Entra ano, sai ano e o Oscar indica filmes de guerra para concorrer nas principais categorias. Nos últimos anos, tivemos Dunkirk e Até o Último Homem, por exemplo, que concorreram em oito e seis categorias, respectivamente. E sempre que surge um novo longa, nos questionamos qual o diferencial desse em relação aos demais, que faz o público querer acompanhar a história. 1917 entra justamente neste âmbito, com uma produção diferente do que estamos acostumados.

A história simples e objetiva de dois soldados da 1ª Guerra Mundial que são designados a levar uma mensagem para outra tropa e evitar um ataque que será catastrófico, podendo matar mais de 1.600 militares. Esse é o enredo que desperta a trajetória de Schofield (George MacKay, Capitão Fantástico) e Blake (Dean-Charles Chapman, O Rei), parceiros que se apoiam nesta caminhada que parece simples, mas é extremamente perigosa.

É difícil falar desse filme sem querer enaltecer o trabalho do diretor Sam Mendes (007 Contra Spectre) o tempo inteiro. E isso se deve ao fato que o longa é o mais puro resultado de uma excelente direção. Desde o início, a decisão de utilizar a câmera em movimento acompanhando os protagonistas já nos proporciona uma experiência de imersão na guerra. Imersão esta que vai ficando cada vez mais real a medida que elementos em cena vão surgindo, nos permitindo a sensação de quase sentir os odores, temperaturas e etc.

1917

Mendes consegue fazer tudo isso sem parecer descuidado nos takes. Acompanhamos a dupla sem descanso, já que é como se fosse uma cena sem cortes, gravada de uma única vez. Existe apenas um ou dois momentos em 1917 que são de interferências no tempo. Fora isso, o espectador respira e caminha junto com Scho e Blake, na tentativa de chegar no local onde está a outra tropa.

As mazelas da guerra são jogadas na nossa cara o tempo todo, dando a real sensação de que não há vitoriosos. É como se tudo aquilo acontecesse por um motivo que não vai beneficiar alguém. O espectador tem poucos momentos de alívio, já que até mesmo quando as coisas parecem estar calmas, as cores são desbotadas e sem vida. Como se nada fizesse sentido, mesmo na calmaria.

Tudo isso infringe uma tensão constante, que também faz parte da experiência de imersão pensada por Mendes. Mas ele faz isso com objetivo claro, sem cansar o espectador. O que justifica a excelente escolha de tempo do filme, que tem pouco menos de 2h. Filmes de guerra costumam ter perto de 3h ou às vezes mais. 1917 é na medida certa para mostrar esta história tensa e angustiante, sem se perder no meio do caminho.

Utilizo esses argumentos para justificar o porquê eu realmente acredito que Sam Mendes é um dos nomes mais fortes para levar o Oscar de Melhor Direção deste ano. O filme é um trabalho puramente de direção e isso se mostra em absolutamente todas as cenas. O elenco é excelente, sim, mas não é o foco. Não é à toa que das 9 indicações ao prêmio, nenhuma é para as categorias de atuação.

1917

Tocando neste assunto, é preciso pontuar que temos ótimas atuações em cena. George MacKay, que já nos apresentou um ótimo trabalho em Capitão Fantástico, guia as cenas com toda a tensão e naturalidade que o personagem exige. O mesmo vale para seu parceiro, Dean-Charles Chapman. Como um filme de poucos personagens, ao longo do extenso caminho dos protagonistas, somos surpreendidos por grandes atores, como Mark Strong, Colin Firth, Benedict Cumberbatch, Andrew Scott e Richard Madden.

Outro ponto alto de 1917 é a fotografia impecável, que funciona como mais um personagem na trama. A profundidade, quando é necessária, ou o close quando precisamos sentir ainda mais a emoção dos protagonistas. Além disso, o jogo de cores que mostram o quanto aquele momento é privado de emoções positivas e como a guerra pode sugar a vitalidade de qualquer pessoa.

1917 é um longa que vai muito além de ser apenas um filme de guerra. Ele é um material primoroso de trabalho de direção intenso e dedicado, um roteiro sem excessos e um elenco que funciona como aporte necessário para execução do projeto. É realmente um grande concorrente do Oscar, que contará com meu apoio na torcida.

Direção: Sam Mendes
Elenco: George MacKay, Dean-Charles Chapman, Mark Strong, Andrew Scott, Richard Madden, Colin Firth, Benedict Cumberbatch

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