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	<title>Arquivos Juliette Binoche - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Juliette Binoche - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Entre dois mundos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Jul 2025 19:18:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Apostando na investigação das relações humanas, diante de conflitos sociais, Entre dois mundos é efetivo em denunciar o sistema opressor da classe trabalhadora francesa, mesmo que não saia da esfera de apontar uma falha, sem observar a questão com mais cuidado. Focando na realidade de mulheres que são funcionárias na área de limpeza, através de planos mais longos do diretor Emmanuel Carrère (Amor Suspeito) e na elaboração de construção de atmosfera, o espectador cria uma empatia e se sente mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Apostando na investigação das relações humanas, diante de conflitos sociais, <em>Entre dois mundos</em> é efetivo em denunciar o sistema opressor da classe trabalhadora francesa, mesmo que não saia da esfera de apontar uma falha, sem observar a questão com mais cuidado. Focando na realidade de mulheres que são funcionárias na área de limpeza, através de planos mais longos do diretor Emmanuel Carrère (<em>Amor Suspeito</em>) e na elaboração de construção de atmosfera, o espectador cria uma empatia e se sente mais próximo das personagens.</p>
<p>Apesar do desfecho do longa-metragem ser abrupto, a maior parte da projeção consegue equilibrar a dinâmica entre técnica, discurso e conexão emocional com a obra. A trama gira em torno da escritora Marianne Winckler (Juliette Binoche), que se infiltra em empresas voltadas para serviços gerais, com intuito de vivenciar na pele o que passam estas funcionárias. As lutas para se manter na França, o cenário precário oferecido pelos empregadores e as humilhações experienciadas pelo grupo são os temas centrais do filme.</p>
<p>Para tratar do assunto, o roteiro de Carrère, ao lado de Hélène Devynk e Florence Aubenas, decide explorar a amizade de Marianne com suas colegas. Por um lado, esta escolha eleva a criação de empatia do público com a história. Por outro, o tema central fica apenas como pano de fundo. Ainda assi, a profundidade das facetas de Marianne ganham destaque quando é possível observar como uma nova personalidade dela vai surgindo durante a projeção.</p>
<p>Este fator provoca o entendimento de como o ambiente no qual se vive pode transformar o sujeito, fazendo emergir novas características nele &#8211; como instinto de sobrevivência e resignação, aqui. Essa outra Marianne, que surge após a sua inserção neste mercado de trabalho, é elaborada lentamente. A partir de cada nova informação adquirida por ela, um detalhe de sua expressão facial, respiração ou pausas são acrescentados e tudo sutilmente. A única questão incômoda, neste sentido, é ver todo esse cuidado de Juliette com seu papel ruir, de repente.</p>
<p>A finalização do filme não peca apenas por interromper o fluxo do debate, sem concluir a linha de raciocínio convocada pela premissa, mas também pela imediata virada de Marianne. Entre uma sequência e outra, a personagem parece um alguém completamente distinto e nenhum traço do que fora apresentado anteriormente é impresso por Binoche neste final da produção.</p>
<p>Desta maneira, a plateia pode se frustrar por não acompanhar essa transição de Marianne, da sua vida nova para o retorno para a antiga, principalmente porque no meio do plot, a morte do pai dela entra em voga e não afeta o enredo em nada, muito menos seu relacionamento com um rapaz, que é truncado e não acrescenta no desenvolvimento dela ou da trama. É por isso que fica uma sensação, ao final da sessão, de que existe algumas pontas soltas no longa.</p>
<p>Os roteiristas parecem que pensavam em algo, mas iam abandonando algumas ideias no caminho. Devido a este fato, a reflexão acaba ficando superficial. Contudo, de toda maneira, os elementos visuais são redondos. Há um estabelecimento interessante do azul como temperatura que permeia a maior parte das tonalidades de luz, locais, objetos de cena, enfim, do que vem da Arte e da Fotografia. Esse tom evoca uma melancolia que perpassa as emoções de t0das as figuras dramáticas da história.</p>
<p>Essa cor, juntamente com o creme e o avermelhado, que também estão presentes, confere um pouco mais de sentido para o ecrã. Existe muito texto no não dito, no texto não falado. Nesse aspecto que as cores e luzes fomentam o que não é elaborado pela narrativa de forma direta. Obviamente, o debate não precisa ser totalmente verbal &#8211; apesar de aqui faltar a verbalização em ordem de trazer amarração. Muitos nós são somente trazidos, sem maiores desenvolvimentos.</p>
