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	<title>Arquivos Stanley Tucci - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Stanley Tucci - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Diabo Veste Prada 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Apr 2026 13:32:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pisar num terreno que fez tanto sucesso no passado não é fácil. A decisão de voltar com esse filme 20 anos depois do marco icônico que foi o primeiro longa foi uma escolha corajosa, para dizer o mínimo. Mas afinal, tinha como O Diabo Veste Prada 2 dar errado mesmo trazendo todo o elenco principal original? Até tinha como ficar ruim, mas já adianto que isso não aconteceu. O filme é, sim, muito divertido e cheio de escolhas acertadas. O [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Pisar num terreno que fez tanto sucesso no passado não é fácil. A decisão de voltar com esse filme 20 anos depois do marco icônico que foi o primeiro longa foi uma escolha corajosa, para dizer o mínimo. Mas afinal, tinha como<strong><em> O Diabo Veste Prada 2</em></strong> dar errado mesmo trazendo todo o elenco principal original?</p>
<p>Até tinha como ficar ruim, mas já adianto que isso não aconteceu. O filme é, sim, muito divertido e cheio de escolhas acertadas. O que é um grande bálsamo para os fãs mais fervorosos, como essa jornalista que aqui escreve. Andy Sachs (Anne Hathaway) passou anos vivendo o seu sonho de escrever histórias relevantes, política, economia, sociedade. Ela é uma jornalista renomada e reconhecida pelo seu trabalho investigativo. Mas nem isso a consegue blindar do trator que é o capitalismo e a necessidade constante de “cortar os custos”.</p>
<p>Os tempos são outros e essa nova realidade de inteligência artificial, produções online e rapidez líquida fez com que o jornalismo de verdade, aquele que tem tempo de pesquisar, entrevistar, fosse colocado em segundo plano. São tempos incertos. Inclusive para Miranda Priestly (Meryl Streep), que do outro lado da moeda, sofre as consequências do trabalho mal feito de sua equipe jornalística, o que pode levar ao seu declínio do topo da Runway (que a essa altura já se tornou uma revista muito mais on-line).</p>
<p>Em meio a essas nuances de cada personagem, o reencontro acontece através da necessidade de ambas. Cada uma de uma ponta, convergindo com o mesmo propósito.</p>
<p>É curioso perceber como mesmo depois de tantos anos, Andy ainda fica nervosa e insegura ao lado de Miranda. É como se ela ativasse aquela jornalista recém formada lá do começo, que tinha que se provar o tempo todo. Ela precisa ser constantemente lembrada que ela ocupa, hoje, um outro espaço e uma outra posição.</p>
<p>Já Miranda segue com a sua personalidade altiva, mas sendo convocada o tempo todo a acessar momentos de mais humanidade. Ela entende (ou é forcada a entender) que o topo é solitário, mas não precisa necessariamente ser. Que por mais que ela esteja sempre jogando com as peças deste quebra-cabeça que é comandar uma revista que dita a moda do mundo todo, o tabuleiro pode contar com outros jogadores.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-20638" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image.png" alt="O Diabo Veste Prada 2" width="751" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image.png 751w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 751px) 100vw, 751px" /></p>
<p>Minha preocupação com o trailer, onde achei as personagens muito caricatas, por sorte não se confirmou. O roteiro não foi para o caminho de exploração até a última gota de quem é Miranda Priestly e sua indiferença com o próximo. E claro que Meryl Streep faz toda a diferença neste quesito, mas acredito que podemos colocar o resultado nas costas do diretor David Frankel, responsável também pelo primeiro longa.</p>
<p>Aqui em<em><strong> O Diabo Veste Prada 2</strong> </em>a rivalidade feminina é substituída por uma parceria construída de maneira muito natural. As personagens entendem que precisam convergir no mesmo propósito, já que o “universo” (leia-se aqui “capitalismo masculino”) não está disposto a isso.</p>
