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	<title>Arquivos Naomi Ackie - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Naomi Ackie - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Mickey 17</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Apr 2025 14:45:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Baseado na obra literária de Edward Ashton, Mickey 17 é uma mistura de sci-fi e sátira política que marca o retorno do cineasta coreano Bong Joon-ho depois do fenômeno Parasita, vencedor do Oscar de melhor filme na edição de 2020 da premiação da Academia. Marcado por constantes adiamentos do seu lançamento e pela dúvida a respeito da influência da qualidade final do longa nessas decisões, Mickey 17 estreia enfim nos cinemas com um resultado que não chega a ser catastrófico, mas que pode ser moderadamente decepcionante para [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Baseado na obra literária de Edward Ashton, <strong><em>Mickey 17 </em></strong>é uma mistura de sci-fi e sátira política que marca o retorno do cineasta coreano Bong Joon-ho depois do fenômeno <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-parasita/"><em>Parasita</em></a>, vencedor do Oscar de melhor filme na edição de 2020 da premiação da Academia. Marcado por constantes adiamentos do seu lançamento e pela dúvida a respeito da influência da qualidade final do longa nessas decisões, <em>Mickey 17</em> estreia enfim nos cinemas com um resultado que não chega a ser catastrófico, mas que pode ser moderadamente decepcionante para quem nutria expectativas sobre esta incursão de Bong Joon-ho no cinema de língua inglesa.</p>
<p>Em<strong><em>Mickey 17</em></strong>, Robert Pattinson interpreta o personagem-título, uma das cópias dispensáveis de Mickey Barnes, um sujeito que se alista para uma missão espacial empreendida por um político de inclinações duvidosas. A cada novo teste perigoso realizado pela expedição que resulta na morte do personagem de Pattinson, uma nova versão dele é impressa e um outro ciclo de experimentos é iniciado em prol da colonização de um planeta invernal.  Acontece que durante o processo um movimento revolucionário acaba sendo fomentado quando Mickey 17 é dado como morto e uma nova cópia do personagem é feita.</p>
<p><em><strong>Mickey 17 </strong></em>consegue preservar aquele tom peculiar entre comédia e crítica social e política peculiar nos trabalhos de Bong Joon-ho. Ainda assim, é um filme que parece disperso entre os seus diversos núcleos de personagens e a jornada do próprio protagonista, não aprofundando seu comentário nos tópicos que coloca em discussão como a ética de experimentos científicos, a colonização e o uso de crenças para a manipulação política.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-19298" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-1-1.png" alt="Mickey 17" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-1-1.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-1-1-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/03/image-1-1-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O longa tem um ótimo elenco, mas não consegue trazer mais desses personagens para além de suas funções na crítica social e na ação que o realizador propõe. Robert Pattinson até que se esforça, mas a polarização da personalidade entre as cópias do seu personagem me parece o caminho mais simples, ainda que seja curiosa a &#8220;mediocridade&#8221; que tenta imprimir nos personagens, fazendo de Mickey Barnes uma espécie de herói ordinário que se adequa bem às pretensões de Bong Joon-ho. Sua parceira de cena Naomi Ackie (nome em ascensão pelas suas boas interpretações em filmes como I wanna dance with somebody e Pisque Duas Vezes) até tem os seus momentos, mas a escrita da personagem não extrapola a superfície. Com figuras que desde o princípio pareciam marginais na história, Mark Ruffalo e Toni Collette acabam roubando a cena como o casal por trás de todo o programa de colonização da narrativa.</p>
