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	<title>Arquivos Thriller - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Thriller - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Socorro!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Jan 2026 12:57:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O diretor de terror Sam Raimi (Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, de 2022) volta às telonas com um novo projeto que é a sua cara. Banhado pelo estilo que lhe catapultou para o sucesso, o cineasta estadunidense traz ao público seu mais novo (e insano) filme: Socorro!. Estrelado por Rachel McAdams (Crescendo Juntas, de 2023) e Dylan O&#8217;Brien (Twinless &#8211; Um Gêmeo a Menos, de 2025), o longa-metragem, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29), carrega a essência [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O diretor de terror Sam Raimi (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho-no-multiverso-da-loucura/"><em>Doutor Estranho no Multiverso da Loucura</em></a>, de 2022) volta às telonas com um novo projeto que é a sua cara. Banhado pelo estilo que lhe catapultou para o sucesso, o cineasta estadunidense traz ao público seu mais novo (e insano) filme: <strong><em>Socorro!</em></strong>. Estrelado por Rachel McAdams (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-crescendo-juntas/"><em>Crescendo Juntas</em></a>, de 2023) e Dylan O&#8217;Brien (<em>Twinless &#8211; Um Gêmeo a Menos</em>, de 2025), o longa-metragem, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29), carrega a essência cômica, exagerada e <em>trash</em> de Raimi.</p>
<p><strong><em>Socorro!</em></strong> narra a relação tóxica de trabalho entre Linda Liddle (interpretada por McAdams), uma excelente funcionária do setor de Planejamento e Estratégia, e seu novo chefe, Bradley Preston (interpretado por O&#8217;Brien). Após uma reunião que esmaga as expectativas de Linda de ascender na empresa, o avião de uma viagem de negócios sofre um acidente e os dois se veem presos numa ilha deserta. Bradley agora tem que lidar com a mudança de poderes, já que Linda parece ser a sua única chance de sobrevivência.</p>
<p>Com um humor afiado, um elenco espetacular e uma direção sem limites, o roteiro da dupla Damian Shannon e Mark Swift (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baywatch-s-o-s-malibu/"><em>Baywatch: S.O.S. Malibu</em></a>, de 2017) ganha possibilidades estelares. O que poderia ser uma história esquecível e mal interpretada sobre disputa de poderes, dinâmicas machistas do mercado de trabalho e uma pitada de <em>thriller</em> psicológico de sobrevivência se torna uma narrativa impossível de parar a curiosidade do espectador. <strong><em>Socorro!</em></strong> instiga e prende a atenção do público do início ao fim.</p>
<p>O maior acerto da dupla de roteiristas é a ideia em reunir <em>Náufrago (2000)</em>, <em>Quero Matar Meu Chefe (2011)</em> e <em>Louca Obsessão (1990)</em> em um só filme. Pode soar como muitos fios desconectados, mas Shannon e Swift conseguem fazer dessa mistura um cerne coerente e interessante, o que torna <strong><em>Socorro!</em></strong> um trabalho que verdadeiramente rouba a atenção do público logo de cara. No entanto, não pensam que essa mistura será óbvio ou desinteressante, a narrativa guarda seus truques muito bem debaixo das mangas para te surpreender o tempo todo.</p>
<figure id="attachment_20442" aria-describedby="caption-attachment-20442" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-20442" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Socorro-1-750x500.jpg" alt="Socorro! (2026)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Socorro-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Socorro-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Socorro-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Socorro-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Socorro-1.jpg 1095w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20442" class="wp-caption-text">Dylan O&#8217;Brien em cena de &#8216;Socorro! (2026)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Além dos méritos óbvios de Shannon e Swift por pensarem numa história tão amarradinha e bem construída, há ainda a potência do <em>casting</em> e da direção. Mesmo sendo uma narrativa interessante, <strong><em>Socorro!</em></strong> só atinge o ápice de seu potencial por conta da direção e do elenco. É impensável assistir a um filme como esse sem que ele tenha assinatura de Raimi. Suas estranhezas clássicas e seu jeito de brincar com o limiar entre horror e comédia gritam de forma exuberante durante os 113 minutos de duração.</p>
<p>Diferente da sua direção na Marvel, que foi limitante para o mergulho da narrativa na sua essência estética, <strong><em>Socorro!</em></strong> não mede esforços para incorporar elementos tão clássicos e conhecidos da filmografia do diretor. Seja remontando conhecidas iconografias visuais de suas outras obras, seja com o exagero e os elementos excessivos do trash que estão tão presentes em sua carreira, mas esse novo longa é 100% a cara dele. Não há quem conheça o trabalho de Raimi, assista o filme e não perceba o quanto dele há no projeto. E é claro, a produção é um prato cheio para os fãs do diretor.</p>
<p>Mais do que um diretor investido e que molda a história para que fique com sua cara, o elenco de <strong><em>Socorro!</em></strong> transforma o roteiro de Shannon e Swift. O elenco secundário tem um papel e desempenho importantes e que colaboram para o todo, mas este filme é de Rachel e Dylan. Não existiria dinâmica tão caótica e esquisita como a que o público se inebria ao assistir se não fossem eles. A contracena da dupla é de uma potência avassaladora. Eles abraçam o absurdo que é estar num filme do Raimi e elevam isso em suas performances até a última potência, fazendo dele um longa imperdível.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Sam Raimi</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Rachel McAdams, Dylan O&#8217;Brien, Edyll Ismail, Xavier Samuel, Dennis Haysbert, Chris Pang, Thaneth Warakulnukroh, Emma Raimi, Kristy Best e Bruce Campbell</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/nb4hYGIwHrw?si=oYBMWk-TddwcP3Fb" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica O Agente Secreto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2025 03:57:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de todo o fervor vivido pelo cinema brasileiro no último ano com o sucesso estrondoso, dentro e fora do país, com Ainda Estou Aqui (2024), a estreia do filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho eleva essa sensação à máxima potência. O novo longa-metragem do diretor substitui o filme de Walter Salles como a produção nacional mais comentada do momento. O clima de copa do mundo já está criado e a estreia de O Agente Secreto nos cinemas, que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de todo o fervor vivido pelo cinema brasileiro no último ano com o sucesso estrondoso, dentro e fora do país, com <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui"><em>Ainda Estou Aqui (2024)</em></a>, a estreia do filme do cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho eleva essa sensação à máxima potência. O novo longa-metragem do diretor substitui o filme de Walter Salles como a produção nacional mais comentada do momento. O clima de copa do mundo já está criado e a estreia de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> nos cinemas, que acontece nesta quinta-feira (6), reacende a chama popular da torcida pelo Brasil em uma nova corrida nos maiores prêmios do mundo cinematográfico.</p>
<p>Saído do Festival de Cannes como o filme mais premiado do ano, <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é essencialmente brasileiro até seu último milésimo de segundo e isso é hipnotizante. O ritmo frenético estabelecido por Kleber em seu roteiro e direção empolgam, conduzem e surpreendem o espectador a cada virada de chave em sua narrativa. Como de costume, o cineasta constrói um pastiche de histórias que se cruzam em suas dores, desejos e missões, desenhando a história do Brasil de um determinado período.</p>