<p>Mesmo assim, ainda temos a rivalidade feminina apresentada, mas muito mais como um resquício de vingança ou uma necessidade de se provar suficiente pelo passado que viveu ali naquele espaço. Fico triste apenas que o roteiro quis redimir essa personagem no final, completamente sem necessidade. Era melhor ter assumido o seu lado vingativo e seguido com isso.</p>
<p>Para a dupla principal, vemos outras facetas de suas personalidades. Existe uma profundidade maior das personagens, uma exploração mais detalhada de quem cada uma é.</p>
<p>É uma mudança que eu achei legal foi Miranda estar num casamento bacana e amoroso, com um cara que entende a sua posição, enquanto Andy está solteira, mas sem a necessidade de busca pelo masculino. Ela está bem, feliz, completa, sem aquele ar de demanda de relacionamento, mas também sem a sombra da solidão. Isso vai de encontro com o machismo habitual de alguns roteiros, o que é ótimo!</p>
<p>O filme também é um grande serviço para os fãs do primeiro. Ele bebe da mesma fonte, traz milhares de referências claras (e outras sutis), mas sem deixar de lado uma personalidade muito própria. <em><strong>O Diabo Veste Prada 2</strong> </em>é uma grata surpresa em uma época que as continuações tardias são tão rasas e sem propósito. O longa entrega excelentes atuações, uma história legal, nostalgia, looks incríveis e uma leveza necessária. Vale muito a pena!</p>
<p><strong>Direção:</strong> David Frankel</p>
<p><strong>Roteiro:</strong> Aline Brosh McKenna</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Stanley Tucci, Kenneth Branagh, Lucy Liu, Simone Ashley, Justin Theroux</p>
<p>Assista ao trailer!</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/r3_gZDsy1iQ?si=4JfTUyL0iCtK7tJB" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: I Wanna Dance With Somebody &#8211; A História de Whitney Houston</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jan 2023 12:50:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O som é um dos elementos fundamentais na elaboração de um filme. Dentro deste universo, a trilha sonora é um dos maiores atrativos para o público &#8211; seja ele crítico ou leigo. Sob essa lógica, musicais, em teoria, alcançam o ápice do uso desse importante elemento cinematográfico. Mas o que é melhor do que um musical feito a partir de músicas conhecidas e amadas pelo público? Daí vem o sucesso das inúmeras cinebiografias musicais produzidas nos últimos anos. De 2018 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O som é um dos elementos fundamentais na elaboração de um filme. Dentro deste universo, a trilha sonora é um dos maiores atrativos para o público &#8211; seja ele crítico ou leigo. Sob essa lógica, musicais, em teoria, alcançam o ápice do uso desse importante elemento cinematográfico. Mas o que é melhor do que um musical feito a partir de músicas conhecidas e amadas pelo público? Daí vem o sucesso das inúmeras cinebiografias musicais produzidas nos últimos anos. De 2018 para cá, seis grandes produções hollywoodianas foram feitas dentro desse subgênero e levaram centenas de milhares de espectadores às salas de cinema.</p>
<p>Começando pelo estrondoso sucesso de público, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bohemian-rhapsody/"><i>Bohemian Rhapsody</i></a> (2018) recuperou o fôlego das cinebiografias musicais que estavam em baixa desde o final dos anos 2000. Após a história do Queen, vieram outros conhecidos nomes da música internacional como Elton John e Judy Garland. Na tentativa de acompanhar o fervor gerado por cinebiografias musicais como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-judy-muito-alem-do-arco-iris/"><i>Judy: Muito Além do Arco-Íris</i></a> (2019), <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rocketman/"><i>Rocketman</i></a> (2019), <i>Respect: A História de Aretha Franklin</i> (2021) e, mais recentemente, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><i>Elvis</i></a> (2022), <b><i>I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston</i></b> chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12).</p>
<p>O longa-metragem sobre uma das vozes que mais impactaram a música na história dos Estados Unidos tem alguns problemas já conhecidos pelo público. <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b> carrega as mesmas falhas que o filme do Queen apresentou em 2018. Ambos os longas foram escritos pelo roteirista Anthony McCarten (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-destino-de-uma-nacao/"><i>O Destino de uma Nação</i></a>, de 2017, e <i>Dois Papas</i>, de 2019) e seguem uma lógica onde os eventos da vida dos artistas são acessórios para a utilização de suas famosas canções.</p>