<p>Por estes motivos que <em>Entre dois mundos</em> tem um resultado geral na média. Há muito entregue em suas visualidades, quase sensoriais, um elenco coeso e uma protagonista carismática. Ao mesmo tempo, todo esse rico universo é desperdiçado por uma ausência de condução mais firme, que pudesse entregar uma material mais potente.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Emmanuel Carrère</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Juliette Binoche, Louise Pociecka, Steve Papagiannis</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="Entre Dois Mundos | Trailer Oficial Legendado" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/wXRtfT40U6A?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>52º Festival du Nouveau Cinéma de Montreal: La Passion de Dodin Bouffant</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Oct 2023 19:31:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em La Passion de Dodin Bouffant é possível ver todo o trabalho de um cineasta esforçado em trazer sua estilística para a narrativa, sendo explosivo ao criar imagens que buscam ser sutis, porém apaixonadas. Todavia, entre o seu roteiro e a sua direção, Anh Hung Tran (Amor Eterno) revela uma espécie de abismo, de complexidade contraditória. De um lado, uma dramaturgia rebuscada, progressiva, que imerge o seu espectador com cuidado, trazendo as informações e as conexões entre as personagem gradativamente. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em <strong><em>La Passion de Dodin Bouffant</em></strong> é possível ver todo o trabalho de um cineasta esforçado em trazer sua estilística para a narrativa, sendo explosivo ao criar imagens que buscam ser sutis, porém apaixonadas. Todavia, entre o seu roteiro e a sua direção, Anh Hung Tran (<em>Amor Eterno</em>) revela uma espécie de abismo, de complexidade contraditória. De um lado, uma dramaturgia rebuscada, progressiva, que imerge o seu espectador com cuidado, trazendo as informações e as conexões entre as personagem gradativamente. Do outro, uma decupagem quase desesperada e sufocante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil criticar negativamente esta obra de Tran, porque é notável a razão de suas escolhas para cada sequência do seu novo longa-metragem. No entanto, ainda que sejam ousadas e criativas as suas estratégias, elas tornam a sessão um tanto exaustiva. A vontade de revelar a movimentação de Dodin e Eugénie dentro da cozinha, por exemplo, poderia ser resolvida pela mise-en-scène. Todavia, Tran insiste em convocar diversas pans, múltiplos giros de câmera, que podem criar mais distanciamento das ações do que aproximação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É inegável que Tran é um artista que entende sobre a técnica cinematográfica. A grande questão aqui é a sua vontade de mostrar este fator, pois isso soa demasiadamente pretensioso e o afasta das suas próprias escolhas em relação ao enredo. É por isso que por mais que haja uma história de amor impactante e que Binoche (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-quem-voce-pensa-que-sou-festival-varilux-de-cinema-frances/"><em>Quem Você Pensa que Sou</em></a>) e Magimel (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-amantes/"><em>Amantes</em></a>) tenham um jogo de cena potente e intenso, no qual os intérpretes jogam com os silêncios e os olhares, tudo se perde na movimentação eufórica da câmera. Talvez, a palavra euforia seja o melhor termo para descrever o longa, tanto para o mal quanto para o bem. Porque é esta emoção transbordante que circunda a projeção inteira.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17273" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/0178099.jpg" alt="La Passion de Dodin Bouffant" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/0178099.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/0178099-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/0178099-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/10/0178099-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos positivos, é observável a composição do desenho de som da produção. Todos os ruídos fomentam as sensações expostas na tela imageticamente. Há aqui um foco: a paixão pela gastronomia. Os sons criam esta energia de amor carnal, sexual (ou sensual), pelo ato de cozinhar e se alimentar, que elevam a compreensão deste sentimento vivido pelas personagens. C</span><span style="font-weight: 400;">ada “barulho” da diegese cria um significado maior e mais profundo desta dinâmica que está sendo mostrada. </span>Neste sentido, o trabalho da fotografia também é destacável em termos de iluminação. O uso da luz neste filme não pode ser descrita por nenhum outro adjetivo que não “impressionante”.</p>
<p>A forma como as tonalidades e luzes combinam com as temperaturas emocionais das personagens, do calor da cozinha e do afeto pela culinária torna um tanto mais prazerosa a fruição, suavizando, inclusive, o ímpeto de Tran em imprimir tanto deslocamento de câmera. Há ainda o fato de que esta tonalidade presente em quase toda a obra se esvai nos momentos de intimidade de Eugénie e Dodin, quando há um espalhamento de ciano pelo ecrã, algo quase melancólico e de despedida, que se firma e se concretiza em seu final.</p>
<p>É interessante, inclusive, notar o contraponto, tanto na luz quanto no som, nos momentos de tensão sexual direta, que possui silêncios longos, sombras, menor irradiação de luminosidade com aqueles criados pelos momentos de criação e degustação dos alimentos, que possuem a energia e a estética opostas. Desta maneira, <em><strong>La Passion de Dodin Bouffant</strong></em> é dual qualitativamente. Há uma elaboração técnica e um enamoramento transbordante – pela comida ou por Eugénie? Aí, fica para quem assiste refletir –, que encanta e cativa. Ao mesmo tempo, são tantos desejos visuais prontos para criar surpresa e deslumbramento no espectador, que 2h25 de duração ficam difíceis de aguentar. Para os mais tenazes, o ingresso vale pela experiência de acompanhar o trabalho de Binoche e Magimel e de analisar a técnica visceral (mesmo que exagerada) de Tran.