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	<title>Arquivos Ryan Gosling - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Ryan Gosling - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: O Dublê</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Apr 2024 19:55:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Depois do fenômeno do Barbenheimer, Ryan Gosling (O Primeiro Homem, de 2018, e Barbie, de 2023) e Emily Blunt (O Retorno de Mary Poppins, de 2018, e Oppenheimer, de 2023) passaram a pleitear espaço nas mídias para o seu próximo trabalho, dessa vez juntos. Com seus nomes mais em alta do que nunca, a dupla de intérpretes estrela O Dublê, o novo longa-metragem do diretor David Leitch (Velozes e Furiosos: Hobbs &#38; Shaw, de 2019, e Trem-Bala, de 2022), levemente [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Depois do fenômeno do Barbenheimer, Ryan Gosling (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-primeiro-homem/"><i><span style="font-weight: 400;">O Primeiro Homem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2018, e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-barbie/"><i><span style="font-weight: 400;">Barbie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2023) e Emily Blunt (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-retorno-de-mary-poppins/"><i><span style="font-weight: 400;">O Retorno de Mary Poppins</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2018, e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-oppenheimer/"><i><span style="font-weight: 400;">Oppenheimer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2023) passaram a pleitear espaço nas mídias para o seu próximo trabalho, dessa vez juntos. Com seus nomes mais em alta do que nunca, a dupla de intérpretes estrela </span><b><i>O Dublê</i></b><span style="font-weight: 400;">, o novo longa-metragem do diretor David Leitch (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-velozes-e-furiosos-hobbs-shaw/"><i><span style="font-weight: 400;">Velozes e Furiosos: Hobbs &amp; Shaw</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2019, e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-trem-bala/"><i><span style="font-weight: 400;">Trem-Bala</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2022), levemente inspirada na série de TV de mesmo nome dos anos 1980. O filme chega aos cinemas nesta quinta-feira (2) como uma promessa de ser um dos maiores sucessos de ação do ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do burburinho do projeto que surge por conta de suas estrelas, ainda há algo de muito pessoal sobre o longa para o diretor. Além de cineasta e ator, David também é coordenador de dublê e performer nesse setor. Ou seja, </span><b><i>O Dublê</i></b><span style="font-weight: 400;"> tem uma força pessoal sobre enaltecer um dos departamentos negligenciados quando se pensa na indústria de Hollywood. Com isso, o filme é uma viagem intensa e cômica tanto no universo do trabalho dos dublês, como na própria arte de se fazer cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><b><i>O Dublê</i></b><span style="font-weight: 400;">, Colt Seavers (Gosling) é um dublê de ação que se vê metido numa confusão gigantesca. Enquanto ele tenta reatar sua paixão com a diretora estreante Jody Moreno (Blunt), Colt  investiga o desaparecimento da estrela do filme de sua amada, o famoso ator Tom Ryder (Aaron Taylor-Johnson). O problema é que ele precisa fazer tudo isso em segredo, na esperança de salvar o primeiro filme de Jody antes que descubram que o ator sumiu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os trailers, as entrevistas e tudo mais que se sabe da produção antes de assistí-la, indica que o público está indo para uma sessão de algo que se assemelha a uma versão mais família de </span><i><span style="font-weight: 400;">Trem-Bala (2022)</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dois-caras-legais/"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Caras Legais (2016)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou uma mistura dos dois. O resultado de </span><b><i>O Dublê</i></b><span style="font-weight: 400;"> é, no entanto, algo ainda mais satisfatório. Mesmo que fosse um mix entre os dois longas &#8211; um deles estrelados também pelo Gosling -, o novo filme de David Leitch já seria interessante e engraçado o suficiente para fazer uma arrecadação interessante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que o roteiro de Drew Pearce (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-hotel-artemis/"><i><span style="font-weight: 400;">Hotel Artemis</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2018) entrega ao espectador, contudo, é algo infinitamente melhor do que se poderia imaginar. </span><b><i>O Dublê</i></b><span style="font-weight: 400;"> tem uma energia similar a de </span><i><span style="font-weight: 400;">As Panteras</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 2000. Abraçando o exagero, o humor sem amarras e ainda adicionando o mundo do cinema em sua estrutura, a produção é um mergulho no que há de melhor na filmografia do diretor e do roteirista, além de ter a dupla de protagonistas fazendo algo que ambos brilham, que é comédia.</span></p>
<figure id="attachment_18025" aria-describedby="caption-attachment-18025" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-18025" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/O-Duble-2-750x500.jpg" alt="O Dublê (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/O-Duble-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/O-Duble-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/O-Duble-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/O-Duble-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/04/O-Duble-2.jpg 1125w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18025" class="wp-caption-text">Ryan Gosling e Emily Blunt em cena de &#8216;O Dublê&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p><b><i>O Dublê</i></b><span style="font-weight: 400;"> é simplesmente um caldeirão de referências, piadas e cenas de ação monumentais que resultam num filme surpreendentemente divertido. É um encontro entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Missão: Impossível (1996-)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Chumbo Grosso (2007)</span></i><span style="font-weight: 400;">. É um roteiro que não tem medo de ser exagerado quando precisa. Além disso, o texto é recheado de autorreferências e brincadeiras sobre o fazer cinema e alguns filmes bem conhecidos do público &#8211; incluindo uma constante e hilária sátira a odisseia espacial de Dennis Villeneuve (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2021, e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna: Parte 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2023).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco é outro ponto alto de </span><b><i>O Dublê</i></b><span style="font-weight: 400;">. Parece que ele foi escolhido a dedo. Ryan Gosling está no tipo de papel que nasceu pra fazer. Ele brilha como ninguém em comédias, especialmente quando essas têm camadas que permitem que o ator possa brincar com o roteiro. Emily Blunt completa a realeza desse relacionamento em tela que, ainda que não soubéssemos, era o que o público mais precisava. Também é preciso parabenizar os trabalhos de Hannah Waddingham (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-abracadabra-2/"><i><span style="font-weight: 400;">Abracadabra 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2022) e Winston Duke (</span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-pantera-negra/">Pantera Negra 1</a> e 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2018 e 2022) que também brilham no filme e arrematam o público com momentos divertidíssimos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa explosão de sentimentos e diversidade de gêneros é a força de </span><b><i>O Dublê</i></b><span style="font-weight: 400;">. Ele é um filme de ação ao mesmo tempo que é de comédia e de suspense. O roteiro consegue misturar os três bem e é coeso o suficiente para não perder o público, mesmo que às vezes brinque com os limites do crível ou exagerado. Mas isso faz parte do show. Essa é a essência do projeto e, provavelmente, vai ser isso e seus nomes estelares que farão deste um projeto extremamente lucrativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E assim a narrativa de </span><b><i>O Dublê</i></b><span style="font-weight: 400;"> entrega tudo o que o espectador quer: romance, drama, ação, aventura e mistério. Tudo isso com direito a um vislumbre do que é a arte de fazer cinema &#8211; sem falar nas constantes referências visuais, sonoras e de discurso a outros sucessos da telona. É um filme para família que diverte até a barriga doer, mas não perde a qualidade e nem se coloca menor do que nenhum outro filme. E, quem sabe, o longa pode até chegar a temporada de premiação com direito a algumas nomeações.</span></p>
