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	<title>Arquivos Críticas - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Críticas - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Convite</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 19:05:44 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Depois da recepção tumultuada a Não se preocupe, querida (2022), Olivia Wilde passou por um momento em sua carreira que nem de longe lembrava a repercussão do seu ótimo debut em 2019 com a comédia adolescente Fora de Série. Quatro anos depois de Não se preocupe, querida, o cenário parece bem diferente e a carreira de cineasta de Olivia Wilde retoma os trilhos com a comédia sobre relacionamentos O Convite. É claro que as expectativas reduzidas pós-flop contribuíram para a boa recepção a esse [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois da recepção tumultuada a <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-se-preocupe-querida/"><em>Não se preocupe, querida</em></a> (2022), Olivia Wilde passou por um momento em sua carreira que nem de longe lembrava a repercussão do seu ótimo <em>debut</em> em 2019 com a comédia adolescente <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-fora-de-serie/"><em>Fora de Série</em></a>. Quatro anos depois de <em>Não se preocupe, querida</em>, o cenário parece bem diferente e a carreira de cineasta de Olivia Wilde retoma os trilhos com a comédia sobre relacionamentos <strong><em>O Convite</em></strong>. É claro que as expectativas reduzidas pós-<em>flop</em> contribuíram para a boa recepção a esse novo projeto da cineasta. No entanto, independentemente disso, <strong><em>O Convite</em></strong>, de fato, é um filme muito consistente e coloca a carreira de Wilde como cineasta no lugar que lhe é de direito.</p>
<p>Longe das pressões de um grande estúdio e das expectativas que sucedem uma boa estreia – algo que prejudicou bastante <em>Não se preocupe, querida</em> –, Olivia Wilde faz um filme mais focado, centrado nas relações humanas, no desenvolvimento das conexões e desconexões entre os seus personagens e tem um resultado bem mais satisfatório, coerente com as ótimas impressões da sua estreia em <em>Fora de Série</em>. <strong><em>O Convite</em></strong> é uma comédia centrada em um roteiro extremamente verborrágico escrito por Will McCormack e Rashida Jones a partir de um longa espanhol dirigido por Cesc Gay e lançado em 2020, <em>Sentimental</em>.</p>
<p>Em um espaço reduzido – o apartamento dos protagonistas da história –, <strong><em>O Convite</em></strong> acompanha o casal Angela e Joe (Olivia Wilde e Seth Rogen) como anfitriões de um jantar para seus novos vizinhos, Piña e Hawk (Penélope Cruz e Edward Norton). Durante a recepção, toda sorte de questões conjugais vêm à tona.</p>
<p>Com a dinâmica próxima de uma montagem teatral, o filme de Olivia Wilde assemelha-se a alguns títulos da filmografia de Woody Allen. Angela e Joe são extremamente neuróticos como personagens que Allen e Diane Keaton viveram nos filmes do diretor, cheios de questões mal resolvidas que acabam eclodindo em diálogos intensos, inteligentes, algumas vezes engraçados, outras dramáticos, mas ágeis. Tudo em uma única noite no evento social que contextualiza a história.</p>
<p>Na função de diretora, Olivia Wilde lida muito bem com um traço muito particular do roteiro de McCormack e Jones: a fluidez com que essa história trafega por gêneros tão opostos, mas curiosamente sinérgicos, quanto a comédia e o drama – e isso acontece, por vezes, em questão de segundos, sobretudo no ato final da trama. Apesar de ser um longa concentrado em poucos personagens e que oferece um único cenário para o espectador, <strong><em>O Convite</em></strong> é marcado pela agilidade. Os personagens estão em ebulição psicológica crescente, transitam pelos cômodos daquele apartamento e promovem um intercâmbio de parceiros, com uma montagem que intercala muito bem os estágios paralelos e dissonantes dessas interações.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-20874" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1.png" alt="O Convite" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/07/image-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><strong><em>O Convite</em></strong> também é um êxito graças ao desempenho dos seus atores. Como Angela, uma das protagonistas da história, Olivia Wilde demonstra um <em>timing</em> cômico singular e  profundidade psicológica para embarcar nas tensões reprimidas e nas frustrações da sua personagem. A atriz encontra em Seth Rogen um ótimo parceiro de cena, tendo muita química com o ator que vive o seu marido no longa. Mesmo que Rogen não fuja ao tipo nerd desajeitado de outros filmes que já protagonizou, há camadas que ele oferece a Joe que provavelmente o espectador nunca viu o comediante trazer em cena. Ambos estão ótimos como esse casal cheio de frustrações e anseios destruídos pela vida adulta e que gradualmente parece entender o estágio em que se encontra esse relacionamento.</p>
<p>Na grande DR vivida por Angela (Wilde) e Joe (Rogen), o trabalho de Penélope Cruz e Edward Norton é fundamental. Os intérpretes do casal Piña e Hawk acabam sendo figuras que provocam nos protagonistas o entendimento de que estão vivendo uma crise e que é preciso fazer algo para sair daquele lugar. Cruz está especialmente brilhante no ato final do filme, quando promove uma verdadeira sessão de terapia com Angela e Joe.</p>
<p><em><strong>O Convite</strong> </em>é tudo que Olivia Wilde precisava depois de quatro anos do lançamento do problemático <em>Não se preocupe, querida</em> – que, sim, era um filme ruim, mas que teve qualquer discussão sobre o longa em si ofuscada pelas manchetes de tablóides envolvendo seus bastidores e a fofoca envolvendo o relacionamento da diretora com seu protagonista Harry Styles. Aqui, com menos orçamento e recursos propositalmente econômicos, Wilde faz uma das melhores comédias do ano. A diretora tem um olhar certeiro, sofisticado, inventivo, divertido e sensível nessa história sobre casamento e conduz um elenco afiado capaz de gerar um mix de sentimentos ao longo da experiência de assisti-la.</p>
<p><strong><em>O Convite </em></strong>é tudo de que Olivia Wilde precisava depois de quatro anos do lançamento do problemático <em>Não se preocupe, querida</em> – que, sim, era um filme ruim, mas que teve qualquer discussão sobre o longa em si ofuscada pelas manchetes de tabloides envolvendo seus bastidores e as fofocas sobre o relacionamento da diretora com seu protagonista Harry Styles. Aqui, com menos orçamento e recursos propositalmente econômicos, Wilde faz uma das melhores comédias do ano. A diretora tem um olhar inteligente, divertido e sensível nessa história sobre casamento e conduz um elenco afiado em um filme que é capaz de gerar um misto de sentimentos ao longo da experiência de assisti-lo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Olivia Wilde</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Rashida Jones, Will McCormack</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Seth Rogen, Olivia Wilde, Penélope Cruz, Edward Norton</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/kn5PmH3BJDE?si=8orIAqWprkiV4cs2" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>15º Olhar de Cinema: A paixão segundo GHB</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 00:57:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[A paixão segundo GHB]]></category>