</p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> Anh Hung Tran</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Benoît Magimel, Juliette Binoche, Jean-Marc Roulot</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="The Pot-au-Feu / La Passion de Dodin Bouffant (2023) - Trailer (English Subs)" width="1170" height="658" src="https://www.youtube.com/embed/MKRbTTtoLBU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Festival do Rio no Telecine: A Boa Esposa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Aug 2021 17:56:03 +0000</pubDate>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A sessão de <strong><em>A Boa Esposa</em></strong> já começa com um aviso. Em uma cartela, há aviso contando que alguma mudança intensa acontecerá durante a narrativa. No entanto, não há especificações! As únicas informações precisas que são evocadas são: 1) o maio de 1968 está próximo; 2) ainda existiam as tradicionais escolas francesas, que possuíam o intento de preparar esposas para seus maridos. Assim, o filme mostra de cara qual é a contraposição que ele deseja evocar. Contudo, logo após ao texto inicial, há um mergulho intenso naquele mundo banal, que faz parte de todo primeiro ato, deixando no ar, constantemente, quando a ligação de um ponto com o outro irá acontecer.</p>
<p>Entre as angústias das adolescentes condenadas a um matrimônio sem vontade e os ensinamentos cotidianos sobre o lar e os afazeres domésticos, há uma progressão muito sutil empregada ali. As personalidades de cada personagem é impressa fortemente e menos através dos diálogos e mais a partir das imagens. São nos detalhes que elas são construídas, seja no diretor do local que espia as alunas por um quadro ou na freira que fuma enquanto abre as janelas, a composição destas figuras é bem elaborada. Isto porque seus desejos e percepções são explorados, com alguns textos e com o cuidado da direção na mise-en-scène, que permite que a observação das emoções de todos em cena sejam percebidas.</p>
<p>Além disso, as situações postas no começo de <em><strong>A Boa Esposa</strong></em> soam imutáveis para que, depois, avancem e fique nítida a jornada das personagens.  O longa vai transformando cada pessoa dentro do enredo de forma lenta até a sua explosão em seu desfecho. Os absurdos presentes nas falas de Paulette (Juliette Binoche) e Marie-Thérèse (Noémie Lvovsky), por exemplo, vão sendo inundados de bom senso, até que ela e todas as que a cercam rompem com suas amarras. É bem verdade que a produção pode passar uma ideia de que demora a engatar. Esta é uma sensação que ocorre durante a sessão. Mas, após o seu final, o sentido de cada sequência é fomentado, pois é perceptível como o roteiro de Martin Provost (<em>Violette</em>) – também diretor aqui – e Séverine Werba (<em>Cannabis</em>) foi elaborado para que as cenas tivessem dois tipos de momento: o antes do despertar de Paulette e o depois disto. Assim, se ela se sente entediada e violada na cama com o marido, com André (Edouard Baer), o seu antigo amor, tudo é mais leve e iluminado<a href="https://centrodecirurgiagenital.com.br/">.</a></p>
<p>Neste sentido, a direção de Provost em <em><strong>A Boa Esposa</strong></em> contribui para ampliar esta transformação da protagonista, de suas vivências e sua realidade. As movimentações de câmera, os enquadramentos, o uso da luz e até a estilística de seu próprio gênero vão mudando, se tornando mais dinâmicos. O ápice desta estratégia está em seu desfecho, quando todo o elenco feminino performa um número musical, no qual elas cantam sobre romper com as amarras misóginas e machistas da sociedade e caminhar para a libertação. Esta é a grande questão da obra, cada instante sufocante vivido pelas personagens, todas as regras proferidas dentro do rígido e conservador estabelecimento de ensino e a estagnação da vida destas mulheres vai se quebrando e esta descoberta de Paulette vem junto com as mudanças políticas francesas. A forma como todos estes elementos são amarrados por Provost e Werba é o grande ganho aqui.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-14414" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733.jpg" alt="A Boa Esposa" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2021/08/A-Boa-Esposa-filme-critica-resenha-e1624108582733-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>O que poderia ser uma comédia romântica banal – que focasse na redescoberta do amor por Paulette, por exemplo – ou um drama de sessão da tarde – caso o olhar fosse direcionado apenas para os conflitos destas mulheres quase condenadas a uma vida insuportável pela sociedade de seu tempo sem houvesse uma quebra deste aprisionamento –, acaba por ganhar força em sua mescla de abordagens, em sua calma em direcionar as personagens para as suas trocas de pele e na forma como traz a política, mostrando seus efeitos na humanidade de maneira interior e exterior.</p>
<p>Desta maneira, pode-se dizer que <strong><em>A Boa Esposa</em></strong> apresenta um resultado geral coeso. Ainda que demore para revelar até onde irá chegar e qual é o ponto central de seu argumento, em seu desenlace há a recompensa de ter visto jornadas que fazem sentido na trama como um todo, justificando cada posição ocupada por aquelas figuras ficcionais do início ao fim, com uma atenção em não ter pressa para imprimir esta mudança nelas. Para completar, ainda há Binoche, que constrói uma Paulette pudica, tesa e de musculatura enrijecida, até o seu relaxamento total, no qual ela dança, com as expressões faciais leves e um olhar de quem desafia o mundo, gerando uma empatia com a sua Paulette e ampliando o que a obra desejar passar.</p>