<p><strong>Direção:</strong> David Leitch</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Ryan Gosling, Emily Blunt, Aaron Taylor-Johnson, Hannah Waddingham, Teresa Palmer, Stephanie Hsu e Winston Duke</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/3ArnMu7JKyU?si=DZEZoMRE7lx7nJZL" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Barbie</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jul 2023 20:34:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Barbie finalmente chegou aos cinemas e eu falo com tranquilidade que é um dos filmes mais esperados dos últimos tempos. O hype em cima do longa só fez crescer as expectativas, com as marcas aproveitando o momento para fazer coleções exclusivas, cheias de rosa, com direito até a maionese de hambúrguer pink e, porque não, acarajé rosa. Toda essa euforia com o longa, claro, tinha motivo, já que o marketing foi tão bem feito que as pessoas estavam ansiosas por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Barbie</strong> </em>finalmente chegou aos cinemas e eu falo com tranquilidade que é um dos filmes mais esperados dos últimos tempos. O hype em cima do longa só fez crescer as expectativas, com as marcas aproveitando o momento para fazer coleções exclusivas, cheias de rosa, com direito até a maionese de hambúrguer pink e, porque não, acarajé rosa. Toda essa euforia com o longa, claro, tinha motivo, já que o marketing foi tão bem feito que as pessoas estavam ansiosas por algo que não sabiam nem exatamente o que esperar. Só sabíamos do roteiro de maneira mais ampla.</p>
<p>Fico profundamente feliz em dizer que <em><strong>Barbie</strong> </em>vale toda a expectativa que foi criada. O filme é simplesmente primoroso em todos os detalhes. Começamos com o mundo encantado da Barbielândia, onde todas as bonecas vivem harmoniosamente, como num conto de fadas. Lá são as mulheres que dominam, como um grande matriarcado utópico. Elas têm a certeza de que inspiraram meninas e mulheres do mundo real a serem mais fortes e lutarem por seus objetivos.</p>
<p>As coisas começam a dar errado quando a Barbie Estereotipada (Margot Robbie, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-babilonia/"><em>Babilônia</em></a>) começa a apresentar alguns defeitos. No desespero, ela recorre à Barbie Esquisita (Kate McKinnon, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-escandalo/"><em>O Escândalo</em></a>), que sugere que ela faça uma viagem para o mundo real e resolva o problema diretamente com a sua humana responsável. No meio do caminho, o Ken (Ryan Gosling, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><em>Blade Runner 2049</em></a>) se esconde em seu carro e decide ir junto com ela.</p>
<p>Uma premissa muito simples que vai sendo bem trabalhada desde o início. As nuances dos detalhes mostram como a boneca funciona num mundo imaginário, não apenas porque ela toma banho em um chuveiro que não cai água ou sai flutuando de seu quarto até o carro (como acontece nas brincadeiras com a boneca na vida real), mas também porque a distopia de um mundo que não oprime as mulheres é tão surreal quanto parece.</p>
<p>O roteiro, que conta não apenas com a diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/"><em>Adoráveis Mulheres</em></a>), como também com Noah Baumbach (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>) traz uma melancolia discreta sobre o quão incríveis as mulheres poderiam ser num mundo onde o patriarcado não minasse suas expectativas e possibilidades. Rimos muito ao longo de todo o filme, mas sempre ficamos na dúvida se é uma risada nervosa ou despretensiosa. O tom de acidez é na dosagem certeza, trazendo sempre aquele amargor adocicado da realidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16931" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542.jpg" alt="Barbie" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Lidar com o mundo real foi um grande choque para a Barbie, descobrindo que as mulheres não são respeitadas nem ouvidas. Isso a faz sucumbir em emoções e sentimentos que nunca vivenciou anteriormente, fazendo-se questionamentos sobre o propósito da vida e qual seria o seu papel ali. Em meio a essa crise existencial profunda, o Ken, que é apenas o acessório em Barbielândia e vive em função da sua boneca, começa a usufruir daquele patriarcado onde qualquer homem sem qualidades consegue se destacar. Ele, que é um nada, vê naquilo uma esperança.</p>
<p>O filme mostra constantemente como a vida é extremamente fácil e benevolente para os homens, enquanto as mulheres precisam se desdobrar em mil e não ter nem o espaço ou reconhecimento pelo esforço. A boneca Barbie entra como uma possibilidade que foi completamente deturpada pela empresa que a detém, a Mattel (muito criticada no longa). A criadora original Ruth fala sobre a sua intenção por trás da boneca e como as coisas não saíram como esperado, justamente por conta dos homens.</p>
<p><strong><em>Barbie</em> </strong>é um filme que se aprofunda nas sutilezas de seu tema, tocando detalhes do quanto o patriarcado é nocivo para as mulheres, de uma maneira tão íntima que apenas nós mesmas vamos perceber. Definitivamente é um longa que vai funcionar diferente para cada gênero. Ainda que o homem comum possa se compadecer de toda aquela situação, ele certamente vai perder várias alfinetadas, pelo simples fato de que aquilo não o afeta em nada.</p>
<p>Alfinetadas essas que definem a trama da personagem a todo momento, nos levando do riso ao choro, sem que a gente seja nem avisado. O roteiro é impecável, a execução é primorosa e toda a expectativa que eu tinha sobre o longa foi cumprida para mais. Poucos filmes me fazem ter a sensação de que são incríveis ainda durante a sessão. E esse foi um deles. E pensar que uma boneca tão estereotipada como a Barbie pudesse render um filme altamente feminista, não é?</p>
<p>Como um soco no estômago leve, engraçadinho e muito rosa, <strong><em>Barbie</em> </strong>transcende a expectativa de que é apenas um hype blockbuster criado para vender merchandising. Acredito inclusive, que essa foi uma jogada muito estratégica e inteligente de Greta para vender mais o filme, fazer mais pessoas assistirem e ela tentar disseminar ainda mais a sua mensagem. O mundo pode ser das mulheres, sim. Mas é preciso um longo e doloroso processo de transformação para que tudo seja mudado a ponto de termos, no mínimo, um equilíbrio.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Margot Robbie, Ryan Gosling, America Ferrera, Ariana Greenblatt, Simu Liu, Kingsley Ben-Adir, Issa Rae, Michael Cera, Emma Mackey, Will Ferrell, Dua Lipa, Hellen Mirren, Ncuti Gatwa, Kate McKinnon, John Cena</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lwZTCYst6yw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Agente Oculto (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Aug 2022 21:19:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É tudo muito pop em Agente Oculto! Seja por seu elenco cheio de figurinhas comumente vistas em Hollywood &#8211; como Ryan Gosling, Chris Evans ou a Ana de Armas-, pela direção dos Irmãos Russo (Vingadores: Ultimato) ou por ser da Netflix, esta é uma produção que quer fazer honra ao seu estrelato e ser cool em cada minuto de sua projeção. Aí, é só chamar o Herry Jackman (Jumanji: Próxima Fase) para trazer uma junção de músicas eletrizantes, colocar menos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>É tudo muito pop em <strong><em>Agente Oculto</em></strong>! Seja por seu elenco cheio de figurinhas comumente vistas em Hollywood &#8211; como Ryan Gosling, Chris Evans ou a Ana de Armas-, pela direção dos Irmãos Russo (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato</em></a>) ou por ser da Netflix, esta é uma produção que quer fazer honra ao seu estrelato e ser cool em cada minuto de sua projeção. Aí, é só chamar o Herry Jackman (<em>Jumanji: Próxima Fase</em>) para trazer uma junção de músicas eletrizantes, colocar menos de um segundo para cada plano e transformar um elenco super expressivo fora dali em um nível Keanu Reeves de atuação e se tem o pacote completo deste filme.</p>
