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	<title>Arquivos Cine PE - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Cine PE - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>30º CinePE: Entrevista com diretora Eliza Capai e produtora Mariana Genescá</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 22:26:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[30º Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[A fabulosa máquina do tempo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma manhã de junho, em um hotel, no centro de Recife, a diretora Eliza Capai e a produtora Mariana Genescá falaram longamente sobre o longa-metragem A Fabulosa Máquina do Tempo. Exibido em 30º Cine PE, o documentário já vinha de participações e prêmios em festivais internacionais, incluindo o de Berlim. Dias depois do bate-papo, a dupla celebraria quatro Calungas de Prata, na cerimônia de Premiação do 30º Cine Pe. Mas, antes de tudo, veio a entrevista para o Coisa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em uma manhã de junho, em um hotel, no centro de Recife, a diretora Eliza Capai e a produtora Mariana Genescá falaram longamente sobre o longa-metragem <em>A Fabulosa Máquina do Tempo</em>. Exibido em 30º Cine PE, o documentário já vinha de participações e prêmios em festivais internacionais, incluindo o de Berlim.</p>
<p>Dias depois do bate-papo, a dupla celebraria quatro Calungas de Prata, na cerimônia de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/30o-cine-pe-anuncia-os-vencedores-desta-edicao/">Premiação</a> do 30º Cine Pe. Mas, antes de tudo, veio a entrevista para o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong>, que durou mais de meia hora e rendeu um diálogo profundo sobre o cinema.</p>
<p>Ao falarem sobre suas carreiras e caminhos até chegarem no tipo de filme que fazem, Genescá e Capai revelam paixões semelhantes pelo estudo e pela pesquisa, bem como pelo cinema de impacto social. Através desse desejo intenso de mostrar ao mundo histórias importantes, com apuro estético, a dupla conta como funciona o trabalho de cada uma, os desafios e as conquistas.</p>
<p>“Eu tenho uma pergunta que eu quero refletir sobre, não é nem que eu quero responder, eu quero ter uma reflexão sobre aquela pergunta”, elucida Eliza Capai. Durante a conversa, a diretora detalha sobre a sua sede pelo conhecimento, pela justiça e pela equidade na sociedade.</p>
<p>Entre uma resposta e outra, Eliza e Mariana se complementam e se completam. A dinâmica delas é de sintonia e isso se confirma quando falam sobre os troféus recebidos e as parcerias firmadas, depois que começaram a trabalhar juntas. É assim que é a lógica desse bate-papo, que você pode conferir agora, completamente, no <strong>Coisa de Cinéfilo</strong>.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-20816" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_8850-394x590.jpeg" alt="" width="394" height="590" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_8850-394x590.jpeg 394w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_8850.jpeg 533w" sizes="(max-width: 394px) 100vw, 394px" /></p>
<h6><strong>Imagem</strong>: Eliza Capai, em coletiva de imprensa do 30º Cine PE, em Recife. <em>Créditos</em>: Felipe Souto Maior.</h6>
<p><strong>ENTREVISTA COMPLETA</strong></p>
<p><strong>Enoe Lopes Pontes</strong> – A primeira coisa que eu fiquei pensando muito, olhando para a trajetória de vocês duas, e eu sei que Eliza tem a carreira no jornalismo e tudo mais, mas como vocês chegaram no estilo de cinema que vocês fazem, nesse documentário de impacto social?</p>
<p><strong>Eliza Capai</strong> – Eu acho que nós duas somos muito CDF! A gente compartilha essa coisa de escola, de levar muito a sério o que foi dado. Eu acho que isso nos ajudou no nosso entrosamento, porque a gente leva muito a sério fazer o filme. Só que a gente, de alguma forma, estava aprendendo a fazer filme juntas. E eu acho que tem uma escuta do processo, tem uma coisa da pesquisa. Eu sempre me sinto como se eu fosse uma esponja quando eu começo um processo. Eu tenho uma pergunta que eu quero refletir sobre, não é nem que eu quero responder, eu quero ter uma reflexão sobre aquela pergunta.</p>
<p><strong>ELP</strong> – Entendo.</p>
<p><strong>EC</strong> – Então, no <em>Espero a tua (re)volta</em>, por exemplo, é como que jovens vindos da periferia, sem os direitos básicos da Constituição, conseguiram aquele grau de organização política para ocupar mais de 200 escolas. No <em>Fabulosa</em> (<em>máquina do tempo</em>), a pergunta que me guiou foi como que essas meninas, que são a primeira geração saída da fome, saída da extrema pobreza, que já nasceram com o direito de sonhar, de comer e de ir para a escola, enxergam à saída da extrema pobreza e questionam o machismo estrutural. A partir disso, eu vou vendo muitas coisas, eu vou lendo coisas, vou assistindo muitos filmes que dialogam com o tema, vou em campo pesquisar.</p>
<p><strong>Mariana Genescá</strong> –  No meu caso, eu venho do jornalismo também, assim como a Eliza. Eu fiz comunicação, não fiz cinema. Cheguei a trabalhar um tempo com jornalismo, com jornalismo esportivo, especificamente, porque era uma coisa que eu queria. E pelos caminhos da vida, eu acabei indo para uma produtora e conhecendo essa coisa da produção independente. E cheguei no documentário!</p>
<p><strong>ELP</strong> – Sim.</p>
<p><strong>MG</strong> – E quando eu cheguei no documentário, era esse documentário político e social. Foi meio que os caminhos que foram acontecendo mesmo. E eu acho que aí tem muito desse encontro com a Eliza, de tudo que eu aprendo, diariamente, nas pequenas coisas… O que é o que eu acho muito genial nela, é o como contar! Porque o mundo está cheio de coisas difíceis acontecendo, de situações e coisas importantes e essa disputa de narrativas e de olhares. Mas poder falar desses assuntos e o como falar deles é uma forma muito original, uma forma muito fresca de abordar esses assuntos que eu acho que fazem toda a diferença. E aí eu acho que a gente mergulha fundo no cinema, na coisa mais linda do cinema, que é contar histórias de pessoas, com uma perspectiva muito comprometida, responsável,  curiosa e sempre muito delicada.</p>
<p><strong>EC</strong> – Sobre a escolha dos temas, para mim, em geral, são temas que me chegam e que me perturbam. Coisas que eu não consigo aceitar, como tem gente que passa fome. Como que pode nesse mundo de hoje a gente passa fome? Então, em geral,  são esses temas que me atormentam. Porque são realidades que não deveriam existir e que dialogam, em geral, com a escravidão, que traz o racismo, que traz esse machismo estrutural, mas através de saídas desse lugar, de possibilidades de saída.</p>
<p><strong>ELP</strong> – Dentro das coisas que vocês estão falando, abre-se para mim um grande guarda-chuva, com 300 milhões de caminhos incríveis que essa entrevista poderia ir, mas dentro do que eu tinha planejado perguntar, a minha curiosidade é saber como você, Mariana, chegou nesse tipo de produção, porque eu imagino que seja desafiador captar recursos para fazer esse tipo de filme.</p>
<p><strong>MG</strong> – Não é fácil. Eu acho que realmente é um desafio gigantesco. A gente, na produtora, que é a Amana Cine, a gente se define como uma produtora de documentários de impacto social. E é difícil seguir fazendo só documentários de impacto social, porque é um caminho muito árduo para conseguir recursos para captar para o projeto. Dentro disso, desses vários desafios, existe um pouco do fato do cinema social, de impacto social ser tratado como menor. Aí entra um orgulho enorme desse trabalho. É o maior esmero técnico e artístico para fazer com que esse documentário de impacto social tenha uma estreia no Festival de Berlim, vá para os maiores festivais e seja altamente premiado.</p>
<p><strong>EC</strong> – É o único documentário na categoria que a gente estava, por exemplo.</p>
<p><strong>ELP</strong> – Na Berlinale?</p>
<p><strong>MG</strong> – É, na Generation. Na Berlinale era o único. A gente fez uma série juntos ano passado que foi indicada ao Emmy Internacional. São quatro no mundo inteiro.</p>
<p><strong>ELP</strong> – Sim.</p>
<p><strong>MG</strong> – Foi uma série documental feita com recursos públicos, do artigo terceiro A. Então, isso realmente dá muito orgulho. Porque é muito essa vontade de mostrar que esse cinema é de máxima importância e pode ser de máxima qualidade artística. Não também querendo colocar que se o filme não vai para o festival, ele não tem qualidade artística. Também não é isso. A gente sabe que esse mundo do cinema são muitas coisas que são envolvidas, mas os festivais são uma vitrine muito importante. Especialmente para o cinema do documentário, que é o filme que tem menos espaço e, muitas vezes, tem menos prestígio. Então, esse caminho que a gente tem feito com os projetos é muito importante para fortalecer e mostrar a importância desses filmes.</p>