<p>Por todo este conjunto, resta esta impressão de que há um chamado forte neste filme. Um grito musicado para quem assiste, para que cada um se mexa, se levante e perceba que não há nenhuma posição ocupada que não possa ser ressignificada. Sempre existe tempo de despertar e tentar quebrar com as estruturas hegemônicas de poder. Ainda que seja sabido que a luta é mais complexa e complicada para alguns grupos e que esta obra soe destinada a uma parte muito específica do público – mulheres brancas –, o convite para fazer ruir o patriarcado branco pode ser sentido por todes.</p>
<p>Há contradições aqui? Como a direção ser de um homem, por exemplo? Sim. Contudo, esta discussão é larga e o que cabe dizer nesta crítica – que já se alongou mais do que deveria – é que <em><strong>A Boa Esposa</strong></em> tem uma coerência técnica e uma potência discursiva, que pode mexer com o espectador e fazer as quase 2 horas de exibição valerem.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Martin Provost</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Juliette Binoche, Noémie Lvovsky, Yolande Moreau</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/uC13o4ezwLA" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: High Life (Now)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2020 23:52:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Destaque no Festival de Toronto em 2018 e lançamento no circuito comercial estadunidense e europeu no primeiro semestre de 2019, o sci-fi High Life da renomada diretora francesa Claire Denis chega para o público brasileiro direto para plataformas de locação com praticamente um ano de atraso. Isso não é novidade para esse tipo de produção que parece ficar numa zona cinzenta de indefinição de lançamentos nacionais, já que o título não é um blockbuster tampouco um dos indicados ao Oscar. [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Destaque no Festival de Toronto em 2018 e lançamento no circuito comercial estadunidense e europeu no primeiro semestre de 2019, o <em>sci-fi <strong>High Life</strong></em> da renomada diretora francesa Claire Denis chega para o público brasileiro direto para plataformas de locação com praticamente um ano de atraso. Isso não é novidade para esse tipo de produção que parece ficar numa zona cinzenta de indefinição de lançamentos nacionais, já que o título não é um <em>blockbuster</em> tampouco um dos indicados ao Oscar. Ainda assim a omissão foi estranha porque Denis é uma realizadora reconhecida por sua obra e seus lançamentos sempre são aguardados por parte do público. O que é certo é que o título com Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-farol/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>O Farol</em></a>) e Juliette Binoche (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-quem-voce-pensa-que-sou-festival-varilux-de-cinema-frances/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Quem Você Pensa Que Sou</em></a>) no elenco merecia uma estreia mais destacada no Brasil, do que esse tímido e problemático lançamento doméstico, afinal, cópias em torrent do longa já estão por ai há meses..</p>
<p><em><strong>High Life</strong></em> é uma dupla estreia para a diretora. É o seu primeiro longa em língua inglesa e sua primeira ficção-científica e logo de cara se percebe como Denis não tem muita dificuldade para trafegar por essas novidades. <em>High Life</em> é propositivo de debates como boa parte das produções de Denis com uma narrativa que foge por completo do didatismo e da pirotecnia de efeitos digitais, atingindo o âmago do gênero <em>sci-fi</em> em seus exemplares de melhor performance, sua verve filosófica.</p>
<p>Em <em><strong>High Life</strong></em>, um grupo de condenados por crimes vai parar em uma estação espacial como forma de substituir as suas penas na Terra. Lá eles acabam se submetendo aos experimentos de fertilização de uma médica obstinada nesse propósito, interpretada por Juliette Binoche. Um dos condenados mais relutantes ao projeto acaba sendo cobaia central do experimento da cientista e a repercussão dessa ação levanta ainda mais conflitos na já tensa relação entre esses personagens.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13061" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/5185590.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="High Life, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/5185590.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/5185590.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/5185590.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><em><strong>High Life</strong> </em>tem como mote central discutir a chance de redenção de figuras que no passado foram capazes de cometer atrocidades, como é o caso da personagem interpretada com muitas nuances por Binoche, mas também do emblemático &#8220;monge&#8221; vivido por Robert Pattinson, que na sua relação com uma bebê consegue vislumbrar expectativas de vida bem diferentes das que foram traçadas até então para sua jornada. O longa de Denis tem uma maneira interessante de tecer essa história, sem expor toda a biografia dos seus envolvidos e as lacunas do passado de cada um deles acabam sendo ainda mais instigante para os questionamentos que se abrem a partir dali, sobretudo no que diz respeito ao seu protagonista interpretado por Pattinson.</p>
<p>Denis usa um gênero não apenas como forma de vislumbrar um futuro ou fazer questionamentos existenciais mas como forma de desenvolver ideias sobre a convivência em confinamento daqueles personagens. O que eles são capazes de fazer com essa segunda oportunidade de vida em situações que testam ainda mais sua ética é o grande mote analítico da obra. Alguns personagens confirmam sua natureza violenta e individualista, outros encontram um novo propósito de vida e fazem uma correção de rumo, surpreendendo o público e eles mesmos por tomarem decisões inimaginadas. Essa capacidade de lançar esse olhar é o que faz da condução da diretora e roteirista um primor e tornam o filme mais um grande acerto da sua carreira.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Claire Denis<br />