<p>E o que isso quer dizer? A primeira coisa que se pode falar é que a maior parte do elenco não consegue imprimir uma emoção na expressão facial. Os textos são ditos de forma mecânica, quase robótica. A única exceção, talvez, seja Wagner Moura (<em>Cidade Baixa</em>), que faz uma pequena participação como Laszlo. Mas, isto não quer dizer que ele estava bem, pelo contrário. Fugindo da neutralidade de sentimentos, Moura vai para a outra ponta e carrega nas tintas. Laszlo é cheio de trejeitos corporais e uma entonação exagerada. Essa característica do <em>casting</em> afasta uma conexão com o público, porém este não é o ponto mais difícil de lidar durante a projeção.</p>
<p>Algumas vezes, circula por aí uma ideia de que filmes de ação precisam ser cobertos de correria e adrenalina. Essa noção está impregnada neste longa-metragem. Não existem respiros aqui e isso acaba deixando a tarefa de torcer pelo protagonista Six (Gosling) muito mais complicada. Nesse sentido, as sequências mais intensas de suspense e luta são as que mais funcionam, justamente porque é onde o esmero e o talento dos envolvidos parecem estar. As movimentações de câmera, os efeitos especiais e as coreografias se juntam para causar uma sensação de falta de ar em que assiste.</p>
<p>Os movimentos corporais dos intérpretes, principalmente Gosling, são precisos e deixam que o público consiga fruir com atenção cada soco, chute, empurrão etc. No entanto, a tensão evapora se o público não se importar com a vida dos mocinhos. Se Gosling não consegue sustentar o seu carisma nesta personagem inexpressiva, de Armas menos ainda. É irritante como ela ocupa uma posição no cinema daquela mulher que quase consegue fazer alguma coisa. É como se ela sempre pudesse salvar o dia, mas ninguém vê isso acontecendo e ela acaba se tornando uma sidekick genérica.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15844" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1.jpg" alt="Agente Oculto" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/08/Imagem-1-do-filme-Agente-oculto-scaled-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Em <strong><em>Agente Oculto</em></strong> não é diferente e ela se torna tão irrelevante para a trama que é possível esquecer dela em vários momentos da narrativa. Já os supostos vilões são Carmichael (Regé-Jean Page) e Llyod (Chris Evans). O primeiro não ganha espaço de tela o suficientemente para que possa desenvolver seu papel, mas, até onde é mostrado, também não apresenta camadas, é insosso e suas motivações são aleatórias. Já Llyod é o pior de todos. Evans conseguiu a proeza de ser caricato e inexpressivo ao mesmo tempo. Além disso, as atitudes de Llyod, mesmo ele sendo totalmente perturbado mentalmente, não fazem sentido algum.</p>
<p>Quem invadiria a cidade de Praga e mandaria todo mundo sair atirando? Até mesmo dentro da história esta ideia estapafúrdia é comentada, mas, mesmo assim, há um ponto contraditório neste ato, porque Llyod é introduzido como um louco, mas um louco que apresenta resultados. Inicialmente, ele parece minimamente esperto e sagaz, porém, ao passo em que a trama avança, ele vai piorando e, no final do longa, já não parece a mesma personagem. De assustador, ele começa a soar como um mero sanguinolento com ausência de inteligência. Isso só funcionaria se existe um arco dramático para que ele pudesse ir se transformando, mas não é o que ocorre aqui.</p>
<p>Desta forma, <strong><em>Agente Oculto</em></strong> é cansativo, contando apenas com alguns momentos de diversão, como toda a sequência com a ex-detetive Margaret (Alfre Woodard). Ela ganha poucas cenas, mas que é uma das poucas figuras que o público pode se sentir próximo. Esta é uma coisa curiosa, na verdade. Porque mesmo com breves minutos, há um impacto no sacrifício dela e somente duas coisas explicam esta força: a atuação de Woodard e um flashback dela, que é o único que funciona, porque consegue amarrar passado e presente de tal maneira que é emocionante acompanhar o que ocorre com Margaret.</p>
<p>No mais, a obra poderia ser, de repente, um videoclipe? Com takes cheios de movimentos absurdos de câmera e Ryan Gosling performando masculinidade tóxica, sem mexer uma sobrancelha, esta é produção esquecível.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joe e Anthony Russo</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Ryan Gosling, Chris Evans, Ana de Armas, Regé-Jean Page</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/bsRwoMfiQI8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: O Primeiro Homem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Oct 2018 16:04:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Damien Chazelle]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[O Primeiro Homem]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Gosling]]></category>
		<category><![CDATA[Trailer]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A tecnologia tem acompanhado a evolução do cinema desde o princípio. Da invenção do vitafone – a qual proporcionou o cinema falado – até as interações sensoriais a partir dos filmes 3D e 4D e das salas IMAX. A existência dessas possibilidades deu as tramas uma nova ferramenta. A trilha sonora, por exemplo, consegue se tornar uma personagem a parte que pode conduzir o espectador para qualquer que seja a direção desejada pela produção. Gêneros como ação e terror usam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A tecnologia tem acompanhado a evolução do cinema desde o princípio. Da invenção do vitafone – a qual proporcionou o cinema falado – até as interações sensoriais a partir dos filmes 3D e 4D e das salas IMAX. A existência dessas possibilidades deu as tramas uma nova ferramenta. A trilha sonora, por exemplo, consegue se tornar uma personagem a parte que pode conduzir o espectador para qualquer que seja a direção desejada pela produção. Gêneros como ação e terror usam bastante dessa potencialização do som como peça-chave em suas narrativas.</p>
<p>Em seu quarto trabalho como diretor, Damien Chazelle (<em>Whiplash</em>, de 2014, e <em>La La Land</em>, de 2016) leva o público para uma jornada biográfica. <em><strong>O Primeiro Homem</strong></em> é uma adaptação do livro <em>First Man: The Life of Neil A. Armstrong</em> escrito por James A. Hansen que, através da essência fílmica de Chazelle, conta a jornada de Neil até o dia que ele entrou para a história como o primeiro homem a pisar na lua. A partir de uma nova perspectiva, a história sobre essa façanha da humanidade é retratada como nunca antes. Com toda a força sonora e as mais emocionantes tomadas – fatores comuns aos longas do diretor – o público se deleita com o que há de mais belo em sua existência: o universo.</p>
<p>Neil Armstrong (Ryan Gosling) mergulha de cabeça na corrida espacial. Participar desse projeto governamental tão importante e perigoso não será nada fácil. Todas as perdas e sacrifícios em torno de sua vida levarão Neil a uma das jornadas mais complexas de humanidade. Entre deixar a família para embarcar nessa viagem e se tornar o primeiro homem a pisar na lua, o astronauta viverá todos os retrocessos e problemas antes de alcançar o sucesso que foi a missão Apollo 11 de 1969.</p>