<p><strong><em>Mickey 17 </em></strong>tinha diversos elementos que prometiam um retorno promissor de Bong Joon-ho pós-Parasita. É possível que o filme agrade a alguns fãs do gênero e do diretor. Particularmente, ainda que tenha os seus bons momentos, o longa é um trabalho morno do cineasta, bem distante da efervescência criativa, do discurso enérgico e da complexidade psicológica de seus trabalhos anteriores.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Bong Joon Ho</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Robert Pattinson, Naomi Ackie, Steven Yeun</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/Txuvq-K8kQo?si=icXFkOB4TdFdS7Nn" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Pisque Duas Vezes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Aug 2024 19:58:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Estreando na função de diretora, Zoë Kravitz demonstra a maturidade que faz falta a muito cineasta veterano. Pisque Duas Vezes é um ótimo debut de Kravitz, que cria um suspense enervante sobre uma garçonete fisgada por um milionário para uma farra promovida pelo mesmo e pelo seu grupo de amigos em uma propriedade isolada em uma ilha particular. Conforme os dias vão passando, a personagem e outras mulheres que foram convidadas para o local vão constatando que por trás daquele paraíso existem intenções macabras [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Estreando na função de diretora, Zoë Kravitz demonstra a maturidade que faz falta a muito cineasta veterano. <em><strong>Pisque Duas Vezes</strong></em> é um ótimo debut de Kravitz, que cria um suspense enervante sobre uma garçonete fisgada por um milionário para uma farra promovida pelo mesmo e pelo seu grupo de amigos em uma propriedade isolada em uma ilha particular. Conforme os dias vão passando, a personagem e outras mulheres que foram convidadas para o local vão constatando que por trás daquele paraíso existem intenções macabras da parte dos seus anfitriões do sexo masculino.</p>
<p>Para contar a história de <em><strong>Pisque Duas Vezes</strong></em>, Kravitz reúne um elenco muito interessante, a começar pelos seus protagonistas. Naomie Ackie tem outra grande oportunidade de brilhar depois de ter vivido Whitney Houston na cinebiografia I wanna dance with somebody &#8211; aliás, se aquele filme se salvava em algum ponto era graças ao desempenho da atriz. No filme de Kravitz, Ackie dá vida a uma mulher insegura que gradualmente lida com o retorno da memória dos seus traumas e utiliza uma falsa naturalidade e submissão como estratégia de sobrevivência em um contexto perigosamente misógino. Channing Tatum é outro destaque do elenco naquela que provavelmente é a melhor atuação da sua carreira desde Foxcatcher. Em <em>Pisque Duas Vezes</em>, Tatum interpreta um milionário cínico, frio e manipulador e mantém muito bem o mistério sobre a verdadeira natureza do seu personagem, por vezes seduzindo o próprio espectador com aquela persona de &#8220;homem dos sonhos&#8221;.</p>
<p>Acontece que <em><strong>Pisque Duas Vezes</strong></em> não é exitoso apenas na escolha dos seus protagonistas. Mesmo quem tem poucas falas está muito bem no suspense. Kravitz foi extremamente perspicaz na escolha dos seus coadjuvantes que vão da estrela em ascensão Adria Arjona (de Assassino por Acaso de Richard Linklater), passando por nomes veteranos que não têm aparecido em produções badaladas nos últimos anos como Christian Slater, Geena Davis e o ex-astro mirim de Sexto Sentido e A.I.: Inteligência Artificial Haley Joel Osment. Todos estão excelentes em cena e funcionam muito bem como coletivo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-18638" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-2-4.png" alt="Pisque Duas Vezes" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-2-4.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-2-4-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/08/image-2-4-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Para além do ótimo elenco e do direcionamento certeiro que Kravitz dá a suas atuações, <em><strong>Pisque Duas Vezes</strong></em> é um longa que destaca uma diretora cuja principal qualidade é saber dosar os variados humores da sua trama. O filme funciona como thriller, cheio de momentos de tensão, dando vazão ao teor sombrio de sua história, mas também sabe inserir altas doses de ironia, não se levando tão a sério assim ao encontrar humor nos momentos mais insuspeitos. Existe muita personalidade na direção de Zoë Kravitz, que se revela uma cineasta completamente desapegada de qualquer cartilha na forma como a ação deve transcorrer na tela. <em>Pisque Duas Vezes</em> tem uma abordagem para seus temas que parece ser apenas dele, equilibrando muito bem gêneros e recursos que parecem opostos ou, na teoria, inconciliáveis, mas que aqui fazem perfeito sentido quando se combinam.</p>