<p>Os filmes de Kleber funcionam como uma colcha de retalhos de histórias que se entrelaçam e são costuradas a partir de uma sucessão de fatos inesperados, dolorosamente reais e essencialmente brasileiros  &#8211; e isso não é diferente em <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. No longa, acompanhamos a vida de Marcelo (interpretado por Wagner Moura), que, durante o auge da ditadura militar e seus desmandos no Brasil de 1977, se muda para Recife. Ele vai até a capital pernambucana tentando se esconder de um passado violento, na esperança de encontrar um novo futuro. O que ele encontra lá são, no entanto,  as sombras de seu passado, à espreita, esperando uma oportunidade para dar cabo de sua vida.</p>
<p>Em seu novo <em>thriller</em> político, Kleber remonta a dor e a nostalgia da vida no Brasil da década de 1970. Na mesma medida que <strong><em>O Agente Secreto</em></strong> é capaz de nos arrepiar com os horrores e absurdos da ditadura, o filme nos relembra, em seguida, pelo que tantas pessoas lutaram. O projeto bate bem nessa tecla: que mesmo em tempos de desesperança há sempre com quem contar. E isso vem por meio dos afetos (d)escritos por Kleber em seu roteiro. Talvez esse seja o maior mérito da filmografia do diretor, o equilíbrio entre a sutileza, a paixão e a dor do existir.</p>
<p>Os contextos das perseguições à oposição da ditadura, o cercear a liberdade e o medo do inimigo que literalmente mora ao lado são os grandes fantasmas que acompanham o público durante a sessão. Seja através da ludicidade ou das ironias tão conhecidas nos trabalhos do diretor, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>empolga a cada instante por não sabermos o que pode acontecer. O roteiro de Kleber não é previsível porque ele preza pelo tensionamento dos sentidos. O inesperado é a chave mestra da genialidade de seu roteiro. Ou seja, de tédio não morreremos.</p>
<figure id="attachment_20046" aria-describedby="caption-attachment-20046" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-20046" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg" alt="O Agente Secreto (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/11/O-Agente-Secreto-3.jpg 1715w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-20046" class="wp-caption-text">Wagner Moura em cena de &#8216;O Agente Secreto (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Para além dos louros de Kleber, tanto no roteiro quanto em sua direção, a fotografia, a arte e a montagem do filme pulsam junto com sua narrativa. A direção de arte, comandada por Thales Junqueira (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-baby"><em>Baby</em></a>, de 2024), consegue desenhar as texturas, vibrações e os perigos do Brasil na ditadura. Em complemento, a fotografia de Evgenia Alexandrova (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sem-coracao"><em>Sem Coração</em></a>, de 2023) captura essas imagens e faz com que elas pulsem de forma hipnótica, tornando essa dobradinha de visualidade um primor do filme. Para fechar o resultado visual de <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>, a montagem de Eduardo Serrano e Matheus Farias (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bacurau"><em>Bacurau</em></a>, de 2019) tensiona e eleva cada um desses elementos, dando vida à obra de Kleber da melhor forma que o público poderia pedir.</p>
<p>O elenco, como de costume, é um show à parte. Já que o cinema de Kleber é tão fortemente composto por um pastiche de histórias e vidas, seu elenco costuma ser robusto em quantidade e avassalador em potência. Contudo, <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>talvez tenha alcançado um novo patamar de <em>casting</em> nas produções do cineasta pernambucano. Parece que cada pessoa foi escolhida a dedo. E cada uma delas tem seu momento de brilhar.</p>
<p>Carlos Francisco, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli e Udo Kier são alguns dos artistas que vibram em cena e fazem a história ser viva e pulsante. Dois nomes, no entanto, precisam ser comentados à parte. Mesmo com a potência dos nomes anteriores, nada se compara com o magnetismo de dona Tânia Maria e de Wagner Moura (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-guerra-civil"><em>Guerra Civil</em></a>, de 2024) em cena. Não existiria <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>sem a força gravitacional que os dois atores geram no espectador.</p>
<p>Dona Tânia tem uma pureza magnética do realismo de sua interpretação que rouba a cena incessantemente. Basta ter segundos de tela que os olhares do público imediatamente recaem sobre sua naturalidade quase infantil. Há uma pureza de liberdade em sua interpretação que faz dela um dos pontos mais altos durante <strong><em>O Agente Secreto</em></strong>. Realmente acredito que a escolha de escalar dona Tânia Maria para o papel de Dona Sebastiana foi tão acertado quanto a escalação de Wagner.</p>
<p>O ator baiano é outra força em cena. Sua interpretação prende o espectador por trazer outra chave, igualmente magnética: a do medo. Wagner carrega em seu olhar um peso, uma dor e um desespero que são palpáveis. Ele entretém o espectador em uma construção de personagem que grita uma profundidade, ainda que ele só demonstre a superfície. E os olhos, como é dito em <em>Scarface (1983)</em>, eles nunca mentem. E Moura, mais uma vez, escancara a suas habilidades interpretativas por demonstrar um turbilhão a partir da sutileza de um olhar.</p>
<p>Com o longa, portanto, o diretor consegue entregar uma narrativa absurdamente coesa, ritmada e surpreendente que passa voando durante seus quase 160 minutos. O filme pode ser o ápice do cinema de Kleber por beber de todos os temas e nuances tão caros à ele ao longo de sua carreira. E isso é feito a partir de uma condução primorosa que merece um pergaminho de elogios e saudações por sua excelência. Não há melhor forma de ver <strong><em>O Agente Secreto </em></strong>a não ser como a epítome do cinema de Kleber Mendonça Filho.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kleber Mendonça Filho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Wagner Moura, Carlos Francisco, Tânia Maria, Robério Diógenes, Roney Villela, Alice Carvalho, Gabriel Leone, Maria Fernanda Cândido, Hermila Guedes, Isabél Zuaa, Thomás Aquino, Laura Lufési, Igor de Araújo, Ítalo Martins, Luciano Chirolli, João Vitor Silva, Licínio Januário e Udo Kier</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/AOBPXs_euPA?si=AUyJM-jQ_dl9TBq7" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Missão: Impossível – O Acerto Final</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 22 May 2025 12:56:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois de quase 30 anos de mirabolantes missões arriscadas de espionagem e traições, a franquia Missão: Impossível chega ao fim. O oitavo filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22) e promete arrebatar os fãs dos longas-metragens comandados pelo agente Ethan Hunt (interpretado por Tom Cruise). O propósito de Missão: Impossível – O Acerto Final claramente é fazer um apanhado do que foi a franquia e seu impacto no cinema de ação ao longo desses 29 anos &#8211; e eles [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de quase 30 anos de mirabolantes missões arriscadas de espionagem e traições, a franquia <em><strong>Missão: Impossível</strong></em> chega ao fim. O oitavo filme estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (22) e promete arrebatar os fãs dos longas-metragens comandados pelo agente Ethan Hunt (interpretado por Tom Cruise). O propósito de <strong><em>Missão: Impossível – O Acerto Final</em></strong> claramente é fazer um apanhado do que foi a franquia e seu impacto no cinema de ação ao longo desses 29 anos &#8211; e eles conseguem. Se há algum tipo de dúvida sobre a produção ser capaz de, mais uma vez, manter sua essência e entregar um longa instigante, pode se despreocupar.</p>