		<category><![CDATA[Gustavo Vinagre]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Couto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem acompanha a trajetória do diretor Gustavo Vinagre (Vil, Má) sabe como o artista é capaz de trabalhar com a fantasia e a intimidade. Entre questões que envolvem sexualidade e desejo, Vinagre também convoca em seu trabalho importantes menções ou discussões sobre HIV e ISTs. A rosa azul de Novalis e Três Tigres Tigres são exemplos de como o artista trata do assunto e de formas distintas. Em A Paixão segundo GHB, ao lado de Vinícius Couto, esse universo ganha [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem acompanha a trajetória do diretor Gustavo Vinagre (<em>Vil, Má</em>) sabe como o artista é capaz de trabalhar com a fantasia e a intimidade.</p>
<p>Entre questões que envolvem sexualidade e desejo, Vinagre também convoca em seu trabalho importantes menções ou discussões sobre HIV e ISTs.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><em>A rosa azul de Novalis</em> e <em>Três Tigres Tigres</em> são exemplos de como o artista trata do assunto e de formas distintas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> Em <em>A Paixão segundo GHB</em>, ao lado de Vinícius Couto, esse universo ganha uma extrapolação, autoconsciência e de como saber se expor.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">GHB avança não apenas as discussões que interessam Vinagre, mas convoca o próprio Couto para a cena. Nela, ele se mostra em verborragia, tônus corporal e reflexões profunda.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, neste longa-metragem existe uma</span> consciência do que precisa ser mostrado na contemporaneidade. Outro elemento que traz essa vivacidade carnal é a crueza das imagens.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Independentemente do motivo ser orçamentário ou não, existe uma estética aqui que parede explorar essa identidade do íntimo.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> Essa característica não é nova no trabalho de Vinagre, mas é instigante observar como ela se encontra com o trabalho de Couto. Quem assiste se sente mais próximo daquela realidade, por ser em um único espaço.</span></p>
<p style="font-weight: 400;">Ainda mais quando esse lugar é um apartamento. Porque essa lógica de filmar neste local convoca uma sobreposição de conforto com sufocamento.</p>
<p style="font-weight: 400;">Existe a imobilidade física da narrativa, porque quando elas estão dentro de um lugar fechado, as suas personagens são convidadas a lidar com essa permanência, seja pela tensão ou pelo relaxamento.</p>
<p style="font-weight: 400;">É esse espaço fechado que coloca o espectador no lugar mais íntimo das pessoas, que é uma casa. Entre quatro paredes, a personagem principal pode se mostrar, pode se desnudar, inclusive, literalmente.</p>
<p style="font-weight: 400;">E é nessa mescla de angústia de um local só e de corpos nus, que<em> A Paixão Segundo GHB</em> acontece. Dentro de toda essa crueza, há também a camada da fantasia, seja contextual ou de escolha de encenação.</p>
<p style="font-weight: 400;">Na história, existe o uso constante de drogas. No entanto, os artistas em cena apenas fingem que estão fazendo uso das substâncias, sem nenhum utensílio. Eles fisicalizam os objetos.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Só essa forma de lidar com os objetos imaginários em cena já é bem impressionante. O uso das drogas ficam ainda mais críveis pelas atuações do elenco, que realmente parece entorpecido.</span></p>
<p>Essa surpresa não é óbvia, porque a atmosfera naturalista é intensa e como os toques sexuais são bem explícitos, há uma mescla forte do ficcional com o não ficcional.</p>
<p>Assim, quando o quarteto do enredo finge segurar um canudo que não existe e beber um líquido que não existe, enquanto se estimula sexualmente de forma gráfica, a mente da plateia dá um nó.</p>
<p>O impacto da mistura entre o explícito com o faz de conta gera uma camada de complexidade inesperada.</p>
<p>Enquanto quem assiste procura compreender o que sente com essa dicotomia, a reflexão sobre o tema se instala. Dentro de toda essa lógica, a crueza orçamentária se torna linguagem e adiciona mais uma dose de realismo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Um outro exemplo sobre essa junção de real e imaginário é a presença de GH, como uma espécie de amiga do protagonista. Como o título do longa deixa bem nítido, o filme é inspirado na obra quase homônima de  Clarice Lispector.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Esse paralelo intensifica essa dualidade de da personagem central, Matias (Couto). </span><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, a obra consegue deixar o público conectado tanto pelo talento dos atores em cena, como pela mise-en-scène.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Contudo, existe mais um aspecto bem sucedido. </span><span style="font-weight: 400;">Há aqui uma crítica negativa pungente ao uso de drogas. Dentro do discurso de quase toda a projeção isso é sutil, porém neste desfecho isso muda.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Essa </span>quebra é um jogo ainda mais forte com a com a dinâmica da ficcionalidade da produção. O longa se transforma em documentário, por alguns instantes, e insere o depoimento de Jessé.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Primeiramente, a plateia se depara com trechos da própria fruição do rapaz de <em>A Paixão Segundo GHB</em>. Em seguida, vem o relato dele.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Nos primeiros dez segundos de depoimento, pode parecer que a obra entregou os pontos e cedeu para a obviedade. </span><span style="font-weight: 400;">Mas, aos poucos, é possível notar como essa reviravolta da narrativa é fundamental.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O depoimento de Jessé é visceral e verdadeiro e corta quaisquer resquícios de apelo ao uso indiscriminado de drogas. </span><span style="font-weight: 400;">Através do corte com a fantasia e o poético do primeiro desfecho da narrativa, a violência da dependência química se torna palpável com a chegada de Jessé. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>A Paixão segundo GHB</em> é uma obra redonda e relevante, que conecta que assiste com ela, do inicio ao fim.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Vinícius Couto e Gustavo Vinagre</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Vinícius Couto, Igor Mo, Rodrigo Campos</p>