<p>A escolha de priorizar a força das músicas de Whitney em detrimento de uma construção narrativa bem aprofundada atrapalha o desempenho do filme. No lugar de desenvolver os dilemas vividos pela artista, <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b> utiliza esses fragmentos da vida da cantora quase somente para conectar as canções. Não se vê a potência de suas experiências (boas ou ruins) com a mesma força e relevância que a produção dá aos números musicais.</p>
<figure id="attachment_16320" aria-describedby="caption-attachment-16320" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16320" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-750x500.jpg" alt="I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston (2022)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-610x406.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed.jpg 800w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16320" class="wp-caption-text">Naomi Ackie em cena de I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston (2022)</figcaption></figure>
<p>Questões latentes vividas por Whitney como  o seu relacionamento tóxico com o ex marido, sua autocobrança por ter que ser “A Voz” da música pop da época ou seu problema com drogas não são devidamente explorados, o que acaba enfraquecendo o potencial do projeto. Somado a isso, a direção também falha em trazer personalidade para a produção. A forma como Kasi Lemmons conduz <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b> soa distante. Diferente do que ela fez em <i>Harriet: O Caminho para a Liberdade</i> (2019), a atriz e diretora não consegue impor a sua marca.</p>
<p>Além disso, existem algumas escolhas de planos e enquadramentos incompreensíveis. Em diversas passagens, o espectador tem a sensação de estar assistindo um documentário de bastidores da vida de Whitney. Essas imagens surgem sem nenhum contato ou proximidade com a personalidade que está sendo descrita em cena. As sequências soam ainda mais estranhas quando reunidas com os outros deslizes já descritos de <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b>, como na cena em que Whitney descobre que seu pai está hospitalizado.</p>
<p>No meio desses problemas, o longa tem momentos de brilho graças ao seu elenco. É evidente que as canções são os pontos altos de <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b>, mas o trabalho de Naomi Ackie (<i>Lady Macbeth</i>, de 2016, e <i>S<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-star-wars-a-ascensao-skywalker/">tar Wars: Episódio IX &#8211; A Ascensão Skywalker</a></i>, de 2019), Stanley Tucci (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><i>A Bela e a Fera</i></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-silencio/"><i>O Silêncio</i></a>, de 2019) e Tamara Tunie (<i>O Voo</i>, de 2012) se destaca. Apesar do mal aproveitamento dos momentos dramáticos da narrativa, o desempenho de Naomi como Whitney é divertido de se ver. Da mesma forma, Tucci e Tamara conseguem entregar momentos mais intensos &#8211; dentro das limitações do roteiro &#8211; ao público.</p>
<p>Focar nas músicas funciona como um agrado mais imediato ao subconsciente do espectador, mas isso é mérito da voz de Whitney e não do filme. Na contramão do que faz <i>Elvis</i>, <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b>segue uma linha fácil de sucesso. A produção é divertida, mas excessivamente longa e sem muito impacto. As quase 2h30 de duração poderiam ser trocadas por uma boa pesquisa sobre a vida da artistas e uma playlist com os maiores sucessos da cantora. Infelizmente a grande “Voz” não teve o filme que a sua grandiosidade artística merecia.