<p><strong>ELP</strong> – Entendi.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-20815" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_8851-750x500.jpeg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_8851-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_8851-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_8851-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_8851-770x514.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/06/IMG_8851.jpeg 799w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<h6><strong>Imagem</strong>: Mariana Genescá, em coletiva de imprensa, do 30º Cine PE, em Recife. Créditos: Felipe Souto Maior.</h6>
<p><strong>MG</strong> – É uma construção de muitos anos já trabalhando apenas com esse tipo de documentário, construindo parcerias, de lutar por políticas públicas e por editais. A gente passou muito tempo sem conseguir escrever projetos no Fundo Setorial do Audiovisual, porque as métricas todas contabilizavam apenas desempenho comercial dos filmes. E quem faz só documentário, como a gente, não tem o que eles chamam de desempenho comercial, porque desempenho comercial é venda de bilhetes em salas de cinema no Brasil. Nada mais contabiliza! Todo esse resultado das campanhas de impacto, quando a gente disponibiliza o filme gratuitamente e  faz centenas de sessões pelo Brasil inteiro, com debates. Nada disso conta em termos de público para o filme. Então, a gente ainda tem muitos desafios nessa área. Eu acho que é uma batalha bem grande.</p>
<p><strong>ELP</strong> – E o <em>Fabulosa</em>?</p>
<p><strong>MG</strong> – No caso do <em>Fabulosa Máquina do Tempo</em>, a gente teve a parceria da Globo Filmes. A gente começou essa parceria no <em>Espero tua (Re)volta</em>, em 2019, que foi o primeiro filme que a gente fez juntas, Eliza e eu.  A Globo Filmes entrou através de recursos públicos do artigo terceiro A da Lei do Audiovisual. Ela vira co-produtora, junto com a Globo News. Em 2021, a gente começa a apresentar o projeto para a Globo Filmes e ela embarca no projeto. Com isso, a gente consegue fazer, levantar o projeto. Depois, a gente vai atrás de mais recursos. O projeto tem também Fundo Setorial do Audiovisual de Desempenho Artístico, que é uma linha que premia projetos que têm grande circulação e premiação em festivais. E a gente ganhou com o <em>Espero tua (Re)volta</em>. Então, você ganha uma verba para aplicar em um próximo filme. Então, esse ciclo também é muito importante.</p>
<p><strong>ELP</strong> – Sim.</p>
<p><strong>MG</strong> – Por fim, entrou a RioFilme, também através de um edital do Rio de Janeiro e o Canal Brasil, no finalzinho, com uma coprodução. Então, a gente vai juntando vários parceiros durante anos, captando, para agora, em 2026, a gente poder lançar esse filme.</p>
<p><strong>ELP</strong> – Vocês já viram um meme que fala nele como é filme brasileiro,  que tem meia hora só de vinheta, de coisa de parceria? (risos). É meio assim. Bom, mas uma coisa que me interessa muito saber, porque, às vezes, parece que esquecem que cinema também é linguagem.  é como é que você,  Eliza, se nutre e como você enxerga o cinema de documentário, pensando nessa perspectiva de cinema ser uma linguagem e que você trabalha com discursos tão importantes e potentes?</p>
<p><strong>EC</strong> – Eu venho do jornalismo. Então, a entrevista sempre teve um lugar primordial para eu entender o outro.  Então, eu começo com isso. <em>A fabulosa máquina do tempo é</em> claramente um filme que poderia ser um filme de cabeças falantes, refletindo sobre a pergunta inicial do filme: como que é a saída da extrema pobreza e o início de uma contestação do machismo estrutural? Mas aí me vem um lado de&#8230; Cara, se eu tenho tempo, por que eu vou fazer o que eu já sei fazer, o que eu já fiz? Aí eu acho que, para mim, tem um desafio dentro do lugar da estética, porque, de alguma forma, é como eu estudo cinema.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Entendo.</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Então, para me preparar para esse filme, eu fiquei lá com a minha pergunta&#8230; E eu vi muitos filmes protagonizados por crianças e adolescentes. Mas, eu faço um Excel em que eu vou falando o nome do filme, eu coloco a sinopse, os dados. (Arregalo os olhos, atônita). Adoro essa sua “arregalação” de olhos. Vou passar a receita do bolo! (Risos). E eu vou comentando, é um comentário eu, comigo mesma. Eu coloco: Nossa, achei muito genial a ideia da intro e aí eu explico o que é. Nossa, detestei isso daqui, cuidado para não repetir.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Sim!</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; A partir desses filmes, eu vou entendendo qual é a linguagem que me bate em relação a esse filme. Vou separando <em>frames</em> com coisas da fotografia que me provocam a pensar a abordagem da fotografia. Vou pensando a edição. Com isso,  eu me sinto realmente me nutrindo. Eu começo fraquinha, magrinha e de repente eu vou encorpando, porque a partir do que a nossa maravilhosa cultura já produziu de cinema, eu posso pensar no próximo filme. Com isso, eu começo a conversar com a fotógrafa. Então, com a Carol Quintanilha,  a gente começa um diálogo. A Carol preparou um mood book super legal, que a gente discutiu. Então, por exemplo, falamos sobre uma fotografia na altura das crianças, a gente não olha elas de cima, a gente está com elas, a gente está brincando com elas.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Sim.</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Eu achei muito ousado da Carol,  nós éramos os três em campo, (áudio, foto e eu) e ela disse: Vai ser uma lente 50mm 1.2. Porque a gente, a princípio, ia usar muita imagem de arquivo, mas acabou que o filme não tem isso. Então, a gente queria algum rigor técnico nesse material do presente para o filme ficar artístico, mas coeso e não ficar também muitas imagens, como se tudo fosse um arquivo.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Hum, entendi.</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; E na montagem a gente faz um tanto isso, só que a montagem a gente vai mudando junto, eu e o Dani (Daniel Grinspum), a gente viu algumas referências. Eu começo o processo de montagem ou fazendo o coração do que eu acho que é a linguagem criativa ou… No <em>Tão longe é aqui, </em>eu faço o sonho da outra. E é esse sonho que nos guia. No <em>Espero Tua (Re)volta</em> eu faço uma promo que tinha a questão do humor e daquela linguagem rápida, que foi o que nos salvou, porque a gente, de repente, começou a fazer um documentário observacional e quando chegou lá no fim a gente falou, cara, a gente se perdeu! Até foi interessante, porque a gente escreveu num laboratório um corte que a gente queria já apresentar para o festival e ele me ligou e falou: Eliza, você vendeu um filme na promo e você está entregando outro. E aí eu olhei e falei, nossa, ele tem razão,  a gente voltou a edição.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Sim.</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Então tem um estudo de linguagem a partir do que aquele tema pede para a montagem, que é o que vai nos guiando durante todo o processo.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Certo. Agora, sobre essa unicidade entre montagem, fotografia e direção geral, eu gostaria muito saber mais como é que esse seu trabalho, esse diálogo para criar essa unicidade entre, primeiro, você e a fotografia e, depois, você e a montagem?</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Quando eu comecei a fazer documentário eu nem sabia que tinha equipe. Então, no documentário a gente vai e faz. Eu comecei fazendo todas as etapas.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Credo!</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Isso mesmo, credo! Então, o <em>Tão Longe</em> e o <em>Jabuti</em> (<em>e a Anta</em>) são filmes que não tinham orçamento e mesmo no Espero a <em>Tua (Re)volta</em>, eu faço câmera, eu entrevisto, eu faço áudio, e eu monto. Sempre estou com alguém, montando junto para eu ter uma distância do material. Mas, quando eu fui chamada para fazer a série<em> Elize Matsunaga</em>, com a Netflix, que foi a minha primeira questão.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Eu gosto muito dessa série, mas geralmente eu não gosto dessas produções da Netflix.</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; É porque eu não gosto. Então, eu fiz uma série para quem não gosta. (Risos). Mas ali eu lembro que falaram, não, você não vai poder fazer câmera, você não vai poder montar, você é diretora! Aí, eu fiquei muito confusa e falei: o que é que faz uma diretora? E eu às vezes me falava: gente, mas eu não vou fazer nada. Eu começava a carregar as coisas da arte, para ajudar (risos). Aí as pessoas diziam: deixa isso aí no chão! E aí eu fui aprendendo o que é o papel de dirigir.  Só que nesse meu lugar de dirigir, penso em todos os lugares técnico-artístico,  é como o meu cérebro funciona.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Entendo.</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Mas, sobre a pergunta inicial do que é a fotografia e do que é a linguagem da montagem, eu entendo que é tudo, é esse conjunto de coisas que faz o corpo.  E eu gosto muito de trabalhar com equipes pequenas, pela intimidade que isso gera, porque assusta menos quem está sendo gravado. E aí eu entendo que a gente é uma pequena equipe que tem que estar junto, está realmente junto e tem horas que vão me caindo as fichas de como é a montagem.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Para começar a finalizar,  eu gostaria saber um pouco de Mariana sobre como tem sido, dentro desse momento, do filme já pronto, da distribuição, desses momentos de passar por festivais, como tem sido essa relação, dentro da sua perspectiva de produtora, essa relação com a recepção e o futuro,  quais coisas que você vislumbra?</p>
