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	<title>Arquivos Estreias - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Estreias - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>15º Olhar de Cinema: Entrevista com o cineasta Marcus Curvelo</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/15o-olhar-de-cinema-entrevista-com-o-cineasta-marcus-curvelo/</link>
					<comments>https://coisadecinefilo.com.br/15o-olhar-de-cinema-entrevista-com-o-cineasta-marcus-curvelo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Jul 2026 14:07:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Marcus Curvelo]]></category>
		<category><![CDATA[Reparação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Falando sobre luto e memória, Marcus Curvelo revela detalhes sobre seu novo longa-metragem. De acordo com o cineasta, em Reparação, são convocados sentimentos profundos sobre a perda de seus pais. Através do uso da autoficção, Curvelo explica como juntou o desejo de homenagear seus pais com o amadurecimento de uma linguagem cinematográfica. O artista revela que se inspira em um universo fantasmagórico e em cineastas que mesclam o ficcional com o “real”. Sobre a escolha pelo documentário, Curvelo afirma que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Falando sobre luto e memória, Marcus Curvelo revela detalhes sobre seu novo longa-metragem. De acordo com o cineasta, em <i>Reparação</i>, são convocados sentimentos profundos sobre a perda de seus pais.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Através do uso da autoficção, Curvelo explica como juntou o desejo de homenagear seus pais com o amadurecimento de uma linguagem cinematográfica.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O artista revela que se inspira em um universo fantasmagórico e em cineastas que mesclam o ficcional com o “real”. </span><span style="font-weight: 400;">Sobre a escolha pelo documentário, Curvelo afirma que o próprio contexto de sua carreira fomentou esse caminho.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">“Pelo modelo de produção, pela maioria desses filmes teriam sido feitos sem dinheiro”. </span><span style="font-weight: 400;">Para o artista, descristalizar o seu cinema e se colocar vulnerável foram pontos centrais para <em>Reparação</em>. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Mesclando declaração sobre processo artístico e emoções complexas de seu cotidiano, o bate-papo com Curvelo se desenvolveu. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ENTREVISTA COMPLETA</b></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Enoe Lopes Pontes </b><span style="font-weight: 400;">&#8211; Eu queria começar um pouco tentando conectar a sua trajetória com como você chega a esse filme. Como é que você chega até esse momento desse filme? Você sente uma diferença estilística, temática? </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Marcus Curvelo</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Tem um curta que eu acho que é mais próximo desse longa, que é </span><i><span style="font-weight: 400;">A destruição do planeta Live</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não sei se você viu esse.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211;  Vi! Eu sou “Curveler”. (Risos).</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Ele é preto e branco também, e tem meus pais também. Inclusive tem um plano que eu repito, que é meu pai sentadinho, aí eu pego a sacolinha com a arma dele. É o mesmo plano.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211;  Ah! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Que está nos dois filmes. Mas, eu comecei a pensar no </span><i><span style="font-weight: 400;">Reparação</span></i><span style="font-weight: 400;">, porque eu estava já com os materiais dos meus pais e eu queria fazer um filme sobre eles. Porque fui sentindo eles envelhecendo, veio a pandemia e tinha passado já muitos anos fora de casa. Eu acho que sempre houve uma pesquisa,  uma prática na autoficção, desde alguns curtas. Eu sei que teve um período que essa autoficção estava mais dentro da ficção mesmo, com personagens fictícios, o Joder. Mas, eu acho que desde a distribuição do </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta Live</span></i><span style="font-weight: 400;">, que eu tô mais indo pro documentário, para a autoficção. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Dentro dessas tentativas, desses experimentos, eu fui entendendo que eu queria aprofundar mais o documentário, até também por modelo de produção, pela maioria desses filmes teriam sido feitos sem dinheiro.  Eu acho que combina mais, talvez, com o meu estilo, com o que eu estou fazendo, com equipes reduzidas, filmar às vezes em tempos mais espaçados e não necessariamente fazer um filme de forma linear.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Ah, sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; E eu senti necessidade de me distanciar. Eu estou muito no filme, claro, mas senti uma necessidade de distanciar, dessa coisa tão central no personagem, que era Joder o ser o que guiava. O filme é sobre alguma coisa que acontece com esse personagem. Ele atravessa isso, mas ele não é o centro. E fiz, uns curtas, uma coisa que torna um estilo, que é humor, a autoironia, de brincar com a própria precariedade.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Mas, aqui, nesse filme, eu acho que, juntando esses elementos, ele é menos identitário, no sentido de Joder, esse cara branco, idiota, esquecido à margem, empolgado e deixado de lado. E </span><i><span style="font-weight: 400;">Reparação</span></i><span style="font-weight: 400;">, é meu primeiro longa solo, porque </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu, empresa</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o Leon (Sampaio) e lançado na pandemia. Eu não pude também estar presente, então, agora é uma sensação de primeiro longa.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Você nota que tem uma progressão da melancolia nos seus filmes? Como é que você lida com isso?</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; É. Acho que tem. Tanto pela própria maturidade, de idade mesmo, de estar ficando mais velho, e da própria vida nos últimos anos, que foi um pouco mais difícil. Pelas perdas, pelos lutos, pela própria pandemia, que a gente fala pouco, mas foi… Pouco não, mas parece que passou há muito tempo, mas teve um impacto muito grande nas nossas vidas, e na minha, especialmente, foi um ano terrível, 2020.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Entendo. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; E eu acho também de um lugar que vai se contendo, vai se domando a urgência, porque você já vai fazendo muita coisa, parece que tem ali uma demanda reprimida de falar, de fazer filme, de não esperar editar, mas aí chega num ponto que você fez dez curtas e pensa: já pode ir para um lugar mais elaborado. Não estou dizendo que vou parar de fazer curta, que vou fazer menos filmes, não. É que eu fazia três por ano. (Risos). Mas, talvez, acessar lugares mais profundos mesmo. E também se deixar ser mais vulnerável, porque acho que a coisa do humor é muito um escudo, para você não falar exatamente o que você quer por medo de ser ridículo, medo de ser julgado, medo de ser exposto. Aí quando você ri, você fala: ah, eu sei que eu estou sendo ridículo, então, eu vou rir também aqui.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim!</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; E aí acho que cheguei num lugar, talvez, de falar: vou me mostrar mais vulnerável mesmo, sem precisar esconder tanto através do humor. Mas aí, às vezes, era uma coisa de me colocarem como Joder em um lugar até social mesmo. Falavam: ah, lá vai esse cara privilegiado, com white people &#8216;s problem. Eu fiquei pensando: será que eu quero ser visto assim? Que esse seja meu legado? Por isso que eu pensei que tinha que ser um pouco mais vulnerável, para sair desse lugar, porque eu sentia que estava criando um bloqueio, em alguns nichos. A forma de ver meu filme estava muito cristalizada. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Ah, sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; E aí eu pensei em dar essa variada. Não que não seja white people &#8216;s (risos), acho que ainda é.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Não, mas é porque não tem como não ser white people &#8216;s problem, se você é white.Eu já comecei a encarar isso também na minha vida. Inclusive, uau, agora que estamos falando sobre white people &#8216;s problem, isso é um white people’s problem! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Exatamente!</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Nossa, que barra, que barra. (Risos). </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Metalinguagem! (Risos).</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Mas, voltando aqui, em termos de forma, acho que </span><i><span style="font-weight: 400;">Reparação</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem algo de fantasmagórico também. Para mim foi um filme muito difícil. Por questões minhas. E teve a surpresa mesmo de você ter quebrado essa coisa que a gente está falando aqui. Como foi que você construiu a decupagem? Porque parece que tem uma coisa assim nos seus filmes, espontânea. Mas não é.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; É, você falou fantasmagórico?</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Achei muito massa, porque eu sou muito fã de Apichatpong (Weerasethakul, diretor). Ele tem um naturalismo, que parece quase documental. E também tem um texto de uma mostra que teve sobre ele no Rio. Eu esqueci o nome da autora,  mas ela fala de naturalismo e realismo fantasmagórico.  