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Kasi Lemmons</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Naomi Ackie, Stanley Tucci, Ashton Sanders, Tamara Tunie, Nafessa Williams e Clarke Peters</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HrIyiE-fWdA?si=a6oBQ0jB0gT5kOnE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Convenção das Bruxas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Nov 2020 22:30:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Trinta anos depois do longa original de 1990, Convenção das Bruxas chega aos cinemas com um elenco de peso e a promessa de reavivar a história que conquistou e assustou a todos naquela época. Elementos como a tecnologia no emprego da maquiagem foram colocados como principais artifícios para tornar essa obra diferenciada e talvez ainda melhor que a primeira. Mas será que o resultado foi isso tudo? O enredo traz um garotinho que perdeu os pais num acidente de carro [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Trinta anos depois do longa original de 1990, <em><strong>Convenção das Bruxas</strong></em> chega aos cinemas com um elenco de peso e a promessa de reavivar a história que conquistou e assustou a todos naquela época. Elementos como a tecnologia no emprego da maquiagem foram colocados como principais artifícios para tornar essa obra diferenciada e talvez ainda melhor que a primeira. Mas será que o resultado foi isso tudo?</p>
<p>O enredo traz um garotinho que perdeu os pais num acidente de carro e precisou ir morar com a avó. Rapidamente ele descobre a existência de bruxas que odeiam crianças e querem transformá-las em animais. Quando foge junto com sua avó para se esconder em um hotel, eles acabam dando de cara com uma convenção de bruxas, cujo objetivo é transformar todas as crianças em ratos, para depois exterminá-los.</p>
<p>Este longa segue a mesma história de 1990, com o mesmo modelo estrutural. O que traz um diferencial muito importante é a questão da tecnologia inserida. Se na obra original o apreço pela maquiagem foi uma exigência alcançada com sucesso, neste <strong><em>Convenção das Bruxas</em></strong> os efeitos especiais tomaram conta da tela e fizeram o excelente papel de transformar a experiência com as bruxas. Isso porque, sim, elas são aterrorizantes, assim como se propunha Anjelica Huston (<em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-john-wick-3-parabellum/">John Wick 3 &#8211; Parabellum</a></em>).</p>
<p>Anne Hathaway (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-as-trapaceiras/"><em>As Trapaceiras</em></a>) assume o papel da bruxa rainha e o faz com maestria. Ela domina todos os trejeitos da personagens, agonias, inseguranças e maldade. A todo momento em que surge, rouba a cena para si. A não ser quando divide a tela com Octavia Spencer (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ma/"><em>Ma</em></a>), que por sua vez faz o papel da avó do garotinho e também garante uma atuação incrível. Aliás, a dinâmica de elenco é muito boa e é o que melhor sustenta a trama.</p>
<p>Hathaway teve o ingrato papel de assumir a cadeira de Huston e isso não era algo exatamente fácil, já que esta última fez um trabalho marcante. Ainda assim, Anne consegue superar e apresentar um bruxa completamente maligna e sem escrúpulos. Sádica, ela é majestosa em qualquer lugar que adentra, fazendo com que todos realizam suas vontades.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13498" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Convenção das Bruxas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/4484297.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Senti falta, no entanto, em parceiros da maldade, por assim dizer. A personagem de Hathaway funciona praticamente sozinha, sem um auxiliar em termos de narrativa. Isso tira um pouco da força da vilania como um todo, deixando uma dualidade muito unificada entre vários personagens do bem contra apenas um do mal.</p>
<p>Além disso, falta explorar um pouco mais os sustos. Trata-se de um filme infantil e temos que ter isso em mente, mas ainda assim, a questão do mistérios das bruxas fica um pouco superficial em alguns momentos, tornando este longa menos assustador que o de 1990.</p>
<p>Um detalhe bastante interessante é umas alfinetadas que temos ao longo do filme na questão racial dos protagonistas e como eles se inserem em contextos sociais que não são originalmente deles. É um elemento explorado na medida certa para que os adultos percebam.</p>