<strong>Elenco:</strong> Robert Pattinson, Juliette Binoche, Mia Goth, André Benjamin, Agata Buzek, Lars Eidinger, Claire Tran, Ewan Mitchell, Gloria Obianyo</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/AtOwfo1ypOw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: Vidas Duplas (Telecine Play)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2020 22:53:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Assim como no título, em seu original (Doubles Vies) e na sua tradução, a dualidade é constantemente trabalhada em Vidas Duplas. Escrito e dirigido por Olivier Assayas (Acima das Nuvens), existem duas dimensões de discussão na obra, por assim dizer. De um lado, o público acompanha os debates sobre as inovações tecnológicas, consumo e a literatura. Do outro, vê-se as peripécias amorosas da vida das personagens. Nestes contextos, mais desdobramentos aparecem, sendo na primeira temática os que são a favor [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><br />Assim como no título, em seu original (<em>Doubles Vies</em>) e na sua tradução, a dualidade é constantemente trabalhada em <em><strong>Vidas Duplas</strong></em>. Escrito e dirigido por Olivier Assayas (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-acima-das-nuvens/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Acima das Nuvens</em></a>), existem duas dimensões de discussão na obra, por assim dizer. De um lado, o público acompanha os debates sobre as inovações tecnológicas, consumo e a literatura. Do outro, vê-se as peripécias amorosas da vida das personagens. Nestes contextos, mais desdobramentos aparecem, sendo na primeira temática os que são a favor das mudanças e os mais conservadores. Na segunda, nota-se que todos possuem relacionamentos oficiais e extraconjugais. Apesar de possuir bastante elementos positivos, ele é qualitativamente dividido também.</p>
<p>Mas, começando pelo o que há de melhor nele, é perceptível como cada elemento vai aparecendo como camadas pintadas na tela. Há toda uma progressão trabalhada por Assayas, que vai inserido lentamente os casos de cada um, os conflitos e as suas formas de pensar. Há uma organicidade e uma fluidez em como a história é apresentada, se desenvolve e é encerrada. A costura do texto faz com que todas as situações puxem uma as outras, até um ápice dos conflitos daquelas vidas que estão sendo mostradas e, por fim, que vão sendo cuidadosamente finalizadas. Não há pressa. As soluções vão sendo apresentadas, como uma justificativa plausível, que se encaixa com o perfil de cada indivíduo retratado.</p>
<p>Este também é um elemento a se enaltecer na produção! A maneira como as personagens são ricas em sua construção. É possível enxergar os detalhes de suas personalidades, estabelecidos em pouco tempo, mas com profundidade. Parte desta qualidade também pode ser atribuída aos atores, principalmente em Juliette Binoche (Selena) e Vicent Macaigne (Léonard). Ambos imprimem características fortes e conseguem as performar com equilíbrio, revelando vulnerabilidades, comicidades e emoções, seja através de um sorriso, uma pausa, um olhar ou quando tocam em alguém. Estes traços não vão por caminhos óbvios. Assim, é possível que, no momento da gargalhada, o espectador consiga ver as sensações de incertezas mais fortemente, por exemplo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12946" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2284436.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="vidas duplas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2284436.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2284436.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/2284436.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>As sensações vivenciadas na trama também são passadas através dos movimentos de câmera. Em alguns planos longos, com <em>travellings</em> ou câmera na mão, a euforia dos encontros é demonstrada. Ao mesmo tempo, o quadro volta a ficar fixo quando uma pessoa respira, senta e começa a contar algo, aumentando não apenas a empatia, como inserindo quem assiste naqueles diálogos, de alguma maneira. Os<em> zoom in</em> e <em>out</em> também são usados neste sentido e acabam direcionando o olhar ou afastando-o daquele ponto de vista. O jogo de superioridade e inferioridade, petulância e humildade, ganho ou perda de argumento se dá justamente através destas estratégias de enquadramento.</p>
<p>No entanto, existe um incômodo forte durante a projeção. Há um discurso que permeia o longa inteiro que é o da passagem dos livros do papel para a ambiência digital. Carecendo de uma compreensão mais profunda do assunto, existe uma visão, transformada em diversas conversas, sobre o fim da materialidade das coisas, por conta da tecnologia. Contudo, já se é sabido, faz um tempo, que tudo que está ligado ao digital também possui elementos do material.</p>
<p>Assim, basta uma olhada no tema para descobrir que não faltam estudos sobre as agências dos objetos e as materialidades da comunicação. Logo, pensando que os indivíduos mostrados neste enredo são da área, fica difícil acreditar que eles falariam assim de verdade, se são tratados como <em>experts</em> no assunto dentro deste universo ficcional ali mostrado. Então, por exemplo, em um dado momento se fala em diminuir os danos ao meio ambiente, mas o uso da internet polui o planeta, por conta da emissão de carbono.</p>