<p>O talento de Damien Chazelle é algo indiscutível. O diretor, roteirista e produtor americano de apenas 33 anos já deixou a sua marca na sétima arte. A sua singularidade ao comandar alguma produção se explicita de diversas maneiras. O fator musical como uma personagem extra de todas as suas tramas; o cuidado estético com a fotografia e as sequências em plano aberto; e as referências afetuosas ao seu tipo de cinema. Tudo isso faz com que o jovem Chazelle seja um gênio em Hollywood. Desde a sua segunda película que o mundo não tira os olhos dos seus trabalhos. E agora, com uma cinebiografia sobre Armstrong, mais louros serão dados para consagrar o brilhantismo do diretor.</p>
<p><img decoding="async" class="size-full wp-image-9453 aligncenter" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2018/10/2810598.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="filme o primeiro homem" width="610" height="348" /></p>
<p>Tendo como base o livro de Hansen, o roteirista Josh Singer (<em>Spotlight &#8211; Segredos Revelados</em>, de 2015) constrói uma narrativa interessante sobre a jornada do primeiro homem a pisar na lua. A partir de um olhar mais focado no emocional de Neil e em suas questões pessoais, o espectador presenciará uma emocionante aventura espacial contada de uma forma jamais vista. E para auxiliar as possibilidades desse roteiro, o trabalho do diretor de fotografia, Linus Sandgren (<em>La La Land</em>), é essencial. A sua sensibilidade e concepção estética acrescentam ainda mais vida à película e resultam em lindas imagens – como a visão de Armstrong na lua.</p>
<p>A conclusão do time que faz desse projeto algo artisticamente fenomenal é um velho conhecido e parceiro de Chazelle. O compositor Justin Hurwitz – o qual compôs todas as trilhas dos longas de Damien – emplaca mais uma obra-prima sonora. O trabalho de Hurwitz eleva todos os elementos cinematográficos para outro patamar. Não existem palavras possíveis de descrever o quão impactante é a trilha sonora nesse filme.</p>
<p>Uma das coisas mais interessantes sobre esse longa-metragem é a forma como ele é conduzido. Apesar da existência de um elenco relativamente extenso, a narrativa é administrada por duas personagens. Tal façanha já se mostrou como uma outra característica de Damien Chazelle. Dessa vez as protagonistas são vividas por Ryan Gosling (<em>Drive</em>, de 2011) e Claire Foy (<em>The Crown</em>, desde 2016). Ryan, que já estrelou outro longa do diretor, dá a sua melhor performance da vida. Ele entrega ao público um Neil introspectivo e cheio de cicatrizes do passado. Toda essa profundidade da personagem permite que Gosling mostre o seu verdadeiro valor como ator.</p>
<p>Sua parceira de cena e esposa na história, teve finalmente a sua chance de brilhar nas telonas. A brilhante atriz inglesa ganhou com Janet – nome de sua personagem – o momento de mostrar para o mundo que ela sabe fazer muito mais do que uma fantástica rainha Elizabeth II. Um dos momentos mais poderosos da trama é, inclusive, conduzido pelo confronto da personagem de Foy com a de Gosling.</p>
<p>A união de todos esses elementos resulta em uma produção que a Universal Pictures tem muito que se orgulhar. A narrativa é completa e não deixa margem alguma para críticas. Um trabalho verdadeiramente magnífico. Chazelle conseguiu unir todas as suas características de diretor com uma equipe perfeita, permitindo que a sua visão ganhasse vida da melhor forma. A sensibilidade sensorial que <em>First Man</em> (título original) utiliza como pilar da narrativa foi brilhantemente construída através da junção das mentes de Chazelle, Singer, Sandgren e Hurwitz. Esta é uma película que deixará o público com sequências tatuadas na memória. O olhar das pessoas para o espaço nunca mais será o mesmo.</p>
<p><strong>Assista ao <a href="https://coisadecinefilo.com.br/tag/trailer/">trailer</a>!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/IHuQSTPQY6E" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Blade Runner 2049</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Oct 2017 23:39:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Blade Runner 2049]]></category>
		<category><![CDATA[Denis Villeneuve]]></category>
		<category><![CDATA[Harrison Ford]]></category>
		<category><![CDATA[Jared Leto]]></category>
		<category><![CDATA[Robin Wright]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Gosling]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É difícil criar uma continuação com tanta coisa a dizer, marcada por muita personalidade, mas também fidelidade ao original, como Blade Runner 2049, sobretudo quando seu antecessor é um filme como Blade Runner, de 1982, dirigido por Ridley Scott, a partir de um roteiro de Hampton Fancher e David Webb Peoples que adapta um romance de Philip K. Dick. Blade Runner era um sci-fi que fugia dessa urgência de estabelecer franquias seriadas que o cinema de estúdio hoje em dia segue. O filme de 1982 não se prestava à [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">É difícil criar uma continuação com tanta coisa a dizer, marcada por muita personalidade, mas também fidelidade ao original, como <i>Blade Runner 2049</i><b>,</b> sobretudo quando seu antecessor é um filme como <i>Blade Runner</i>, de 1982, dirigido por Ridley Scott, a partir de um roteiro de Hampton Fancher e David Webb Peoples que adapta um romance de Philip K. Dick. <i>Blade Runner </i>era um <i>sci-fi </i>que fugia dessa urgência de estabelecer franquias seriadas que o cinema de estúdio hoje em dia segue. O filme de 1982 não se prestava à lógica exclusiva do entretenimento, ainda que fosse um deleite assisti-lo em seu entrecruzamento do <i>sci-fi </i>com o <i>noir</i>, além do escopo filosófico e do apuro estético que por vezes escapam aos filmes do gênero. Com <i>Blade Runner 2049</i>, Hollywood parece ter encontrado no diretor Denis Villeneuve (de <i>A Chegada</i>) o nome certo para investir numa expansão da história iniciada trinta e cinco anos atrás. Villeneuve é um diretor que segue a cartilha daquilo que fora concebido no primeiro filme, mas que também consegue fazer da continuação um autêntico exemplar da sua filmografia até porque o canadense parece pensar em imagens de maneira muito semelhante ao Ridley Scott de <i>Blade Runner</i>.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><i>Blade Runner 2049 </i>se passa trinta anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. No longa, a humanidade está às voltas com os Replicantes quando K, um policial novato interpretado por Ryan Gosling, desenterra um segredo que pode levar tudo ao mais absoluto caos. Na medida em que o caso vai sendo investigado, as pistas levam K ao veterano e recluso Rick Deckard, icônico personagem de Harrison Ford, que anos atrás desaparecera com a Replicante Rachael sem deixar pistas.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8260" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-k-deckard-copertina.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Sobre os temas e direcionamentos filosóficos da história, o roteiro de <i>Blade Runner 2049</i>, co-assinado pelo mesmo Hampton Fancher do original,<i> </i>explora algumas reflexões que o antecessor já havia desenvolvido a respeito do questionamento &#8220;o que é ser humano?&#8221;  e sobre a semente do preconceito social, sobretudo quando adentramos na perspectiva de um Replicante que se torna fundamental para a trama. Na forma, <i>Blade Runner 2049 </i>tem o mesmo tempo e perspectiva para esmiuçar essa questão que o <i>Blade Runner </i>de 1982. À semelhança do que Scott fizera,  Denis Villeneuve parece não ter pressa em revelar todas as camadas da sua trama ao espectador, deixando que o mesmo acompanhe todo o percurso investigativo do seu protagonista, assimilando as informações descobertas e as consequências emocionais das mesmas na jornada pessoal do personagem de Ryan Gosling, que assume em definitivo (e de maneira muito competente) o manto de protagonista da continuação.