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		<title>15º Olhar de Cinema: Quase inverno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 01:49:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Luiza Quinteiro]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Ondina Clais]]></category>
		<category><![CDATA[Quase Inverno]]></category>
		<category><![CDATA[Rodrigo Grota]]></category>
		<category><![CDATA[Simone Iliescu]]></category>
		<category><![CDATA[Três Irmãs]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quase Inverno é um longa-metragem paranaense, dirigido por Rodrigo Grota. A obra é livremente inspirada na peça As Três Irmãs, de Anton Tchekhov. Apesar do desejo de adaptar uma obra tão importante ser válido, o que falta aqui são os elementos pilares do audiovisual: compreender sobre adaptação, sobre atuar para a câmera e como decupar cinema. Diversas vezes, colegas da crítica comentam que um filme parece teatro ou novela, como se esse aspecto fosse algo ruim. Ambos os formatos podem [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;"><em>Quase Inverno</em> é um longa-metragem paranaense, dirigido por Rodrigo Grota. A obra é livremente inspirada na peça As <em>Três Irmãs, </em>de Anton Tchekhov<em>.</em></p>
<p style="font-weight: 400;">Apesar do desejo de adaptar uma obra tão importante ser válido, o que falta aqui são os elementos pilares do audiovisual: compreender sobre adaptação, sobre atuar para a câmera e como decupar cinema.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Diversas vezes, colegas da crítica comentam que um filme parece teatro ou novela, como se esse aspecto fosse algo ruim. Ambos os formatos podem inspirar uma boa produção cinematográfica.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Contudo, essa discussão é maior, intensa e seria um curso de um semestre. </span>O que importa nisso tudo então? O teatral de <em>Quase Inverno</em> é quando o termo pode ser utilizado como algo ruim.</p>
<p style="font-weight: 400;">Porque o ideal do filme é que ele seja pensado como audiovisual. E os incômodos aqui são diversos. A começar pelo uso de diversos tamanhos de planos na mesma cena.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Em uma sequência, essa percepção se amplia. Os três irmãos mais velhos fazem seus monólogos. A transição entre os enquadramentos não é suave, tampouco faz sentido narrativo.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Parece que a direção queria criar um efeito dramático, no sentido do gênero drama mesmo. </span><span style="font-weight: 400;">No entanto, um distanciamento com a plateia se estabelece.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Isto porque essas idas e vindas de quadro fazem com a plateia quebre a continuidade visual</span><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">As atuações não ajudam a suavizar essa fruição truncada.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A sensação que o elenco passa é a de que não entenderam o texto e nem as motivações de seus papéis. </span><span style="font-weight: 400;">Há muita declamação, para um texto realista. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">É complicado acompanhar uma produção baseada em Tchekhov, na qual as frases são ditas sem reflexão, sem tônus no corpo e sem compreensão do que se é proferido.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque quando se entende as intenções de uma personagem, o ritmo é alcançado. Isto é, as alternâncias de velocidade e o uso dos planos baixo, médio e alto* ocorrem porque fazem sentido.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Mas, em Quase inverno o elenco parece usar códigos de boa atuação sem refletir se o uso é preciso e sem demonstrar compreensão do texto verbal.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Um ator não pode usar uma regra </span><span style="font-weight: 400;">de variação tonal e de altura corpórea só porque ela existe. </span><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, os diálogos fogem da organicidade. E a decupagem não ameniza a ausência de habilidade cinematográfica dos interpretes.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E é difícil escrever tudo isso, porque é nítido que a equipe está se esforçando para tentar fazer um longa em um estilo “drama familiar de dores profundas, com suspense”. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Todavia, nem a suspensão acontece e nem  dramaticidade é crível, por conta das atuações e da direção, mas também da própria lógica de roteiro, que escolhe idas e vindas, porém se perde.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Na hora de contar sobre os traumas da irmã caçula, o filme usa flashbacks, mas entre ir e voltar, as personagens vão se perdendo e parecem que são outras, sem construção ou aparente intencionalidade.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E é uma pena todo esse caos, porque a equipe de arte também deve ter se esforçado bastante para adereçar a casa na qual a história se passa. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Apesar de visualmente ser dificil estabelecer em que época a trama se passa e isso não parece proposital, os tecidos utilizados pelo figurino são vistosos e os objetos de cena bem acabados.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Há aqui uma tentativa forte de trazer um primor para a cena. </span><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>Quase inverno</em> pode ser apenas um filme imaturo. Talvez, seu grande problema seja mirar em uma historia muito distante dos sentimentos e/ou da experiência de quem está criando. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Obviamente, “o poeta é um fingidor” e arte é um trabalho, a equipe poderia emular um interesse, mas não o desconhecimento.  Nesta obra falta motivação e compreensão deste universo europeu.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Não basta gravar um longa em um lugar frio, com roupas de bom corte e esperar que a morbidez cotidiana de Tchekkov se instale.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E, apesar de artistas merecerem todo respeito do mundo por suas tentativas, a plateia também necessita desse mesmo respeito. </span>Quando uma equipe decide filmar um produto audiovisual é extremamente relevante pensar até onde aquele grupo consegue entregar.</p>
<p style="font-weight: 400;">Será que não é melhor simplificar a produção e focar em mais tempo de trabalho da direção geral com a de fotografia? Ou… Mais tempo de preparação de elenco? Questões a serem pensadas sempre no cinema.</p>