<p><strong><em>Missão: Impossível – O Acerto Final</em></strong> não apenas é um bom encerramento da longeva franquia como também soube concluir a narrativa micro e macro muito bem. O roteiro co-escrito por Christopher McQuarrie e Erik Jendresen (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-missao-impossivel-acerto-de-contas-parte-1/"><em>Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1</em></a>, de 2023) se estrutura como um encerramento de jornada. Tanto a jornada iniciada em seu filme antecessor, como a jornada desse personagem que marcou a carreira de Cruise (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-top-gun-maverick/"><em>Top Gun: Maverick</em></a>, de 2022) durante quase três décadas. Há um esforço louvável em amarrar cada ponta solta da franquia. Uma preocupação pouco convencional para esse tipo de narrativa, mas que entrega um resultado interessante e cheio de esmero.</p>
<p>Assim como essa preocupação com a narrativa, a direção de McQuarrie demonstra a mesma atenção aos rumos da direção desde o quinto longa da franquia. A parceria do cineasta com Cruise já existe há 17 anos, com 10 filmes, onde 4 deles são parte da história da produção de <strong><em>Missão: Impossível</em></strong>. O diretor assumiu essa cadeira na metade do que viria a ser a franquia completa, o que permitiu que McQuarrie desenhasse bem seus caminhos ao longo dos filmes, ao mesmo tempo que honrava elementos-chave e essência dos cineastas que o antecederam. No caso de <strong><em>Missão: Impossível – O Acerto Final</em></strong>, seu objetivo é claramente tentar entregar ao público um final épico a altura do projeto.</p>
<p>Como McQuarrie é diretor e co-roteirista da produção desde sua entrada nela, é possível perceber esse desenho de uma espécie de autoria &#8211; dentro do que a franquia permite. <strong><em>Missão: Impossível – O Acerto Final </em></strong>é um filme com identidade, mesmo que ele seja resultado de um pastiche de décadas e muitas mãos. Ainda assim, o trabalho de McQuarrie merece ser destacado por ter comandado metade de uma franquia de sucesso, enquanto, continuamente, aumentou o interesse dos fãs pela produção. A constante de sua presença resulta num desfecho que, apesar de ter questões, é interessante e amarra bem a franquia.</p>
<figure id="attachment_19488" aria-describedby="caption-attachment-19488" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19488" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Missao-Impossivel-–-O-Acerto-Final-1-750x500.jpg" alt="Missão: Impossível – O Acerto Final (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Missao-Impossivel-–-O-Acerto-Final-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Missao-Impossivel-–-O-Acerto-Final-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Missao-Impossivel-–-O-Acerto-Final-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Missao-Impossivel-–-O-Acerto-Final-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Missao-Impossivel-–-O-Acerto-Final-1-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Missao-Impossivel-–-O-Acerto-Final-1.jpg 1500w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19488" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Missão: Impossível – O Acerto Final (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Apesar da qualidade e dos esforços feitos por McQuarrie e Jendresen, existem dois problemas principais em <strong><em>Missão: Impossível – O Acerto Final</em></strong>. O primeiro é o peso de ser um desfecho de uma produção com quase três décadas. As expectativas são altas, os comparativos são muitos e isso acaba interferindo inevitavelmente no resultado. O problema no oitavo longa é que, apesar de sua qualidade, a sensação que dá ao final da sessão é que este não é o melhor filme dentre os oito. Não acredito que isso estrague a experiência, mas o espectador vem de um antecessor que foi o ápice de qualidade da franquia de espionagem e seu encerramento parece mundano em comparação.</p>
<p>Outro fator que <strong><em>Missão: Impossível – O Acerto Final</em></strong> peca é a sua duração. Os quase 170 minutos de filme são cansativos e desnecessários. Não é porque é o encerramento de uma franquia que o longa precisa ser um dos maiores dela &#8211; ou, neste caso, o maior. E não é uma questão do tempo pelo tempo. O problema não é ser um filme com uma duração extensa, mas se ele vai ser capaz de, durante todo o seu tempo de tela, entreter, sem perder a atenção do público. E fica claro durante o filme os momentos de queda da narrativa, tornando a experiência um pouco mais arrastada e cansativa.</p>
<p>O oitavo longa, contudo, tem um mérito indiscutível que é essa capacidade de síntese da essência da franquia. Mesmo com alguns artifícios extra melodramáticos, até os exageros podem ser bem vindos para os fãs que cresceram assistindo aos filmes e aguardaram ansiosamente pelo encerramento da franquia. <strong><em>Missão: Impossível – O Acerto Final </em></strong>pode até não ser o melhor longa dentre os oito, mas ele é, sem sombra de dúvidas, um fechamento de ciclo à altura. A Paramount Pictures pode se orgulhar porque ela entregou uma produção que tem a essência do que sempre foi <strong><em>Missão: Impossível</em></strong>, mesclando o que veio antes com o novo. E, apesar de ser longo, vale a pena ir aos cinemas para ver, preferencialmente em IMAX, um desfecho épico para uma das melhores franquias de espionagem de Hollywood.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher McQuarrie</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Tom Cruise, Hayley Atwell, Ving Rhames, Simon Pegg, Henry Czerny, Pom Klementieff, Greg Tarzan Davis, Rolf Saxon, Angela Bassett e Esai Morales</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/wyyJvg0jMYM?si=grmofx8BGIHtmVAV" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica Hurry Up Tomorrow &#8211; Além dos Holofotes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 May 2025 12:41:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existem alguns projetos em que a simples ideia gera um estranhamento. Muitas vezes um pitching errado faz com que uma boa ideia caia num abismo e nunca veja a luz dos cinemas. Há também aquelas que não deveriam sair do papel. Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes é um desses projetos. O longa-metragem é uma jornada enfadonha, cansativa e sem propósito dos delírios de um cantor que sonha em ser ator. O filme, estrelado por The Weeknd (The Idol, de 2023), [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Existem alguns projetos em que a simples ideia gera um estranhamento. Muitas vezes um <em>pitching</em> errado faz com que uma boa ideia caia num abismo e nunca veja a luz dos cinemas. Há também aquelas que não deveriam sair do papel. <strong><em>Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes</em></strong> é um desses projetos. O longa-metragem é uma jornada enfadonha, cansativa e sem propósito dos delírios de um cantor que sonha em ser ator. O filme, estrelado por The Weeknd (<em>The Idol</em>, de 2023), é uma das estreias desta quinta-feira (15) e chega aos cinemas sem trazer um centavo de interesse ao público.</p>
<p>A proposta da produção é clara: The Weeknd resolveu financiar um filme para divulgar seu novo álbum e, de quebra, ainda faz uma digressão terapêutica sobre seus temores e dores. Isso soa arrogante e chato, não é? Então, este é <strong><em>Hurry Up Tomorrow</em></strong>. Em vez de focar seus esforços artísticos em sua carreira musical &#8211; que ele mesmo ironiza no roteiro em determinado ponto -, o cantor nos leva aos cinemas nesta viagem pessoal surrealista que não conduz o espectador para nenhum lugar &#8211; a não ser ao raso de suas angústias mais egocentradas.</p>
<p>Todo esse festival dramático é conduzido por um tom de suspense desmedido e que nunca se fecha em si. E é decepcionante pensar que a pessoa que dirige essa atrocidade é a mesma que soube escrever e dirigir <em>Ao Cair da Noite (2017)</em>. O cineasta Trey Edward Shults não é capaz de emplacar sua visão no que parece ser um extenso clipe musical desinteressante. Shults não dá identidade e nem consegue entregar um filme sequer bem conduzido. Existe uma sensação constante de que <strong><em>Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes</em></strong> está completamente picotado, como se ele tivesse sido o resultado de uma chacina de ideias desconjuntadas.</p>