<p>Este <em><strong>Convenção das Bruxas</strong></em> faz excelente uso dos artifícios que possui atualmente, se sustentando como uma obra independente e ótima adaptação do livro de homônimo de Roald Dahl. Embora o comparativo com o filme de 1990 seja inevitável (e diria que ele ainda supera em qualidade do produto final), isso não significa que o resultado não seja satisfatório, especialmente para as crianças de hoje em dia que ainda não foram inseridas neste universo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Robert Zemeckis<br />
<strong>Elenco:</strong> Anne Hathaway, Octavia Spencer, Stanley Tucci, Kristin Chenoweth, Chris Rock, Jahzir Bruno, Codie-Lei Eastick, Brian Bovell, Charles Edwards, Eugenia Caruso</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/8TQLGcnJ3mc" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-convencao-das-bruxas/">Crítica: Convenção das Bruxas</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: O Silêncio</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 May 2019 18:05:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Numa leva nova de filmes de terror nos quais um sentido precisa ser sacrificado, O Silêncio  entra no filão dos grupo dos: “vida sem barulhos e sons”. Depois de algumas produções com esta pegada, o espectador pode estar fatigado de premissas semelhantes e ir com as expectativas muito baixas e ser surpreendido. Sim, a surpresa é que o longa consegue ser pior do que a imaginação consegue calcular antes de o assisti. O maior fator para baixa qualidade da produção [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Numa leva nova de filmes de terror nos quais um sentido precisa ser sacrificado, <em><strong>O Silêncio </strong></em> entra no filão dos grupo dos: “vida sem barulhos e sons”. Depois de algumas produções com esta pegada, o espectador pode estar fatigado de premissas semelhantes e ir com as expectativas muito baixas e ser surpreendido. Sim, a surpresa é que o longa consegue ser pior do que a imaginação consegue calcular antes de o assisti.</p>
<p>O maior fator para baixa qualidade da produção mora no roteiro. Escrito pelos irmãos Carey e Shane Van Dyke (<em>Chernobyl</em>), a produção começa buscando traçar as relações entre as personagens principais, internamente e externamente. Ally (Kiernan Shipka) é uma adolescente surda. Ela sofre bastante <em>bullying</em> na escola, mas possui um melhor amigo, que é meio namorado também, o Rob (Dempsey Bryk).</p>
<p>A sua família também é bem unida, afetuosa e relativamente grande, composta por Kelly, a mãe (Miranda Otto), Hugh, o pai (Stanley Tucci), Lynn, a avó (Kate Trotter), Jude, o irmão (Kyle Breitkopf), cachorro e Glenn, o agregado (John Corbett). Todos são muito ligados, conversam em linguagem de sinais, se protegem e se entendem. A qualidade dos atores, a dinâmica deste núcleo e a sacada de “no mundo distópico que não se pode falar, o grupo todo sabe ASL” (Língua de Sinais de Americana) é onde a qualidade se encerra.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10472" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/5545362.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="O Silêncio" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/5545362.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/5545362.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/05/5545362.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O primeiro grande questionamento que paira são as relações de Ally dentro da trama. Não existe nenhuma ligação com ela ser zoada pelos colegas com nada que aparece na tela em seguida. Isto nem transparece na construção de sua personalidade. Outro fator, é a decisão da inserção de Glenn na história. A forma como eles descartam o rapaz deixa uma impressão de que eles precisavam apenas de uma figura para morrer, mas que não queriam usar nenhum parente nuclear. A morte dele soa gratuita e num momento que a tensão não estava estabelecida para aquele acontecimento.</p>
<p>Na verdade, todas as baixas que ocorrem até o segundo ato de projeção não conseguem causar impacto. Os filmes de terror utilizam sons, jogo de luz e sombra, sussurros, foco e desfoco, planificação, enfim, diversos fatores para contribuir com a instalação de clima de medo. No entanto, aqui, nota-se um desperdício em construir o que são estes monstros que começam a atacar os Estados Unidos, qual a dimensão da tragédia, que respiros podem fazer os sustos que desejam provocar acontecerem. Claro, isso são apenas sugestões, os caminhos para criação de suspense e horror poderiam ser vários.</p>