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Mesmo nas suas cenas de ação, Villeneuve foge da burocrática aceleração rítmica do <i>blockbuster </i>contemporâneo, fazendo com que tudo no filme reverencie em primeiro plano o desenvolvimento do seu protagonista e não a pirotecnia técnica do cinema adolescente ao qual Hollywood tem se curvado nos últimos anos. Com isso, o filme é recheado de personagens interessantes que, mesmo em passagens breves, deixam a sua marca na trama e fazem o personagem de Gosling ir adiante em sua jornada pessoal, como é o caso da sua namorada Joi, vivida pela ótima Ana de Armas, da chefe de polícia Joshi, de Robin Wright, e, claro, de Harrison Ford, interpretando Deckard num outro momento da sua vida.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Para conceber suas imagens, Villeneuve conta com o refinamento estético do diretor de fotografia Roger Deakins, que também, tal qual Jordan Cronenweth de <i>Blade Runner</i>, concebe uma jornada visual fascinante ao espectador. O filme concebe registros imagéticos que aderem à narrativa, sobretudo do ponto de vista psicológico, em cores, elementos cênicos e estímulos sígnicos. O casamento desses dois profissionais (Villeneuve e Deakins) faz com que mesmo possuindo duas horas e quarenta e três minutos de duração, o tempo voe tamanho o fascínio e interesse que <i>Blade Runner 2049 </i>exerce no espectador.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8261" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-image.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Esse apreço pelas composições imagéticas em <i>Blade Runner 2049 </i>não é algo inédito na trajetória de  Villeneuve, faz parte do seu cinema, daí a reverência da cinefilia por seus filmes. Particularmente, em <i>Sicario </i>e <i>A Chegada</i>,<i> </i>me soou oras indício de presunção, afetação ou mesmo de inadequação às propostas dos respectivos filmes, algo que não ocorria em longas como <i>Incêndios</i>, <i>Os Suspeitos </i>ou <i>O Homem Duplicado</i>. <i>Blade Runner 2049 </i>parece se encaixar perfeitamente na assinatura do realizador em sua relação com esse cinema polido e milimetricamente calculado plano a plano, o que faz do filme um dos melhores da sua carreira.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>A continuação &#8220;tardia&#8221; de <i>Blade Runner </i>prima por aquilo que fez do longa de 1982 um clássico só reconhecido pelo tempo: entender que acima do exibicionismo do poderio técnico do cinema americano, a ficção-científica existe para fazer com que a gente reflita sobre os rumos que a humanidade tomou, está tomando e o que podemos fazer para colocar as coisas nos trilhos. A resposta? Possivelmente um pouquinho mais de humanidade. Com toda a sua tecnologia retrô-futurista, um dos acertos da equipe de direção de arte do longa, mantendo aspectos da identidade do original, <i>Blade Runner 2049 </i>mostra como se dá continuidade a um clássico fazendo uma sequência tão boa quanto o antecessor e como muitas vezes é prudente esperar pela história, pelo momento e pelas pessoas certas para explorar um pouco mais determinados personagens e retornar a universos cinematográficos canonizados.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/OEW3gbptBZg" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
</div>
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		<title>Crítica: La La Land &#8211; Cantando Estações</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Jan 2017 02:08:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emma Stone]]></category>
		<category><![CDATA[La La Land]]></category>
		<category><![CDATA[La La Land - Cantando Estações]]></category>
		<category><![CDATA[Musical]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Gosling]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Musical é um gênero particularmente complicado de se trabalhar e difícil de agradar a grande maioria dos espectadores. Primeiro, porque a grande massa tende a não gostar (pelo menos é o que afirma). Segundo, porque quando diz que gosta, alega que &#8220;não precisa ter tanta música assim&#8221;. Ou seja, é deveras decepcionante para qualquer fã mais entusiasmado ou roteirista que se deixa levar pelo encantamento do gênero, trabalhar um longa original. O que posso afirmar com toda propriedade é que [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Musical é um gênero particularmente complicado de se trabalhar e difícil de agradar a grande maioria dos espectadores. Primeiro, porque a grande massa tende a não gostar (pelo menos é o que afirma). Segundo, porque quando diz que gosta, alega que &#8220;não precisa ter tanta música assim&#8221;. Ou seja, é deveras decepcionante para qualquer fã mais entusiasmado ou roteirista que se deixa levar pelo encantamento do gênero, trabalhar um longa original. O que posso afirmar com toda propriedade é que <em>La La Land &#8211; Cantando Estações</em> retoma completamente o estilo antigo de musical, com produções clássicas e mesclando com dança no melhor do estilo de Fred Astaire.</p>
<p>Se qualquer outro filme demora para engatar ou mostrar seu propósito, <em>La La Land</em> deixa claro para o que veio logo na primeiríssima cena, deixando o espectador completamente encantado e de queixo caído. Damien Chazelle, que ficou conhecido e foi premiado por <em>Whiplash &#8211; Em Busca da Perfeição</em>, traz um trabalho de qualidade ainda superior, do mesmo gênero, mas de estilo completamente diferente, mostrando todo seu potencial na categoria. Ele assume tanto a direção quanto o roteiro de ambos os longas e já ganhou o Globo de Ouro há duas semanas nesta película em questão. A precisão e o cuidado na criação do plano-sequência inicial de forma lúdica é incrível e perfeccionista.</p>
<p>A dinâmica do casal principal, protagonizado por Emma Stone e Ryan Gosling, é doce e envolvente. Além dos personagens conquistarem o público, os atores desempenham esse papel de forma precisa, convincente, forte, e não há ninguém mais que pudesse estar ali, senão eles dois. Ela é uma aspirante à atriz que vive fazendo testes e sendo reprovada em todos, tendo que se sustentar com o dinheiro que ganha em um cafeteria. Já ele é um músico excelente que ama Jazz e que se sujeita a trabalhar em qualquer lugar para ser reconhecido e conseguir montar seu próprio bar.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-7203" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/01/la-la-land-emma-stone-ryan-gosling.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<p>Embora o filme se passe nos tempos atuais, ele tem um toque vintage ou retrô (precisaria da ajuda de um profissional para definir a terminologia correta), remontando aos anos 70, 80 e 90 em vários momentos, desde as vestimentas, aos papos, falas, músicas, conversas, móveis, carros, etc. Essa montagem bastante poética acrescenta muito conteúdo à narrativa do filme, que conta ainda com uma direção de fotografia fantástica. Os cenários escolhidos da Hollywood antiga/atual é de fazer qualquer espectador se apaixonar.</p>
<p>A forma como o filme funciona, de forma lúdica, interativa, emocionante e efusiva, é única e mantém o espectador empolgado. Ele tem a leveza e a ingenuidade dos longas antigos, como <em>Cantando na Chuva</em>, por exemplo. Não é tão apelativo, não foca na vida sexual do casal principal. Suaviza a parte sexual e exalta o romance. Um perfil muito comum dos filmes antigos.</p>
<p><em>La La Land &#8211; Cantando Estações</em> é vibrante, cheio de cores, canções lindas e animadoras. O tipo de filme que certamente já virou um clássico obrigatório para os cinéfilos de plantão. Ele tem dividido opiniões, é bem verdade, mas acredito que não seja por sua qualidade inquestionável, mas pelo alvoroço em torno dele. Não sabemos ainda se o Oscar prestará tal homenagem, mas certamente este musical já ganhou seu espaço na calçada da fama.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/0KpWc-cwQtY" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Dois Caras Legais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jul 2016 19:00:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Dois Caras Legais]]></category>