<p>Para completar esse cenário problemático na base criativa do projeto, o roteiro foi feito por três pessoas, sendo uma delas Abel Tesfaye &#8211; nome artístico de The Weeknd quando atua. Além do cantor que claramente deveria ficar apenas escrevendo suas músicas, o texto também é assinado por Shults e Reza Fahim, criador da série The Idol. Diante desse cenário, <strong><em>Hurry Up Tomorrow </em></strong>parece nunca ter tido uma chance de ser bem sucedido como uma narrativa cinematográfica de qualidade. A falta de liberdade criativa do cineasta unida a presença e interferência de Abel tornaram o projeto uma bomba-relógio que já explodiu quando o filme começou a ser gravado.</p>
<figure id="attachment_19457" aria-describedby="caption-attachment-19457" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19457" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Hurry-Up-Tomorrow-2-750x500.jpg" alt="Hurry Up Tomorrow - Além dos Holofotes (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Hurry-Up-Tomorrow-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Hurry-Up-Tomorrow-2-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Hurry-Up-Tomorrow-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Hurry-Up-Tomorrow-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Hurry-Up-Tomorrow-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Hurry-Up-Tomorrow-2-1400x933.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Hurry-Up-Tomorrow-2.jpg 1620w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19457" class="wp-caption-text">Abel Tesfaye em cena de &#8216;Hurry Up Tomorrow &#8211; Além dos Holofotes (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>A confusão do roteiro e a dedicação do mesmo para falar das lamúrias dessa pseudo &#8216;versão alternativa&#8217; do The Weeknd entregam uma história sem propósito algum. O espectador passa o filme inteiro esperando que algo de relevante ou interessante aconteça e é frustrado a cada segundo. Nada leva a lugar nenhum, a não a um divã terapêutico que poderia ter evitado a produção de <strong><em>Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes</em></strong>. A narrativa é mal desenvolvida, rasa e, por vezes, vergonhosa. É um longa para ser completamente esquecido, se o público for capaz de superar o trauma que é assisti-lo.</p>
<p>Diante desse texto assombroso, o elenco não tinha muito o que fazer. Ainda que carregue nomes como Jenna Ortega (<em>Pânico VI</em>, de 2023, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-os-fantasmas-ainda-se-divertem/"><em>Os Fantasmas Ainda Se Divertem</em></a>, de 2024) e Barry Keoghan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-os-banshees-de-inisherin/"><em>Os Banshees de Inisherin</em></a>, de 2022, e <em>Saltburn</em>, de 2023) em seu elenco, <strong><em>Hurry Up Tomorrow </em></strong>não deixa nem seu elenco passar ileso. O roteiro é tão descuidado e cheio de fragilidades que tornam Keoghan completamente esquecível. O ator tem uma participação estereotipada e estranha &#8211; e não no bom sentido para o padrão dele. Jenna, por mais que se esforce e também tenha talento, não tem de onde tirar profundidade de uma personagem mal desenvolvida e sem camadas. É decepcionante ver dois talentos desperdiçados como eles são nesse filme.</p>
<p>O maior problema, no entanto, é The Weeknd e seu delírio de ser ator. A verdade é que Abel é uma piada como ator. Aparentemente sua participação sofrível na série <em>The Idol</em>, não foi o suficiente, mas é vital que entendam que ele não sabe atuar. Ele não consegue convencer o público nem mesmo fazendo uma versão de si mesmo. Suas cenas são ainda mais superficiais que seus colegas de cena justamente por ele não conseguir entregar mais do que o terrível óbvio. Doa a quem doer, mas se colocar ele e Jade Picon a 80km/h, não sei quem é mais sem sal, carisma ou capacidade cênica. <strong><em>Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes </em></strong>é uma pá de cal em sua frágil carreira como ator.</p>
<p>Para completar essa marcha fúnebre que a Lionsgate tenta chamar de filme, nem sequer a visualidade desse clipe-delírio é interessante. O filme tem uma proposta cansativa e repetitiva de filmes <em>indies</em>, com uma pitada de visual de videoclipes, sem a construção de sua proposta. O que fica é uma tentativa de mimetizar o que seriam esses longas visualmente interessantes e alternativos, sem nenhum tipo de arcabouço que defina e justifique as escolhas. A verdade é que <strong><em>Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes </em></strong>não cumpre sequer o seu título. É uma narrativa soberba, disfuncional e rasa, que nem sequer serve como um clipe, por ser longo demais. O que fica é uma sessão de terapia forçada ao público, que se estende excessivamente, mal sucedida e que absolutamente ninguém pediu.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Trey Edward Shults</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Abel Tesfaye, Jenna Ortega e Barry Keoghan</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/jcvSpRpnkvY?si=4tPgyrhlhTfiY8Lt" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Drop &#8211; Ameaça Anônima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 12:46:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O terror e o suspense andam lado a lado  por dividirem em seu cerne constitutivo o elemento da ambiência e tensão como objetivos principais. Ainda que façam isso a partir de elementos diferentes, em muitos momentos, o que vai definir um filme ser de um gênero ou de outro é o que vem após a elevação da tensão. Por conta disso, diretores como Alfred Hitchcock (Psicose, de 1960), conhecido como &#8216;mestre do suspense&#8217;, flertaram com o horror. O contrário também [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O terror e o suspense andam lado a lado  por dividirem em seu cerne constitutivo o elemento da ambiência e tensão como objetivos principais. Ainda que façam isso a partir de elementos diferentes, em muitos momentos, o que vai definir um filme ser de um gênero ou de outro é o que vem após a elevação da tensão. Por conta disso, diretores como Alfred Hitchcock (<em>Psicose</em>, de 1960), conhecido como &#8216;mestre do suspense&#8217;, flertaram com o horror. O contrário também pode acontecer, como é o caso do retorno do cineasta Christopher Landon (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-morte-te-da-parabens/"><em>A Morte Te Dá Parabéns</em></a>, de 2017, e <em>Freaky &#8211; No Corpo de um Assassino</em>, de 2020) com o <em>thriller</em> <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em>.</p>
<p>O longa-metragem, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (10), é um flerte do diretor com suas origens do terror com seu domínio da construção de atmosfera e tensão. Landon conhece bem os caminhos da linguagem que é comum aos gêneros e utiliza delas ao seu favor para criar mais camadas para seu novo filme. Sua condução é inventiva e tem a sua marca &#8211; seja nos acertos e nos exageros. É possível perceber em diversos momentos de <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> a marca registrada do cineasta estadunidense.</p>
<p>Para além dos tropos e elementos constitutivos básicos e comuns entre o <em>thriller</em> e o horror, Landon ainda se cerca de uma característica presente em sua filmografia: a comicidade. <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> é uma mistura bem orquestrada entre a tensão e o humor ácido já conhecido nos trabalhos de Christopher Landon. Ainda que a assinatura do roteiro não seja sua, a marca de seu trabalho se faz expressa pelo aproveitamento dos diferentes tons e momentos narrativos criados pela dupla Jillian Jacobs e Chris Roach (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-verdade-ou-desafio/"><em>Verdade ou Desafio</em></a>, de 2018, e <em>A Ilha da Fantasia</em>, de 2020).</p>
<p>Diferente de seus trabalhos anteriores, a dupla à frente do roteiro não trabalha com uma terceira pessoa, talvez o que tenha permitido que chegassem ao seu verdadeiro potencial. O roteiro de <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> é incomparavelmente mais redondo e instigante do que os trabalhos prévios da parceria entre Jillian e Chris. A construção da tensão é bem elaborada, a comicidade como alívio e jogo narrativo entra na hora certa e, apesar de um final com muitos acontecimentos, o filme se faz claro e condizente com o caminho percorrido.</p>