<p>O resultado final de<strong><em> O Silêncio</em></strong> é uma dúvida forte sobre a existência dele. A técnica é, teoricamente simples, planos americanos, em grande parte, uma luz meio esverdeada, misturada com marrom e uma música pálida, que passa despercebida. Não há um esforço aparente em criar atmosferas e o único elemento que pode salvar o tempo perdido são os atores que demonstram uma grande vontade de estar ali.</p>
<p><strong>Direção:</strong> John R. Leonetti<br />
<strong>Elenco:</strong> Stanley Tucci, Kiernan Shipka, Miranda Otto, John Corbett, Kyle Breitkopf, Kate Trotter, Dempsey Bryk</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/oN9DFZiZK0I" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Um Ato de Esperança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Mar 2019 18:28:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Thompson]]></category>
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		<category><![CDATA[Richard Eyre]]></category>
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		<category><![CDATA[Trailer]]></category>
		<category><![CDATA[Um Ato de Esperança]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O escritor Ian McEwan teve sua carreira lançada à popularidade quando em 2007 o cineasta Joe Wright trouxe para os cinemas Desejo e Reparação, adaptação de Reparação aclamado romance do autor. No entanto, McEwan já teve experiências como roteirista, então não é &#8220;figurinha&#8221; nova no cinema &#8211; ele é responsável pelo roteiro de O Anjo Malvado, drama com Macaulay Culkin e Elijah Wood de 1994, por exemplo. Nos últimos anos, McEwan tem investido na adaptação das suas próprias histórias. On [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O escritor Ian McEwan teve sua carreira lançada à popularidade quando em 2007 o cineasta Joe Wright trouxe para os cinemas <em>Desejo e Reparação</em>, adaptação de Reparação aclamado romance do autor. No entanto, McEwan já teve experiências como roteirista, então não é &#8220;figurinha&#8221; nova no cinema &#8211; ele é responsável pelo roteiro de <em>O Anjo Malvado</em>, drama com Macaulay Culkin e Elijah Wood de 1994, por exemplo. Nos últimos anos, McEwan tem investido na adaptação das suas próprias histórias. <em>On Chesil Beach</em> chegou para as telas com Saoirse Ronan com um script de sua autoria (ainda inédito no país) e <strong><em>Um Ato de Esperança</em></strong> também.</p>
<p><em><strong>Um Ato de Esperança</strong></em> é baseado num romance de McEwan chamado A Balada de Adam Henry. Na história, uma experiente juíza, interpretada no longa por Emma Thompson, se vê diante de um caso delicado para solucionar, mas que acaba não enxergando em meio à banalidade que anos de carreira acabaram lhe trazendo como legado. Em meio a uma crise pessoal no seu casamento, ela tem que decidir se um paciente de leucemia deve ou não receber transfusão de sangue. A querela se estende porque o rapaz em questão é testemunha de Jeová e resiste a solução médica que pode salvar a sua vida pois, por sua crença, acredita que se contaminará caso receba sangue de outra pessoa.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-10303" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/1528130.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-750x500.jpg" alt="Um Ato de Esperança" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/1528130.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/1528130.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/03/1528130.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>McEwan traz para o roteiro de<em><strong> Um Ato de Esperança</strong></em> as características de sua literatura, deixando algumas questões importantes da sua história à cargo daquilo que não é dito pelos seus personagens. O grande problema do drama é que ele é dirigido por Richard Eyre, de <em>Íris</em> e <em>Notas sobre um Escândalo</em>, um diretor que não costuma ser muito criativo na sua condução, apesar de arrancar desempenhos notáveis dos seus atores. Eyre prefere guiar-se completamente pelo roteiro e ter muito cuidado com a interpretação dos seus protagonistas. Em <strong><em>Um Ato de Esperança</em> </strong>isso resulta em mais um desempenho notável de Emma Thompson, mas numa história pouco inspirada do ponto de vista imagético. Não é um longa que explora o suficiente eventuais potencialidades de recursos audiovisuais para auxiliar o trabalho de Ian McEwan e acaba se transformando num filme que diz muito pouco a que veio.</p>