<p>* aqui falando da parte fisica do ator e não da câmera.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Rodrigo Grota</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Simone Iliescu, Ondina Clais, Luiza Quinteiro</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/15o-olhar-de-cinema-quase-inverno/">15º Olhar de Cinema: Quase inverno</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>15º Olhar de Cinema: Adulto/Homem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 15:01:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Adulto/Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Diógenes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Se tem uma coisa que vai acontecer é essa que vos escreve usar “plano adulto/homem” para falar de um plano longuíssimo. De fato, o longa-metragem de Pedro Diógenes acontece inteiro em um grande travelling de rostos e vozes off. Cabe ao espectador decidir se sente empatia por esse formato ou não. O que é possível dizer deste filme de um tom só é que a luz é impecável, mas é uma luz apenas. Isso facilita demais o trabalho da fotografia. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Se tem uma coisa que vai acontecer é essa que vos escreve usar “plano adulto/homem” para falar de um plano longuíssimo. De fato, o longa-metragem de Pedro Diógenes acontece inteiro em um grande travelling de rostos e vozes off.</p>
<p style="font-weight: 400;">Cabe ao espectador decidir se sente empatia por esse formato ou não. O que é possível dizer deste filme de um tom só é que a luz é impecável, mas é uma luz apenas. Isso facilita demais o trabalho da fotografia.</p>
<p style="font-weight: 400;">Essa também é uma obra específica para um grupo, que os atores. Dificilmente algum ator vai passar batido pelo longa. <span style="font-weight: 400;">Existe também uma destreza da fotografia pelo travelling bem realizado. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A forma de filmar é bem relevante aqui, porque ela é sutil e não retira a atenção do espectador. O foco são as personagens e, de fato, a estrutura funciona por um bom tempo de projeção.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Mas, é necessário se dizer que cinema é para o público e não para uma parte dele. E é preciso, com muita seriedade, ter respeito pelo espectador e refletir se um dado material interessa mesmo para toda e qualquer plateia. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">No mínimo, tem-se que pensar como tornar aquele tema mais interessante narrativa ou visualmente. </span><span style="font-weight: 400;">Cinema é linguagem. Diogenes arrisca nela aqui e isso dá certo por um momento.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Para essa que vos escreve, foram 40 minutos satisfatórios na sala do Museu Oscar Niemeyer. Quarenta, de 70 minutos.  </span><span style="font-weight: 400;">Mas, lembrando que esta critica aqui é formada em interpretação teatral e é fascinada por escutar sobre o universo de seus colegas de profissão.</span></p>
<p>Então, o que foram os 30 minutos finais de projeção? Clamores mentais para que o próximo ombro, do próximo interprete não surgisse na tela. Cada mudança de voz, virava uma tortura dantesca. É tempo demais para a mesma estrutura quando o que está sendo dito não é tão interessante assim.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A redundância poderia ser amenizada por algo estético visual ou verbal. Reiteração de imagem e de fala e de texto ficcional, por 70 minutos, é pedir demais da plateia. Mas, é a partir dessa afirmação que uma contradição se forma nesta análise.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Porque, ao mesmo tempo, em uma era que quantidade de informação é privilegiada, mais do que a qualidade, um valor artístico se forma aqui. A sociedade atual quer velocidade excruciante e tem um desejo narcisista de fazer trends com o próprio rosto de temas variados.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, o filme de Diógenes é um ponto fora da curva e isso é um ganho. Ele oferta ao público um respiro. </span>Ainda assim, a obra poderia sim ser mais enxuta ou contar com algum outro recurso, principalmente em termos de desenvolvimento da narrativa.</p>
<p>Porque os desabafos são relevantes, mas eles rodam em círculos durante toda a sessão. <span style="font-weight: 400;">Assim, <em>Adulto/Homem</em> tem aspectos positivos como desafiar a mentalidade contemporânea de caos visual e digital.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Todavia, para firmar sua contribuição para o cinema e para a discussão sobre a realidade de atores no Brasil seria preciso ir mais fundo no debate.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Pedro Diógenes</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Alisson Emanuel, Brunu Kunk, Carlos Magno</p>
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		<title>15º Olhar de Cinema: Reparação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 17:54:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Marcus Curvelo]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Reparação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É difícil falar sobre os detalhes de aspectos formais e narrativos de Reparação. Quem já perdeu o pai, a mãe ou ambos sabe bem sobre esse nó na garganta que o tema dá. Mas, em termos técnicos, esta é uma obra coesa e sensível sobre o luto em sua forma mais traiçoeira: a memória. A lembrança da imagem e da voz estão incrustadas na tela, para todo sempre. Mas, é importante destacar como Marcus Curvelo, sem intenção, enganou sua audiência. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É difícil falar sobre os detalhes de aspectos formais e narrativos de <em>Reparação</em>. Quem já perdeu o pai, a mãe ou ambos sabe bem sobre esse nó na garganta que o tema dá. Mas, em termos técnicos, esta é uma obra coesa e sensível sobre o luto em sua forma mais traiçoeira: a memória.</p>
<p>A lembrança da imagem e da voz estão incrustadas na tela, para todo sempre. Mas, é importante destacar como Marcus Curvelo, sem intenção, enganou sua audiência. <span style="font-weight: 400;">O diretor é o “menino do Joder”, das comédias mais afiadas do Brasil contemporâneo.<br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem ama a mistura de sarcasmo refinado com humor quinta série, o cinema de Curvelo vai encantar. Esta que vos escreve, por exemplo, é fã, de verdade. </span>Fã a ponto de arranjar qualquer horário em festival para encaixar um filme do cineasta. Era Joder que esta singela crítica buscava aqui.</p>
<p>Mas, em uma sessão diurna de Olhar de Cinema, o encontrado foi um horizonte infinito de melancolia e consciência de linguagem cinematográfica. Aqui, Curvelo se vale de texturas, sobreposições e planos longos, que dão um poder para o público que talvez o público não queira.</p>