<p>O mote feminista faz parte da proposta e o roteiro e Kravitz e E.T. Feigenbaum trazem isso para a narrativa de forma muito inteligente. Conceitos como sororidade e o próprio plot da vingança da vítima de assédio, que se transformou em um subgênero no próprio terror/thriller, é construído de forma multidimensional pela história na medida em que as personagens de Ackie e Arjona se articulam na sua &#8220;virada de mesa&#8221; contra os personagens masculinos.</p>
<p>Com boas atuações, uma direção original e um roteiro muito bem construído, <em><strong>Pisque Duas Vezes</strong></em> é um acerto e tanto de Zoë Kravitz. O filme tem ousadia na sua narrativa e muito frescor na forma como conta sua história, indicando que a diversificação das funções de Kravitz no cinema não é mero capricho, mas completa vocação artística.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Zoë Kravitz</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Naomi Ackie, Channing Tatum, Alia Shawkat</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/bb9lnpkMeys?si=xPn6qEtPBIP85tth" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: I Wanna Dance With Somebody &#8211; A História de Whitney Houston</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Jan 2023 12:50:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O som é um dos elementos fundamentais na elaboração de um filme. Dentro deste universo, a trilha sonora é um dos maiores atrativos para o público &#8211; seja ele crítico ou leigo. Sob essa lógica, musicais, em teoria, alcançam o ápice do uso desse importante elemento cinematográfico. Mas o que é melhor do que um musical feito a partir de músicas conhecidas e amadas pelo público? Daí vem o sucesso das inúmeras cinebiografias musicais produzidas nos últimos anos. De 2018 [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O som é um dos elementos fundamentais na elaboração de um filme. Dentro deste universo, a trilha sonora é um dos maiores atrativos para o público &#8211; seja ele crítico ou leigo. Sob essa lógica, musicais, em teoria, alcançam o ápice do uso desse importante elemento cinematográfico. Mas o que é melhor do que um musical feito a partir de músicas conhecidas e amadas pelo público? Daí vem o sucesso das inúmeras cinebiografias musicais produzidas nos últimos anos. De 2018 para cá, seis grandes produções hollywoodianas foram feitas dentro desse subgênero e levaram centenas de milhares de espectadores às salas de cinema.</p>
<p>Começando pelo estrondoso sucesso de público, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bohemian-rhapsody/"><i>Bohemian Rhapsody</i></a> (2018) recuperou o fôlego das cinebiografias musicais que estavam em baixa desde o final dos anos 2000. Após a história do Queen, vieram outros conhecidos nomes da música internacional como Elton John e Judy Garland. Na tentativa de acompanhar o fervor gerado por cinebiografias musicais como <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-judy-muito-alem-do-arco-iris/"><i>Judy: Muito Além do Arco-Íris</i></a> (2019), <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-rocketman/"><i>Rocketman</i></a> (2019), <i>Respect: A História de Aretha Franklin</i> (2021) e, mais recentemente, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><i>Elvis</i></a> (2022), <b><i>I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston</i></b> chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (12).</p>
<p>O longa-metragem sobre uma das vozes que mais impactaram a música na história dos Estados Unidos tem alguns problemas já conhecidos pelo público. <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b> carrega as mesmas falhas que o filme do Queen apresentou em 2018. Ambos os longas foram escritos pelo roteirista Anthony McCarten (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-destino-de-uma-nacao/"><i>O Destino de uma Nação</i></a>, de 2017, e <i>Dois Papas</i>, de 2019) e seguem uma lógica onde os eventos da vida dos artistas são acessórios para a utilização de suas famosas canções.</p>
<p>A escolha de priorizar a força das músicas de Whitney em detrimento de uma construção narrativa bem aprofundada atrapalha o desempenho do filme. No lugar de desenvolver os dilemas vividos pela artista, <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b> utiliza esses fragmentos da vida da cantora quase somente para conectar as canções. Não se vê a potência de suas experiências (boas ou ruins) com a mesma força e relevância que a produção dá aos números musicais.</p>