<p><strong>MG</strong> &#8211; Então, esse é um momento que a gente chega meio cansado. A gente está há anos fazendo isso, captando para o filme, levantando, produzindo. Mas, ao mesmo tempo, é o momento! Tudo que a gente fez todos esses anos, foi  para justamente poder chegar nesse momento. É muito legal poder estar aqui agora, no CinePE, com a Eliza, vendo isso. E <em>Fabulosa</em> está indo para muitos festivais e a gente está tendo a oportunidade de fazer muitas viagens juntas. E, o que eu fico pensando  é como a gente pode se fortalecer para fazer o próximo.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Sim.</p>
<p><strong>MG</strong> &#8211; Como aproveitar ao máximo do desse momento do lançamento, para arrumarmos os parceiros. A gente tem a Descoloniza, que é a nossa distribuidora. A gente tem agora a Rosane e a Maria trabalhando na campanha de impacto do filme, que é uma coisa muito importante pra gente. Então, a gente prevê agora, no final de julho, 30 de julho, a estreia comercial, em um pequeno circuito de salas de cinema, no Brasil. A gente quer muito poder levar as meninas para um circuito pelo Nordeste. Enfim, a gente está cheia de sonhos. Por isso, a parte de distribuição não é menos desafiadora do que a da produção.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; A minha última pergunta para Eliza, talvez seja um pouquinho boba, mas realmente queria perguntar isso.</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Adoro. (Risos).</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Em termos de visualidade, de cinema, o que você ainda tem vontade de realizar?</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Há muito tempo eu tenho um sonho que eu vou ganhar uma bolsa, que é uma bolsa “use a discografia de Caetano Veloso” (risos). E aí eu farei um filme só com as músicas do Caetano. (Risos). Mas, enfim, tirando isso, mas sério, seria sobre as músicas ou as músicas dariam a sensação. Mas, também, eu acho que tem um lugar, que dialoga com a pergunta que você fez, com a resposta anterior da Mari, que é assim, a gente sai de um filme para o outro. Eu sinto que agora, por exemplo, eu tô um pouco sem alma, como se eu tivesse colocado minha alma ali no filme. A gente estava em fevereiro, falando, sobre como eu estava começando a pesquisa do próximo filme que a gente vai fazer junto, que eu preciso terminar a pesquisa pra gente captar, e eu não conseguia.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Sim!</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Há duas semanas eu comecei um outro filme que  é mais comercial, que é mais fácil de eu conseguir concentrar, porque esse processo criativo que eu contei, ele é algo que exige uma abertura muito grande, uma energia muito grande pra começar.</p>
<p><strong>MG</strong> &#8211; São filmes muito autorais dela.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Sim.</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; Eu tenho essa parceira maravilhosa, porque eu falei: Mariana, eu não estou conseguindo me concentrar. Aí, a gente negociou para qual que é o meu prazo máximo e eu vou entregar lá para frente, até eu conseguir mesmo. E eu digo isso porque eu sinto que existe, que no lugar do autoral, tem uma contabilidade, que muitas vezes a gente não faz ou não tem condições de fazer, que é a pausa.</p>
<p><strong>ELP</strong> &#8211; Ah, sim.</p>
<p><strong>EC</strong> &#8211; A importância da pausa pra conseguir entender qual que é esse próximo projeto. Então, pra mim, o sonho de próximo projeto é sempre conseguir diagnosticar qual o tema que está me inquietando enquanto ser humano, né, que está me consumindo, e entender como que eu transformo isso em um filme. Porque isso me dá a possibilidade de ter dois, três anos pra mergulhar. Para mim, é uma grande terapia. Eu mergulho nesse tema e de alguma forma, através do filme, eu resolvo essa questão, no sentido não que eu resolvi o mundo externo, mas que eu consigo emocionalmente lidar com algo que eu tenho dificuldade.</p>
<p><strong>Créditos foto de capa da matéria:</strong> Felipe Souto Maior</p>
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			</item>
		<item>
		<title>30º Cinepe: O cobrador de fraque</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 02:40:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[30º Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriela Barros]]></category>
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		<category><![CDATA[Marcello Melo Jr]]></category>
		<category><![CDATA[O Cobrador de fraque]]></category>
		<category><![CDATA[Tomás Portella]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dentro de um imaginário popular, as comédias tendem a ser subestimadas. No entanto, é difícil equilibrar os três tripés da qualidade cômica no audiovisual, que são: conexão com as personagens, comicidade e a não previsibilidade. O cobrador de fraque chega perto de alcançar tamanha façanha. O que atrapalha a produção é a obviedade do roteiro e o desfecho dele, que é mal conduzido, como explicaremos mais adiante. Contudo, ainda assim, essas questões não chegam a interferir de forma tão profunda [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400; text-align: left;">Dentro de um imaginário popular, as comédias tendem a ser subestimadas. No entanto, é difícil equilibrar os três tripés da qualidade cômica no audiovisual, que são: conexão com as personagens, comicidade e a não previsibilidade. <em>O cobrador de fraque</em> chega perto de alcançar tamanha façanha.</p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;">O que atrapalha a produção é a obviedade do roteiro e o desfecho dele, que é mal conduzido, como explicaremos mais adiante. Contudo, ainda assim, essas questões não chegam a interferir de forma tão profunda no longa-metragem luso-brasileiro de Tomás Portella (<em>Isolados</em>).</p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;"><span style="font-weight: 400;"><em>Fraque</em> é divertido e contém algo que essa que vos escreve clama ao entrar numa sala de cinema: </span>personagens bem escritas, que geram empatia. Peri (Leandro Ramos) e Matilde (Gabriela Barros) são figuras que encantam na tela. Ambos possuem carisma e sabem jogar em cena. Os exemplos ocorrem durante toda a sessão.</p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;">No entanto,  nas sequências nas quais Peri está no ofício de cobrador de fraque e “persegue” Matilde para que ela pague é onde o ouro reside. Existe um ponto trabalhado por atores que é a contracena. <span style="font-weight: 400;">É necessário que existam ações que a personagem faça quando não está falando.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Pode parecer simples, na teoria, porém uma contracena bem feita não é nada fácil. Aqui, Gabriela e Leandro jogam com os olhos e a respiração. </span><span style="font-weight: 400;">Os intérpretes brincam com a dinâmica de deixar uma pausa entre uma fala e outra e, ao mesmo tempo, com a de não deixar espaço algum entre o texto dos dois. </span></p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Essa maneira de atuar juntos é o ponto alto do longa. Além disso, a própria dramaturgia parece contribuir positivamente para essa construção da dupla. </span>De longe, Matilde e Peri são os que foram escritos com profundidade. A maneira como eles “acontecem” na tela deixa a impressão de que houve aqui um processo de escrita mais cuidadoso.</p>
<p style="font-weight: 400; text-align: left;">Muitas vezes acontece um trabalho completo de gênese da personagem ou em atividades típicas que os roteiristas fazem durante o processo de criação, como jogos de imaginação. Independentemente da estratégia que pode ter sido utilizada, o resultado está presente durante a projeção.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, ainda olhando para a análise das personagens, é possível notar que os coadjuvantes não foram tão bem pensados. Quanto mais à margem da trama estão, mais rasos e poucos explorados são.  </span>Esse fator poderia não atrapalhar o enredo se não fosse um único papel destoante nesse contexto.</p>