Então, eu queria muito fazer um filme que tivesse essa espontaneidade, que fosse muito de filme diário e documentário. Mas, que tivesse uma encenação pensada. Gosto muito dos filmes do Affonso Uchôa e do Adirley Queirós também nesse lugar, do documentário, que é muito performado. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Sim.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Tem a minha tentativa de realmente fazer algo diferente. Até o </span><i><span style="font-weight: 400;">Planeta Live,</span></i><span style="font-weight: 400;"> está muito em um lugar menos encenado. Tem alguns planos que eu pensei, mas tem muita coisa que foi capturada do momento. A câmera era ligada e a gente gravava o que estava ali na hora. E esse eu queria fazer isso.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> &#8211; Entendi.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><strong>MC</strong> &#8211; Porque eu pensei em como fazer esse filme ser um filme que também fale para o mundo, sendo um filme sobre meus pais, sobre algo muito pessoal, mas que consiga ter um apoio estético. E que eu conseguisse ter uma temática também, alguma simbologia maior, que desse para ser acessado também como obra, como um filme, que não fosse só um processo individual.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Entendi.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Então eu acho que essa tentativa de encenar mais, de encontrar tanto aquela cena mais performante, mais fantasmagórica, com o salitre, mas até os planos em casa. Eu pensei numa decupagem mais clássica, para tentar fazer algo mais universal. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Para finalizar, sabe o que eu gostaria de saber sobre os aspectos de filmagem mesmo e como foi que você direcionou sua mãe? </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Ah, eu não direcionei muito ela não, eu só conversei com ela. Tudo espontâneo. Eu acho que ela já estava acostumada, porque eu já a filmava há muito tempo. Eu ligava a câmera um pouquinho antes, quando eu ligava a câmera ela ficava olhando para ela. Então, precisava fazer todo um processo. Ela está no </span><i><span style="font-weight: 400;">Joderismo</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela faz uma foto dela. Eu pedi para ela: pergunta meu pai se ela acredita em um purgatório. É um áudio que estava no </span><i><span style="font-weight: 400;">Joderismo</span></i><span style="font-weight: 400;">, que em </span><i><span style="font-weight: 400;">Reparação</span></i><span style="font-weight: 400;"> também. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Verdade! </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Aí eu falei, aí depois eu quero que você faça uma selfie. Aí ela me mandou uma foto super arrumada, maquiada, não sei o quê (risos). Falei, mas é uma coisa cotidiana, assim, tipo você fazendo um muxoxo, em casa. E aí para ela chegar e deixar filmar ela sem cabelo e tal, foi um processo, assim, de ganhar a confiança dela e entender que era natural. E eu filmei também coisas que eu gostaria para ela, coisas pessoais, tipo festa de aniversário, réveillon. Eu fiz filmes que não necessariamente tinham sentido para mim estar nesse filme agora, mas que ela se viu também, ela se acostumou com a imagem dela sendo filmada por mim. Então, foi uma confiança e uma relação construída ao longo da minha carreira inteira.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Você acha que é uma reparação mesmo?</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Para eles? </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>ELP</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Para eles.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MC</b><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Boa pergunta. Eu acho que eu fiz o que eu podia nesse lugar de tentar homenageá-los, claro. Tentar também deixar ali um legado deles para o mundo. Claro que ele é centrado muito no meu luto, a partir do meu luto e da minha visão sobre eles. Eu nunca quis fazer um filme sobre os meus pais, mas eu acho que dentro dessa proposta, sim. Porque, especialmente, minha mãe e eu, a gente era muito conectado. Eu não sou exatamente religioso, mas eu sou ecumênico. Então, os contatos que eu tive, que pessoas tiveram, eu sonhei com somente alguém que é espírita sempre falavam assim, que minha mãe estava bem, mas muito preocupada comigo. E eu entendo que dentro da natureza dela, que minha mãe era assim, eu imagino que é verdade. </span></p>
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		<title>Crítica Labirinto dos Garotos Perdidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 23:09:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fazer cinema de gênero é um desafio, especialmente quando esse gênero é o horror. O cenário se aperta ainda mais quando o filme retrata o terror como uma fantasia derivativa do real. O uso dos tropos do horror para revelar a finura do véu que divide a ficção e a realidade tem sido uma escolha cada vez mais comum &#8211; no entanto, não menos arriscada. Produzir uma narrativa que abarque esse cenário e funcione quase como uma ode aos temores [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Fazer cinema de gênero é um desafio, especialmente quando esse gênero é o horror. O cenário se aperta ainda mais quando o filme retrata o terror como uma fantasia derivativa do real. O uso dos tropos do horror para revelar a finura do véu que divide a ficção e a realidade tem sido uma escolha cada vez mais comum &#8211; no entanto, não menos arriscada. Produzir uma narrativa que abarque esse cenário e funcione quase como uma ode aos temores da vida real é a aposta feita pelo diretor e roteirista Matheus Marchetti (<em>Verão Fantasma</em>, de 2022) em seu mais novo projeto: <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong>.</p>
<p>A proposta do cineasta paulista é fazer um horror <em>queer</em> totalmente brasileiro e real, a partir de suas experiências e descobertas de sua sexualidade. Os passos cruzados entre o real e o ficcional são a engrenagem que faz <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> rodar e são, igualmente, o seu ponto forte. No entanto, as escolhas de Marchetti revelam muito mais do que suas vivências numa São Paulo hostil e fria para um jovem rapaz gay, elas abrem um portal para o perigo que mora dentro. A fantasia que faz a história dançar é o lindo véu que inebria o espectador e nos faz mergulhar nos delírios, exageros e absurdos da noite intensa vivida por Miguel (interpretado por Giuliano Garutti). O longa estreia nesta quinta-feira (4) nos cinemas nacionais, distribuído pela Filmicca.</p>
<p><strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> descreve a jornada de um jovem do interior vivendo uma noite regada de prazeres e estranhezas numa grande cidade. Cada vez mais mergulhado na escuridão, Miguel (Garutti) se vê perdido no meio de assombrosos acontecimentos que o cercam e perseguem, revelando que há algo à espreita lhe observando.</p>
<p>Talvez o grande mérito do filme de Marchetti seja justamente a sua coragem de ser. Sua essência como cineasta está desenhada há muito em seus projetos, mas, aqui, ela grita tão alto quanto o desejo pulsante dos jovens rapazes retratados em tela. O véu que comentei embala a narrativa em uma espécie de Alice no País das Maravilhas sexual, densa e esteticamente formidável. As cores vibram na tela tanto quanto aqueles corpos suados (e reais) que se desejam cada vez mais num <em>looping</em> de tesão sem fim e inconsequente &#8211; custando, inclusive, a própria vida. <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> é um belo esforço criativo sobre acreditar em sua ideia e levá-la adiante, com uma equipe que, claramente, abraçou os desejos de um jovem diretor <em>queer</em> que quis falar de sua história da melhor forma que sabe: fantasiando os temores da vida através da ficção.</p>
<figure id="attachment_20679" aria-describedby="caption-attachment-20679" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20679" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-750x500.jpg" alt="Labirinto dos Garotos Perdidos (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Labirinto-dos-Garotos-Perdidos-20263.jpg 2048w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20679" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Labirinto dos Garotos Perdidos (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>É sempre um prazer assistir às histórias de Marchetti &#8211; e aqui não é diferente. Ele consegue, com muita irreverência, caminhar pelo lúdico e sombrio. A corda bamba proposta em <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> é um deleite para quem sente falta de fábulas na atualidade &#8211; especialmente quando essa narrativa dá espaço para figuras tão marginalizadas nesse tipo de fantasia. Na contramão de todo esse universo fantástico, está o amor do diretor pelo horror. Seu arcabouço de referências, como cinéfilo e cineasta, demonstra seus interesses e suas preferências, desenhando perfeitamente os caminhos de seus roteiros.</p>
<p>Em meio ao turbilhão de caminhos que o diretor poderia perseguir com uma história como essa, Marchetti escolhe por brincar ainda mais com suas possibilidades. A sátira dos momentos desconfortáveis na afetividade masculina, especialmente na fase de descoberta, permitem que o personagem principal viva os horrores da vida real, onde os relacionamentos, como sempre nos lembra Bauman, são mais dissolutos do que nunca. Ainda nessa lógica, existe uma sensação que persegue o público do início ao fim da sessão de <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong>. Colocando o horror fantástico de lado, o filme opera como um diário secreto do diretor em seus primeiros anos de descoberta sexual. O olhar a vida íntima pelo buraco da fechadura citada por Nelson Rodrigues é elevado à outro patamar com essa narrativa.</p>