<p>No geral, <strong><em>Vidas Duplas</em></strong> possui este fator de seguir por dois caminhos, com uma metade rica em detalhes, cuidadosa e bem elaborada. Esta é justamente a que fala sobre relações humanas. Porém, a outra parte falha por possuir um tom arrogante de conhecimento sobre progressos e retrocessos da humanidade, mas sem investigar profundamente do que fala, deixando o debate tolo e enfraquecido.</p>
<p><strong>Direção</strong>: Olivier Assayas</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Juliette Binoche, Gillaume Canet, Vicent Macaigne, Nora Hamzawi, Christa Thérest, Pascal Greggory, Lionel Dray, Sigrid Bouaziz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/LlGUFUu33Ko" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/dica-do-dia-vidas-duplas-telecine-play/">Dica do Dia: Vidas Duplas (Telecine Play)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: Quem Você Pensa Que Sou &#8211; Festival Varilux de Cinema Francês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Sep 2019 18:00:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Claire Millaud é a protagonista de Quem Você Pensa Que Sou, uma professora universitária de literatura divorciada e mãe de dois filhos. Diagnosticada com depressão, Claire se consulta com regularidade com um psiquiatra a quem relata seus problemas com a autoestima e sua crise da maturidade. Ela então cria um perfil falso no Facebook, passando a se relacionar virtualmente com um jovem fotógrafo. Claire mente sua idade, história e sua aparência física para o rapaz e o que acaba como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Claire Millaud é a protagonista de <em><strong>Quem Você Pensa Que Sou</strong></em>, uma professora universitária de literatura divorciada e mãe de dois filhos. Diagnosticada com depressão, Claire se consulta com regularidade com um psiquiatra a quem relata seus problemas com a autoestima e sua crise da maturidade. Ela então cria um perfil falso no Facebook, passando a se relacionar virtualmente com um jovem fotógrafo. Claire mente sua idade, história e sua aparência física para o rapaz e o que acaba como uma &#8220;travessura&#8221; no &#8220;mundo virtual&#8221; acaba assumindo contornos sérios e a professora se envolve afetivamente com o novo affair.</p>
<p>O mais recente filme de Saffy Nebbou tem início como um filme que parece propor uma discussão sobre o lugar da construção de identidades e das relações virtuais na percepção de sie até certo ponto a trama levanta considerações importantes e bem traçadas a respeito da temática. É interessante perceber isso através de mais uma interpretação magnética e nuançada de Juliette Binoche, que oferece camadas complexas a essa mulher nas diversas facetas que assume ao longo do filme, no divã, como mãe, professora e na persona de Clara, personagem que ela cria no Facebook e que gradualmente exerce fascínio em Alex.</p>
<p>O filme de Nebbou tem grande interesse nessas múltiplas identidades que Claire assume como forma de sobreviver, trafegando entre a realidade e a ficção, onde por vezes a protagoniza parece realizar-se em instâncias onde não consegue se resolver. Com o passar da projeção, especialmente quando Claire recebe uma impactante informação a respeito do seu affair Alex, <em><strong>Quem Você Pensa Que Sou</strong></em> pode parecer um emaranhado de tramas sobrepostas, entregando-se a um enredo escancaradamente novelesco. No entanto, com a rarefação da trama, as escolhas da história parecem fazer sentido, especialmente quando pensamos que todas estão à serviço de um empenhado estudo de personagem que se beneficia da performance de Binoche.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Safy Nebbou<br />
<strong>Elenco:</strong> Juliette Binoche, Nicole Garcia, François Civil, Guillaume Gouix, Frances Leplay, Charles Berling, Jules Houplain, Jules Gauzelin</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/wGmANfjk5mQ" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Vigilante do Amanhã &#8211; Ghost in the Shell</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Mar 2017 01:23:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Scarlett Johansson]]></category>
		<category><![CDATA[Vigilante do Amanhã - Ghost in the Shell]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O longa A Vigilante do Amanhã &#8211; Ghost in the Shell vem causando tensão há algum tempo nos cinemas. O trailer era empolgante e curioso, deixando o espectador intrigado com o resultado de tudo aquilo. Além do mais, tem Scarlett Johansson, que fez sucesso com Lucy, um longa de ficção científica que deu tão certo, que ganhou continuação. Por esse filme ser do mesmo tema, a promessa era boa. No mundo do futuro, depois que as máquinas se misturaram com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O longa <em>A Vigilante do Amanhã &#8211; Ghost in the Shell</em> vem causando tensão há algum tempo nos cinemas. O trailer era empolgante e curioso, deixando o espectador intrigado com o resultado de tudo aquilo. Além do mais, tem Scarlett Johansson, que fez sucesso com <em>Lucy</em>, um longa de ficção científica que deu tão certo, que ganhou continuação. Por esse filme ser do mesmo tema, a promessa era boa.</p>