<figure id="attachment_19341" aria-describedby="caption-attachment-19341" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19341" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-750x500.jpg" alt="Drop - Ameaça Anônima (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1-1400x934.jpg 1400w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Drop-1.jpg 1612w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19341" class="wp-caption-text">Meghann Fahy e Brandon Sklenar em cena de &#8216;Drop &#8211; Ameaça Anônima (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Posto isso, Christopher Landon amarra a narrativa com uma criatividade na direção. Suas escolhas para o longa parecem ser mais desapegadas de limitações a convenções. Os planos e movimentos de câmera entregam um resultado visualmente instigante, especialmente graças ao trabalho da fotografia. Encabeçado por Marc Spicer (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-quando-as-luzes-se-apagam/"><em>Quando as Luzes Se Apagam</em></a>, de 2016, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-escape-room/"><em>Escape Room</em></a>, de 2019), o departamento entrega uma produção visualmente interessante que não se limita a ser apenas mais do mesmo. Não há nada completamente inovador, mas a fotografia de <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> consegue trazer momentos instigantes para o público.</p>
<p>Como qualquer narrativa, especialmente aquelas que estão entre o espectro do suspense e terror, as performances do elenco são um ponto crucial para fazer o filme decolar ou não. Felizmente, o <em>casting</em> acertou ao escalar Meghann Fahy (<em>The White Lotus</em>, de 2022) e Brandon Sklenar (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-e-assim-que-acaba/"><em>É Assim que Acaba</em></a>, de 2024) como os personagens centrais da trama. Ainda que o roteiro use de artifícios visuais atuais para estar em mais de um ambiente, <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> se passa majoritariamente num mesmo espaço. E não apenas qualquer lugar, mas um extremamente corriqueiro, o que exige ainda mais investimento das performances para puxar o espectador para a trama.</p>
<p>Tanto Meghann quanto Brandon conseguem se apropriar da narrativa o suficiente para se tornarem hipnóticos. Suas interpretações podem não ser de tirar o fôlego ou dignas de um prêmio, mas são completamente críveis e convincentes ao ponto de tornar um encontro num restaurante algo interessante, antes mesmo que a tensão se estabeleça. A dupla dribla qualquer tipo de fragilidade ao longo de <em><strong>Drop &#8211; Ameaça Anônima</strong></em> &#8211; inclusive o final com muitos acontecimentos &#8211; e entrega um resultado amarrado entre atuações, roteiro e direção que vale a pena conferir.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Christopher Landon</p>
<p><strong>Elenco:</strong>  Meghann Fahy, Brandon Sklenar, Violett Beane, Jacob Robinson, Reed Diamond, Ben Pelletier, Gabrielle Ryan, Jeffery Self e Ed Weeks</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/RFEGbOtwNV0?si=2XqUQdW5-pYMDgSr" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Desconhecidos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Mar 2025 11:00:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Centenas de milhares de longas-metragens de terror são lançados durante o ano, mas, por falta de investimento, muitos filmes de qualidade acabam se perdendo ou ficando limitados aos festivais de cinema. A prova disso para a realidade das produções brasileiras foi o ponto fora da curva feito pela campanha de Ainda Estou Aqui (2024) que, por ter verba, conseguiu ter fôlego para alcançar altos voos que poucos sonham &#8211; rendendo para o país o primeiro Oscar de Melhor Filme de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Centenas de milhares de longas-metragens de terror são lançados durante o ano, mas, por falta de investimento, muitos filmes de qualidade acabam se perdendo ou ficando limitados aos festivais de cinema. A prova disso para a realidade das produções brasileiras foi o ponto fora da curva feito pela campanha de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-ainda-estou-aqui/"><em>Ainda Estou Aqui (2024)</em></a> que, por ter verba, conseguiu ter fôlego para alcançar altos voos que poucos sonham &#8211; rendendo para o país o primeiro Oscar de Melhor Filme de Língua Não Inglesa.</p>
<p>É claro que ser um projeto brasileiro, latino, tudo se torna ainda mais difícil. No entanto, alguns projetos independentes dos Estados Unidos também acabam se perdendo no processo e não saindo de seu país. Outros, já conseguem elaborar um processo de distribuição internacional, mesmo que tardia, como é o caso de <strong><em>Desconhecidos</em></strong>. Com sua primeira exibição em setembro de 2023 num festival de cinema no Texas e o lançamento oficial nos EUA em agosto do ano passado, o filme só conseguiu chegar aos cinemas brasileiros na quinta-feira (03).</p>
<p>Apesar do &#8216;atraso&#8217; para ser conhecido pelo público brasileiro, <strong><em>Desconhecidos</em></strong> ainda foi capaz de ir além na peneira &#8211; coisa que muitos não conseguem. Com sua estreia no Brasil, os fãs de suspense e terror poderão conhecer o trabalho do diretor e roteirista JT Mollner, que ganhou visibilidade desde o lançamento no <em>Fantastic Fest</em>. O sucesso do filme nos Estados Unidos foi tamanho que o cineasta está entre os cotados para dirigir o próximo longa da franquia <em>O Massacre da Serra Elétrica</em> que está em desenvolvimento. O mais novo lançamento é o segundo longa-metragem da carreira de Mollner.</p>
<p>Dentre essas centenas de milhares de produções do gênero que estreiam todo ano, alguns realmente fazem um favor para o público caindo no esquecimento. Enquanto isso, outras fazem falta se não alcançam mais pessoas, seria o caso de <strong><em>Desconhecidos</em></strong> se não tivesse chegado aos cinemas nacionais. A sorte dos fãs do terror é a distribuição brasileira pela Paris Filmes para que os espectadores conhecessem um possível expoente do horror. O trabalho do cineasta estadunidense é impressionante e de tirar o fôlego.</p>
<p>Além de dirigir, Mollner também é o responsável por assinar o roteiro do projeto com sua narrativa chocante. A história é dividida em capítulos e contada de forma não linear, o que intensifica a tensão e mantém os <em>plots</em> ainda mais escondidos. Essa receita gera um resultado inesperado para o público. <strong><em>Desconhecidos</em></strong> é daqueles filmes que sabem utilizar o tempo do texto ao seu favor por entender que cinema é ritmo.</p>
<figure id="attachment_19276" aria-describedby="caption-attachment-19276" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19276" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Strange-Darling-2-750x500.jpg" alt="Desconhecidos (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Strange-Darling-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Strange-Darling-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Strange-Darling-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Strange-Darling-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/Strange-Darling-2.jpg 1350w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19276" class="wp-caption-text">Willa Fitzgerald em cena de &#8216;Desconhecidos (2024)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Assim como uma orquestra segue o tempo da regência, um filme precisa saber se guiar por suas nuances narrativas. Esse objetivo só é alcançado, contudo, quando as figuras que escrevem e dirigem a história estão em consonância e conseguem comandar a engrenagem com maestria. No caso de <strong><em>Desconhecidos</em></strong>, JT Mollner tanto é o regente da obra, como seu compositor. Centralizando o cerne do processo criativo primário desse longa independente, o cineasta elabora uma produção que demonstra sua qualidade técnica e criativa no cinema.</p>