<p>Toda a fabulação sobre os temores de ser um homem gay em busca de um par é maravilhosamente costurada com humor e beleza &#8211; marca registrada do diretor. Como de costume, <strong><em>Labirinto dos Garotos Perdidos</em></strong> é construído por meio de uma Montagem instigante, uma Fotografia argentoniana espetacular e uma Arte que desenha as atmosferas de fantasmagoria costumeiras nas narrativas do cineasta. Mais uma vez, Matheus Marchetti se despe diante da câmera (dessa vez, também no sentido literal), mostrando suas ansiedades, memórias e excitações.</p>
<p>As possibilidades mostradas pelo diretor e roteirista provam que o horror <em>queer</em> segue vivo e pulsante. Além, é claro, de se mostrar disposto a ser visto de forma crua e natural, sem pudores e hipocrisias, dando espaço para que um público muito marginalizado possa ver seus sonhos mais frequentes (ou pesadelos mais obscuros) na telona. Tudo isso feito com humor afiado, apreço visual belíssimo e muito (mas MUITO) tesão. E tenho dito: se você tiver a oportunidade de se deliciar com <em><strong>Labirinto dos Garotos Perdidos</strong></em>, especialmente nos cinemas, nunca mais conseguirá olhar para um pepino do mesmo jeito. Esteja avisado.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Matheus Marchetti</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Matheus Marchetti</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Giuliano Garutti, Lucas Bocalon, Henrique Natálio, Gabriela Gonzalez, Gabriel Muglia, Matheus Marchetti, Tony Germano, Gustavo Brait, Julio Mourão, Igor Patrocínio, Tuna Dwek</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/1n8STYlz_q8?si=VaKkHNGC_JmxBdm3" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Aqui não entra luz</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 21:24:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Aqui não entra luz]]></category>
		<category><![CDATA[Karolina Maia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando um documentário escolhe se valer apenas de cabeças flutuantes*, é quase certeiro que só resta debater sobre o assunto da obra. No sentido temático, Aqui não entra luz é necessário, contemporâneo e corajoso ao abordar o tratamento de trabalhadoras domésticas. Uma delas é a mãe da diretora, Karolina Maia. Por isso, como milhares de docs recentes, ele tem voz off da cineasta, por ser um relato pessoal. Dentro desta lógica, o que torna a sessão prazerosa ou um pesadelo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Quando um documentário escolhe se valer apenas de cabeças flutuantes*, é quase certeiro que só resta debater sobre o assunto da obra. No sentido temático, <em>Aqui não entra luz</em> é necessário, contemporâneo e corajoso ao abordar o tratamento de trabalhadoras domésticas.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Uma delas é a mãe da diretora, Karolina Maia. Por isso, como milhares de docs recentes, ele tem voz off da cineasta, por ser um relato pessoal. Dentro desta lógica, o que torna a sessão prazerosa ou um pesadelo são as próprias personagens e o que elas estão contando.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque é nelas que um documentário neste estilo vai se sustentar. É, por isso que, aqui, a projeção é satisfatória. </span>As cinco mulheres escolhidas por Karol têm perfis bastante distintos, mas que dialogam com a trama que ela deseja montar.</p>
<p style="font-weight: 400;">Tanto pelas trajetórias de suas vidas, como por suas personalidades. Assim, cada história se complementa e se costura. Aliviando a parte de que o longa-metragem é majoritariamente ancorado na força e no carisma das suas personagens.</p>
<p style="font-weight: 400;">É preciso enaltecer a coragem destas mulheres, que se colocam em cena para contar suas histórias. <span style="font-weight: 400;">Ainda que exista um gosto amargo porque não há volta para as impunidades que ocorreram com as trabalhadoras, estas são histórias que precisam circular.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Cristiane Graciano, Rosarinha, Mãe Flor, Marcelina Martins e Miriam Mendes (mãe de Karol) resistiram, quebraram amarras e hoje entregam um futuro diferente para as gerações posteriores a ela.</span></p>
<p>No entanto, as moças deixam nítido que a batalha contra a opressão continua e a exposição de seus rostos e vozes, contentes, fortes e vivas, é uma das formas de esmigalhar a falácia colonialista e escravocrata das classes médias e altas no Brasil.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Elas estão ali para falar delas, quem são e o que viveram. É por isso que é importante destacar como o roteiro de Karol e a montagem de </span><span style="font-weight: 400;">Cesar Gananian e Fernanda Krajuska respeitam essas figuras e fomentam a conexão da plateia com as mesmas. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A forma como os dialogos com as personagens são conduzidos sensibilizam porque é possível saber o que elas experienciaram, porém não de uma forma que elas sejam mostradas sem cuidado.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Os cortes entre as narrativas de cada uma também entrelaça os sentidos. </span>O triste retrato colonialista brasileiro é amarrado pelas vivências de mulheres de regiões distintas do país, que passaram por maus tratos e assédios em múltiplas medidas, incluindo o <b>sequestro</b> da filha de uma delas.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, há no longa conexões visuais e discursivas, que aumentam a relevância da produção. Assim, <em>Aqui não entra luz</em>, com toda a sua denúncia e carinho com suas figuras dramáticas**, se torna um título fundamental da cinematografia nacional.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Seria interessante ver Maia convocando o que já está presente de disruptivo em sua fala e na sua visão de mundo para a sua decupagem também. Todavia, temáticas como estas precisam estar nas telonas, para além da linguagem do cinema.</span></p>
<p>* entrevistas</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">**no sentido da dramaturgia </span></p>
<p><br style="font-weight: 400;" /><strong>Direção</strong>: Karolina Maia<br style="font-weight: 400;" /><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Aqui Não Entra Luz | trailer oficial | nos cinemas em 07 de maio" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/DJTZF3LRevs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica O Jogo do Predador (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 16:08:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Apex]]></category>
		<category><![CDATA[Charlize Theron]]></category>
		<category><![CDATA[Eric Bana]]></category>
		<category><![CDATA[O jogo do predador]]></category>
		<category><![CDATA[Taron Egerton]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Charlize Theron embarca neste suspense que, ao tentar não entregar um resultado genérico, apresenta justamente isso. O Jogo do Predador é mais um filme de psicopata, que persegue uma mocinha durona.  O que acontece aqui é que projeção não sustenta o que conseguiu apresentar em sua abertura. Porque é preciso admitir que quando a obra foca, em seus primeiros minutos, na relação do casal Sasha (Theron) e Tommy (Eric Bana), ela prende a atenção. Tudo parece ser instigante no enredo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Charlize Theron embarca neste suspense que, ao tentar não entregar um resultado genérico, apresenta justamente isso. <em>O Jogo do Predador</em> é mais um filme de psicopata, que persegue uma mocinha durona. </span></p>
<p>O que acontece aqui é que projeção não sustenta o que conseguiu apresentar em sua abertura. Porque é preciso admitir que quando a obra foca, em seus primeiros minutos, na relação do casal Sasha (Theron) e Tommy (Eric Bana), ela prende a atenção.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Tudo parece ser instigante no enredo naquele momento. Tanto o teor da conversa, os anos de relacionamento da dupla, quanto o local do diálogo: uma montanha na neve. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Os dois não apenas falam sobre presente, passado e possibilidades de futuro, como dormem no meio da escalada, em uma tenda, fixada na própria montanha! A impossibilidade de deslocamento, as tensões espaciais e os sentimentos de Sasha e Tommy geram empatia no público e convocam um clima de suspensão.</span></p>
<p>Todavia, após a morte de Tommy, a trama se perde. A pior parte dessa lógica é que o que vem depois do luto de Sasha é o plot real do longa-metragem e a maior parte da sessão.</p>
<p>No entanto, com previsibilidade e falas preguiçosas, a produção fica difícil de acompanhar. <span style="font-weight: 400;">Os momentos que essa característica negativa mais se destacam são os que acontecem no acampamento de Ben (Taron Egerton).<br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A tentativa de criar um jogo mental entre as personagens não funciona, porque o texto é caricato e repetitivo. Serial killer obcecado pela mãe e que gosta de criar padrões nas mortes das vítimas? Zero novidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E, tudo bem, não precisava ser tão inventivo assim, porém é necessário explorar progressões e camadas das personagens. Mas, esse elemento não se faz presente apenas no roteiro.</span></p>