<p>No mundo do futuro, depois que as máquinas se misturaram com os humanos e começaram a coexistir livremente, a Major é criada como o primeiro cérebro fundido com um corpo de computador, promovendo aquilo que a empresa julga perfeito: ser indestrutível e ter noção do que está fazendo, ao mesmo tempo. No entanto, uma ameaça surge e ela tem que lidar com este novo desafio.</p>
<p>O filme evolui de forma bastante gradativa e atraente. A primeira hora é de construção da personagem, sua realidade, as situações que lhes são impostas. E tudo isso funciona muito bem. É uma ficção científica de qualidade, com cenas de luta bem construídas e efeitos especiais muito bem feitos.</p>
<p>O problema, no entanto, é que essa curva de crescimento do enredo perde força na segunda metade. Aquilo que era um atrativo no começo, partindo do pressuposto que aquilo é uma novidade, vai perdendo o encantamento. A história perde o foco, que era mais voltado nas questões existenciais da protagonista, virando apenas um filme de ação. E entenda, é um filme de ação legal. Mas poderia ser muito mais que isso.</p>
<p>Embora eu não tenha lido o mangá no qual o filme foi inspirado, o diretor Rupert Sanders parece ter honrado aquele trabalho original de Mamoru Oshii. Ainda assim, falta ao olhar do espectador aquele detalhe a mais, o toque que o cineasta poderia ter dado.</p>
<p>Scarlett apresenta um trabalho preciso e cuidadoso. A mescla de humana com máquina é feita de maneira fluida e coerente, trazendo as crises existenciais que aquela situação impõe. Ao contracenar com Juliette Binoche, temos os pontos mais altos de atuação do longa. Realmente vale a pena a dupla.</p>
<p>O que decepciona em A <em>Vigilante do Amanhã &#8211; Ghost in the Shell</em> é que o potencial vai muito além do resultado. A história é muito interessante e atraente, mas se perde na metade, focando apenas na ação que o enredo traz. Se a construção de personagem fosse mais focada na questão existencial, provavelmente teríamos a garantia de uma continuação. Mas esse foco perdido não garante absolutamente nada.</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<div style="position: relative; height: 0; padding-bottom: 56.25%;"><iframe style="position: absolute; width: 100%; height: 100%; left: 0;" src="https://www.youtube.com/embed/--DYzP4RjEA?ecver=2" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></div>
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		<item>
		<title>Dramas The 33 e Spotlight têm seus trailers divulgados!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2015 20:43:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Trailers]]></category>
		<category><![CDATA[Antonio Banderas]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Juliette Binoche]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Dois aguardados títulos do segundo semestre de 2015 tiveram seus trailers divulgados. O drama sobre os 33 mineiros chilenos soterrados por 69 dias em 2011, The 33, protagonizado por Antonio Banderas, Juliette Binoche e Rodrigo Santoro, e o suspense Spotlight sobre jornalistas de Boston envolvidos em uma investigação sobre padres pedófilos. The 33 tem direção de Patricia Riggen (de Sob a mesma lua) e tem como enfoque os dramas pessoais das famílias envolvidas no fato. Banderas interpreta o líder dos mineiros, enquanto Santoro vive [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/07/maxresdefault2.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3217" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/07/maxresdefault2-620x371.jpg" alt="maxresdefault" width="620" height="371" /></a></p>
<p>Dois aguardados títulos do segundo semestre de 2015 tiveram seus trailers divulgados. O drama sobre os 33 mineiros chilenos soterrados por 69 dias em 2011, <em>The 33</em>, protagonizado por Antonio Banderas, Juliette Binoche e Rodrigo Santoro, e o suspense <em>Spotlight</em> sobre jornalistas de Boston envolvidos em uma investigação sobre padres pedófilos.</p>
<p><em><strong>The 33</strong> </em>tem direção de Patricia Riggen (de <em>Sob a mesma lua</em>) e tem como enfoque os dramas pessoais das famílias envolvidas no fato. Banderas interpreta o líder dos mineiros, enquanto Santoro vive um homem que ficou responsável pelo resgate do grupo.</p>
<p>O filme tem estreia prevista para o dia 13 de novembro nos EUA e ainda não tem data de lançamento no Brasil.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/hOoIBOYqHyw" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/07/spotlight1.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter size-medium wp-image-3218" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/07/spotlight1-620x349.jpg" alt="spotlight" width="620" height="349" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Já <strong><em>Spotlight</em>,</strong> que como <a href="http://coisadecinefilo.com.br/festival-de-toronto-anuncia-sua-selecao-de-filmes/">anunciamos ontem faz parte da seleção oficial do Festival de Toronto</a>, traz um grande elenco encabeçado pelos indicados ao Oscar Michael Keaton e Mark Ruffalo e pela atriz Rachel McAdams. Os três interpretarão jornalistas do Boston Globe. Antes de ser exibido em Toronto, o filme passará pelo Festival de Veneza.</p>
<p>O longa estreia no dia 06 de novembro nos EUA, sem previsão de lançamento no Brasil também. A direção é de Tom McCarthy, o mesmo do independente <em>O Visitante</em>.</p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/EwdCIpbTN5g" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Estreias da semana: 08 a 14 de janeiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Jan 2015 12:40:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Estreias]]></category>
		<category><![CDATA[Trailers]]></category>