<p>Justamente porque a ideia de finitude, mesmo que seja a única certeza que a humanidade carrega, é a mais difícil de se aceitar.  Na sessão, quando a onda do mar bate, as cinzas do pai de Marcus se juntam a ela e o desespero de quem assiste aumenta.</p>
<p>O novo filme de Curvelo é um grito em formato de imagem. Ele cobre seu rosto, ou lateraliza ele, dissolve seu pai na tela e os sentidos dos sentimentos dele e de quem o assiste se ampliam. Uma relação de impermanência e sufocamento é estabelecida.</p>
<p>O luto é, de fato, um filme em p&amp;b, contemplativo, no qual é impossível mostrar o rosto de quem sofre completamente. Ainda assim, Curvelo não se esconde e a presença de sua mãe na narrativa e &#8211; aí sim mostrada com tempo estendido &#8211; dialoga com mais uma camada de sua perda e revela seu olhar para o que ele sentiu e sente.</p>
<p>O tempo que o diretor dá para Sônia também transmite força e por mais que exista dor posta no ecrã, ela é quem conecta a plateia com a lucidez e a necessidade de se viver o momento presente. Desta maneira, <em>Reparação</em> é um título sensível e até um tanto perturbador, mas que não é só um retrato de chagas de uma saudade irreparável.</p>
<p>O longa tem esperança para a vida, na figura de Sônia, e um apuro estético que se reflete nessa angústia que permanece mesmo após a exibição. Em sua autoficção, Marcus Curvelo diz muito de si e de seus pais, mas ele também continua conseguindo o que sempre fez: transformar o cinema em espelho de seu espectador.</p>
<p>A sessão escancara, com seus quadros demorados, as dores de quem acompanha a narrativa. Neste sentido, a qualidade técnica e a consciência sobre audiovisual, bem como a compreensão de como se expor em um filme fazem de Reparação uma obra contundente e expressiva.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Marcus Curvelo</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Sônia Gentil Curvelo, Marcus Curvelo, Joel Curvelo</p>
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		<title>15º Olhar de Cinema: As donzelas de Wilko</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 14:35:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Andreja Wajda]]></category>
		<category><![CDATA[As donzelas de Wilko]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar de Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ah, o olhar errante em direção às terras que um dia foram cobertas de alegria juvenil… Em As donzelas de Wilko, Andrzej Wajda (Tudo à venda) convida o espectador a embarcar em uma viagem nostálgica e complexa de seu protagonista , cheia de riquezas visuais e dramatúrgicas. É forte competir com as memórias juvenis das personagens. Baseado na obra de Jaroslaw Iwaszkiewicz,  o roteiro de Zbigniew Kaminski (Ambição fatal) coloca diálogos que leva o público a imaginar momentos divertidos, solares e [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Ah, o olhar errante em direção às terras que um dia foram cobertas de alegria juvenil… Em <em>As donzelas de Wilko</em>, Andrzej Wajda (<em>Tudo à venda</em>) convida o espectador a embarcar em uma viagem nostálgica e complexa de seu protagonista , cheia de riquezas visuais e dramatúrgicas.</p>
<p>É forte competir com as memórias juvenis das personagens. Baseado na obra de Jaroslaw Iwaszkiewicz,  o roteiro de Zbigniew Kaminski (<em>Ambição fatal</em>) coloca diálogos que leva o público a imaginar momentos divertidos, solares e felizes da juventude de Wiktor (<span class="hero__primary-text" data-testid="hero__primary-text">Daniel Olbrychski)</span>, o protagonista, e as seis irmãs que dão nome ao titulo.</p>
<p>Essas menções deixam no ar que nada do que se verá visto no ecrã tem comparação com que essas figuras já vivenciaram. Paralelamente a essa estratégia verbal, Wajda constrói uma atmosfera pálida, junto com sua equipe. O sol e as cores quentes estão presentes, mas desbotadas.</p>
<p>Esse aspecto convoca a sensação de lembrança e saudade de um tempo que a plateia sequer conheceu. O mesmo se pode dizer dos ângulos de câmera e dos silêncios contemplativos. <span style="font-weight: 400;">Wajda trabalha a marcação de cena com o posicionamento de câmera de uma forma que o público quase sempre pareça à espreita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Com a imagem lateralizada, outra sensação importante que a decupagem passa é a de sufocamento. Independentemente se o quadro está mais fechado ou aberto, o plano parece apertado. </span><span style="font-weight: 400;">Wiktor é um homem atormentado pela guerra e por tudo que ele pensa ter perdido de sua juventude por conta disso.<br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, ele está preso nesta emoção e confuso com a efusividade e as transformações das irmãs de Wilko. Desta forma, Wajda coloca a plateia para se sentir como ele e no enquadramento mais fechado, os atores ficam ainda mais para frente, ocupando a tela sem deixar respiro.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;"> Já em imagens mais amplas, Wajda insere uma quantidade maior de informações, seja pelo número de objetos ou de personagens em cena. Por isso que, mesmo nos instantes de aparente silêncio e paz, falta ar para Wiktor. </span></p>
<p>Contudo, o tom de comédia de sorriso &#8211; como diz a professora Catarina Sant’anna, da UFBA &#8211; está presente durante toda a sessão. E o que é isso? O longa não tem um humor de fazer gargalhar. Não, ele convoca aquela graça suave, que mistura constrangimento com reflexão.</p>
<p>Em termos de melhorias, talvez o roteiro pudesse explorar mais a identidade das mulheres que Wiktor tanto deseja. Elas parecem operar em uma nota só: a nervosa, a tímida, a sonhadora. Ainda assim, <em>As donzelas de Wilko</em> é divertido, leve e vale o tempo.</p>
<p>E é engraçado observar e analisar a sua complexidade, no geral. Seja em seu texto ou em sua estética, ele é um filme que provoca emoções plurais, que trata de sentimentos simples e extremamente complicados, ao mesmo tempo.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Neste sentido, a música incidental ajuda a elaborar mais uma dessas camadas Wajdianas. Ela é aqui uma comentadora. Em suas velocidades que se transformam de acordo com a perspectiva de Wiktor sobre cada irmã, as sonoridades traduzem mais dos pensamentos do protagonista do que suas próprias falas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>As donzelas de Wilko</em> é um título importante do cinema. Com um discurso complexo e crítico, passado através do chiste e das impressões sensoriais, essa é uma sessão que quem assiste pode desejar que nunca termine de tão boa. </span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Andrzej Wajda</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Daniel Olbrychski, Anna Seniuk, Maja Komorowska</p>