<p>Além disso, a marcação de cena entrega uma espécie de <em>deja vu</em>. É como se quem assiste soubesse quem vai para esquerda ou direita, quem vai correr e como vai fazer isso, cada passinhos… Esse fato é curioso porque a trama tenta surpreender com sequências como a dentro da caverna e depois que Sasha foge de lá.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, o desfecho ainda se torna torturante porque depois que (alerta de spoiler) o vilão morre, o espectador ainda tem que ver tudo que Sasha vai fazer. Nada na obra pode ficar subentendido. Lembra aquela conversa de artistas de Hollywood sobre o pedido das repetições e obviedades nas histórias para os streamings?</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Isso não é novidade e já ocorria na televisão aberta, ok. E essa discussão é extensa. Mas, o que importa aqui é que, de fato, essa estratégia é utilizada. As cenas se parecem umas com as outras, as personagens não são desenvolvidas e o consumidor é subestimado na contemporaneidade. </span></p>
<p>De toda maneira, pelo menos a equipe abusa das temperaturas quentes e a fotografia vai além das luzes chapadas de atualmente. Isso e o fato do filme Theron com Bana no começo já são ganhos extraordinários para o cenário que o cinema estadunidense vive.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Baltasar Kormákur</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Charlize Theron, Eric Bana, Taron Egerton</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="O JOGO DO PREDADOR | Trailer (2026) Legendado" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/oMBKd-kpk70?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Crítica Obsessão</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-obsessao-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 May 2026 02:37:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[Blumhouse Productions]]></category>
		<category><![CDATA[Capstone Pictures]]></category>
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		<category><![CDATA[Obsessão]]></category>
		<category><![CDATA[Obsession]]></category>
		<category><![CDATA[Tea Shop Productions]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O horror trouxe para 2026 a promessa de um ano bem movimentado. Com estreias como Socorro!, Casamento Sangrento: A Viúva e A Maldição da Múmia, o gênero já vem engajando o seu público cativo desde o início do ano e tem mais uma promessa que estreia no Brasil por agora. Uma das mais novas promessas do horror atual tem a sua estreia marcada com seu mais novo filme. Obsessão, do youtuber Curry Barker, chega aos cinemas nesta quinta-feira (14). O [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O horror trouxe para 2026 a promessa de um ano bem movimentado. Com estreias como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-socorro/"><em>Socorro!</em></a>, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casamento-sangrento-a-viuva/"><em>Casamento Sangrento: A Viúva</em></a> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-maldicao-da-mumia/"><em>A Maldição da Múmia</em></a>, o gênero já vem engajando o seu público cativo desde o início do ano e tem mais uma promessa que estreia no Brasil por agora. Uma das mais novas promessas do horror atual tem a sua estreia marcada com seu mais novo filme. <strong><em>Obsessão</em></strong>, do youtuber Curry Barker, chega aos cinemas nesta quinta-feira (14).</p>
<p>O longa-metragem é mais uma promessa de um cineasta que sai da plataforma de vídeos para ganhar o mundo da sétima arte. Desde a sua exibição no Festival de Toronto no ano passado, <strong><em>Obsessão</em></strong> vem gerando um burburinho no meio do horror como um dos principais filmes do gênero em 2026. Com tudo, parafraseando o tio Ben, com grandes expectativas vêm (a possibilidade de) grandes frustrações. Seria esse o caso desse lançamento?</p>
<p><strong><em>Obsessão</em></strong> narra a vida de Bear (interpretado por Michael Johnston), um jovem apaixonado por sua amiga de infância e colega de trabalho, Nikki (Inde Navarrette). A angústia pelo amor não correspondido e sua falta de coragem em arriscar fazem com que ele recorra, sem muita crença, ao sobrenatural para ter o amor que tanto sonhou. Bear acha, em uma loja de artefatos místicos, um objeto que lhe concederá um único pedido, o de ter o amor por Nikki correspondido. O que ele não esperava é que seu desejo pudesse ter consequências tão brutais.</p>
<p>Sob essa premissa, o longa de Barker mexe com uma base narrativa bem comum entre histórias juvenis: o amor não correspondido da pessoa mais introspectiva/tímida. A proposta em ter isso como um mote narrativo não é o problema, mas como é feito. <strong><em>Obsessão</em></strong> é, apesar de muito bem executado e, por vezes, visualmente chocante, enfadonho.</p>
<figure id="attachment_20643" aria-describedby="caption-attachment-20643" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20643" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-750x500.jpg" alt="Obsessão (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Obsessao-20261.jpg 1199w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20643" class="wp-caption-text">Michael Johnston e Inde Navarrette em cena de &#8216;Obsessão (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Parece que o objetivo do cineasta era construir personagens insuportáveis para tornar tudo ainda mais intenso, revoltante, perturbador e incômodo. O problema é que ele fez isso tão bem em seu roteiro que o longa, em diversos momentos, se torna insustentável de tão irritantes que são seus personagens. <strong><em>Obsessão</em></strong> é uma sessão interminável de raiva e ansiedade com as insanidades vividas por Bear devido ao seu desejo desmedido e imaturo.</p>
<p>Bear age como uma esponja idiota quase que o filme inteiro. Durante as quase 2h de duração de <strong><em>Obsessão</em></strong>, o personagem apenas absorve as pancadas e os absurdos que agora regem sua vida. Nikki, por outro lado, é mostrada com uma instabilidade emocional que provoca verdadeiro desespero &#8211; e beira o absurdo (não no bom sentido). E aqui é importante enaltecer os atores Michael Johnston (<em>Teen Wolf</em>) e Inde Navarrette (<em>Superman &amp; Lois</em>) que conseguem carregar isso com o que os seus personagens insuportáveis lhes restam de carisma. Eles encarnam bem essas personas, mas isso não as salva da tortura que é assistir a essa sinfonia insuportável.</p>
<p>Ainda que existam os méritos em alcançar esse incômodo no espectador, existe uma visão um tanto limitada sobre o (con)texto. Quase como se fosse a percepção de alguém que quis colocar um amor nunca correspondido no papel e fez isso da forma mais birrenta e infantil possível. <strong><em>Obsessão</em></strong> perde muito em suas investidas juvenis na forma com que olha a codependência emocional de um relacionamento juvenil. Com um outro olhar &#8211; menos birrento, talvez -, o projeto poderia ser verdadeiramente denso e aterrador.</p>
<p>O gosto amargo que fica ao final da sessão é exatamente por conta disso. O exagero e os absurdos fazem parte da proposta. Barker deixa claro em vários momentos que quer esgaçar ao máximo os limites do que é posto em tela, mas isso, em certos momentos, faz com que a dramaticidade de alguns ciclos narrativos não tenha força nenhuma. E é aqui que <strong><em>Obsessão</em></strong> perde. O interesse estético e o conhecimento técnico são evidentes por parte do diretor, sua premissa é algo que chama a atenção, mas a ausência de uma profundidade dramática é gritante e isso não tem como resolver &#8211; nem mesmo com um desejo mágico.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Curry Barker</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Curry Barker</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Michael Johnston, Inde Navarrette, Cooper Tomlinson, Megan Lawless e Andy Richter</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/OYueQyeNgOk?si=8VleYzdJA_PHiOoM" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-obsessao-2/">Crítica Obsessão</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica A Maldição da Múmia</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-maldicao-da-mumia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 11:22:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[A maldição da múmia]]></category>
		<category><![CDATA[Jack Reynor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para um filme que carrega o nome do diretor no título original (Lee Cronin’s The Mummy), este é um longa-metragem bastante genérico. Previsível, sem explorar as camadas de suas personagens e investindo o tempo da projeção em sustos vazios, A Maldição da Múmia é difícil de acompanhar. Desde os primeiros minutos de exibição, é possível notar a sua impessoalidade. A história não procura criar empatia com suas personagens e os saltos temporais, dos menores aos maiores, quebram ainda mais essa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Para um filme que carrega o nome do diretor no título original (<em>Lee Cronin’s The Mummy</em>), este é um longa-metragem bastante genérico.</p>