<figure id="attachment_16320" aria-describedby="caption-attachment-16320" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16320" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-750x500.jpg" alt="I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston (2022)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-610x406.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/unnamed.jpg 800w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16320" class="wp-caption-text">Naomi Ackie em cena de I Wanna Dance With Somebody: A História de Whitney Houston (2022)</figcaption></figure>
<p>Questões latentes vividas por Whitney como  o seu relacionamento tóxico com o ex marido, sua autocobrança por ter que ser “A Voz” da música pop da época ou seu problema com drogas não são devidamente explorados, o que acaba enfraquecendo o potencial do projeto. Somado a isso, a direção também falha em trazer personalidade para a produção. A forma como Kasi Lemmons conduz <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b> soa distante. Diferente do que ela fez em <i>Harriet: O Caminho para a Liberdade</i> (2019), a atriz e diretora não consegue impor a sua marca.</p>
<p>Além disso, existem algumas escolhas de planos e enquadramentos incompreensíveis. Em diversas passagens, o espectador tem a sensação de estar assistindo um documentário de bastidores da vida de Whitney. Essas imagens surgem sem nenhum contato ou proximidade com a personalidade que está sendo descrita em cena. As sequências soam ainda mais estranhas quando reunidas com os outros deslizes já descritos de <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b>, como na cena em que Whitney descobre que seu pai está hospitalizado.</p>
<p>No meio desses problemas, o longa tem momentos de brilho graças ao seu elenco. É evidente que as canções são os pontos altos de <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b>, mas o trabalho de Naomi Ackie (<i>Lady Macbeth</i>, de 2016, e <i>S<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-star-wars-a-ascensao-skywalker/">tar Wars: Episódio IX &#8211; A Ascensão Skywalker</a></i>, de 2019), Stanley Tucci (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-bela-e-a-fera/"><i>A Bela e a Fera</i></a>, de 2017, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-silencio/"><i>O Silêncio</i></a>, de 2019) e Tamara Tunie (<i>O Voo</i>, de 2012) se destaca. Apesar do mal aproveitamento dos momentos dramáticos da narrativa, o desempenho de Naomi como Whitney é divertido de se ver. Da mesma forma, Tucci e Tamara conseguem entregar momentos mais intensos &#8211; dentro das limitações do roteiro &#8211; ao público.</p>
<p>Focar nas músicas funciona como um agrado mais imediato ao subconsciente do espectador, mas isso é mérito da voz de Whitney e não do filme. Na contramão do que faz <i>Elvis</i>, <b><i>I Wanna Dance With Somebody</i></b>segue uma linha fácil de sucesso. A produção é divertida, mas excessivamente longa e sem muito impacto. As quase 2h30 de duração poderiam ser trocadas por uma boa pesquisa sobre a vida da artistas e uma playlist com os maiores sucessos da cantora. Infelizmente a grande “Voz” não teve o filme que a sua grandiosidade artística merecia.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Kasi Lemmons</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Naomi Ackie, Stanley Tucci, Ashton Sanders, Tamara Tunie, Nafessa Williams e Clarke Peters</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/HrIyiE-fWdA?si=a6oBQ0jB0gT5kOnE" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Star Wars: A Ascensão Skywalker</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 22 Dec 2019 18:36:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Afinal, qual a relação entre cinema e público? Se falarmos que a demanda popular gera um filme, estaríamos assumindo que o cinema é um produto comercial? Ou se é o cinema que gera a demanda, aí estaríamos falando de uma entidade própria que orienta os valores da sociedade? Aliás, será que sequer existe alguma relação hierárquica entre cinema e público? Um precisa ditar como vai ser o funcionamento do outro? Ou são apenas conjuntos diferentes que habitam o mesmo universo? [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Afinal, qual a relação entre cinema e público? Se falarmos que a demanda popular gera um filme, estaríamos assumindo que o cinema é um produto comercial? Ou se é o cinema que gera a demanda, aí estaríamos falando de uma entidade própria que orienta os valores da sociedade? Aliás, será que sequer existe alguma relação hierárquica entre cinema e público? Um precisa ditar como vai ser o funcionamento do outro? Ou são apenas conjuntos diferentes que habitam o mesmo universo? Peço perdão por tantas dúvidas, mas <strong><em>Star Wars: A Ascensão Skywalker</em></strong> me fez questionar bastante a função do cinema.</p>