<p>A precisão do roteiro e direção de Mollner são acompanhados por uma equipe técnica e um elenco que apenas faz o filme crescer. A belíssima fotografia de Giovanni Ribisi, a montagem certeira de Christopher Robin Bell e o rico design de produção de Priscilla Elliott elevam ainda mais o potencial de <strong><em>Desconhecidos</em></strong>. Ao aliar uma narrativa coesa e forte com uma técnica maravilhosa e um elenco potente, o resultado não poderia ser diferente.</p>
<p>Para completar a qualidade vista em tela, é preciso falar do elenco principal, especialmente a dupla de protagonistas. Kyle Gallner (<em>Sorria</em>, de 2022, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-sorria-2/"><em>Sorria 2</em></a>, de 2024), o novo queridinho do horror consegue levar o público em sua rede de possibilidades para as ações do seu personagem, chamado de &#8216;O Demônio&#8217;. Ele convida o espectador com seu carisma para, logo depois, nos chocar com seu alcance cênico e visceral. Sua entrega em <strong><em>Desconhecidos</em></strong> prova mais uma vez o seu inegável talento.</p>
<p>A performance de Gallner, no entanto, nada seria sem a troca com sua protagonista, nomeada de &#8216;A Dama&#8217;. Willa Fitzgerald (<em>A Queda da Casa de Usher</em>, de 2023) em cena é algo de outro mundo. Quem diria que a jovem travada da primeira temporada de <em>Scream (2015-2016)</em> tinha todo esse potencial dentro dela. Fitzgerald é uma força da natureza ao longo dos 90 minutos de filme. <strong><em>Desconhecidos </em></strong>é o que é e causa esse frenesi em quem assiste porque a estrela do projeto foi capaz de incorporar o que o texto e a direção exigia.</p>
<p>É inspirador ver a destreza de Willa em cada sequência da produção. A atriz só mostra seu crescimento desde a série <em>slasher</em>, seguida de sua performance interessante na minissérie de Mike Flanagan, culminando num trabalho verdadeiramente de tirar o fôlego. Existem filmes que podem ter toda a qualidade técnica e criativa, mas que não alcançariam seu potencial total sem aquela interpretação certa. É isso que Willa Fitzgerald entrega para <strong><em>Desconhecidos</em></strong>, a atuação perfeita.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> JT Mollner</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Willa Fitzgerald, Kyle Gallner, Barbara Hershey e Ed Begley Jr.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/CFC0ePRTaDw?si=hMXx5mcLWy6yAJo-" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Acompanhante Perfeita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Feb 2025 19:42:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>2024 foi um ano de inúmeras surpresas positivas nas estreias de histórias originais de terror. Para não ser diferente, 2025 já vem com uma expectativa alta para suas produções. Com inúmeras sequências aguardadas para este ano, como Premonição 6: Laços de Sangue e  Invocação do Mal 4: Os Últimos Ritos, filmes originais precisam surpreender para ganhar espaço entre os fãs. E se você é um dos aficionados por narrativas de horror, não se preocupe porque 2025 já começa muito bem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>2024 foi um ano de inúmeras surpresas positivas nas estreias de histórias originais de terror. Para não ser diferente, 2025 já vem com uma expectativa alta para suas produções. Com inúmeras sequências aguardadas para este ano, como <em>Premonição 6: Laços de Sangue</em> e  <em>Invocação do Mal 4: Os Últimos Ritos</em>, filmes originais precisam surpreender para ganhar espaço entre os fãs. E se você é um dos aficionados por narrativas de horror, não se preocupe porque 2025 já começa muito bem com a estreia de <strong><em>Acompanhante Perfeita</em></strong>.</p>
<p>O longa-metragem mescla elementos de comédia, ficção científica e horror em sua trama. Pode parecer muita coisa, mas o roteiro de Drew Hancock é amarrado o suficiente para brincar com as características dos três gêneros. <strong><em>Acompanhante Perfeita</em></strong> é capaz de unir esses elementos para construir sua narrativa hilária e mortífera sobre relacionamentos e tecnologia. O filme chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (6).</p>
<p>O tom cômico é utilizado por Hancock de forma certeira para contrapor cenas mais sanguinolentas. A comicidade, no entanto, não para por aí. Ela também é frequentemente utilizada para satirizar os exageros do gênero do terror, criando momentos surpreendentemente divertidos. Atrelado a isso, os elementos <em>sci-fi</em> entram apenas como pano de fundo para um futuro não muito distante com avanços tecnológicos e seus perigos. Talvez seja a imprevisibilidade da união desses elementos e temáticas que fazem de <strong><em>Acompanhante Perfeit</em><em>a</em></strong> uma surpresa tão positiva.</p>
<p>A direção de Hancock é interessante. Sua dobradinha como diretor e roteirista permite que as imagens tenham ainda mais força e sejam capazes de construir o choque, o drama e os absurdos vistos em tela. O trabalho dele conduzindo a narrativa parece ser bem coordenado entre equipe e elenco, o que resulta numa divertida trama de sangue, absurdos e boas risadas. O conjunto técnico e artístico competente de <strong><em>Acompanhante Perfeit</em><em>a</em></strong> fazem dele um filme inventivo e interesse do início ao fim.</p>
<figure id="attachment_19151" aria-describedby="caption-attachment-19151" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-19151" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Acompanhante-Perfeita-1-750x500.jpg" alt="Acompanhante Perfeita (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Acompanhante-Perfeita-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Acompanhante-Perfeita-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Acompanhante-Perfeita-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Acompanhante-Perfeita-1-770x514.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Acompanhante-Perfeita-1.jpg 1312w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19151" class="wp-caption-text">Sophie Thatcher em cena de &#8216;Acompanhante Perfeita&#8217; (2025)</figcaption></figure>
<p>Por falar em elenco, é impossível não comentar sobre a <em>final girl</em> do longa. Sophie Thatcher (<em>Boogeyman: Seu Medo é Real</em>, de 2023, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-herege/"><em>Herege</em></a>, de 2024) já vinha despontando como uma promessa para o futuro do gênero e chancela essa previsão com sua personagem em <strong><em>Acompanhante Perfeit</em><em>a</em></strong>. Sua entrega em cena pela montanha-russa de sentimentos vividos por sua personagem permitem que ela mostre ainda mais seu talento.</p>
<p>Igualmente, a principal contracena de Sophie entrega o que já se espera dele. Jack Quaid (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-panico-2022/"><em>Pânico</em></a>, de 2022, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-oppenheimer/"><em>Oppenheimer</em></a>, de 2023) já é um conhecido dos fãs do gênero e parece ter sido elencado por Hollywood para fazer o tipo de antagonista &#8211; ou vilão, para ser mais exato &#8211; canalha. Não sei quem foi a pessoa na indústria que teve esse insight, mas foi brilhante. Em <strong><em>Acompanhante Perfeit</em><em>a</em></strong>, Jack prova que ainda tem muito o que mostrar da sua capacidade de interpretar personagens sádicos e cruéis.</p>
<p>É interessante perceber a evolução do arco narrativo de cada um dos personagens da história, que se completam e encerram os seus ciclos na hora necessária. Drew não deu sobrevida para nenhum personagem e, ainda que o final soe como aberto para uma possível continuação, acredito que a força da sugestão seja a força de seu final. O roteiro de <strong><em>Acompanhante Perfeit</em><em>a </em></strong>tem potência quando ele estica a realidade ao seu máximo e toca na ferida aberta do hoje. Talvez uma continuação acabasse prejudicando a sensação de completude da produção.</p>
