Fan Films Para Maratonar, Coisa de Cinéfilo

Especial: Fan Films Para Maratonar

Séries televisivas, livros, sagas, artistas… As possibilidades de produções midiáticas, artistas e celebridades para ser fã são bastante diversas e cada vez se multiplicam mais – youtubers e tiktokers que o digam! Isso sem contar nas outras áreas da vida, como a dos esportes, na qual os fandoms são múltiplos e bem participativos. O fato é que existe um desejo de interagir com os objetos e pessoas de admiração, de conhecer cada vez mais sobre um dado universo e se sentir pertencente a ele.

Por esta e outras razões, existe uma prática extremamente popular entre comunidades de fãs que é a realização de novos materiais, a partir de uma obra original ou de um conteúdo vinculado à uma pessoa famosa. Seja na escrita, com as fanfics; nos desenhos e pinturas, com as fanarts; nas músicas com os filkings ou nos vídeos com os fan videos e fan films, os conteúdos são vastos, criativos e de estilos múltiplos. Pensando em toda essa potencialidade, o Coisa de Cinéfilo resolveu elencar alguns Fan Films Para Maratonar!

Antes de começáramos a lista é importante destacar algumas coisas. A primeira é que há uma diferença básica entre fan video e fan film. Enquanto um reúne imagens do material original, remontado e, muitas vezes, com novas músicas e efeitos, o segundo é um conteúdo totalmente novo. Outro ponto importante é que a quantidade de produções de fãs é extensa e este especial apenas reúne alguns deles.

Confira o nosso especial!

Troops, Coisa de Cinéfilo

Troops (1997, 10 minutos):

Escrito e dirigido por Kevin Rubio (Shelf Life), o curta é um mocumentário que mistura o universo da saga Star Wars com o seriado Cops. A sua primeira exibição foi em uma Comic Con, em San Diego. A produção vale a pena por trazer um tom leve e jocoso para a realidade dos Stormtroopers, ainda tão desumanizados no período. Com uma linguagem documental, mesclada a uma narração, que emula uma voz que sai do capacete, a graça é fomentada. Detalhes como a aparição da tia do Luke com o rosto borrado são os pontos altos do filme.

The Hunt for Gollum, Coisa de Cinéfilo

The Hunt for Gollum (2009, 38 minutos):

Dirigido por Chris Bouchard (A Pequena Sereia), o filme é baseado no apêndice do livro O Senhor dos Anéis, de J. R. R.Tolkien. Mostrando a jornada de Aragorn em busca de Gollum, a produção traz encontros do protagonista com personagens como Gandalf e Arwen Undomiel. A riqueza de detalhes nas maquiagens e direção de arte, juntamente com uma busca por trazer uma direção semelhante a de Peter Jackson, diretor da obra original para os cinemas, é bem perceptível. Bouchard traz alguns enquadramentos e movimentos de câmeras que remetem algumas escolhas de Jackson, como na cena da luta com os Orcs ou no encontro com Arwen.

Fan Films Para Maratonar, Coisa de Cinéfilo
Severo Snape e os Marotos (2016, 23 minutos):

Desde os livros de Harry Potter, J.K. Rowling deixou claro que sempre existiram tensões entre Severo Snape – futuro Comensal da Morte e, em seguida professor de Hogwarts – e James Potter – pai de Harry. Neste curta, dirigido por Justin Zagri (Riddle of the Mask) o público encontra estas personagens em um período no qual eles acabaram de finalizar os estudos e Voldemort ainda não estava aterrorizando o mundo bruxo. Os amigos de James também aparecem: Remo Lupin, Sirius Black e Pedro Petigrew são retratados como companheiros alegres e fieis.

Durante a narrativa, mesmo com tão pouco tempo de exibição, as tensões entre os Marotos e Snape, o amor do protagonista por Lílian e o anúncio de possíveis tempos sombrios são sentidos. O ponto alto aqui são as atuações. Apesar dos efeitos especiais serem bastante convincentes, a maneira como os intérpretes conseguem capturar e transmitir os sentimentos das personagens chama ainda mais a atenção. Há uma compreensão intensa destas personalidades, algo que pode também ser atribuído pelo fato da produção ser feitas por fãs.

Neville Longbottom and the Black Witch, Coisa de Cinéfilo
Neville Longbottom and the Black Witch (2019, 16 minutos):

Escrito e dirigido por Kali Bailey (Quarto de Guerra), o curta-metragem impressiona pela caracterização das personagens e pelo cuidado com a iluminação e colorização. Na história, o espectador acompanha os últimos minutos dos pais de Neville Longbottom: Franco e Alice. Além disso, o filme mostra o embate do casal com a vilã Bellatrix Lestrange e as consequências do pós-batalha. Bailey procura trazer elementos que agradam os fãs, como a aparição da Ordem da Fênix e a presença marcante de Alvo Dumbledore. Mas, há também um cuidado com a técnica e este poderia ser facilmente um produto original.

As tensões das batalhas, os efeitos especiais e a fé cênica dos intérpretes envolvidos transformam a obra em um material que empolga de ser consumido. Por fim, é necessário lembrar a importância de ter uma mulher envolvida neste tipo de conteúdo. Não apenas por Bailey estar na cadeira da direção, mas por ocupar espaço em ambientes geeks. Esta é sempre uma luta pois existem os constantes questionamentos sobre a veracidade do envolvimento de uma fã com sua produção ou artistas de admiração, enquanto um homem é facilmente aceito apenas por dizer que gosta de algo ou alguém.

Darth Maul: Apprentice, Coisa de Cinéfilo
Darth Maul: Apprentice (2016, 17 minutos):

Quando o espectador tem contato com Darth Maul em Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma encontra um ser vilanesco quase sem alma. A sua representação é totalmente maniqueísta e ele é somente impiedoso e cruel, sem outras camadas exploradas. No entanto, neste fan film há um toque de algum resquício de sentimento na personagem. Nos 17 minutos de projeção, o curta revela os últimos instantes de treinamento de Maul. Aqui, também é possível encontrar certo refinamento e um apuro estético. A semelhança da caracterização dos Jedi e dos Sith desta produção com a obra original é bem próxima.

Há um cuidado não apenas com a captura de imagens, mas de som, o que tornam as lutas mais emocionantes e críveis, pensando na perspectiva de universo ficcional construído por Star Wars. O destaque, porém, fica por conta dos detalhes de emoção postos em cena. Há uma sensibilidade da direção e dos intérpretes que, em pequenos momentos de respiros das batalhas, conseguem trazer os conflitos internos de cada figura colocada ali. Só um detalhe incomoda um pouco. As encaradas entre as personagens parecem eternas em algumas sequências. Contudo, isto não é algo que comprometa o todo.

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