<p>Quando Martin Scorsese (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-irlandes/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Irlandês</em></a>) afirmou que os filmes da Marvel não eram verdadeiramente cinema e mais como uma montanha-russa, o cineasta não mentiu em sua argumentação. Apesar disso, acredito que mesmo um gênio da sétima arte não tem poder para ditar o que deve ser ou não cinema. Todavia, o que é inegável é o quanto ele foi preciso em suas palavras — e aqui peço paciência do leitor, pois vou parafrasear o mestre:</p>
<p><em>“Muitos dos elementos que definem o cinema como eu conheço estão ali nos filmes da Marvel. O que não está é a revelação, o mistério ou o perigo emocional genuíno. Nada está em risco. Os filmes são feitos para satisfazer uma leva específica de demandas, e são desenhados como variações em um número finito de temas.</em></p>
<p><em>Eles são sequências no nome mas refilmagens em espírito, e tudo neles é oficialmente sancionado porque não tem como ser de outra forma. Essa é a natureza das franquias cinematográficas modernas: com pesquisas de mercado, testadas pelo público, vetadas, modificadas, vetadas mais uma vez e novamente modificadas, até que estejam próprias para o consumo.”</em> (tradução retirada do <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-151596/">AdoroCinema</a>).</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12108" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4523692.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Star Wars: A Ascensão Skywalker" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4523692.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4523692.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/4523692.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Bem, e o que <strong><em>Star Wars: A Ascensão Skywalker</em></strong> tem a ver com a Marvel? Primeiramente, não podemos esquecer que todos fazem parte de uma mesma companhia (Disney), preocupada em monopolizar o mercado de maneira que mais gere lucros e menos riscos possíveis.</p>
<p>Por outro lado, a diferença entre o universo de Kevin Feige e o filme de J.J. Abrams fica gritante quando vemos que, mesmo quando os dois fazem a mesma coisa — entregar fan service —, há uma diferença gritante entre os  resultados. E qual o motivo? Primordialmente, <em>Ultimato</em> é um amálgama de mais de 20 filmes que foram construídos dentro de uma unidade, apesar de cada aventura ter sua particularidade.</p>
<p>De maneira oposta, há um certo momento de <strong><em>A Ascensão Skywalker</em> </strong>que C3PO tem sua memória apagada. Logo depois, o robô consegue recuperá-las parcialmente, com exceção de todas as suas aventuras mais recentes. Não há cena que melhor o que é esse filme. Ao estar mais preocupado em anular o legado vanguardista deixado por Rian Johnson em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-star-wars-os-ultimos-jedi/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Os Último Jedi</em></a>, o último capítulo da Saga Skywalker se torna um gigante <em>retcom</em> e esquece que apenas a negação do passado não basta.</p>
<p>O roteiro de J.J. Abrams e Chris Terrio (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-batman-vs-superman-a-origem-da-justica/"><em>Batman vs. Superman</em></a>, o que explica muita coisa) assume tanto seu caráter mercadológico que chega a “matar” CINCO personagens, apenas para desfazer essa ilusão instantes depois. É, literalmente, como uma montanha-russa. Afinal, o filme manipula momentaneamente as emoções do público, apenas para no final desfazer suas ações, mostrando que nunca houve um verdadeiro risco.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12109" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3917203.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Star Wars: A Ascensão Skywalker" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3917203.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3917203.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3917203.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda em roteiro — e aqui abro uma grande aspas para falar de temas sociais e não fílmicos — me incomoda profundamente o quanto este filme é conservador, retrógrado e conveniente com uma parte preconceituosa dos fãs de Star Wars. Desde o <em>Despertar da Força</em>, há uma brincadeira na internet falando que o Finn (John Boyega) e Poe (Oscar Isaac) são um casal. Assim, o filme, como uma criança de 10 anos que precisa auto afirmar sua masculinidade diante dos coleguinhas de classe, vai enfiando goela abaixo diversas situações sem nexo apenas para responder a audiência que os dois protagonistas são héteros. Essa é, literalmente, a única justificativa para a existência das as novas personagens femininas, vividas por Keri Russell e Naomie Ackie.</p>