<p style="font-weight: 400;">O melhor amigo de Peri muda de personalidade abruptamente. A personagem de Marcello Melo Jr. tem uma reviravolta que faz pouco sentido na estrutura basilar da narrativa. Ele era o sensível e sonhado, que é colocado como um grande vilão, repentinamente.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A impressão que esta escolha traz é a de que não havia um grande antagonista da história e, por isso, selecionaram esse caminho peculiar. A saída fácil se torna complicada neste cenário porque o filme nem precisava de grandes vilanias e peripécias.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">As próprias questões internas de Peri já seriam suficientemente boas para prender a atenção da plateia. Assim como o uso da luz e das texturas feitos pela direção de foto e de arte da produção fazem. É curioso observar como na dicotomia óbvia de paletas, a equipe constrói sentidos plurais para o enredo.</span></p>
<p>O Brasil de <em>Fraque</em> tem mais sombras, mais vermelho, mais internas em espaços apertados e objetos mais retos. Portugal é colocado como solar, de tom pastel, quase entediante, com externas, majoritariamente diurnas. Talvez seja uma visão exagerada de Lisboa, mas faz sentido para a história, porque é ali que Peri se descobre um homem feliz e melhor.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Desta maneira, <em>O Cobrador de Fraque</em> pode ser ingênuo e previsível, mas também aposta e consegue realizar um feito quase raro na atualidade: boas personagens centrais para o ecrã! Assim, esta é uma sessão leve e divertida, mas que também mostra uma habilidade meio nostálgica de fazer um cinema que deixa espaço para que um casal principal brilhe!</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Tomás Portella</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Leandro Ramos, Gabriela Barros, Marcello Melo Jr.</p>
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		<title>30º Cine PE: Os arcos dourados de Olinda</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 23:15:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É perceptível como Os arcos dourados de Olinda conta com uma equipe que possui um humor requintado, que busca nas imagens cinematográficas o seu argumento discursivo. Ao mesmo tempo, o curta-metragem é permeado por uma arrogância juvenil, que diminui a qualidade do resultado geral, porque o tom do off beira ao monocórdico e as estratégias textuais deixam uma impressão de deja vu. O resultado geral não fica comprometido, mesmo com essa previsibilidade tonal e textual. Mas, para começar essa crítica [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">É perceptível como <em>Os arcos dourados de Olinda</em> conta com uma equipe que possui um humor requintado, que busca nas imagens cinematográficas o seu argumento discursivo.</p>
<p style="font-weight: 400;">Ao mesmo tempo, o curta-metragem é permeado por uma arrogância juvenil, que diminui a qualidade do resultado geral, porque o tom do off beira ao monocórdico e as estratégias textuais deixam uma impressão de deja vu.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">O resultado geral não fica comprometido, mesmo com essa previsibilidade tonal e textual. Mas, para começar essa crítica de verdade, é preciso salientar também que o curta tem o seu lado positivo, que vem da precisão da montagem e a própria narração.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Ambos contribuem para a imersão do espectador com a obra e eleva a reflexão crítica presente na narrativa. </span>A forma como o universo político partidário se mistura com a complexidade da personalidade pernambucana (sobretudo olindense) surpreende.</p>
<p style="font-weight: 400;">Desde escolha dos trechos das imagens de arquivo até a maneira jocosa como as informações são trazidas fazem com que o público ria junto. Assim, <em>Arcos</em> tem consciência estética e discursiva.</p>
<p style="font-weight: 400;">Isso justamente porque a equipe constrói uma progressão e um tensionamento sobre a presença do McDonalds em Olinda. Ao mesmo tempo, o contexto político da época da vinda do ‘Méqui’ para a cidade é ilustrada, mas não de maneira expositiva.</p>
<p style="font-weight: 400;">Inclusive, durante toda a sessão, mesmo com a narração elucidando os aspectos sociais e partidários, as informações, por contarem com um tom cômico e um texto com reflexões, nada é óbvio.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além disso, a ligação do visual com o que está sendo dito ajuda a incrementar a qualidade da obra. Os momentos mais expressivos que podem servir como exemplo para os elogios aqui presentes são quando o Méqui Olinda vai à falência e quando é informado ao público que outras grandes redes de fast food tiveram o mesmo destino.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Esses instantes resumem a argumentação presente no filme, bem como são nessas cenas que a edição brilha, nessa estratégia de dicotomia informar x mostrar. Assim, <em>Os arcos dourados de Olinda</em> é uma obra redonda e criativa, mas também não é absurdamente boa, a ponto de impressionar como um exemplar revolucionário em sua forma ou tema.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Douglas Henrique</p>
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		<title>30º Cine PE: Mapas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 20:26:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É notável dentro da sala de cinema quando uma equipe é esforçada. Um filme diz muito sobre quem o está realizando. Dentro desta lógica, Mapas possui muitas boas intenções, mas com tantas vontades e temas, a obra parece se perder em seus próprios conceitos. Um ponto positivo (e negativo, ao mesmo tempo) é que o longa-metragem de Rafael Lobo é intelectualizado demais. Por um lado, isso é agradável de acompanhar e coerente com a própria trama.  A história se passa [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É notável dentro da sala de cinema quando uma equipe é esforçada. Um filme diz muito sobre quem o está realizando. Dentro desta lógica, <em>Mapas</em> possui muitas boas intenções, mas com tantas vontades e temas, a obra parece se perder em seus próprios conceitos.</p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Um ponto positivo (e negativo, ao mesmo tempo) é que o longa-metragem de Rafael Lobo é intelectualizado demais. Por um lado, isso é agradável de acompanhar e coerente com a própria trama. </span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">A história se passa em um ambiente acadêmico, por isso, esse tempo dilatado e os diálogos com palavras mais rebuscadas fazem sentido. O que não dá para “botar fé” é a quantidade de planos reiterativos e longos. </span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">A ambientação e o estabelecimento de atmosfera são essenciais no cinema. No entanto, existe um momento em que você tem que passar o bastão da instalação de sensações iniciais para a trama em si.<br />
</span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Os planos contemplativos somente fazem sentido se uma reflexão os acompanhar. Um exemplo sobre essa impressão de obra truncada é a abertura do filme, que tem uns três inícios. </span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Algumas escolhas de </span><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">cortes ou criação de sentido faltaram para fazer com que a produção fosse mais efetiva. Todavia, é importante ressaltar que a produção conta com um elemento positivo: as personagens centrais.<br />
</span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">São elas que que ajudam muito para que a conexão com a história não se perca, tanto em termos de dramaturgia quanto em termos de atuação do elenco. </span>Júlia (Beta Rangel), Sérgio (Caique Copque) e Sofia (Bianca Terraza) são a força motriz que dinamiza o roteiro.</p>
<p dir="ltr">Em suas distinções de personalidade dentro do roteiro e na interpretação que o elenco dá para casa um, a trama se equilibra. A começar por Júlia. Ela é mais fria, racional e professoral.</p>
<p dir="ltr">Ela é quem tem um olhar quase igual ao do espectador, porque é mais distanciado e questionador. <span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Sérgio é voraz, curioso e passional. Ele parece representar a perspectiva da ficção, de quem embarca na jornada do fantástico. Por fim, Sofia é a doçura e o respiro.<br />
</span></p>