<p style="font-weight: 400;">Previsível, sem explorar as camadas de suas personagens e investindo o tempo da projeção em sustos vazios, <em>A Maldição da Múmia</em> é difícil de acompanhar.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desde os primeiros minutos de exibição, é possível notar a sua impessoalidade. A história não procura criar empatia com suas personagens e os saltos temporais, dos menores aos maiores, quebram ainda mais essa conexão com as figuras dramáticas. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, nem a família protagonista e nem a antagonista possui suas trajetórias desveladas. </span><span style="font-weight: 400;">Em termos de direção, Cronin também seleciona saídas previsíveis.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> É curioso observar como as escolhas de enquadramento, marcação de cena e movimento de câmera são óbvias, justamente porque focam em assustar por assustar. Inserir <em>jump scare</em> não é o problema. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A grande questão dos filmes de terror é que é preciso se importar com as personagens mostradas na tela para que esses instantes funcionem. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, o que ocorre nesta produção são pistas imagéticas e verbais de cada acontecimento, um atrás do outro, o que torna a experiência cansativa, com exceção do desfecho. Ele sim é, de fato, corajoso e surpreende por apostar na vingança.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Somente neste momento é que a obra ganha contornos além do moralismo comum de títulos do gênero. Além disso, vale ressaltar o esforço do elenco em comprar aquela narrativa. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por mais absurdo que sejam as falas e as ações, como na sequência do velório, o elenco mantém-se firme. </span><span style="font-weight: 400;">O principal fator para que essa qualidade mínima exista é a forma como eles se olham.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> A organicidade está presente nas miradas que os atores se dão, o que revela uma grande fé cênica. </span>Mas, ainda assim, <em>A Maldição da Múmia</em> não tem muito mais para oferecer de positivo.</p>
<p style="font-weight: 400;">Porque, para além de trazer mais uma história de menina possuída, com elementos que deixam seu corpo repulsivo (unhas podres, baba, pele que cai etc.), ainda tem muita misoginia e etarismo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A personagem da avó Carmen (Veronica Falcón) pode gerar um desconforto. Como a senhora usa dentadura, isso vira uma espécie de piada contínua. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Carmen é latina, católica e morre violentamente, revelando a perspectiva de quem é que pode ser descartada na trama. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Essa figura feminina idosa cristã rende uma discussão maior, claro, porém esse ponto do filme precisa ser observado porque para além de todos os clichês da obra, ela ainda é ofensiva. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por esses motivos, <em>A Maldição da Múmia</em> não é um material que vale ser consumido.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção</strong>: Lee Cronin</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Jack Reynor, Laia Costa, May Calamawy</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="MALDIÇÃO DA MÚMIA | Trailer (2026) Legendado" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/J1vWl2c4cvg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Crítica O Drama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 12:56:10 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Diamond Films]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que fazer quando um segredo maior do que si ou o outro é revelado? Como seguir com uma relação quando os preceitos de moralidade, ética ou crença se estilhaçam da noite para o dia? E, pior, o que fazer quando quem você acha conhecer se mostra um completo estranho? Essas são as perguntas que guiam o cerne narrativo do novo drama psicológico satírico, que se disfarça como comédia romântica, estrelado por Zendaya (Rivais, de 2024) e Robert Pattinson (Mickey [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que fazer quando um segredo maior do que si ou o outro é revelado? Como seguir com uma relação quando os preceitos de moralidade, ética ou crença se estilhaçam da noite para o dia? E, pior, o que fazer quando quem você acha conhecer se mostra um completo estranho? Essas são as perguntas que guiam o cerne narrativo do novo drama psicológico satírico, que se disfarça como comédia romântica, estrelado por Zendaya (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rivais/"><em>Rivais</em></a>, de 2024) e Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mickey-17/"><em>Mickey 17</em></a>, de 2025). <strong><em>O Drama</em></strong> estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (9) e já chega como um filme que dividirá opiniões.</p>
<h3>O Texto</h3>
<p>Escrito pelo cineasta Kristoffer Borgli (<em>O Homem dos Teus Sonhos</em>, de 2023), o roteiro tem como base de sua premissa desestabilizar um dos sacros momentos de narrativas românticas: o casamento. Com um segredo que vem à tona &#8211; e que merece ser guardado a sete chaves até que você assista ao filme -, o casal às vésperas da tão sonhada cerimônia se veem perdidos com as revelações e o que elas colocam em jogo. Talvez o mais comum recurso de <em>storytelling</em> quando o assunto é relacionamento no cinema é expor algo do seu interesse amoroso que choque e coloque em prova o sentimento. O problema é que o que é revelado em <strong><em>O Drama</em></strong> é muito maior do que qualquer <em>plot</em> comumente usado em comédias românticas.</p>
<p>Talvez o maior mérito de Borgli seja a escolha do que subverter em seu novo longa-metragem. A partir de trabalhos anteriores, já é possível perceber uma linha criativa que gosta de esgarçar os limites imaginativos de certas situações e convenções da vida e, desta vez, ele resolve invadir o imaginário do sonho casamenteiro para desestabilizá-lo por inteiro. Pôr em jogo a dinâmica, a confiança e até os desejos do casal a partir da revelação de um segredo desconcertante vira o jogo de ponta cabeça e faz de <strong><em>O Drama </em></strong>um filme que merece sua atenção.</p>
<p>É no momento da revelação que o filme se configura como esse drama psicológico. A doçura e o cuidado comuns de uma comédia romântica são descartados e dão lugar a uma onda de paranoias e inseguranças que inundam a narrativa. O que era uma bela história de amor se torna uma frenética corrida contra esse elefante na sala que passou a habitar as vidas de Emma e Charlie (respectivamente, Zendaya e Robert). Apesar da tensão palpável, o roteiro de <strong><em>O Drama</em></strong> tem um sadismo genial que satiriza tudo aquilo a ponto de gerar momentos divertidamente desconfortáveis, onde a única saída do espectador é literalmente rir de nervoso pelo desconforto visto na telona.</p>
<h3>O Diretor</h3>
<p>A direção, também assinada por Borgli, faz questão de criar imagens de puro desconforto. Sejam os <em>flashbacks</em> que vão, aos poucos revelando os segredos, sejam os momentos de confronto imaturo e despreparo do casal, há um claro esforço do cineasta em construir a atmosfera mais desconfortável possível durante o filme. Não existe tempo de respiro entre as cenas, é um turbilhão de momentos estranhos, incômodos e vilmente hilários. <strong><em>O Drama</em></strong> parece ser orquestrado por uma máxima de delírios do &#8216;e se&#8217;. Como se o diretor quisesse colocar o próprio espectador em cheque junto dos seus personagens.</p>
<figure id="attachment_20574" aria-describedby="caption-attachment-20574" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20574" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-750x500.jpeg" alt="O Drama (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG-770x513.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4966.JPG.jpeg 1101w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20574" class="wp-caption-text">Zendaya e Robert Pattinson em cena de &#8216;O Drama (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ao trazer o público para tão perto, tudo se torna ainda mais desconcertante. O riso não vem pela graça, mas como um mecanismo de defesa da mente para lidar com o que não é possível de se acreditar e/ou resolver. Confrontar os delírios e absurdos vistos em tela geram uma profusão de emoções que acabam, normalmente, saindo como uma gargalhada de desconforto. Por essa razão, <strong><em>O Drama </em></strong>facilmente divide opiniões. O que incomoda instiga ao mesmo tempo que afasta e esse é o maior trunfo &#8211; e o maior risco &#8211; da produção.</p>
<p>Outro ponto que pode ser controverso é o próprio segredo que mexe com um tema muito caro ao público estadunidense. Apesar de ser algo delicado, não é tratado de forma leviana no filme. Na verdade, o segredo ser o que é vem como uma crítica sobre um estigma social e geracional que persegue e rui diariamente o (nada estável) país. E a forma como Borgli trabalha isso no longa é deliberadamente ácida para incomodar. Ele faz questão de tocar na ferida aberta e rodar o dedo até ver o sangue escorrer. <strong><em>O Drama</em></strong> é um filme que foi feito para incomodar, não há dúvidas nisso.</p>
<h3>O Elenco</h3>
<p>A escolha do elenco não poderia ser melhor. As oposições em cena construídas pelos atores e texto dão força para essa ode ao desconforto criada por Borgli. Por ser um projeto focado em criar e ruir relações diante dos olhos do público, era preciso acertar em cheio no <em>casting</em> para que a narrativa pudesse alcançar o seu ápice. E, não à toa, Zendaya e Pattinson foram grandes acertos. Além da incontestável química e carinho que eles trazem para a relação dos personagens, existe uma equidade de contracena que impressiona. Parece que suas trajetórias os levaram até esse momento para que eles vivessem o desmoronar desse casal fictício em <em><strong>O Drama</strong></em>.</p>