<p>Similarmente, outra covardia que não pode ser omitida é o que <strong><em>Star Wars: A Ascensão Skywalker</em></strong><em> </em>faz com Rose. Para quem não sabe, a atriz Kelly Marie Tran sofreu um grande assédio moral e ataques xenofóbicos após o filme, a ponto de apagar suas redes sociais. Por isso, é um golpe baixo colocar a personagem quase como uma figurante, mostrando uma subserviência de Abrams aos <em>trolls</em> de internet. Mas <em>ok</em>, vamos botar um beijo entre duas figurantes para fingirmos que nos importamos com essas causas? Tenta outra, J.J.</p>
<p>Bem, e se a gente ignorar todas as decisões arbitrárias, visto que mesmo péssimo roteiro nas mãos de uma boa direção pode resultar em um grande filme? Honestamente, não entendo o que aconteceu com Abrams aqui. Revendo a morte de Han Solo em <em>O Despertar da Força</em>, percebe-se como o <em>timing</em> daquela cena permite que ela seja sentida. Já no filme de 2019, é o inverso. Uma montagem frenética impede a formação de qualquer catarse ou potencialidade dramática. Em particular, há um(a) protagonista importante que se vai e o longa não deixa que o espectador senta aquele momento, já seguindo em frente, como estivesse mais preocupado em encerrar todas as pontas soltas do que criar um vínculo emocional.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12102" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3753914.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Star Wars: A Ascensão Skywalker" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3753914.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3753914.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/3753914.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ainda nesta lógica mercadológica de filme como um produto, o terceiro ato de <em><strong>A Ascensão Skywalker</strong> </em>reafirma a questão. Desse modo, qualquer pessoa que tenha visto <em>Vingadores Ultimato</em> poderá notar duas gigantes similaridades com ele: a abertura dos portais e frase épica de Tony Stark. Nada mais revelador do que uma empresa bilionária tentar emular os acertos de uma franquia em outra. Mesmo que a gente ignore que <em>Star Wars</em> é cinema, pensando apenas um entretenimento, até nisso ele falha. Em um total anticlímax, sua cena de ação mais original ocorre no segundo ato, justamente por explorar diferentes cenários com a ligação telepática entre Rey (Daisy Ridley) e Kylo (Adam Driver).</p>
<p>Neste sentido, lamento que <em><strong>A Ascensão Skywalker</strong></em> não trabalhe mais a fundo o único elemento que J.J. recicla de Rian Johnson: a tensão sexual entre os dois protagonistas. Curioso que provavelmente a cena que mais incomodou a todos no cinema é a que mais me agrada. Enxergo a trilogia <em>sequel</em> não como uma simples dualidade maniqueísta entre bem e mal, como as duas anteriores, mas como uma grande tragédia grega de amor. Da mesma forma, até enxergo algumas coisas <em>shakespearianas</em> nesta lógica de uma alma se sacrificando pelo outra.</p>
<p>No fim, o novo (e, certamente, não o último) fim da saga Star Wars é como uma montanha russa sem <em>looping</em>. Retomando os questionamentos do primeiro parágrafo, nada mais significativo do que um <em>blockbuster</em> encerrar os anos 2010-2019 se mostrando totalmente refém de executivos engravatados e sua própria fan base tóxica. Pelo menos os bonecos do Baby Yoda vão vender muito, não é?</p>
<p><strong>Direção:</strong> J.J. Abrams<br />
<strong>Elenco:</strong> Carrie Fisher, Mark Hamill, Adam Driver, Daisy Ridley, John Boyega, Oscar Isaac, Anthony Daniels, Naomi Ackie, Domhnall Gleeson, Richard E. Grant, Lupita Nyong&#8217;o, Keri Russell, Joonas Suotamo, Kelly Marie Tran, Ian McDiarmid</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=W0squnw6Jp8]</p>
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