		<category><![CDATA[Kim Basinger]]></category>
		<category><![CDATA[Russell Crowe]]></category>
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		<category><![CDATA[Shane Black]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em sua embalagem, Dois Caras Legais, comédia de ação do diretor Shane Black (de Beijos e Tiros e do fatídico Homem de Ferro 3), se apresenta ao seu público como um banal exemplar cinematográfico de puro entretenimento. E, de fato, nesta seara, o longa tem muito a oferecer, trazendo uma composição bem dosada entre os gêneros que dão forma a sua narrativa. Acontece que o filme também tem uma insuspeita faceta: ele realiza singelas reflexões a respeito de determinados temas e estabelece um sensível tratamento nas relações [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Em sua embalagem, <i>Dois Caras Legais</i>, comédia de ação do diretor Shane Black (de <i>Beijos e Tiros </i>e do fatídico <i>Homem de Ferro 3</i>), se apresenta ao seu público como um banal exemplar cinematográfico de puro entretenimento. E, de fato, nesta seara, o longa tem muito a oferecer, trazendo uma composição bem dosada entre os gêneros que dão forma a sua narrativa. Acontece que o filme<i> </i>também tem uma insuspeita faceta: ele realiza singelas reflexões a respeito de determinados temas e estabelece um sensível tratamento nas relações entre seus personagens, coisa que pode escapar aos olhos mais distraídos. É através desse aspecto que o filme de Shane Black dá um salto e surpreende um público já satisfeito com o tratamento certeiro que o realizador confere ao que se espera de uma típica história de detetives dos anos de 1970.</p>
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<p><i>Dois Caras Legais </i>é ambientado no universo da indústria pornográfica americana da década de 1970, quando dois investigadores com linhas de atuação completamente distintas têm os seus caminhos cruzados e passam a trabalhar juntos em um caso que envolve o desaparecimento de uma jovem. A natureza bruta do ex-alcoólatra Jackson Healy (Russell Crowe) e a suavidade do cauteloso Holland March (Ryan Gosling) demoram a encontrar um meio termo, mas ambos acabam descobrindo  na convivência um com o outro que podem mudar não apenas a maneira como conduzem seus trabalhos, mas suas próprias relações.</p>
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<p>Com sua clássica narrativa de suspense ambientada no submundo da Hollywood dos anos de 1970, Shane Black oferece ao público um filme muito consciente das ferramentas que precisa utilizar para fazer o seu maquinário funcionar. O novelo desembaraçado por Healy e March ao longo do filme captura a atenção do espectador e tanto o roteiro quanto a condução do longa são marcados por muito ritmo. O diretor também sabe surpreender o espectador com as informações e os acontecimentos que estão dispostos em seus planos, oferecendo ao público soluções visuais muito interessantes para a narrativa dos fatos, só para citar como exemplos, em uma festa da indústria pornô, subitamente, March aparece em uma piscina nadando atrás de uma sereia e em outro momento do mesmo evento o detetive e o público são surpreendidos por uma aparição revelada por um simples acender de isqueiro.  O filme também consegue contextualizar os seus acontecimentos sem apelar para uma direção de arte espalhafatosa, trazendo elementos visuais precisos que nos transportam para os anos de 1970 e para uma ambiência bem específica, àquela do submundo da pornografia. Enfim, ao que inicialmente se presta, <i>Dois Caras Legais </i>é muito bem aplicado e cumpre sem vexame todas as suas demandas formais, até excede em suas possíveis expectativas.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6443" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/07/nice-guys.jpg" alt="nice-guys" width="610" height="348" /></p>
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<p>Agora, o longa consegue ser surpreendente mesmo no movimento das suas sutilezas dramáticas, a maioria delas envolve a maneira como a investigação policial afeta a vida de Healy e March. Sem grandes alardes e gradualmente na trama &#8211; o que torna o desenvolvimento que o filme dá aos seus personagens ainda mais especial -, percebemos Healy se transformar em um sujeito mais humano e afetuoso, no mesmo sentido, somos cativados pela maneira como a relação de March com sua filha Holly evolui e até nos emocionamos com a preocupação do atrapalhado detetive com a criação da sua menina a medida em que ele entra fundo no universo da pornografia. E é um mundo no qual, apesar de jovens serem cooptadas, ainda preserva-se uma certa inocência, afeto e compaixão através dos seus personagens mais novos, como evidencia a ótima sequência de abertura na qual o personagem do garoto Ty Simpkins, que é visto momentos antes folheando revistas pornográficas, consegue ser respeitoso e cobrir os seios de uma garota que sofre um acidente de carro próximo da sua casa. A cena é meio que um prenúncio do que virá a seguir, será a jovem Holly que resgatará Healy e March daquele mundo propenso ao embrutecimento.  Todo esse tratamento conferido aos personagens é realizado de maneira muito econômica, precisa e eficiente por Black.</p>
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<p>Em função da atenção dada às particularidades da dupla de detetives protagonista, e por mostrarem uma ótima química em cena, Russell Crowe e Ryan Gosling conseguem ótimas performances e dominam o longa. Portanto, nem esperem um <i>comeback </i>de Kim Basinger, cuja personagem tem pouco tempo de tela, ou mesmo um grande momento de Matt Bomer como um dos vilões da fita. <i>Dois Caras Legais </i>é holofote para a dobradinha Crowe e Gosling e a participação do segundo é ainda mais interessante. Gosling tem os seus melhores momentos no longa quando está ao lado da revelação Angourie Rice, que interpreta a sua filha Holly. Sem muito &#8220;açúcar&#8221; ou &#8220;dramalhão&#8221;, os dois conseguem estabelecer uma relação tocante de pai e filha e Gosling, através do jeito atabalhoado do seu personagem, é o coração do filme a todo momento que o seu March se preocupa com o tipo de pai que está sendo para a garota e quando demonstra o pavor de perdê-la por qualquer circunstância do seu arriscado trabalho. Ao mesmo tempo, a menina é responsável por esses momentos pontualmente tocantes quando esboça uma admiração gradual pelo pai e também preocupação com o que lhe pode acontecer em serviço.</p>
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<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Assim, além do eficiente produto de entretenimento que <i>Dois Caras Legais </i>comprova ser, o filme é feito desse material humano que dá um &#8220;sabor&#8221; ainda mais especial para a fita. Calibrado pela interessante parceria entre Crowe e Gosling, além da revelação Angourie Rice, o filme de Shane Black dá ao espectador aquilo que ele exatamente esperava a partir do seu prognóstico, mas também vai um pouco além disso. Aplicada do início ao fim, fica difícil não se render aos apelos dessa bem-humorada e pontualmente afetuosa  história de detetives encabeçada por um grupo de protagonistas tão simpáticos quanto os que Shane Black conseguiu para a sua fita.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme: </strong></p>
</div>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/LU_JtBu5ias" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Grande Aposta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jan 2016 18:12:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[A Grande Aposta]]></category>