<p>Para além do <em>show</em> que Zendaya e Robert entregam por brilharem em seus papeis, o elenco secundário é outro primor do projeto. Alana Haim (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-licorice-pizza/"><em>Licorice Pizza</em></a>, de 202), Mamoudou Athie (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/39o-festival-internacional-de-cinema-de-guadalajara-tipos-de-gentileza/"><em>Tipos de Gentileza</em></a>, de 2024) e Hailey Gates (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-marty-supreme/"><em>Marty Supreme</em></a>, de 2025) merecem ser destacados por suas contribuições aos delírios do casal principal. A raiva borbulhante e impulsiva de Haim, a passividade apaziguadora de Athie e a confusão caótica de Gates são o cerne de suas interpretações e responsáveis por intensificar a equação narrativa proposta pelo roteiro. <strong><em>O Drama</em></strong> nada seria sem seus catalisadores do caos.</p>
<p>É esse equilíbrio entre o elenco, o roteiro e a direção que apontam para o caminho desejado para a narrativa: gerar um incômodo incontestável a qualquer custo. E o resultado é alcançado sem dificuldades. No entanto, é essa máxima que pode afastar uma parcela de pessoas de <strong><em>O Drama</em></strong>. Ainda assim, a intencionalidade desse navio naufragando é também o que há de mais fascinante na narrativa. O filme funciona porque seu elenco cumpri com a missão de tornar palatável a confusão insana de sua história &#8211; e faz isso com uma comicidade ácida tão desconcertante quanto seu roteiro.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kristoffer Borgli</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Hailey Gates, Zoë Winters, Hannah Gross e Jordyn Curet</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/eJ7_iPylqS4?si=f132P3PJ0dPY_pBJ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Velhos Bandidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 12:33:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Os anos 2000 carregam uma forte memória afetiva do boom do cinema nacional, especialmente com comédias que marcaram gerações, como O Auto da Compadecida (2000), Lisbela e o Prisioneiro (2003), Se Eu Fosse Você (2006), Ó Paí, Ó (2007) e Saneamento Básico, O Filme (2007). Esse estilo de filme parece ter perdido espaço ao longo dos anos, sendo ocupado por longas-metragens de ação e suspense. O cineasta Cláudio Torres (O Homem do Futuro, de 2011), no entanto, parece tentar virar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Os anos 2000 carregam uma forte memória afetiva do <em>boom</em> do cinema nacional, especialmente com comédias que marcaram gerações, como <em>O Auto da Compadecida (2000)</em>, <em>Lisbela e o Prisioneiro (2003)</em>, <em>Se Eu Fosse Você (2006)</em>, <em>Ó Paí, Ó (2007)</em> e <em>Saneamento Básico, O Filme (2007)</em>. Esse estilo de filme parece ter perdido espaço ao longo dos anos, sendo ocupado por longas-metragens de ação e suspense. O cineasta Cláudio Torres (<em>O Homem do Futuro</em>, de 2011), no entanto, parece tentar virar esse jogo com o seu mais novo projeto. Produzido pela Conspiração Filmes e distribuído pela Paris Filmes, <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em> chega aos cinemas nesta quinta-feira (26) como uma promessa de resgate do tom cômico dos anos 2000.</p>
<p>Recheados de rostos conhecidos, o novo longa de Torres é a união entre o dinamismo de uma ação cinematográfica simples e objetiva com a comicidade das desventuras e atropelos do acaso com o grupo de criminosos liderados por Fernanda Montenegro (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui/"><em>Ainda Estou Aqui</em></a>, de 2024). Co-escrito pelo diretor e por Renan Flumian (<em>Amores Pandêmicos</em>, de 2023) e Fábio Mendes (<em>Dom</em>, de 2021-24), o filme desenvolve uma narrativa que não inova, nem surpreende com suas reviravoltas, mas que agrada com a entrega de seu elenco. Ainda que conte com situações inusitadas &#8211; algumas que beiram o absurdo -, <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em> conta com a qualidade da contracena de seu elenco principal para guiar a história.</p>
<p>A naturalidade e a cumplicidade da troca entre o elenco é a força desse projeto. Conseguir reunir Montenegro, Ary Fontoura (<em>Patos!</em>, de 2023), Vladimir Brichta (<em>Pedaço de Mim</em>, de 2024), Bruna Marquezine (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-besouro-azul/"><em>Besouro Azul</em></a>, de 2023) e Lázaro Ramos (<em>Medida Provisória</em>, de 2022) num enredo leve, engraçado e com o que aparenta ser uma liberdade para brincar em cena é a grande sacada da produção. No auge dos seus 96 anos, dona Fernandona parece estar se deleitando com as cenas. Ao seu lado, Ary também aparenta curtir cada momento de sua participação em <strong><em>Velhos Bandidos</em></strong> e é o carisma dessa dupla que conquista o público logo nos primeiros momentos do longa.</p>
<figure id="attachment_20530" aria-describedby="caption-attachment-20530" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20530" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-750x500.jpeg" alt="Velhos Bandidos (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-1536x1024.jpeg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-2048x1365.jpeg 2048w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-770x513.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-1400x933.jpeg 1400w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20530" class="wp-caption-text">Bruna Marquezine e Vladimir Brichta em cena de &#8216;Velhos Bandidos (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ao lado de Montenegro e Fontoura, Brichta e Marquezine também são responsáveis por ajudar com o apelo carismático. O <em>timing</em> cômico de Vladimir já é de conhecimento do espectador por conta de sua carreira e ele é conduzido pelos seus mestres em cena para um divertimento que chega em quem está assistindo. Bruna, apesar de ser a mais nova do quinteto principal, tem um vasto currículo e esteve se debruçando em projetos que lhe deram as ferramentas para aproveitar esse longa e se mostrar uma atriz inteligente em cena. Com o quarteto numa sintonia hilária, só falta observar o antagonista deles em <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em>: o policial interpretado por Lázaro Ramos.</p>
<p>Ramos, ao contrário de seus colegas, é contraponto da narrativa. Um investigador obstinado que aparenta não descansar até desmascarar os bandidos, custe o que custar. Mesmo com sua extensa experiência com comédia, Lázaro acaba sendo, por boa parte do filme, a sobriedade que a narrativa pede para se manter fiel a ideia da ação policial. No entanto, seus momentos de troca com o restante do elenco desenham ainda mais o abismo entre tons que o longa carrega &#8211; o que, ora gera momentos engraçados, ora gera um leve desconforto por soar deslocado. Ainda assim, <em><strong>Velhos Bandidos</strong></em> se mantém funcionando por ter no <em>front</em> esse quinteto de qualidade que guia o filme.</p>
<p>A produção da Conspiração Filmes ainda conta com um elenco secundário de peso, um alto investimentos em efeitos especiais e um jogo de ação através da direção que prende a atenção. Ao fim da sessão, mesmo que sem nenhuma grande inovação ou surpresa, <em><strong>Velhos Bandidos </strong></em>acaba por agradar. É um filme Sessão da Tarde para arrancar algumas boas risadas por conta do seu elenco. A ação é bem executada dentro da proposta, mas o forte mesmo do projeto é o valor da contracena do quinteto e como eles se deliciam ao estarem em cena. Cada troca é um convite ao público para relaxar na poltrona e aproveitar a troca equilibrada que eles entregam.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Cláudio Torres</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vladimir Brichta, Bruna Marquezine, Lázaro Ramos, Reginaldo Faria, Nathalia Timberg, Laila Garin, Vera Fischer, Tony Tornado, Teca Pereira, Hugo Bonemer, Mary Sheila, Guida Vianna e Hamilton Vaz Pereira</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/PRaDV-PaG4s?si=9SS3aZB2WS5Ns9xO" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Casamento Sangrento: A Viúva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 12:44:16 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Antony Hall]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dar continuidade a uma história que deu certo e parece se encerrar em si é um risco. Ainda que hoje a expansão de universos seja uma prática comum pro cinema hollywoodiano, não deixa de ser uma escolha arriscada, especialmente no gênero do terror, onde as sequências costumam ser inferiores aos filmes originais. Parece que a Radio Silence entendeu essa dinâmica e fez seu dever de casa ao propor a continuação de Casamento Sangrento (2019). O desafio dessa decisão residia na [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Dar continuidade a uma história que deu certo e parece se encerrar em si é um risco. Ainda que hoje a expansão de universos seja uma prática comum pro cinema hollywoodiano, não deixa de ser uma escolha arriscada, especialmente no gênero do terror, onde as sequências costumam ser inferiores aos filmes originais. Parece que a Radio Silence entendeu essa dinâmica e fez seu dever de casa ao propor a continuação de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/dica-do-dia-casamento-sangrento-telecine-play/"><em>Casamento Sangrento (2019)</em></a>. O desafio dessa decisão residia na proposição de uma caçada ainda mais hercúlea para a protagonista vivida por Samara Weaving (<em>Pânico VI</em>, de 2023), em mais gore, sangue e o bom e velho humor ácido que os longas-metragens da produtora costumam ter. E foi assim que surgiu o hilário e cruel <em><strong>Casamento Sangrento: A Viúva</strong></em>.</p>
