Um leve e divertido coming of age, Purgatory é uma mescla de previsibilidade com fofura, que o torna um tanto adorável. Mesmo que entediante em algumas partes, o entrosamento do elenco pode cativar o público garantindo uma sessão agradável.
Principalmente no núcleo da família central, os quatro atores jogam em cena, valendo-se de improvisos e cacoetes, que estabelecem uma intimidade com o espectador, o que gera interesse na própria história do longa-metragem.
Os pais de Beatrice Gravel (Ruby McGurrin) se separam, nos anos 1980. A adolescente estuda em uma escola católica e se sente pressionada com toda a situação. A premissa em si é tão básica, que poderia ser qualquer filme teen de sessão da tarde, do passado ou de agora.
Neste sentido, visual e narrativamente, a produção entrega algo genérico. A diretora Lindsay Lanzillotta (Ginormo) poderia ter investido em alguns elementos para elevar a potencialidade do roteiro da estreante Christine Speer.
Mesmo que de maneira simples, transformações na luz e enquadramentos menos básicos seriam ferramentas interessantes para estabelecer uma atmosfera própria. E como fazer isso? De diversas maneiras.
Por exemplo, Lindsay poderia aumentar a profundidade de campo, colocando o olhar da protagonista no quadro. Através de angulação ou algum efeito de câmera, as emoções de Beatrice poderiam ser exploradas.
Outro elemento que auxiliaria: utilização de texturas. Dentro da direção de arte, algumas das frentes poderiam ser mais ousadas e deixar a produção visualmente mais interessante. Mas, qualquer característica que diferenciasse o longa de qualquer outro , já ajudaria.
Purgatory pode querer ser como qualquer outro longa coming of age sim, mas no custo de ser aquela exibição leve e emotiva, que será logo esquecida. Porque nenhuma dessas sugestões são obrigatórias e uma direção tradicional não é um problema.
A questão é que, para além do elenco talentoso, Purgatory não tem muito para entregar. O relacionamento dos pais de Beatrice não tem tensão o suficientemente para ser difícil e nem amigável para ser tranquilo.
O roteiro de Speer parece ter medo de decidir o filme que quer contar. Ela não consegue aprofundar o caos que é uma separação ou como o divórcio pode ser mais fácil com dois agentes cooperadores.
No quesito vida pessoal de Beatrice, as amizades da jovem não são das melhores. Não existe espaço para a figura central da trama se expandir. O que resta de local para esse desenvolvimento mínimo é a amizade dela com o padre Malone (JK Simmons).
As primeiras sequências de Beatrice se confessando são as pistas mais profundas de quem a garota é. E essa estratégia de diálogos complexos com Malone poderia até funcionar em toda a projeção. Mas, até esses momentos acabam se tornando óbvios e repetitivos.
Isso ocorre pela própria estrutura das cenas. Os diálogos dão uma sensação de déjà vu. Ainda que o texto em si seja sensível e com reflexões apropriadas para pré-adolescentes.
Desta forma, Purgatory pode ser uma boa pedida para ver com a meninada da sua família, em um sábado à tarde ou um domingo de manhã. Sem grandes surpresas, de direção ou roteiro, o elenco segura a onda e entrega personagens que sofrem transformações.
Além do mais, para o primeiro longa, Lindsay Lanzillotta escolhe fazer o que ela aprendeu vendo outros que vieram antes dela. É seguro e pode não impressionar, mas ela apresenta uma técnica coesa, com uma decupagem limpa.
Direção: Lindsay Lanzillotta
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