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		<title>15º Olhar de Cinema: Anistia 79</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 18:56:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[15º Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Anistia 79]]></category>
		<category><![CDATA[Anita Leandro]]></category>
		<category><![CDATA[Festival Olhar de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Olhar de Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É surpreende quando uma obra com um tema político e social tão profundo se revela como um “filme de churrasco”. Apesar de toda a sua relevância para a luta contra ao apagamento histórico das barbáries cometidas pela ditadura militar, Anistia 79 traz alguns incômodos técnicos. O filme peca por focar demasiadamente nas relações interpessoais das figuras centrais da narrativa. Durante toda a sessão nomes emblemáticos para a anistia são revelados sem grandes explicações. É assim que se percebe que esta [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">É surpreende quando uma obra com um tema político e social tão profundo se revela como um “filme de churrasco”. Apesar de toda a sua relevância para a luta contra ao apagamento histórico das barbáries cometidas pela ditadura militar, <em>Anistia 79</em> traz alguns incômodos técnicos.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O filme peca por focar demasiadamente nas relações interpessoais das figuras centrais da narrativa. Durante toda a sessão nomes emblemáticos para a anistia são revelados sem grandes explicações. </span>É assim que se percebe que esta é uma produção específica, sobre um grupo específico e para esse mesmo grupo específico.</p>
<p style="font-weight: 400;">A grande questão é que, apesar do cinema não dever grandes explicações (não como obrigação), é difícil pensar no contexto político e social brasileiro e esperar que toda a plateia vá procurar descobrir quem foi o senador italiano Lelio Basso e quem é Denise Crispim.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A condescendência pode aumentar e se dizer que saber quem eles são também não é preciso, mas este texto não chegará a tanto. Contudo, é preciso lembrar também que o cinema precisa criar uma relação com seu público, mas, aqui, toda a projeção parece um diálogo interno e não convidativo.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E isso também se dá porque a estrutura de “cabeças flutuantes” não é a das mais empolgantes. </span>Bom, depois de quatro parágrafos dissertando sobre os incômodos, vale ressaltar que <em>Anistia 79, </em>apesar de tropeços, não é uma produção ruim, mal feita ou mal pensada.</p>
<p style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo que fica esse nó na garganta de imaginar que esse doc foi feito para mostrar no almoço de domingo dos envolvidos com a obra, existem elementos estéticos e discursivos que elevam a potencialidade do filme. <span style="font-weight: 400;">A primeira questão é básica: todo e qualquer produto midiático que vá reforçar o perigo de uma ditadura, de forma honesta e cuidadosa, será sempre bem-vindo.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro desta lógica, Anita Leandro (Retratos de Identificação) consegue mostrar a personalidade de sua direção, através das escolhas de planificação e ângulos das entrevistas (de câmera e de direcionamento de perguntas). Há também uma criatividade dentro desta forma tradicional escolhida por ela. </span></p>
<p style="font-weight: 400;">Há uma mescla interessante entre as filmagens de arquivo da Conferência Internacional pela Anistia no Brasil, de 1979, e entrevistas atuais com figuras importantes para o movimento. Isto porque os paralelos escolhidos em cada instante da projeção, cria o sentido de trama, com início, meio e fim e todos os elementos necessários para um enredo redondo.</p>
<p style="font-weight: 400;">O uso dessas imagens e sons, com pausas contemplativas, idas e vindas no vídeo e reflexão dos entrevistados também ajudam a direcionar o olhar de quem assiste para as questões centrais que a equipe deseja convocar. Existe uma aparente vontade de humanizar essas figuras históricas, fazendo com que se compreenda ainda mais a importância que o movimento teve no período.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Leandro dá a chance da plateia processar as informações e suas próprias emoções diante dos relatos trazidos para a tela. Quadros longos dos participantes do documentário observando a conferência ampliam o espaço para essa reflexão. A fotografia de Bené Machado também ajuda a criar uma atmosfera mais contemplativa e até mesmo de tensão em alguns momentos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A ambientação das conversas com os entrevistados se assemelha a de filmes de tribunais, o que aumenta a imersão no universo do sistema de justiça e das burocracias das leis brasileiras. Mas, claro, as personagens aqui são as vítimas que relatam impunidades do sistema ditatorial e as lutas pela Anistia.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, as figuras que aparecem no ecrã deixam nítida a seriedade e profundidade do que estava envolvido naquele momento. </span><span style="font-weight: 400;">Principalmente em pessoas como </span><span style="font-weight: 400;">Hamilton dos Santos, Luiz Eduardo Greenhalgh, Heloísa Greco, Branca Moreira Alves e Denise Crispim, as descrições em texto verbal, juntamente com as gravações da época, criam uma narrativa imagética paralela.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Nela, o espectador consegue visualizar os acontecimentos de maneira palpável. </span>Talvez fosse necessário trazer a presença de Crispim bem antes. A sua caminhada para a conferência com a filha é repetida diversas vezes durante a exibição, porém a plateia só tem contato com a personagem mais emblemática da narrativa no final do doc.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">É neste cenário de motivações coerentes que <em>Anistia 79</em> se torna um título relevante da cinematografia brasileira, mesmo que conte com irregularidades qualitativas em termos cinematográficos. Seria interessante que a proximidade com as pessoas da história fosse geral e não particular. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Contudo, se o público pesquisar direito, encontra as devidas informações para preencher as lacunas do filme de Leandro e consegue ressignificar a produção antes ou após a consumir. Já as/os nerds de história, faz a pipoca porque essa obra é toda para você!</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Anita Leandro</p>