<p><strong><em>Um Ato de Esperança</em></strong> é a jornada de autoconhecimento de sua protagonista, que com anos de carreira jurídica nunca parou para pensar como suas decisões reverberam na vida dos &#8220;objetos&#8221; das suas sentenças. Ao estreitar a relação com o jovem testemunha de Jeová, a personagem de Thompson começa a perceber a reverberação das suas decisões na vida dos outros e, consequentemente, passa a refletir sobre esse processo na sua própria vida. É um filme complexo do ponto de vista da construção do arco dessa protagonista, mas cuja direção deixa tudo muito reticente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Richard Eyre<br />
<strong>Elenco:</strong> Emma Thompson, Stanley Tucci, Fionn Whitehead, Ben Chaplin, Nikki Amuka-Bird, Rosie Cavaliero, Jason Watkins, Ruppert Vansittart</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/VcVkHH3hLF4" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Spotlight &#8211; Segredos Revelados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 Jan 2016 01:12:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Liev Schreiber]]></category>
		<category><![CDATA[Mark Ruffalo]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Keaton]]></category>
		<category><![CDATA[Rachel McAdams]]></category>
		<category><![CDATA[Spotlight - Segredos Revelados]]></category>
		<category><![CDATA[Stanley Tucci]]></category>
		<category><![CDATA[Tom McCarthy]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2001, um grupo de jornalistas especializados em jornalismo investigativo do Boston Globe recebe do novo editor executivo do jornal a incumbência de desvendar alguns casos de pedofilia envolvendo padres da capital do estado de Massachusetts. A reportagem que inicialmente teria como protagonistas sete sacerdotes, chega a um número assustador de 90 padres acusados de molestar meninos e meninas de diferentes idades em casos que foram silenciados pela igreja, por advogados, pelo sistema judiciário e até mesmo por jornalistas. A [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div>
<p>Em 2001, um grupo de jornalistas especializados em jornalismo investigativo do Boston Globe recebe do novo editor executivo do jornal a incumbência de desvendar alguns casos de pedofilia envolvendo padres da capital do estado de Massachusetts. A reportagem que inicialmente teria como protagonistas sete sacerdotes, chega a um número assustador de 90 padres acusados de molestar meninos e meninas de diferentes idades em casos que foram silenciados pela igreja, por advogados, pelo sistema judiciário e até mesmo por jornalistas. A reportagem do grupo, cuja seção no jornal fora batizada de Spotlight, ganhou repercussão mundial, resultou em uma atenção maior ainda para os casos de pedofilia envolvendo a igreja católica e acabou ganhando o prêmio Pulitzer de jornalismo.</p>
</div>
<div>
<p>Conduzido com uma sobriedade admirável por Tom McCarthy, realizador cujos trabalhos mais marcantes até então vieram do circuito independente norte-americano, entre eles, <i>O Agente da Estação </i>e <i>O Visitante</i>, <i>Spotlight &#8211; Segredos Revelados </i>revive os passos da investigação empreendida pelos jornalistas do Boston Globe e<i> </i>é um filme cujo principal mérito é abordar um tema revoltante como a prática da pedofilia na igreja católica evitando qualquer tipo de sensacionalismo. Mesmo que adote uma abordagem quase que cerebral sobre o assunto, é preciso salientar que McCarthy não faz um filme frio, há um envolvimento emocional do diretor, do roteiro e dos personagens  na medida em que determinados fatos sobre os casos vêm à tona. Assim, há o jornalismo, mas o &#8220;sangue&#8221; está presente nas &#8220;veias&#8221; do longa-metragem.</p>
</div>
