Crítica: Parque do Inferno

Parque do Inferno

Não há nada pior para qualquer filme do que a indiferença do seu espectador a seus eventos e personagens. Parque do Inferno pretende ser um slasher adolescente, aquele subgênero do terror que funciona basicamente pela fórmula de um grupo de adolescentes perseguido por um assassino serial mascarado. Aqui, a marca do gênero, que basicamente é feito para entreter, não funciona, resultando num filme que se transforma numa cópia apática de tantos outros títulos melhores. O filme de Gregory Plotkin simplesmente não funciona nos seus moldes. A trama gira em torno de um grupo de adolescentes perseguido por um assassino que reiteradamente realiza suas ações no parque e, sabe-se lá por qual motivo, nunca é pego pelas autoridades.

O grupo de personagens do filme é completamente banal. Cada qual representando um (estridente) estereótipo. Nenhuma dessas figuras tem uma trama superficial sequer introduzida pelo longa, sendo todas jogadas no parque sem maiores preparações para o espectador. O longa nem oferece uma contextualização a respeito dos assassinatos passados que tiveram o local como cenário, tampouco esmiúça a relação entre esses personagens de modo que, posteriormente, o público possa se importar de alguma forma com aquilo que será mostrado ao longo do filme.

No gênero, o longa é uma sucessão de momentos que sequer servem para criar uma atmosfera tensa de dúvidas acerca do que de fato no parque representa um risco à vida do seu grupo de personagens e daquilo que é inofensivo ao mesmo. Para completar, o assassino de Parque do Inferno sintetiza quão criativamente preguiçoso é o filme, sendo incapaz de produzir qualquer tipo de sensação de temor no espectador, não sendo nem mesmo ancorado numa identidade visual marcante. Quando descobrimos um pouco mais sobre sua identidade, tudo piora ainda mais pois o público fica sem entender as motivações dos seus crimes – supostamente essa revelação parece surgir no último ato do filme com esse objetivo.

Enfim, tudo em Parque do Inferno cimenta a clara sensação de que o filme é um dos exemplares mais genéricos e preguiçosos do gênero, do tipo que nem mesmo a safra do final da década de 1990, que explorou comercialmente o quanto pôde o formato, foi capaz de criar. Difícil de engolir.

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira468 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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