<p dir="ltr"><span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Com as suas sonoridades, ela é o único ponto de relaxamento, quando a obra alivia mais a sua lógica cerebral e vai para o sensorial. </span>Dentro desta dinâmica, é possível salientar que a trilha musical de <em>Mapas</em> é o ponto alto da criação e estabelecimento de atmosfera.</p>
<p dir="ltr">Se os planos longos e abertos cortam a suspensão, a musicalidade conserta um pouco essa quebra. <span data-originalfontsize="11pt" data-originalcomputedfontsize="14.666667">Olhando para todos esses elementos, é observável que <em>Mapas</em> não é um longa ruim. Na realidade, a obra tem seus méritos, mesmo que suas falhas interfiram diretamente na fruição da plateia.<br />
</span><br />
A exaustão do público poderia ser cortada pela decisão concreta de que tipo de longa a equipe queria entregar: drama, terror, suspense, drama de terror, terror de drama…?</p>
<p dir="ltr"><strong>Direção</strong>: Rafael Lobo</p>
<p dir="ltr"><strong>Elenco</strong>: Beta Rangel, Caique Copque, Bianca Terraza</p>
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		<title>30º Cine PE anuncia os vencedores desta edição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Jun 2026 11:32:39 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[30º Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Calunga de Prata]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Neste domingo (07), as Calungas de prata foram distribuídas no palco do Teatro do Parque, em Recife. A atriz e mestre de cerimônias Nínive Caldas anunciou os nomes ao microfone. Ao todo, a cerimônia contou com as escolhas de três júris: o da crítica, o de curtas-metragens e o de longa. Os grandes destaques da noite foram o longa-metragem Mapas, de Rafael Lobo, com cinco Calungas, e os curtas-metragens O urso e nós, de Maria Acselrad, e Mercado Central, de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Neste domingo (07), as Calungas de prata foram distribuídas no palco do Teatro do Parque, em Recife. A atriz e mestre de cerimônias Nínive Caldas anunciou os nomes ao microfone.</p>
<p style="font-weight: 400;">Ao todo, a cerimônia contou com as escolhas de três júris: o da crítica, o de curtas-metragens e o de longa.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Os grandes destaques da noite foram o longa-metragem <em>Mapas</em>, de Rafael Lobo, com cinco Calungas, e os curtas-metragens <em>O urso e nós</em>, de Maria Acselrad, e <em>Mercado Central</em>, de Tássia Dhur, também com quatro prêmios.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><strong>Confira a lista completa:</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="font-weight: 400;"><b>LONGAS METRAGENS </b></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Filme: </b><span style="font-weight: 400;">“Resta Um”, De Fernando Ceylão de Goiás e Rio de janeiro </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Prêmio Especial do Público</b><span style="font-weight: 400;">: “Mapas”, de Rafael Lobo. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Diretor: </b><span style="font-weight: 400;">Eliza Capai, pelo filme “A Fabulosa Máquina do Tempo” do Rio de Janeiro</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Roteiro: </b><span style="font-weight: 400;">Fernando Ceylão, pelo filme “Resta Um” de Goiás e Rio de Janeiro</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Fotografia: </b><span style="font-weight: 400;">Emília Silberstein, pelo filme “Mapas” do Distrito Federal</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Montagem:</b><span style="font-weight: 400;"> Rafael Lobo e Tainá Menezes, pelo filme “Mapas” do Distrito Federal</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Edição de Som:</b><span style="font-weight: 400;"> Olivia Hernandez, pelo filme “Mapas” do Distrito Federal</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Direção de Arte:</b><span style="font-weight: 400;"> Débora Padial e Laís Vieira, pelo filme “Doutor Monstro” do Paraná e São Paulo</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Trilha Sonora:</b><span style="font-weight: 400;"> Décio 7, pelo filme “A Fabulosa Máquina do Tempo” do Rio de Janeiro</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Ator:</b><span style="font-weight: 400;"> Caíque Copque, pelo filme “Mapas” do Distrito Federal</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Atriz:</b><span style="font-weight: 400;"> O coletivo de atrizes do filme &#8220;A Fabulosa Máquina do Tempo&#8221; do Rio de Janeiro</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Ator Coadjuvante:</b><span style="font-weight: 400;"> Ítalo Martins, pelo filme “Resta Um” de Goiás e do Rio de Janeiro</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Atriz Coadjuvante:</b><span style="font-weight: 400;"> Perla Carvalho, pelo filme “Resta Um” de Goiás e do Rio de Janeiro</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MOSTRA PERNAMBUCO</b></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Filme:</b><span style="font-weight: 400;"> “Os Ursos e Nós”, de Maria Acselrad</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Prêmio Especial do Público</b><span style="font-weight: 400;">: “Magritte”, de Tom Nogueira</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Direção: </b><span style="font-weight: 400;">Maria Acselrad, pelo filme “Os Ursos e Nós”</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Roteiro:</b><span style="font-weight: 400;"> Eduardo Santiago, pelo filme “Velha Roupa Colorida”</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Fotografia:</b><span style="font-weight: 400;"> Willian Tenório, pelo filme “Salam”</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Montagem:</b><span style="font-weight: 400;"> Rafaela Albuquerque e Williian Tenório, pelo filme “Salam”</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Edição de Som:</b><span style="font-weight: 400;"> Felipe Peixoto, pelo filme “Os Ursos e Nós”</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Direção de Arte:</b><span style="font-weight: 400;"> Andrew Gladson e Eduardo Padrão, pelo filme “Medo Monstro”</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Trilha Sonora:</b><span style="font-weight: 400;"> Sérgio Godoy, pelo filme “Os Ursos e Nós”</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Ator:</b><span style="font-weight: 400;"> Beto Aragão pelo filme “Velha Roupa Colorida”</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Atriz: o júri da mostra de curta-metragens pernambucanos decidiu declarar deserta a categoria de melhor atriz.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>MOSTRA NACIONAL</b></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Filme:</b><span style="font-weight: 400;"> “Os Arcos Dourados de Olinda”, de Douglas Henrique, de Pernambuco</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Prêmio Especial do Público:</b><span style="font-weight: 400;"> “Mercado Central”, de Tássia Dhur.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Direção:</b><span style="font-weight: 400;"> Daniel Jaber e Lu Damasceno, pelo filme “João-de-Barro” de Minas Gerais</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Roteiro:</b><span style="font-weight: 400;">  Arnon Hochman e Douglas Henrique, pelo filme “Os Arcos Dourados de Olinda” de Pernambuco</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Fotografia:</b><span style="font-weight: 400;"> Danilo Rosa, pelo filme “Mercado Central” do Maranhão</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Montagem:</b><span style="font-weight: 400;"> Douglas Henrique, pelo filme “Os Arcos Dourados de Olinda” de Pernambuco</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Edição de Som:</b><span style="font-weight: 400;"> Jonts Ferreira, pelo filme “O véu” do Rio Grande do Sul</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Direção de Arte:</b><span style="font-weight: 400;"> Neila Albertina, pelo filme “Mercado Central” do Maranhão</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Trilha Sonora:</b><span style="font-weight: 400;"> Heitor Martins Oliveira, pelo filme “Da Aldeia à Universidade” do Tocantins</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Ator:</b><span style="font-weight: 400;"> Daniel Jaber, pelo filme “João-de-Barro” de Minas Gerais</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Atriz:</b><span style="font-weight: 400;"> Gleide Firmino, pelo filme “Via Sacra” do Distrito Federal</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>RESULTADO ABRACCINE</b></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Melhor Longa-Metragem:</b><span style="font-weight: 400;"> “A Fabulosa Máquina do Tempo”, de Eliza Capai, do Rio de Janeiro</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><b>Melhor Curta-Metragem:</b><span style="font-weight: 400;"> “Mercado Central”, de Tássia Dhur, do Maranhão</span></p>
<p>Foto: Felipe Souto Maior</p>
