Christopher, Alden Ehrenreich, Austin Abrams, Benedict Wong e Amy Madigan

Assista ao trailer!