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		<title>30º Cinepe: O cobrador de fraque</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/30o-cinepe-o-cobrador-de-fraque/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 02:40:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[30º Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriela Barros]]></category>
		<category><![CDATA[Leandro Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[Marcello Melo Jr]]></category>
		<category><![CDATA[O Cobrador de fraque]]></category>
		<category><![CDATA[Tomás Portella]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dentro de um imaginário popular, as comédias tendem a ser subestimadas. No entanto, é difícil equilibrar os três tripés da qualidade cômica no audiovisual, que são: conexão com as personagens, comicidade e a não previsibilidade. O cobrador de fraque chega perto de alcançar tamanha façanha. O que atrapalha a produção é a obviedade do roteiro e o desfecho dele, que é mal conduzido, como explicaremos mais adiante. Contudo, ainda assim, essas questões não chegam a interferir de forma tão profunda [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400; text-align: left;">Dentro de um imaginário popular, as comédias tendem a ser subestimadas. No entanto, é difícil equilibrar os três tripés da qualidade cômica no audiovisual, que são: conexão com as personagens, comicidade e a não previsibilidade. <em>O cobrador de fraque</em> chega perto de alcançar tamanha façanha.</p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;">O que atrapalha a produção é a obviedade do roteiro e o desfecho dele, que é mal conduzido, como explicaremos mais adiante. Contudo, ainda assim, essas questões não chegam a interferir de forma tão profunda no longa-metragem luso-brasileiro de Tomás Portella (<em>Isolados</em>).</p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;"><span style="font-weight: 400;"><em>Fraque</em> é divertido e contém algo que essa que vos escreve clama ao entrar numa sala de cinema: </span>personagens bem escritas, que geram empatia. Peri (Leandro Ramos) e Matilde (Gabriela Barros) são figuras que encantam na tela. Ambos possuem carisma e sabem jogar em cena. Os exemplos ocorrem durante toda a sessão.</p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;">No entanto,  nas sequências nas quais Peri está no ofício de cobrador de fraque e “persegue” Matilde para que ela pague é onde o ouro reside. Existe um ponto trabalhado por atores que é a contracena. <span style="font-weight: 400;">É necessário que existam ações que a personagem faça quando não está falando.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Pode parecer simples, na teoria, porém uma contracena bem feita não é nada fácil. Aqui, Gabriela e Leandro jogam com os olhos e a respiração. </span><span style="font-weight: 400;">Os intérpretes brincam com a dinâmica de deixar uma pausa entre uma fala e outra e, ao mesmo tempo, com a de não deixar espaço algum entre o texto dos dois. </span></p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Essa maneira de atuar juntos é o ponto alto do longa. Além disso, a própria dramaturgia parece contribuir positivamente para essa construção da dupla. </span>De longe, Matilde e Peri são os que foram escritos com profundidade. A maneira como eles “acontecem” na tela deixa a impressão de que houve aqui um processo de escrita mais cuidadoso.</p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;">Muitas vezes acontece um trabalho completo de gênese da personagem ou em atividades típicas que os roteiristas fazem durante o processo de criação, como jogos de imaginação. Independentemente da estratégia que pode ter sido utilizada, o resultado está presente durante a projeção.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, ainda olhando para a análise das personagens, é possível notar que os coadjuvantes não foram tão bem pensados. Quanto mais à margem da trama estão, mais rasos e poucos explorados são.  </span>Esse fator poderia não atrapalhar o enredo se não fosse um único papel destoante nesse contexto.</p>
<p style="font-weight: 400;">O melhor amigo de Peri muda de personalidade abruptamente. A personagem de Marcello Melo Jr. tem uma reviravolta que faz pouco sentido na estrutura basilar da narrativa. Ele era o sensível e sonhado, que é colocado como um grande vilão, repentinamente.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A impressão que esta escolha traz é a de que não havia um grande antagonista da história e, por isso, selecionaram esse caminho peculiar. A saída fácil se torna complicada neste cenário porque o filme nem precisava de grandes vilanias e peripécias.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">As próprias questões internas de Peri já seriam suficientemente boas para prender a atenção da plateia. Assim como o uso da luz e das texturas feitos pela direção de foto e de arte da produção fazem. É curioso observar como na dicotomia óbvia de paletas, a equipe constrói sentidos plurais para o enredo.</span></p>
<p>O Brasil de <em>Fraque</em> tem mais sombras, mais vermelho, mais internas em espaços apertados e objetos mais retos. Portugal é colocado como solar, de tom pastel, quase entediante, com externas, majoritariamente diurnas. Talvez seja uma visão exagerada de Lisboa, mas faz sentido para a história, porque é ali que Peri se descobre um homem feliz e melhor.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>O Cobrador de Fraque</em> pode ser ingênuo e previsível, mas também aposta e consegue realizar um feito quase raro na atualidade: boas personagens centrais para o ecrã! Assim, esta é uma sessão leve e divertida, mas que também mostra uma habilidade meio nostálgica de fazer um cinema que deixa espaço para que um casal principal brilhe!</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Tomás Portella</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Leandro Ramos, Gabriela Barros, Marcello Melo Jr.</p>
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		<title>30º Cine PE: Os arcos dourados de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 23:15:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É perceptível como Os arcos dourados de Olinda conta com uma equipe que possui um humor requintado, que busca nas imagens cinematográficas o seu argumento discursivo. Ao mesmo tempo, o curta-metragem é permeado por uma arrogância juvenil, que diminui a qualidade do resultado geral, porque o tom do off beira ao monocórdico e as estratégias textuais deixam uma impressão de deja vu. O resultado geral não fica comprometido, mesmo com essa previsibilidade tonal e textual. Mas, para começar essa crítica [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">É perceptível como <em>Os arcos dourados de Olinda</em> conta com uma equipe que possui um humor requintado, que busca nas imagens cinematográficas o seu argumento discursivo.</p>