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		<title>30º Cine PE: Resta Um</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 21:59:34 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Resta Um]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É fundamental que se entenda algo na arte: se você destaca tudo, nada se destaca. Em sua primeira direção de longa-metragem, Fernando Ceylão revela essa urgência em dirigir e usar todas as suas referências e seus conhecimentos, deixando a sessão cansativa. Para além da ingenuidade do roteiro, o que realmente incomoda durante a sessão é o trabalho de Ceylão. Apesar do artista se demonstrar empolgado com a linguagem audiovisual, as suas escolhas são exageradas. Existe o fato da mise-en-scène ser [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h6 style="font-weight: 400;"><span style="font-size: 16px;">É fundamental que se entenda algo na arte: se você destaca tudo, nada se destaca. Em sua primeira direção de longa-metragem, Fernando Ceylão revela essa urgência em dirigir e usar todas as suas referências e seus conhecimentos, deixando a sessão cansativa.</span></h6>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Para além da ingenuidade do roteiro, o que realmente incomoda durante a sessão é o trabalho de Ceylão. Apesar do artista se demonstrar empolgado com a linguagem audiovisual, as suas escolhas são exageradas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Existe o fato da mise-en-scène ser confusa. Em diversas sequencias, há desfoque no rosto de justamente da personagem que está mostrando emoção. Na maioria dos momentos, Ceylão coloca a câmera em algum lugar disruptivo &#8211; atrás de uma estante, do corredor, do outro lado parede etc. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Dentro dessa lógica, falta respiro de tal forma que a fruição fica comprometida. Velocidades distintas fazem o ritmo, já os ângulos e planos plurais são bem-vindos, mas a câmera parada, em um take longo também é importante. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Esse é o papel de um cineasta, na verdade, saber as doses de cada ação, intenção e do que colocar dentro da narrativa. Mas, para além disso, a luz incomoda em alguns instantes. O rosto das personagens negras não são iluminadas da mesma forma, que das brancas.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por isso, existem sequências que estes intérpretes não podem ser vistos em sua totalidade. Todavia, é necessário pontuar o esforço do elenco. Eles possuem fé cênica e nitidamente acreditam naquele projeto. Por isso, por mais que as cenas se estendam em planos longos de tal maneira que os atores saem do papel, no geral o resultado é positivo. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">E o que é isso exatamente? Os atores geralmente não param de atuar até o diretor dizer corta. Desta maneira, neste longa, o montador e/ou a direção deixaram o público ver esse pedaço quando o elenco já saiu praticamente do papel:</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, <em>Resta Um</em> é um tanto amador. Mesmo que consiga gerar alguma conexão da plateia com o espectador, isso se dá menos pela qualidade da obra em si e mais pelo carisma e talento do elenco.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Fernando Ceylão</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Caco Ciocler, Maria Ribeiro, Perla Carvalho</p>
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		<title>30º Cinepe: Buenos Aires</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2026 17:26:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[30º Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Buenos Aires]]></category>
		<category><![CDATA[Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Tuca Siqueira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há uma sensação quase distópica presente em Buenos Aires, documentário de Tuca Siqueira (Iracemas). A pequena cidade na zona da mata de Pernambuco, que dá nome ao longa-metragem, é instigante de conhecer, mas a produção se vale apenas disso para a narrativa. Desta maneira, falta avançar em termos de investigação e reflexão. Assim, o que pode acontecer durante a sessão é um encantamento com o fato de existir este lugar pernambucano, que tem um nome argentino, com times com nome [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">Há uma sensação quase distópica presente em <em>Buenos Aires</em>, documentário de Tuca Siqueira (<em>Iracemas</em>). A pequena cidade na zona da mata de Pernambuco, que dá nome ao longa-metragem, é instigante de conhecer, mas a produção se vale apenas disso para a narrativa.</p>
<p>Desta maneira, falta avançar em termos de investigação e reflexão. Assim, o que pode acontecer durante a sessão é um encantamento com o fato de existir este lugar pernambucano, que tem um nome argentino, com times com nome em espanhol, mas que é completamente brasileiro. E só.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Isto porque os elementos de destaque daquela realidade se repetem durante a projeção e a obra fica um tanto cansativa. Além disso, resta uma impressão de que Siqueira, que também foi roteirista, não decidiu exatamente o foco da narrativa.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Existem trechos que mostram Buenos Aires da Argentina, outros que vão se ater à relação do local com o futebol e também as contradições do amor e ódio pelo hermanos e a ausência do interesse pelo idioma espanhol. Todos esses pontos poderiam se conectar, mas ficam soltos.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">É interessante que exista uma trama de fato e uma estética que dialogue com a narrativa. Isso falta em<em> Buenos Aires</em>. Ainda assim, com personagens que chamam atenção (como os técnicos dos times de futebol da cidade) e uma premissa que estimula a curiosidade da plateia, a produção vale a sessão.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Além do contexto central do longa, existem momentos criativos da direção, principalmente no início da exibição. Siqueira deixa a câmera parada e em uma angulação que imerge quem assiste na cena. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Assim, entre limitações e ambições, o doc de Tuca Siqueira é uma ode ao pluralismo brasileiro. Revelando um cenário surpreendente, a riqueza do filme está em sua própria existência e na vontade da equipe de trazer essa historia para o país, para o mundo.</span></p>
<p><strong>Direção</strong>: Tuca Siqueira</p>
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		<title>30º Cinepe: Doutor Monstro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Jun 2026 17:19:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[30º Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Doutor Monstro]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Jorge]]></category>
		<category><![CDATA[Taís Araújo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É curioso notar como a tentativa por complexificar uma obra pode levar ela ao caos. Ao tentar imprimir camadas plurais sobre um assassino em serie da vida real, Doutor Monstro peca por falta de coesão, apuro estético e tecnico. É triste proferir palavras tão negativas sobre um filme brasileiro, mas a grande verdade é que o novo longa-metragem de Marcos Jorge (Estômago) é desagradável. Em termos de parte técnica, falta unicidade visual. As temperaturas e texturas não dialogam entre si, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="font-weight: 400;">É curioso notar como a tentativa por complexificar uma obra pode levar ela ao caos. Ao tentar imprimir camadas plurais sobre um assassino em serie da vida real, <em>Doutor Monstro</em> peca por falta de coesão, apuro estético e tecnico.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">É triste proferir palavras tão negativas sobre um filme brasileiro, mas a grande verdade é que o novo longa-metragem de Marcos Jorge (<em>Estômago</em>) é desagradável. Em termos de parte técnica, falta unicidade visual.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">As temperaturas e texturas não dialogam entre si, por exemplo. </span>Dividida em atos, a produção convoca visualidades distintas nessas transições. No entanto, isso não chega de forma positiva no ecrã, não apenas por falta de coesão visual e narrativa.</p>
<p style="font-weight: 400;">A arte do longa incomoda também por conta da escolha de aderaçamentos. <span style="font-weight: 400;">Um exemplo forte é o quarto de Cláudia (Taís Araújo), que parece que nem foi adereçado. Como o espaço não dialoga com a identidade da obra e muito menos com a da personagem, a impressão é a de que o ambiente é aleatório e foi ocupado sem muita preocupação com as filmagens. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A direção não colabora para melhorar essa perspectiva. A movimentação em cena é truncada e artificial. Os planos abertos também não favorecem a exploração de emoção das figuras dramáticas.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">A sensação que Marcos passa é a de que ele não tem certeza do que quer mostrar na tela. </span>Mas, se em termos de mise-en-scène existem questões desafiadoras de acompanhar, o desenho de som consegue ampliar o cenário desta baixa qualidade da obra.</p>