<p>Uma coisa interessante do filme é o seu primeiro <em>plot</em>, já dado no trailer do filme. Fui para a sessão sem ter visto nada e a surpresa foi espetacular. Não acredito que estrague a experiência assistir ao trailer antes de ir ao cinema assistir, mas talvez sua experiência seja mais interessante desde o minuto um se você for completamente livre de qualquer informação. O que realmente é preciso saber sobre o filme é que ele é redondo, interessante e extremamente divertido. Para os fãs de terror, vale a pena começar o ano com <strong><em>Acompanhante Perfeit</em><em>a</em></strong>.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Drew Hancock</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Sophie Thatcher, Jack Quaid, Lukas Gage, Megan Suri, Harvey Guillén e Rupert Friend</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/vlYE15g_ZjQ?si=5bqjiVi1yR7GHmy3" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Coringa &#8211; Delírio a Dois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 14:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou hype. Tendo isso em mente, Coringa: Delírio a Dois é um ótimo exemplo do que Hollywood ama [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa-delirio-a-dois/">Crítica: Coringa &#8211; Delírio a Dois</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou <em>hype</em>. Tendo isso em mente, <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> é um ótimo exemplo do que Hollywood ama produzir: enlatados sem sentido ou propósito para arrecadar mais alguns milhões de dólares.</p>
<p>O filme é, do início ao fim, um desperdício de tempo e esforço criativo dos envolvidos. E, para agravar ainda mais a situação, a continuação ainda desmerece toda a força dialética do seu antecessor. É claro que a experiência do cinema é algo individual e de momento e essa insatisfação descrita pode parecer pessoal, mas vai além disso. <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> soa como uma explicação que ninguém pediu sobre o longa de 2019. A narrativa, que estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros, apenas surfa na onda do sucesso que o primeiro projeto teve e vive com ajuda de aparelhos durante seus 138 minutos.</p>
<p>Nem mesmo a atuação oscarizada de Joaquin Phoenix (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>, de 2019) ou a presença magnética de Lady Gaga (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casa-gucci/"><em>Casa Gucci</em></a>, de 2021) em cena como a Lee Quinzel são capazes de salvar esse navio afundando. Não há nada que sustente <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> e o justifique. A fotografia comandada por Lawrence Sher (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adao-negro/"><em>Adão Negro</em></a>, de 2022) e a arte, por Mark Friedberg (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-baleia/"><em>A Baleia</em></a>, de 2022), são outros pontos altos na produção que também não conseguem sustentar um roteiro sofrível. Não existe um ponto da produção que não seja afetado por esse texto sem fôlego e força.</p>
<p>O retorno da co-escrita entre Scott Silver e Todd Phillips não teve os mesmos frutos que no longa de 2019. Dessa vez eles se perderam em sua própria história, numa missão suicida de fazer da sequência uma grande explicação para suas escolhas brilhantes do primeiro filme. Na época do lançamento do filme sobre o icônico vilão do Batman, muito se falou sobre os perigos da &#8216;mensagem&#8217; do filme de Todd. Até mesmo a polícia ficou de prontidão em alguns cinemas com medo do projeto gerar reações extremas do público &#8211; coisa que não aconteceu. E parece que <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> veio como uma resposta a isso<em><strong>.</strong></em></p>
<p>A sensação que fica ao final da sessão é que a continuação é um pedido de desculpas para todos que criticaram a suposta &#8216;mensagem&#8217; de <strong><em>Coringa (2019)</em></strong>. O texto nada mais é do que um mastigar do primeiro filme, com o claro objetivo de justificar cada uma das escolhas feitas para o antecessor, tornando <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> uma carta aberta que não deixa dúvidas sobre suas intenções. O que havia de narrativamente incendiário no primeiro longa se perde. O que teve de novidade ficou para trás. E o que resta ao público é uma enfadonha história que questiona a inteligência do espectador e que vive pelas migalhas do que foi <strong><em>Coringa</em></strong>.</p>
<figure id="attachment_18771" aria-describedby="caption-attachment-18771" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-18771" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg" alt="Coringa - Loucura a Dois (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1.jpg 1011w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18771" class="wp-caption-text">Joaquin Phoenix em cena de &#8216;Coringa &#8211; Loucura a Dois (2024)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ironicamente, o que mais preocupava o público de uma forma geral era o enquadramento que Phillips daria às cenas musicais em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>. Muito se especulou, criticou e questionou essa escolha, mas ela é uma das melhores feitas no novo filme. Diria até que é um dos poucos (se não o único) acerto de novidade trazida para o novo projeto. A música sempre foi um elenco presente no primeiro filme, que sempre esteve associado aos momentos de maior delírio do personagem-título. Tendo isso claro, é possível entender a progressão que é feita na sequência com a expansão desse elenco que já era vital.</p>
<p>Em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>, a música se torna um elemento mais presente e vivo em cena. Além disso, a música demarca esse outro sentimento do personagem principal: o amor por sua parceira do crime. Ainda que no plano da imaginação, as cenas musicais entram como uma forma de visualização do que se passa na mente perturbada do personagem de Phoenix. Dos momentos astairianos aos lalalandianos, as cenas musicais do roteiro prestam uma homenagem a esse tipo de cinema hollywoodiano, ao mesmo tempo que criam um artifício narrativo interessantíssimo.</p>
<p>Para além de uma homenagem ao gênero cinematográfico, as cenas musicais também dizem respeito ao que se passa na mente de Arthur Fleck. Do amor aos delírios de grandeza até chegar no medo da traição. Esse trânsito imaginativo composto pelas músicas consegue materializar um vislumbre do que havia de criativo e interesse no primeiro filme. Ele é capaz de compor uma complexidade em um roteiro tediosamente didático e verborrágico. Talvez, o último flash de esperança criativa em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> esteja nessas cenas, que foram vastamente criticadas durante a produção do filme.</p>
<p>Para tristeza de muitos, a sequência será uma decepção. Desde seu lançamento no Festival de Veneza que o longa divide opiniões entre a crítica e deve seguir por esse caminho. Ainda assim, o fôlego desse filme não deve alcançar o do seu antecessor. O longa será uma surpresa para muitos. Surpreenderá com as cenas musicais fazendo sentido e sendo um respiro na mediocridade que rodeia o filme e, da mesma forma, surpreenderá por ser uma decepção tamanha por outros motivos que não essa escolha estética das músicas. A vida útil de <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> parece ter prazo de validade &#8211; e ele não deve estar longe de vencer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Lady Gaga, Brendan Gleeson, Catherine Keener e Zazie Beetz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/exeVIM3j3y0?si=61zbjjjSpi96XN9V" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Fuja</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Dec 2020 12:46:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Aneesh Chaganty]]></category>