<p>Com estreia marcada no Brasil para esta quinta-feira (19), a sequência retoma exatamente de onde deixamos a personagem central para entendermos o quanto a sua vitória no esconde-esconde afetou algo maior do que a família Le Domas. Existe um Alto Conselho de famílias associadas ao senhor Le Bail e seu pacto que, por conta das regras dessa associação, devem disputar o trono do Conselho caçando Grace (Weaving) e sua irmã Faith (Kathryn Newton), que entra em cena para lutar por sua vida e resolver seu passado com a primogênita. Tudo isso, recheado de sangue, entranhas e muitas risadas nessa nova luta pela sobrevivência até o amanhecer em <em><strong>Casamento Sangrento: A Viúva</strong></em>.</p>
<h3>O estilo Olpin-Bettinelli/Gillett e a Radio Silence</h3>
<p>Imersos em sua fórmula de projetos, a dupla de diretores e fundadores da Radio Silence, Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-abigail/"><em>Abigail</em></a>, de 2024), trazem renovação para seu primeiro grande sucesso por acreditarem no seu estilo. A junção Olpin-Bettinelli/Gillett é gerada de um tipo de horror específico. Claramente inspirado na essência da franquia Pânico (1996-2026), o humor é o grande aliado do terror em <em><strong>Casamento Sangrento: A Viúva</strong></em>. As nuances da direção podem ser percebidas e apreciadas no equilíbrio entre o riso e o pavor. É quando saímos de um momento de tensão tendo dado uma gargalhada, como uma válvula de escape para todo o temor visto em cena.</p>
<p>Matt e Tyler entendem o tempo do espectador, suas expectativas e, acima de tudo, eles sabem como <span style="font-weight: 400;">diverti-los</span> e isso é fácil da maneira mais simples possível: pensando no que os diverte nesse tipo de filme. A direção enaltece o exagero das cenas, dos planos, da música, da montagem e tudo o que é mais possível em cena. Seja para esticar ao máximo a tensão ou partir com ela para gerar um riso. Essa é a fórmula dos diretores e da produtora &#8211; e <em><strong>Casamento Sangrento: A Viúva</strong></em> é só mais uma prova disso. É evidente que essas mesmas escolhas que abraçam uma parcela do público também afastam outra, mas Matt e Tyler decididamente estão fazendo seus filmes para um tipo de público. Eles querem encher as salas de cinema com quem, assim como eles, entra disposto a viver tudo o que o filme pode te proporcionar &#8211; do pior ao melhor.</p>
<p>Para abraçar de vez a proposta e as dificuldades da sequência, a direção precisaria de um roteiro que sustentasse os extremos e de um elenco de peso que daria fôlego para outra caçada. E assim foi feito. Retornando para o segundo longa estão Guy Busick e R. Christopher Murphy (responsáveis pelo antecessor) com ainda mais coragem para pirar nas esdrúxulas mortes, na estrutura da seita e na tênue linha entre horror e humor. Fica claro logo nos primeiros 10 minutos de filme que a escala cresceu consideravelmente para acompanhar não só a trama, mas o desejo de expandir e aumentar as possibilidades narrativas &#8211; especialmente as elaboradas mortes num hotel de campo luxuoso. <em><strong>Casamento Sangrento: A Viúva </strong></em>é a prova de que ainda é possível se fazer uma boa continuação. Aqui bastou uma parceria bem estabelecida, um estilo definido e um coletivo que acreditava na proposta criativa tanto do roteiro como da direção.</p>
<figure id="attachment_20515" aria-describedby="caption-attachment-20515" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20515" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20261.jpg.jpg-750x500.jpeg" alt="Casamento Sangrento: A Viúva (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20261.jpg.jpg-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20261.jpg.jpg-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20261.jpg.jpg-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20261.jpg.jpg-770x514.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20261.jpg.jpg.jpeg 1399w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20515" class="wp-caption-text">Samara Weaving e Kathryn Newton em cena de &#8216;Casamento Sangrento: A Viúva (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<h3>As <em>final girls</em></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Para dar vida às novas provações hercúleas da sequência, Samara Weaving retorna ao seu papel, mas dessa vez está acompanhada na jornada mortal. Kathryn Newton (<em>Lisa Frankenstein</em>, de 2024) forma com Samara a dupla de <em>final girls</em> de <em><strong>Casamento Sangrento: A Viúva</strong></em>. A protagonista do antecessor já havia provado ter o fator X em si para ser uma protagonista num horror como este, mas o que o público não sabia é o quanto seria incrível a contracena entre ela e Kathryn. As duas têm uma química em cena arrebatadora. O <em>timing</em> cômico é parecido e ambas já haviam trabalhado com a Radio Silence em projetos pregressos, o que reforça as possibilidades de proposições criativas de ambos os lados. A decisão de trazer uma dupla para Grace foi acertada em cada detalhe e tudo foi feito com uma coerência narrativa que não apaga o sentido do arco narrativo do primeiro filme.</span></p>
<p>É impressionante como Weaving e Newton operam de forma similar em cena. O <em>casting</em> da irmã mais nova foi perfeito e mostra o olhar atento dos diretores ao trazer de volta <span style="font-weight: 400;">colaboradores</span> passados. Essa união rendeu momentos mais densos para as camadas emocionais da narrativa que, de fato, tenta tomar um tempo para falar sobre relações familiares &#8211; uma vez que agora os inimigos são poderosas famílias pactuadas com o senhor Le Bail. Dessa forma, o roteiro de <span style="font-weight: 400;"><em><strong>Casamento Sangrento: A Viúva</strong></em></span> oportunizou momentos emocionantes e diferentes do que o antecessor.</p>
<p>A dupla Weaving-Newton absorve a proposta da narrativa e coloca em outro lugar com olhares de cumplicidade, decepções do passado e o desespero da sobrevivência. Tanto a veterana da narrativa como a nova adição são responsáveis por protagonizar os momentos mais aterrados da história, relembrando que também existe espaço para esse tipo de camada aqui. Na verdade, a entrega individual das atrizes e sua troca em cena faz de <span style="font-weight: 400;"><em><strong>Casamento Sangrento: A Viúva</strong></em></span> uma continuação que supera o seu antecessor justamente por se permitir ir além em todos os aspectos &#8211; em especial o emocional.</p>
<figure id="attachment_20516" aria-describedby="caption-attachment-20516" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20516" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20262.jpg.jpg-750x500.jpeg" alt="Casamento Sangrento: A Viúva (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20262.jpg.jpg-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20262.jpg.jpg-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20262.jpg.jpg-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20262.jpg.jpg-770x513.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Casamento-Sangrento-A-Viuva-20262.jpg.jpg.jpeg 1118w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20516" class="wp-caption-text">Samara Weaving e Kathryn Newton em cena de &#8216;Casamento Sangrento: A Viúva (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<h3>Novos inimigos, mesmo encosto</h3>
<p>Para povoar os horrores de Grace e sua irmã Faith, o roteiro constrói a ideia do Alto Conselho, formado por famílias poderosas ao redor do mundo que disputarão pelo comando, agora que Grace venceu os Le Domas. Essa regra raramente usada mexe com as estruturas do Conselho e vira a vida das irmãs de ponta cabeça poucas horas depois de todo o incidente do primeiro filme. Para dar vida aos novos monstros reais da personagem de Samara, o <em>casting</em> acertou mais uma vez ao trazer esse elenco para formar os novos &#8216;caçadores&#8217;. Ainda que o inimigo agora seja outro, <span style="font-weight: 400;"><em><strong>Casamento Sangrento: A Viúva </strong></em></span>precisava manter o peso do elenco do longa anterior que deu forma à narrativa.</p>
<p>Para incorporar a nova cara dos horrores de Grace e Faith, a produção trouxe nomes conhecidos como Sarah Michelle Gellar (<em>Eu Sei o Que Vocês Fizeram no Verão Passado</em>, de 2025), Shawn Hatosy (<em>Inimigos Públicos</em>, de 2009),  Elijah Wood (<em>O Macaco</em>, de 2025) e o diretor de <em>body horror</em>, David Cronenberg (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-crimes-do-futuro/"><em>Crimes do Futuro</em></a>, de 2022), para a difícil missão de torná-los tão memoráveis quanto o elenco anterior. A escala do filme é maior em todos os sentidos (mortes, sangue, perseguições) e isso não é diferente com o tamanho do elenco. A direção e o roteiro conseguem, no entanto, dar pequenos momentos para que cada um deles brilhe. Sempre na hora certa, com o humor ácido afiadíssimo e seguido de mortes brutais e sangrentas, a marca registrada de <strong><em>C</em></strong><span style="font-weight: 400;"><em><strong>asamento Sangrento: A Viúva</strong></em></span>.</p>