<p style="font-weight: 400;">Existe um desespero em criar desconforto no público através dos sons. Todavia, os ruídos inseridos no longa não funcionam porque não estão à serviço da narrativa e nem parecem mixados. É preciso realizar a construção de atmosfera e conectar as sonoridades com os acontecimentos postos nas sequências.</p>
<p style="font-weight: 400;">Além disso, não adianta pôr diversos barulhos altos aleatoriamente. É necessário que a mixagem entre e equilibre esses elementos. <span style="font-weight: 400;">Além de todos estes pontos, a montagem também atrapalha a fruição.<br />
</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Faltou ponto de corte para o montador ou não souberam escolher mesmo? Não há como afirmar com certeza, porém a fluidez das cenas se perde com a edição que usa exacerbadamente fades e esquece a existência do raccord.</span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Um momento que ilustra o fato é a sequência do argumento final dos advogados. O efeito desejado pela equipe não é alcançado porque os instantes selecionados para a transição são de quebra e não de continuidade. </span></p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Por fim, para coroar a lista de desagrados existe o discurso que cerca a trama. A vítima, chamda de Carmem (Marcelina Fialho) na história, é tratada de maneira quase jocosa. Na realidade, todas as mulheres são representadas em um tom apenas, sem camadas ou desenvolvimento.</span></p>
<p>A maior busca de <em>Doutor Monstro</em> é explorar e trabalhar as complexidades de Farrah e isso já diz muito sobre a produção. Ainda assim, a maioria dos integrantes do elenco se esforça para dar vida aos seus papéis.</p>
<p style="font-weight: 400;"><span style="font-weight: 400;">Essa é a grande tristeza dessa que vos escreve. </span>Taís Araújo, Guilherme Weber, Otávio Linhares e Saravy parecem procurar as intenções de suas personagens e imprimir organicidade nas falas. Contudo, não adianta muito, porque visual, textual e sonoramente o longa é artificial.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Marcos Jorge</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Taís Araújo, Guilherme Weber, Marcelina Fialho</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Doutor Monstro | Teaser Trailer Oficial" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/2s43gw1cmac?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>29º Cine PE: Entrevista com os curadores Carissa Vieira e Edu Fernandes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Jul 2025 12:51:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[29 cine pe]]></category>
		<category><![CDATA[29º Cine Pe]]></category>
		<category><![CDATA[Carissa Vieira]]></category>
		<category><![CDATA[Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[Edu Fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[Festival]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
		<category><![CDATA[Recife]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Cine PE existe há 29 anos e conta com uma seleção de filmes que possui longas e curtas-metragens, de Pernambuco e do Brasil. Desde 2018, o evento tem a presença do jornalista Edu Fernandes na curadoria. Já em 2024, a atriz e jornalista Carissa Viera entra na equipe curatorial. De acordo com Carissa, o trabalho se inicia de maneira separada e, depois, a dupla começa os debates. A curadora explica que, em alguns momentos, afinar a decisão dos dois [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O Cine PE existe há 29 anos e conta com uma seleção de filmes que possui longas e curtas-metragens, de Pernambuco e do Brasil. Desde 2018, o evento tem a presença do jornalista Edu Fernandes na curadoria. Já em 2024, a atriz e jornalista Carissa Viera entra na equipe curatorial.</p>
<p>De acordo com Carissa, o trabalho se inicia de maneira separada e, depois, a dupla começa os debates. A curadora explica que, em alguns momentos, afinar a decisão dos dois pode ser um tanto desafiador, mas que, no geral a experiência é tranquila.</p>
<p>Em relação à essa dinâmica, Edu revela que precisa de uma parceira como Vieira, pois, diversas vezes, o curador não quer abrir mão de alguma obra, mesmo que uma noite de exibição possa ficar abarrotada. “Carissa foi essencial para frear o meu ímpeto de lotar a grade de filmes, o que melhorou a dinâmica do festival”, conta.</p>
<p>Desta maneira, uma recifense e um paulistano se unem para realizar uma missão complexa, que é a de não apenas decidir quais produções entram em cada edição do festival, mas também organizar a programação equilibrando a lógica temática e a estética.</p>
<p>Pensando em divulgar para o público do site mais sobre todo o funcionamento deste processo de Edu e Carissa, o <strong>Coisa de Cinéfilo</strong> traz uma entrevista completa com esse time. Confira!</p>
<p><strong>ENTREVISTA</strong></p>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>Enoe Lopes Pontes</strong> — Antes de integrar a curadoria, qual era a sua familiaridade com o evento? Já tinha ido? Conhecia?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>Carissa Vieira</strong> — Eu conheço o festival desde criança. Foi o primeiro festival de cinema que tive contato. Frequentei na infância e adolescência e fui júri popular no final da adolescência, em um ano que abriram inscrição para essa função.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>Edu Fernandes</strong> — Antes de começar a trabalhar com o Cine PE, frequentei o festival umas duas ou três vezes como crítico de cinema, fazendo cobertura para a Revista Preview. E também acompanhava de forma remota a seleção e repercussão de algumas edições pela imprensa e por conversas com pessoas do meio, como realizadores e críticos.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — Como e quando você foi chamada (o) para integrar a curadoria do festival?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>CV</strong> — Em janeiro de 2024. Os curadores mais a diretoria do festival entraram em contato comigo para que eu me juntasse a equipe do Cine PE. Nayara conhecia meu trabalho e me apresentou para Edu e os Bertini.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>EF</strong> — Eu que me candidatei expressamente. Em 2017, eu já tinha alguma experiência de trabalho junto com festivais de cinema, seja como mediador, oficineiro ou curador. Assim, quando encontrei Sandra Bertini no Cine Ceará daquele ano, conversei com ela sobre as dificuldades que o festival estava enfrentando com uma edição e me ofereci para participar da curadoria. Ela aceitou prontamente e comecei o trabalho logo no final daquele ano, selecionando os filmes que iriam para o Cine PE 2018.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — Como funciona o seu trabalho ao lado de Edu?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">
<p><strong>CV</strong> — Nós assistimos aos filmes separadamente e juntos debatemos e selecionamos quais farão parte de cada mostra. Meu diálogo com Edu é bastante tranquilo. Confiamos bastante no trabalho e visão do outro, o que facilita na hora de dialogar sobre os filmes inscritos.</p>
<div class="quoted-text"></div>
</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — E você Edu, o que diria do trabalho com Carissa?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">
<p>EF — Funciona cada vez melhor, na minha visão. Entregamos agora a segunda edição juntos, sendo a primeira em que éramos apenas nós dois. Nesse período, deu para entender a dinâmica que melhor funciona entre a gente. No CinePE 2025, Carissa foi essencial para frear o meu ímpeto de lotar a grade de filmes, o que melhorou a dinâmica do festival, com programas mais concisos e uma seleção potente. Com uma mostra paralela que cresce a cada ano, esse movimento foi importante para fortalecer essas duas frentes do festival. E o resultado foi muito recompensador.</p>
<div class="quoted-text"><strong>ELP</strong> — Quais os desafios de escolher uma programação em conjunto? E individuais?</div>
</div>
<div><strong>CV</strong> — Individualmente a maior dificuldade é a quantidade de filmes para assistir. São muitas obras e são longas horas em frente a tela assistindo tudo. E sempre é difícil deixar boas obras de fora, mas acaba sendo impossível selecionar todos os filmes que gostamos.</div>
<div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">E acredito que coletivamente o maior desafio é criar uma programação coesa e que faça sentido para os dois curadores.</div>
</div>
<div></div>
<div>