		<category><![CDATA[Adam McKay]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; A loucura do mercado financeiro é tema recorrente do cinema norte-americano. De Wall Street &#8211; Poder e Cobiça, de Oliver Stone, a O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, Hollywood já explorou com as mais diferentes abordagens o fascínio de engravatados especuladores financeiros pelo dinheiro e por tudo aquilo que ele pode trazer. A Grande Aposta é um dos títulos recentes a explorar esse universo, especificando sua localização ao expor para o público os meandros da bolha imobiliária que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_4337" aria-describedby="caption-attachment-4337" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4337 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/The-Big-Short-5-620x317.jpg" alt="The-Big-Short-5" width="620" height="317" /><figcaption id="caption-attachment-4337" class="wp-caption-text">Ironia: Filme é marcado pelo ritmo do humor, mas não é condescendente com o comportamento de alguns dos seus personagens</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>A loucura do mercado financeiro é tema recorrente do cinema norte-americano. De <i>Wall Street &#8211; Poder e Cobiça</i>, de Oliver Stone, a <i>O Lobo de Wall Street</i>, de Martin Scorsese, Hollywood já explorou com as mais diferentes abordagens o fascínio de engravatados especuladores financeiros pelo dinheiro e por tudo aquilo que ele pode trazer. <i>A Grande Aposta</i> é um dos títulos recentes a explorar esse universo, especificando sua localização ao expor para o público os meandros da bolha imobiliária que levou não apenas os EUA como o mundo a uma preocupante crise financeira na segunda metade dos anos 2000. O filme é uma adaptação um livro de Michael Lewis, autor das obras literárias que deram origem aos longas <i>Um Sonho Possível </i>e <i>O Homem que Mudou o Jogo</i>, e, não por acaso, é baseado também em eventos e personagens reais.</p>
<figure id="attachment_4338" aria-describedby="caption-attachment-4338" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4338 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/The-Big-Short-23-620x355.jpg" alt="The-Big-Short-23" width="620" height="355" /><figcaption id="caption-attachment-4338" class="wp-caption-text">Outsider: Christian Bale consegue oferecer uma grande interpretação ao público na pele de um especulador financeiro com dificuldades de socialização.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><i>A Grande Aposta </i>inicia sua narrativa nos apresentando a Michael Burry, vivido por Christian Bale, o dono de uma empresa pequena que acompanha ações do mercado ao coordenar um fundo de investimento. Burry decide apostar todas as suas fichas na quebra do mercado imobiliário norte-americano. O diagnóstico de Burry leva o mercado financeiro ao frenesi já que outros profissionais do setor começam a sugerir aos seus clientes que sigam a tendência vislumbrada pelo excêntrico especulador financeiro. Acabam entrando na aposta perigosa um corretor que passa por problemas emocionais após o suicídio do seu irmão, interpretado por Steve Carell, e dois inexperientes na Bolsa de Valores que são guiados por um guru de Wall Street, interpretado por Brad Pitt, que há anos vive bem longe da agitação e do estresse do mercado financeiro.</p>
<p>Ao apostar no humor, o diretor Adam McKay acerta na condução de um roteiro ritmado e cheio de energia e frescor escrito por ele e por Charles Randolph. McKay dimensiona para o espectador o universo neurótico e de ética questionável da especulação econômica através do sarcasmo de um roteiro que é acompanhado pelo olhar irônico e inventivo do realizador. Em <i>A Grande Aposta</i>, Adam McKay joga todas as suas fichas em múltiplas formas de tornar uma trama repleta de termos e jogadas marcadas pelo &#8220;ecomiquês&#8221; em algo, no mínimo, &#8220;palatável&#8221; e compreensível para a plateia: existe a quebra da quarta parede por alguns personagens, interrupções da narrativa com sequências nas quais  algumas celebridades surgem para explicar determinados movimentos da trama&#8230; E McKay faz isso não porque não confia na capacidade de leitura e assimilação de conteúdos do seu público, mas porque são interferências necessárias para a fluidez da trama e acabam sendo formas inventivas de costurar o seu filme que estão à serviço do próprio tom encontrado pelo realizador para a sua narrativa.</p>
<figure id="attachment_4340" aria-describedby="caption-attachment-4340" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-4340 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/01/150922153357-the-big-short-brad-780x439-1-620x317.jpg" alt="150922153357-the-big-short-brad-780x439" width="620" height="317" /><figcaption id="caption-attachment-4340" class="wp-caption-text">Midas: Produtor do filme, Brad Pitt também está no elenco da produção e acerta em cheio ao apostar em Adam McKay</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Do elenco, Christian Bale detém o personagem mais complicado da trama, ou pelo menos aquele que requer um exercício de composição mais rígido. Na pele do antissocial Michael Burry, Bale oferece uma interpretação cheia de detalhes, tornando-se, talvez, um dos pontos emotivos mais fortes de um filme que, acertadamente, sai gradualmente do humor e da ironia e acaba assumindo um tom mais grave em seu desfecho. Nesse sentido, Steve Carell também ganha destaque ao dar vida a um personagem que, se inicialmente parece ser um típico neurótico do mercado financeiro, aos poucos vai revelando uma crise de consciência e sua fragilidade emocional. Certamente, Bale e Carell são os atores com as performances mais interessantes do filme, talvez porque detenham os personagens cujos arcos dramáticos sejam mais intensos ao longo da trama, porém os demais colegas dos atores, entre eles, Brad Pitt e Ryan Gosling, também estão excelentes em momentos pontuais da história. Em suma, o elenco está imbatível e é um dos pontos fortes do longa.</p>
<p>Encontrando a medida certa entre a ironia e o humor que o universo que aborda merece ser tratado, sem cair no equívoco de abordar com desrespeito todas as consequências das ações questionáveis da maioria dos seus personagens ao longo da projeção, já que o filme consegue dar a dimensão da gravidade dos seus atos ao final da narrativa, <i>A Grande Aposta </i>é um êxito. Trata-se de um filme corrosivo e sério sobre o capitalismo, sem transformar-se em um filme sisudo ou pesado que força o espectador a aderir a uma determinada bandeira política ou ideológica. <i>A Grande Aposta </i>é um filme certeiro em seus propósitos. Adam McKay consegue tornar sua trama complicada e cheia de meandros &#8220;espinhosos&#8221; para olhares leigos em um longa cuja condução é marcada pelo frescor, sem perder o compromisso e a responsabilidade crítica que inevitavelmente atrai para si ao falar sobre o capitalismo e seus ciclos destrutivos e excludentes.</p>
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		<title>Brad Pitt, Ryan Gosling, Christian Bale e Steve Carell dividem a cena no primeiro trailer de A Grande Aposta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2015 22:13:24 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Oscar 2016]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Mais um filme junta-se a lista de potenciais oscarizáveis de 2016: A Grande Aposta, que chama logo a atenção pelo seu elenco repleto de estrelas que incluem Brad Pitt, Ryan Gosling, Christian Bale e Steve Carell. O filme ganhou data de estreia para o dia 25 de dezembro de 2015 nos EUA e deve encerrar as atividades do disputado AFI Film Festival, que traz outros destaques ainda não vistos na temporada cinematográfica do segundo semestre, como By the Sea, longa de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3658" aria-describedby="caption-attachment-3658" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/bigshottrailer.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3658 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/09/bigshottrailer-600x400.jpg" alt="bigshottrailer" width="600" height="400" /></a><figcaption id="caption-attachment-3658" class="wp-caption-text">Elencaço: Steve Carell e Ryan Gosling em cena de A Grande Aposta</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Mais um filme junta-se a lista de potenciais oscarizáveis de 2016: <b>A Grande Aposta</b><em>, </em>que chama logo a atenção pelo seu elenco repleto de estrelas que incluem Brad Pitt, Ryan Gosling, Christian Bale e Steve Carell. O filme ganhou data de estreia para o dia 25 de dezembro de 2015 nos EUA e deve encerrar as atividades do disputado AFI Film Festival, que traz outros destaques ainda não vistos na temporada cinematográfica do segundo semestre, como <em>By the Sea</em>, longa de Angelina Jolie que abre o festival.</p>