		<category><![CDATA[Carter Heintz]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Erik Athavale]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nova produção lançada pela Hulu e estrelada por Sarah Paulson (Oito Mulheres e um Segredo) Fuja é um thriller/terror de tirar o fôlego! Com uma destreza em criar uma progressão dentro da narrativa, Aneesh Chaganty (Monsters) e Sev Ohanian (Buscando&#8230;) demonstram cuidado em revelar, lentamente, as ações tenebrosas de Diane Sherman (Paulson). O espectador primeiro é ambientado naquela rotina, aparentemente, tranquila de Diane e sua filha, Chloe (Kiera Allen). Logo no início, é anunciado que Sherman deu a luz a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Nova produção lançada pela Hulu e estrelada por Sarah Paulson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-oito-mulheres-e-um-segredo/"><em>Oito Mulheres e um Segredo</em></a>) <strong><em>Fuja</em> </strong>é um thriller/terror de tirar o fôlego! Com uma destreza em criar uma progressão dentro da narrativa, Aneesh Chaganty (<em>Monsters</em>) e Sev Ohanian (<em>Buscando&#8230;</em>) demonstram cuidado em revelar, lentamente, as ações tenebrosas de Diane Sherman (Paulson). O espectador primeiro é ambientado naquela rotina, aparentemente, tranquila de Diane e sua filha, Chloe (Kiera Allen).</p>
<p>Logo no início, é anunciado que Sherman deu a luz a um bebê que nasceu prematuro e com complicações. Em seguida, vê-se a rotina de Chloe, uma adolescente que, teoricamente, tem diversas questões de saúde, como asma e diabetes, além de ser pessoa com deficiência e possuir um espaço todo adaptado, por conta disto. Ela vive em uma rotina regrada, consumindo muitas medicações. Passado, majoritariamente, na casa das duas, o ambiente começa com uma iluminação e elementos de cena mais sutis, com tons terrosos e amarelados. Estas cores também aparecem em Diane e Chloe, que estão sempre combinando as paletas em suas vestes.</p>
<p>A harmonia da dupla vai sendo quebrada em <strong><em>Fuja</em></strong>, à medida em a jovem vai descobrindo quem é sua mãe de verdade. Além disso, o local passa a se transformar em um ambiente claustrofóbico, imprimindo a noção de que é muito mais do que uma residência comum e sim uma prisão. Isto é feito através da direção de Chaganty, que traz planos que vão se fechando e em panorâmicas que acompanham os passos de Paulson, evocando esta ideia de que ela está sempre rondando a filha. As movimentações de câmera trabalham em função desta construção de atmosfera sufocante e apavorante. Diane, por exemplo, é posta ao fundo da tela, em algumas ocasiões, para elevar esta sua imagem de <em>stalker</em>.</p>
<p>As atuações de Sarah Paulson e Kiera Allen também são fundamentais para o estabelecimento de tensão e da construção desta relação tão intensa. Isto porque boa parte do filme se faz na relação entre Diane e Chloe, na confiança previamente adquirida e, agora, quebrada. Neste contexto, Sarah encontra um papel que se encaixa perfeitamente com sua habilidade de demonstrar múltiplas emoções em poucos segundos. As suas expressões faciais são arquitetadas para imprimir esta figura manipuladora, que finge ser outra, mas que se transfigura em uma mulher assustadora, de repente.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13563" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Fuja" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1380924.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Já Kiera, surpreende por este ser seu primeiro trabalho em um longa-metragem. Ela carrega consigo uma forte consciência espacial, sabendo como se movimentar em cena. Allen também demonstra compreender as motivações de Chloe e isto se traduz em suas intenções de texto. Mas, o ponto mais forte está na contracena dela com Paulson. Ambas jogam de maneira certeira em <em><strong>Fuja</strong> </em>e elevam as propostas uma da outra. O ápice disto é a sequência do porão, na qual as nuances de entonação, olhares e gestos se tornam mais complexos, principalmente pelas escolhas de velocidade das palavras, respirações e silêncios.</p>
<p>No entanto, apesar de ter bastantes elementos positivos durante quase toda projeção, do início terceiro ato da produção em diante, a qualidade da obra vai caindo. Talvez, fosse necessário existir um pouco mais do que 90 minutos de duração para que o arco do relacionamento das duas fosse concluído. Algumas informações que são colocadas, a partir do confronto delas, acabam ficando soltas e sem conclusão, como o fato de Chloe ter pais biológicos que a perderam ainda na maternidade.</p>
<p>A solução não precisaria ser necessariamente encaminhada para este rumo, porém os desenlaces chegam fáceis e desfazem a riqueza da sutileza da progressão ali presente.  Outro fator incômodo é a cena final. A troca de posição entre Diane e Chloe parece mais algo que busca acrescentar outra camada para a dinâmica entre elas. No entanto, esta sequência acaba reduzindo o impactado da conclusão do conflito.</p>
<p>Apesar destas falhas, <strong><em>Fuja</em> </strong>é um material coeso, em grande parte. Com méritos de roteiro, atuações e direção, vale a pena conferi-lo. Além de tudo isso, é importante destacar a escolha da protagonista, feita por Aneesh Chaganty. Kiera Allen deixa a sensação de um futuro promissor na área, demonstrando como os cineastas e Hollywood podem ser menos capacitistas e contratarem pessoas com deficiência para ocuparem diversas funções no set. Com certeza, muitos talentos estão por aí!</p>
<p><strong>Direção</strong>: Aneesh Chaganty</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Sarah Paulson, Kiera Allen, Onalee Ames, Pat Healy, Carter Heintz, Erik Athavale</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/Y0-RFZDmycQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Corra!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 May 2017 19:12:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Corra]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Jordan Peele]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Corra!</em> é um dos melhores filmes do ano até o momento, sem dúvida. Tenso do começo ao fim, o diretor consegue segurar a atenção do espectador com uma história impressionante e envolvente, que deixa qualquer um de cabelo em pé. Além de ser um excelente thriller, traz uma reflexão importante e contundente sobre a questão do racismo velado e a superioridade racial.</p>
<p>Chris é um jovem negro que se vê tendo que conhecer a família de sua namorada branca. Ele fica receoso pois eles não sabem de sua cor, mas é acalmado pela moça, que faz questão de dizer que sua família não tem problema com isso. Ao chegar na casa dos sogros, Chris começa a perceber comportamentos estranhos por parte dos funcionários, que são todos negros. Neste fim de semana em questão, acontecerá uma festa da família, e o rapaz será apresentado para todos.</p>
<p>A evolução da narrativa do filme é um de seus pontos mais altos, definitivamente. O ritmo é constante e intrigante, mantendo o espectador atento, mas sem fazer uso de picos de emoção. Tudo vai crescendo gradativamente, culminando num final espetacular. Isso não faz com que o filme seja monótono. Muito pelo contrário! Torna o enredo ainda mais interessante e mantém o suspense constante no ar.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-7655" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/05/emZPptKwTzlMmYcjlTvVVHmOAac.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>O diretor Jordan Peele, mais conhecido por seus trabalhos de comédia, consegue manter a tensão e suavizar a situação do espectador ao mesmo tempo. É possível rir em muitos momentos, mas está mais para um riso de desespero, o que ajuda a manter e criar ainda mais tensão. O cineasta nos apresenta, inclusive, um outro lado de trabalho muito eficiente e que certamente ele deveria apostar mais.</p>
<p>Daniel Kaluuya interpreta Chris e o faz muito bem. Ele consegue equilibrar a tentativa do personagem de se manter tranquilo e o desespero que vai crescendo dentro de si, ao mesmo tempo. Ele faz uma boa dupla com a novata Allison Williams, que faz sua estreia no cinema. Aliás, o elenco como um todo é bastante coerente e bem selecionado.</p>
<p>Não tem como falar muito do filme sem revelar um ou outro spoiler. E como se trata de um longa de suspense pesado, prefiro me privar de certos comentários para que o leitor curta cada momento da sessão. O que vale dizer é que <em>Corra!</em> é um excelente filme e que marca qualquer espectador. Definitivamente não será daqueles que passam despercebidos pela multidão e traz aspectos fundamentais para reflexão.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/mDGV5UucTu8" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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