<figure id="attachment_4244" aria-describedby="caption-attachment-4244" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4244 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/111111111111111-620x349.jpg" alt="111111111111111" width="620" height="349" /><figcaption id="caption-attachment-4244" class="wp-caption-text">Tensão: Filme mantém o espectador preso no desenrolar da descoberta dos fatos</figcaption></figure>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Grande parte desse interessante equilíbrio encontrado por Tom McCarthy em <i>Spotlight</i> deve-se ao fato do realizador ter compreendido que a perspectiva lançada por sua obra era a da investigação jornalística e de que o olhar lançado para o caso era do grupo de profissionais do Boston Globe. Ao adotar esse ponto de vista, McCarthy ainda consegue fazer do seu filme, essencialmente verborrágico, uma trama investigativa enervante com ganchos que mantém o espectador atento e envolvido na dinâmica de trabalho do grupo de jornalistas do filme sem recorrer a elucubrações visuais. Tudo em <i>Spotlight </i>parece monocórdico e ter o seu próprio tempo, o que, curiosamente, em momento algum prejudica o ritmo do filme, pelo contrário, põe em evidência o trabalho investigativo que o longa quer destacar e mantém o espectador envolvido por horas nas descobertas feitas pelos personagens.</p>
</div>
<div>
<p>É como se o filme de McCarthy se transmutasse na própria reportagem cuja realização dramatiza. São raras no filme as sequências que não passam pelo crivo do olhar ou pela ação do seu grupo de jornalistas. Vivenciamos os horrores dos casos de pedofilia contados somente pela narrativa da investigação jornalística e todos os seus bastidores. Esta opção do realizador é o que sustenta o seu filme e evidencia as suas próprias pretensões: não apenas indignar o público com os crimes da igreja, mas destacar a função social  do jornalismo em casos como esse. Nesse sentido é que <i>Spotlight </i>consegue ser um filme sóbrio, porém evitando qualquer tipo de indiferença àquilo que está revelando a sua plateia.</p>
</div>
<figure id="attachment_4245" aria-describedby="caption-attachment-4245" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4245 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/2015-09-04-1441380921-1272728-Spotlight_film_2015-620x334.jpg" alt="2015-09-04-1441380921-1272728-Spotlight_film_2015" width="620" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-4245" class="wp-caption-text">Harmonia: Interpretações do elenco são marcadas pelo equilíbrio, não existindo ator que destoe do outro em cena</figcaption></figure>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Com a mesma sobriedade que Tom McCarthy conduz a sua história, ele dirige o seu elenco. Nesse sentido, seria injusto destacar esse ou aquele desempenho no seu filme porque todos os atores estão igualmente excelentes. Tal qual o trabalho da equipe do Spotlight do jornal Boston Globe, Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Liev Schreiber, Stanley Tucci, só para citar alguns dos atores centrais do longa, trabalham harmonicamente como uma equipe, sem sobressalências ou interpretações em tons mais elevados, o que é coerente com o próprio propósito filme.</p>
</div>
<div>
<p>Além de expor toda uma estrutura de poder que acobertou e continua acobertando os casos de pedofilia da igreja católica, <i>Spotlight &#8211; Segredos Revelados </i>acaba mostrando-se ao público como uma narrativa que reforça a importância do jornalismo (não quele de fachada que parte das redações espalhadas por ai exercem) para a sociedade. Parece um pouco &#8220;lugar comum&#8221; dizer isso, mas em tempos de &#8220;copia e cola&#8221; e da busca insana pelo furo de reportagem, resultando em práticas irresponsáveis e marcadas pelo anti-profissionalismo e por apurações cada vez mais pobres, nunca é demais abrir um parênteses para esse potencial da obra. Além disso, o filme de Tom McCarthy, em seu próprio propósito de ser uma espécie de &#8220;bastidor de uma grande reportagem&#8221; confirma que para oferecer uma trama tensa, envolvente e emocionalmente engajada não é necessário recorrer a diálogos, trilhas ou cenas excessivamente expositivas e manipulatórias, a descoberta dos fatos é por si só um instrumento de envolvimento e fidelização do público à obra do início ao fim.</p>
</div>
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