<p><i>A Grande Aposta</i> teve o seu primeiro trailer divulgada e ele<em> </em>é &#8220;vendido&#8221; pela Paramount como uma dramédia. A sinopse mais detalhada do filme ainda não foi divulgada, mas sabe-se que o filme vai centrar sua narrativa em um grupo que faz fortuna durante os anos 2000.</p>
<p>A direção do filme é de Adam McKay, o mesmo de comédias como <em>Tudo por um Furo </em>e <em>Os Outros Caras</em>. Além do quarteto central, o filme traz Selena Gomez, Marisa Tomei, Melissa Leo, Finn Wittrock e Karen Gillian no elenco. McKay também assina o roteiro da produção.</p>
<p>A estreia no Brasil está prevista para 4 de fevereiro de 2016.</p>
<p>Assista ao trailer abaixo</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/vgqG3ITMv1Q" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Resenha TV: Só Deus Perdoa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2014 01:05:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Kristin Scott Thomas]]></category>
		<category><![CDATA[Nicolas Winding Refn]]></category>
		<category><![CDATA[Ryan Gosling]]></category>
		<category><![CDATA[Só Deus Perdoa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Ambientado em um universo diferente, Só Deus Perdoa mantém alguns traços do último trabalho do diretor Nicolas Winding Refn, Drive, que o consagrou com o prêmio de melhor diretor em Cannes no ano de 2011. Refn parece interessado em fazer experiência com gêneros cinematográficos e toda a sua trama é calcada na sede de vingança dos seus personagens. É o &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;, todos eles têm contas a acertar e parece não sobrar pedra sobre pedra [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_1646" aria-describedby="caption-attachment-1646" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1646 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling-620x331.jpg" alt="ONLY-GOD-FORGIVES-ryan-gosling" width="620" height="331" /></a><figcaption id="caption-attachment-1646" class="wp-caption-text">Com as próprias mãos: Vingança, honra e laços familiares dão o tom no banho de sangue promovido por Refn e Ryan Gosling ao longo do filme.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Ambientado em um universo diferente, <em>Só Deus Perdoa </em>mantém alguns traços do último trabalho do diretor Nicolas Winding Refn, <em>Drive, </em>que o consagrou com o prêmio de melhor diretor em Cannes no ano de 2011. Refn parece interessado em fazer experiência com gêneros cinematográficos e toda a sua trama é calcada na sede de vingança dos seus personagens. É o &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;, todos eles têm contas a acertar e parece não sobrar pedra sobre pedra no final da história. No entanto, as semelhanças param por aqui. <em>Só Deus Perdoa, </em>que por enquanto só teve os seus direitos de exibição adquiridos para a TV a cabo no Brasil (nada de distribuidora no cinema ou no mercado doméstico), tem muito menos viço do que a empreitada anterior do realizador.</p>
<p>Toda a narrativa de <em>Só Deus Perdoa </em>se passa em Bangkok e acompanha a jornada de Julian, papel de Ryan Gosling, na tentativa de honrar o nome da sua família. O irmão mais velho de Julian foi assassinado após estuprar e matar uma jovem prostituta. A mãe do rapaz e chefe de uma organização criminosa articulada em Bangkok dá ordens expressas ao seu grupo e a Julian: eles devem procurar o assassino do seu primogênito e o matar com requintes de crueldade. A partir dai a rivalidade interna e externa do grupo começa a desencadear um rastro de sangue que parece não ter fim. Ao mesmo tempo, Julian tem que lidar com um conflito interno antigo, a mágoa e o sentimento de rejeição que tem do relacionamento com sua mãe.</p>
<figure id="attachment_1648" aria-describedby="caption-attachment-1648" style="width: 617px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/kristin-scott-thomas-only-god-forgives.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1648" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/kristin-scott-thomas-only-god-forgives.jpg" alt="kristin-scott-thomas-only-god-forgives" width="617" height="315" /></a><figcaption id="caption-attachment-1648" class="wp-caption-text">Matriarca implacável: Kristin Scott Thomas brilha como a chefe de uma organização criminosa em Bangkok.</figcaption></figure>
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<p>Se <em>Drive </em>flertava com o <em>western </em>e buscava referências oitentistas, <em>Só Deus Perdoa </em>dialoga com o cinema oriental e com os filmes de gângsters. Refn apresenta algumas abordagens interessantes, como acontecia em <em>Drive</em>, na tentativa de fazer algumas leituras pessoais sobre os gêneros, mas cai em uma excessiva e escancarada auto-apreciação. Durante todo o longa a sensação que se tem sobre Refn é que ele está contemplando a si próprio e suas habilidades e inventividades cinematográficas, fazendo reverência a cada segundo por um &#8220;<em>insight</em>&#8221; qualquer que tenha ao longo de <em>Só Deus Perdoa</em>, o que torna o filme emperrado. Esteticamente, <em>Só Deus Perdoa </em>é impecável. Desde a direção de arte que valorizou as referências orientais, passando pela fotografia que prioriza o lugar das cores e da luz, não há o que se questionar sobre o longa nesses departamentos. O empenho de Refn e sua equipe é louvável nesse sentido, mas o êxito localizado não ameniza um dos maiores defeitos da obra que é o de olhar para o próprio umbigo. A todo momento temos a impressão de que Refn está gritando pela atenção e reconhecimento a qualquer feito técnico, o mínimo que seja. Tudo isso torna a &#8220;viagem&#8221; em <em>Só Deus Perdoa </em>enfadonha e ausente de propósito.</p>
<p>Ryan Gosling faz um tipo muito parecido com o que interpretou em <em>Drive</em>. Julian surge em cena cansado (parece levar o peso de uma vida), entediado, calado e, ao mesmo tempo, capaz de cometer atrocidades. No entanto, Refn prefere manter o personagem no subtexto e a interpretação de Ryan Gosling, como aconteceu em outros momentos com essa mesma orientação porém com resultados melhores (<em>Tudo pelo Poder </em>e o próprio <em>Drive</em>), não funciona, parece faltar alguma peça na engrenagem e Julian tem menos camadas do que sugere o filme. Kristin Scott Thomas, por sua vez, é a força motriz desse longa, a sua melhor &#8220;peça&#8221;. Como uma grande chefe do tráfico, a personagem é interpretada por Thomas como uma daquelas mulheres dominadoras, implacável com sua cria e fria com o sentimento alheio. A atriz está soberba no papel e é sempre motivo para manter o espectador fiel ao longa, aguardando os seus próximos passos, sempre imprevisíveis.</p>
<figure id="attachment_1647" aria-describedby="caption-attachment-1647" style="width: 612px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1647" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/08/OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993.jpg" alt="OnlyGodForgivesGoslingFightbig5993" width="612" height="329" /></a><figcaption id="caption-attachment-1647" class="wp-caption-text">Entre erros e acertos: Filme tem um excelente acabamento técnico, mas derrapa como narrativa pelos excessos do diretor.</figcaption></figure>
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<p><em>Só Deus Perdoa </em>acaba sendo uma jornada auto-centrada de Nicolas Winding Refn após o interessante <em>Drive. </em>O novo longa do diretor é uma embalagem ornada de belíssimos atrativos, mas ausente de um conteúdo que dê sentido a sua própria existência. Talvez da próxima vez, Refn se redima de um trabalho como esse e volte a nos surpreender. Com <em>Só Deus Perdoa</em> ele só conseguiu a indiferença.</p>
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