<p style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, o curta-metragem é permeado por uma arrogância juvenil, que diminui a qualidade do resultado geral, porque o tom do off beira ao monocórdico e as estratégias textuais deixam uma impressão de deja vu.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O resultado geral não fica comprometido, mesmo com essa previsibilidade tonal e textual. Mas, para começar essa crítica de verdade, é preciso salientar também que o curta tem o seu lado positivo, que vem da precisão da montagem e a própria narração.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ambos contribuem para a imersão do espectador com a obra e eleva a reflexão crítica presente na narrativa. </span>A forma como o universo político partidário se mistura com a complexidade da personalidade pernambucana (sobretudo olindense) surpreende.</p>
<p style="font-weight: 400;">Desde escolha dos trechos das imagens de arquivo até a maneira jocosa como as informações são trazidas fazem com que o público ria junto. Assim, <em>Arcos</em> tem consciência estética e discursiva.</p>
<p style="font-weight: 400;">Isso justamente porque a equipe constrói uma progressão e um tensionamento sobre a presença do McDonalds em Olinda. Ao mesmo tempo, o contexto político da época da vinda do ‘Méqui’ para a cidade é ilustrada, mas não de maneira expositiva.</p>
<p style="font-weight: 400;">Inclusive, durante toda a sessão, mesmo com a narração elucidando os aspectos sociais e partidários, as informações, por contarem com um tom cômico e um texto com reflexões, nada é óbvio.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além disso, a ligação do visual com o que está sendo dito ajuda a incrementar a qualidade da obra. Os momentos mais expressivos que podem servir como exemplo para os elogios aqui presentes são quando o Méqui Olinda vai à falência e quando é informado ao público que outras grandes redes de fast food tiveram o mesmo destino.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Esses instantes resumem a argumentação presente no filme, bem como são nessas cenas que a edição brilha, nessa estratégia de dicotomia informar x mostrar. Assim, <em>Os arcos dourados de Olinda</em> é uma obra redonda e criativa, mas também não é absurdamente boa, a ponto de impressionar como um exemplar revolucionário em sua forma ou tema.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Douglas Henrique</p>
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		<title>30º Cine PE: Mapas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 20:26:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É notável dentro da sala de cinema quando uma equipe é esforçada. Um filme diz muito sobre quem o está realizando. Dentro desta lógica, Mapas possui muitas boas intenções, mas com tantas vontades e temas, a obra parece se perder em seus próprios conceitos. Um ponto positivo (e negativo, ao mesmo tempo) é que o longa-metragem de Rafael Lobo é intelectualizado demais. Por um lado, isso é agradável de acompanhar e coerente com a própria trama.  A história se passa [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>É notável dentro da sala de cinema quando uma equipe é esforçada. Um filme diz muito sobre quem o está realizando. Dentro desta lógica, <em>Mapas</em> possui muitas boas intenções, mas com tantas vontades e temas, a obra parece se perder em seus próprios conceitos.</p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Um ponto positivo (e negativo, ao mesmo tempo) é que o longa-metragem de Rafael Lobo é intelectualizado demais. Por um lado, isso é agradável de acompanhar e coerente com a própria trama. </span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">A história se passa em um ambiente acadêmico, por isso, esse tempo dilatado e os diálogos com palavras mais rebuscadas fazem sentido. O que não dá para “botar fé” é a quantidade de planos reiterativos e longos. </span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">A ambientação e o estabelecimento de atmosfera são essenciais no cinema. No entanto, existe um momento em que você tem que passar o bastão da instalação de sensações iniciais para a trama em si.<br />
</span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Os planos contemplativos somente fazem sentido se uma reflexão os acompanhar. Um exemplo sobre essa impressão de obra truncada é a abertura do filme, que tem uns três inícios. </span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Algumas escolhas de </span><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">cortes ou criação de sentido faltaram para fazer com que a produção fosse mais efetiva. Todavia, é importante ressaltar que a produção conta com um elemento positivo: as personagens centrais.<br />
</span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">São elas que que ajudam muito para que a conexão com a história não se perca, tanto em termos de dramaturgia quanto em termos de atuação do elenco. </span>Júlia (Beta Rangel), Sérgio (Caique Copque) e Sofia (Bianca Terraza) são a força motriz que dinamiza o roteiro.</p>
<p dir="ltr">Em suas distinções de personalidade dentro do roteiro e na interpretação que o elenco dá para casa um, a trama se equilibra. A começar por Júlia. Ela é mais fria, racional e professoral.</p>
<p dir="ltr">Ela é quem tem um olhar quase igual ao do espectador, porque é mais distanciado e questionador. <span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Sérgio é voraz, curioso e passional. Ele parece representar a perspectiva da ficção, de quem embarca na jornada do fantástico. Por fim, Sofia é a doçura e o respiro.<br />
</span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Com as suas sonoridades, ela é o único ponto de relaxamento, quando a obra alivia mais a sua lógica cerebral e vai para o sensorial. </span>Dentro desta dinâmica, é possível salientar que a trilha musical de <em>Mapas</em> é o ponto alto da criação e estabelecimento de atmosfera.</p>
<p dir="ltr">Se os planos longos e abertos cortam a suspensão, a musicalidade conserta um pouco essa quebra. <span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Olhando para todos esses elementos, é observável que <em>Mapas</em> não é um longa ruim. Na realidade, a obra tem seus méritos, mesmo que suas falhas interfiram diretamente na fruição da plateia.<br />
</span><br />
A exaustão do público poderia ser cortada pela decisão concreta de que tipo de longa a equipe queria entregar: drama, terror, suspense, drama de terror, terror de drama…?</p>
<p dir="ltr"><strong>Direção</strong>: Rafael Lobo</p>
<p dir="ltr"><strong>Elenco</strong>: Beta Rangel, Caique Copque, Bianca Terraza</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/30o-cine-pe-mapas/">30º Cine PE: Mapas</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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