<p>Além dos nomes mais conhecidos, outros atores como Néstor Carbonell (<em>Dinheiro Suspeito</em>, de 2026) e Kevin Durand (<em>Corra que a Polícia Vem Aí!</em>, de 2025) compõe essa história pintada à sangue. Os dois têm um peso para a comicidade e o gore que faz suas participações valerem ainda mais à pena. E também é preciso destacar duas duplas: os jovens Maia Jae (<em>Gen V</em>, desde 2023) e Juan Pablo Romero, que fazem os filhos do personagem de Carbonell, e Varun Saranga e Dan Beirne (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-priscilla/"><em>Priscilla</em></a>, de 2023). O quarteto faz parte do núcleo mais cômico da narrativa e leva isso com louvor. Cada um dos quatro carrega pelo menos uma das cenas mais hilárias do longa. Dessa forma, o elenco certo, com o roteiro necessário e a direção consciente fizeram desta uma continuação que vale a pena conferir na maior tela possível para que você se arrepie com a tensão e gargalhe com o humor afiado de <strong><em>C</em></strong><span style="font-weight: 400;"><em><strong>asamento Sangrento: A Viúva</strong></em>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><strong>Direção: </strong>Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Samara Weaving, Kathryn Newton, Sarah Michelle Gellar, Shawn Hatosy, David Cronenberg, Elijah Wood, Néstor Carbonell, Kevin Durand, Olivia Cheng, Varun Saranga, Nadeem Umar-Khitab, Juan Pablo Romero, Masa Lizdek, Maia Jae, Daniel Beirne e Antony Hall</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/tpWh7NWRnJI?si=aty2SuLpGJSldk7j" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica A Noiva!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 06:34:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A reinvenção é sempre um desafio. Nas artes, especialmente na literatura e no cinema, quando essa proposta envolve um clássico, tudo se torna ainda mais espinhoso. Logo, a coragem para mergulhar de cabeça num projeto que tem como mote recontar uma história conhecida pelo público é um caminho que poucos escolhem seguir, mas Maggie Gyllenhaal (A Filha Perdida, de 2021) parece não se importar com os percalços do trajeto. A atriz, roteirista e diretora traz aos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A reinvenção é sempre um desafio. Nas artes, especialmente na literatura e no cinema, quando essa proposta envolve um clássico, tudo se torna ainda mais espinhoso. Logo, a coragem para mergulhar de cabeça num projeto que tem como mote recontar uma história conhecida pelo público é um caminho que poucos escolhem seguir, mas Maggie Gyllenhaal (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-filha-perdida-netflix/"><em>A Filha Perdida</em></a>, de 2021) parece não se importar com os percalços do trajeto. A atriz, roteirista e diretora traz aos cinemas brasileiros, nesta quinta-feira (5), sua visão sombria, tortuosa e cheia de vida sobre a mística narrativa de Mary Shelley, intitulada <strong><em>A Noiva!</em></strong>. O longa-metragem escancara uma estética e uma proposta audaciosa que dividirá opiniões, mas, sem sombra de dúvidas, marca a carreira da cineasta.</p>
<p>O segundo longa da diretora leva ao público um delírio criativo que ultrapassa barreiras narrativas e foge de qualquer limitação de gênero. <strong><em>A Noiva! </em></strong>é uma injeção de ânimo nas mesmices seguras dos grandes estúdios de Hollywood. É o cinema reanimando as possibilidades de adaptações sem medo (aparentemente) de se perder. É um delírio primaveril do que poderia ser essa história se uníssemos criador e criatura. E é assim que, com erros e acertos, Gyllenhaal entrega uma versão corajosa, coerente e insana inspirada na história de Shelley, ao mesmo tempo que parece beber diretamente de outros clássicos &#8211; dessa vez do cinema &#8211; como <em>Bonnie e Clyde &#8211; Uma Rajada de Balas (1967)</em>. Não só isso. A coragem de se perder em sua própria loucura torna esse filme uma versão incomparavelmente melhor de um casal de revolucionários insanos do que o segundo <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa-delirio-a-dois/"><em>Coringa &#8211; Delírio a Dois (2024)</em></a> tenta ser &#8211; e falha miseravelmente.</p>
<p>Assinando também o roteiro, Gyllenhaal costura as partes da sua própria criatura, a partir dos restos mortais (e eternos) da obra de Shelley e do longa de James Whale, de 1935. Antes de acionar a voltagem para dar vida ao seu monstro, a cineasta estadunidense molda as engrenagens de sua mais nova obra com ideais modernos que fazem toda a diferença para a trama &#8211; e, principalmente, para que o filme se encaixe na filmografia da diretora. <strong><em>A Noiva! </em></strong>não tem medo do excesso. O sangue, o suor, a bile do labor cinematográfico transbordam em cada cena &#8211; para o bem e para o mal. Com isso, a diretora acaba entregando momentos narrativos ou certos desenvolvimentos de personagens, que deixam a desejar &#8211; como a falta de solidez e clareza do 3º ato.</p>
<p>O problema, no entanto, está no mesmo lugar que é a força do projeto: o excesso. É uma faca de dois gumes. Em momentos, o exagero e os delírios criativos que <em><strong>A Noiva!</strong></em> traz para a narrativa são essenciais e originais, mas logo em seguida pode ter algo que falta uma lapidada. Definitivamente essa não é uma produção &#8211; dentro dos moldes hollywoodianos &#8211; que fugiu dos riscos. As imagens grotescas, os momentos verborrágicos, as estranhezas aparentemente sem propósito. O filme não é uma ode ao livro de Shelley, ele é uma carta aberta ao desafio de criar, ao risco de quem acredita em sua ideia e consegue levá-la adiante.</p>
<figure id="attachment_20506" aria-describedby="caption-attachment-20506" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20506" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-750x422.jpeg" alt="A Noiva! (2026)" width="750" height="422" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-750x422.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-1536x864.jpeg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-770x433.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg-1400x788.jpeg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/03/A-Noiva-2.jpg.jpeg 1920w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20506" class="wp-caption-text">Christian Bale e Jessie Buckley em cena de &#8216;A Noiva! (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Apesar dos tropeços, a bravura da cineasta em fazer sua história sair do papel evoca o outro lado do lâmina. É a inebriante confusão do roteiro que permite que Jessie Buckley (<em>Hamnet: A Vida Antes de Hamlet</em>, de 2025) brilhe. <strong><em>A Noiva!</em></strong> é impactante porque é uma narrativa insana estrelada por uma atriz que sustenta o desafio com maestria. Buckley eleva as cenas, ela transporta o público para essa caótica jornada de anti-heróis. O patamar é outro, especialmente quando ela precisa encarnar a espécie de esquizofrenia possessiva desenhada pelo roteiro de Gyllenhaal. Mias uma vez, a atriz prova que seu alcance de interpretação não tem limites e que o desafio é o que a alimenta.</p>
<p>Outro destaque no longa é Christian Bale (<em>O Pálido Olho Azul</em>, de 2022). Sua versão do monstro de Frankenstein é tocante, sensível e cuidadosa. Como de costume, Bale parece medir cada movimento e trejeito de seu personagem, como parte da sua lógica de construção, mas, num filme como <strong><em>A Noiva!</em></strong>, é preciso abraçar o caos e ele o faz muito bem. Talvez os seus melhores momentos em cena são os de cumplicidade com Buckley durante os grandes delírios da narrativa &#8211; como uma sequência coreografada no 2º ato.</p>
<p>Assim como Bale, Annette Bening (<em>Nyad</em>, de 2023) é outro presente para o espectador. Ver um rosto tão querido e talentoso num projeto voraz e corajoso como esse dá um fôlego a mais. Além, é claro, da presença de Bening aterrar a trama com sua experiência e maestria como atriz. Contudo, Bening também se permite brincar com as nuances que a proposta traz para sua personagem. Ela consegue se equilibrar ao lado de Jessie Buckley para que sua contracena seja coesa e redonda. Com isso, talvez as melhores cenas do filme envolvem os três, em qualquer que seja a combinação de contracena,  <strong><em>A Noiva!</em></strong> dá ao público um frescor ao ter três artistas tão competentes e entregues ao projeto como eles.</p>
<p>Na contramão do trio principal, existe um outro trio no filme, mas seus momentos não são tão felizes como os de Buckley-Bale-Bening. Peter Sarsgaard (<em>Setembro 5</em>, de 2024), Penélope Cruz (<em>Ferrari</em>, de 2023) e Jake Gyllenhaal (<em>Matador de Aluguel</em>, de 2024) estão no hall das estranhezas negativas do longa. Seus personagens não são tão bem desenvolvidos e parecem ter uma condução direção-elenco menos crível que seus colegas de cena &#8211; ainda que eles façam monstros ressuscitados. Há um claro esforço na tentativa de incorporá-los ao máximo à trama, mas isso não chega de forma limpa como deveria. <strong><em>A Noiva!</em></strong> peca por não ser capaz de encaixar seus personagens mais comuns numa narrativa sobre o que não é nada banal.</p>
<p>Fechando o time responsável pelas belas composições imagéticas de Maggie Gyllenhaal estão os departamentos de fotografia e arte. Ambos atuando <span style="font-weight: 400;">em total consonância</span>. Quando necessário, é a arte e a foto que ajudam a tornar tudo ainda mais insano ao mesmo tempo que são capazes de controlar o caos. Acima de tudo, <strong><em>A Noiva!</em></strong>  é uma obra de desafios. Acreditar na ideia, angariar pessoas e financiadores para que o filme aconteça, e orquestrar tudo isso sem perder a sua criatividade é de tirar o chapéu, especialmente quando lembramos que esse é apenas o segundo longa-metragem da carreira de Gyllenhaal como diretora. Dividindo ou não opiniões, é imprescindível entender que colocar esse projeto no mundo foi preciso acreditar.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Maggie Gyllenhaal</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jessie Buckley, Christian Bale, Peter Sarsgaard, Annette Bening, Penélope Cruz, Jake Gyllenhaal, John Magaro, Matthew Maher, Jeannie Berlin e Zlatko Burić</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Yk8oW7wky1g?si=pjDi9TC6ggNGhmVr" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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