<p><strong>EF</strong> — O desafio, da minha parte, é o desapego, porque temos uma produção muito rica de filmes, o que ficou ainda mais evidente com a Lei Paulo Gustavo. Em conjunto, o desafio acredito que seja estarmos atentos para melhorar sempre. Então eu e Carissa sempre conversamos sobre o retorno que temos do nosso trabalho das mais diversas fontes, expomos ideias que brotam, trazemos relatos de como foram outros festivais que participamos e por aí vai.</p>
<div class="quoted-text">
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-19799" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-750x500.jpeg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-750x500.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-720x480.jpeg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615-770x514.jpeg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/07/IMG_0615.jpeg 799w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
</div>
</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — Existe algum tipo de produção que chama sua atenção positivamente? E negativamente?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16">
<p><strong>CV</strong> — Filmes criativos na linguagem me interessam. E documentários que conseguem explorar uma linguagem inovadora me chamam atenção. Filmes de horror que trazem nossas raízes e histórias brasileiras me encantam também. Negativamente filmes que possuem discurso datado me causam um certo desconforto.</p>
</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>EF</strong> — Com o decorrer dos anos, percebo algumas coisas que me atraem, como falsos documentários (<em>mockumentaries</em>). Tanto que selecionei vários para as edições do Cine PE. Outra coisa que me fascina são premissas que me pegam de surpresa, como usos de gêneros cinematográficos de maneiras inusitadas. O que me chama atenção negativamente é que vemos fórmulas que julgamos arcaicas ainda sendo replicadas.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>ELP</strong> — Dentro desse tempo de curadoria, você teria alguma história dentro do festival que seria interessante e/ou surpreendente para contar?</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>CV</strong> — Este é meu segundo ano de festival e ainda não tenho nenhuma história surpreendente para contar.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>EF</strong> — Acho que a última foi a emoção à flor da pele no primeiro dia do Cine PE 2025. Por conta de uma falha no projetor, havia a possibilidade de mudança de toda a programação do festival. Carissa e eu rascunhamos uma proposta para espremer a programação em um dia a menos de exibição. Foi um exercício de cortar o coração, porque nossos programas são montados com muito carinho.  Jogar tudo isso fora abruptamente seria trágico. Felizmente a produção do festival é muito dedicada e conseguiu trocar o equipamento no cinema, o que causou um severo atraso na primeira noite, mas preservou o restante da programação. Tenho a impressão que valeu a pena, pelo menos pelo retorno que tive em relação a construção dos programas.</div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"></div>
<div dir="auto" data-removefontsize="true" data-originalcomputedfontsize="16"><strong>Fotos</strong>: Felipe Souto Maior, tiradas na 29ª edição do Cine PE.</div>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/29o-cine-pe-entrevista-com-os-curadores-carissa-vieira-e-edu-fernandes/">29º Cine PE: Entrevista com os curadores Carissa Vieira e Edu Fernandes</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Cine PE anuncia premiados da sua 29ª edição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jun 2025 15:14:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[29º Cine Pe]]></category>
		<category><![CDATA[Calunga de Prata]]></category>
		<category><![CDATA[Cine PE]]></category>
		<category><![CDATA[festivais]]></category>
		<category><![CDATA[Pernambuco]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na noite de domingo, 15, a equipe do Festival Cine PE, anunciou os vencedores do evento, do ano de 2025.  Entre os maiores ganhadores da noite estiveram os longas-metragens A Melhor mãe do mundo, de Anna Muylaert, e Senhoritas, de Mykaella Plotkin, ambos com cinco Calungas de Prata. Já entre os curtas nacionais, Kabuki, de Tiago Minamisawa, e Casulo, de Aline Flores, foram os grandes destaques, recebendo quatro e três Calungas, respectivamente. Por fim, na mostra de curtas pernambucanos, Esconde-esconde, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Na noite de domingo, 15, a equipe do Festival Cine PE, anunciou os vencedores do evento, do ano de 2025.  Entre os maiores ganhadores da noite estiveram os longas-metragens <a href="https://coisadecinefilo.com.br/29o-cine-pe-a-melhor-mae-do-mundo/"><em><strong>A Melhor mãe do mundo</strong></em></a>, de Anna Muylaert, e <em><strong>Senhoritas</strong></em>, de Mykaella Plotkin, ambos com cinco Calungas de Prata. Já entre os curtas nacionais, <strong><em>Kabuki</em></strong>, de Tiago Minamisawa, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/29o-cine-pe-casulo/"><em><strong>Casulo</strong></em></a>, de Aline Flores, foram os grandes destaques, recebendo quatro e três Calungas, respectivamente. Por fim, na mostra de curtas pernambucanos, <em><strong>Esconde-esconde</strong></em>, de Vitória Vasconcellos, recebeu três troféus, sendo o pernambucano com mais prêmios.</p>
<p><strong>LISTA COMPLETA DOS VENCEDORES</strong></p>
<p>LONGAS-METRAGENS – JÚRI OFICIAL<br />
Melhor Filme:<br />
“A Melhor Mãe do Mundo”, de Anna Muylaert (SP)<br />
Melhor Direção:<br />
Mykaella Plotkin – “Senhoritas” (PE)<br />
Melhor Roteiro:<br />
Anna Muylaert – “A Melhor Mãe do Mundo” (SP)<br />
Melhor Fotografia:<br />
Cris Lyra – “Senhoritas” (PE)<br />
Melhor Montagem:<br />
Fernando Stutz – “A Melhor Mãe do Mundo” (SP)<br />
Melhor Edição de Som:<br />
Rosana Stefanoni – “Itatira” (SP)<br />
Melhor Direção de Arte:<br />
Ana Mara Abreu – “Senhoritas” (PE)<br />
Melhor Trilha Sonora:<br />
Diogo Felipe – “<a href="https://coisadecinefilo.com.br/29o-cine-pe-o-ano-em-que-o-frevo-nao-foi-pra-rua/">O Ano em que o Frevo Não Foi para Rua</a>” (SP)<br />
Melhor Ator Coadjuvante:<br />
Genézio Barros – “Senhoritas” (PE)<br />
Melhor Atriz Coadjuvante:<br />
Rejane Farias – “A Melhor Mãe do Mundo” (SP)<br />
Melhor Ator:<br />
<a href="https://coisadecinefilo.com.br/29o-cine-pe-nem-toda-historia-de-amor-acaba-em-morte/">Octávio Camargo – “Nem Toda História de Amor Acaba em Morte” (PR)</a><br />
Melhor Atriz:<br />
Shirley Cruz – “A Melhor Mãe do Mundo” (SP)</p>
<p>CURTAS-METRAGENS PERNAMBUCANOS – JÚRI OFICIAL<br />
Melhor Filme:<br />
“Esconde-esconde”, de Vitória Vasconcellos<br />
Melhor Direção:<br />
Vitória Vasconcellos – “Esconde-esconde”<br />
Melhor Roteiro:<br />
Xulia Doxagui – “Babalu é Carne Forte”<br />
Melhor Fotografia:<br />
João Rubio Rubinato – “Esconde-esconde”<br />
Melhor Montagem:<br />
Priscila Nascimento – “Sonho em Ruínas”<br />
Melhor Edição de Som:<br />
Priscila Nascimento – “Sonho em Ruínas”<br />
Melhor Direção de Arte:<br />
Alex Ferreira – “Babalu é Carne Forte”<br />
Melhor Trilha Sonora:<br />
Grupo Boi Tira-Teima – “O Carnaval é de Pelé”<br />
Melhor Ator:<br />
Asaías Rodrigues – “Sertão 2138”<br />
Melhor Atriz:<br />
Clau Barros – “Sertão 2138”</p>
<p>CURTAS-METRAGENS NACIONAIS – JÚRI OFICIAL<br />
Melhor Filme:<br />
“Kabuki”, de Tiago Minamisawa (SP)<br />
Melhor Direção:<br />
Tiago Minamisawa – “Kabuki” (SP)<br />
Melhor Roteiro:<br />
Aline Flores – “Casulo” (SP)<br />
Melhor Fotografia:<br />
<a href="https://coisadecinefilo.com.br/29o-cine-pe-a-caverna/">Elisa Ratts – “A Caverna” (PR)</a><br />
Melhor Montagem:<br />
Marília Albuquerque – “Liberdade Sem Conduta” (RN)<br />
Melhor Edição de Som:<br />
Augusto Krebs – “O Último Varredor” (MT)<br />
Melhor Direção de Arte:<br />
Guilherme Petreca – “Kabuki” (SP)<br />
Melhor Trilha Sonora:<br />
Gustavo Kurlat e Ruben Feffer – “Kabuki” (SP)<br />
Melhor Ator:<br />
<a href="https://coisadecinefilo.com.br/29o-cine-pe-depois-do-fim/">Rafael Lozano – “Depois do Fim” (SP)</a><br />
Melhor Atriz:<br />
Aline Flores – “Casulo” (SP)</p>
<p>PRÊMIOS ESPECIAIS<br />
Melhor Curta Nacional segundo a Abraccine:<br />
“Casulo”, de Aline Flores (SP)<br />
Melhor Longa segundo a Abraccine:<br />
“Senhoritas”, de Mykaella Plotkin (PE)<br />
Melhor Curta Pernambucano – Júri Popular:<br />
“O Carnaval é de Pelé”, de Lucas Santos e Daniele Leite<br />
Melhor Curta Nacional – Júri Popular:<br />
“Depois do Fim”, de Pedro Maciel (SP)<br />
Melhor Longa – Júri Popular:<br />
“Nem Toda História de Amor Acaba em Morte”, de Bruno Costa (PR)</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/cine-pe-anuncia-premiados-da-sua-29a-edicao/">Cine PE anuncia premiados da sua 29ª edição</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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