		<category><![CDATA[Acima das Nuvens]]></category>
		<category><![CDATA[Ingrid Guimarães]]></category>
		<category><![CDATA[J.K. Simmons]]></category>
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		<category><![CDATA[Loucas pra Casar]]></category>
		<category><![CDATA[Olivier Assayas]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2015]]></category>
		<category><![CDATA[Tatá Werneck]]></category>
		<category><![CDATA[Whiplash - Em Busca da Perfeição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O circuito nacional tem como destaque as estreias da comédia nacional Loucas pra Casar, com Ingrid Guimarães e Tatá Werneck,e o drama Acima das Nuvens, protagonizado por Juliette Binoche e Kristen Stewart. Algumas cidades do eixo Sul-Sudeste receberão em suas salas Whiplash &#8211; Em Busca da Perfeição, filme que promete ser um dos destaques do próximo Oscar. Há ainda a pré-estreia de Leviatã, finalista da Rússia na cateogoria melhor filme estrangeiro do Oscar. Confira detalhes dos títulos abaixo: Loucas pra Casar Dir.: [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O circuito nacional tem como destaque as estreias da comédia nacional <strong><em>Loucas pra</em> Casar</strong>, com Ingrid Guimarães e Tatá Werneck,e o drama <strong><em>Acima das Nuvens</em></strong>, protagonizado por Juliette Binoche e Kristen Stewart. Algumas cidades do eixo Sul-Sudeste receberão em suas salas <strong><em>Whiplash &#8211; Em Busca da Perfeição</em></strong>, filme que promete ser um dos destaques do próximo Oscar. Há ainda a pré-estreia de <strong><em>Leviatã</em></strong>, finalista da Rússia na cateogoria melhor filme estrangeiro do Oscar. Confira detalhes dos títulos abaixo:</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/filme1689_f2.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2581 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/filme1689_f2.jpg" alt="filme1689_f2" width="595" height="336" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Loucas pra Casar</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Dir.:</strong> Roberto Santucci</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Elenco:</strong> Ingrid Guimarães, Tatá Werneck, Suzana Pires</p>
<p>Depois de namorar por três anos o seu chefe, Malu (Guimarães) se dá conta que jamais conseguirá casar com ele. Ela passa a desconfiar que exista outra mulher na sua vida e descobre que ele mantém uma relação com Lúcia (Pires), uma dançarina de boate, e Maria (Werneck), uma fanática religiosa, ao mesmo tempo. O diretor da comédia é Roberto Santucci, o mesmo responsável por <em>Até que a sorte nos separe </em>e <em>O Candidato Honesto.</em></p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/zLE0xOr6urU?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/SIls-Maria.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-2560 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/SIls-Maria-620x338.jpg" alt="SIls-Maria" width="620" height="338" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Acima das Nuvens</strong></p>
<p style="text-align: center;">Dir.: Olivier Assayas</p>
<p style="text-align: center;">Elenco: Juliette Binoche, Kristen Stewart, Chloe Grace Moretz</p>
<p>Maria Enders (Binoche) é uma atriz de sucesso internacional que, após receber a notícia do falecimento do dramaturgo que ajudou sua carreira no teatro e no cinema, resolve aceitar o convite para participar de uma nova montagem da peça que a revelou. Enders viaja com sua assistente Valentine (Stewart) até os Alpes para buscar inspiração na composição da sua personagem e acaba se deparando com inseguranças sobre a passagem do tempo ao começar a ter contato com sua nova parceira de cena, a problemática jovem estrela JoAnn (Moretz). O filme encerrou a última edição do Festival de Cannes, a crítica já pode ser lida <a href="http://coisadecinefilo.com.br/critica-acima-das-nuvens/">aqui no site</a>.</p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/8OOXg4jJGak?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/Whiplash.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-2582 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/Whiplash-620x349.jpg" alt="Whiplash-5547.cr2" width="620" height="349" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Whiplash &#8211; Em busca da Perfeição (ESTREIA EM ALGUMAS CIDADES)</strong></p>
<p style="text-align: center;">Dir.: Damien Chazelle</p>
<p style="text-align: center;">Elenco: Miles Teller, J.K. Simmons, Paul Reiser</p>
<p>Andrew (Teller) é um jovem baterista que pelo seu talento chama a atenção de um experiente músico de jazz (J.K. Simmons), um homem pode colocá-lo na orquestra da maior escola de música dos EUA, a Shaffer. Contudo, até conseguir alcançar o seu sonho, Andrew terá que lidar com o comportamento instável do seu novo mestre, uma relação obsessiva que passa a afetar a vida do rapaz em diversos níveis. <em>Whiplash </em>foi um dos destaques do último Festival de Sundance e promete ser um dos títulos do próximo Oscar. O ator J.K. Simmons é o favorito, até o momento, ao prêmio de melhor ator coadjuvante.</p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/BjyCGE32Xdo?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/O-Leviata-Andrei-Zviaguintsev-size-598.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-2583 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/O-Leviata-Andrei-Zviaguintsev-size-598.jpg" alt="O-Leviata-Andrei-Zviaguintsev-size-598" width="597" height="336" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong>Leviatã (PRÉ-ESTREIAS)<br />
</strong></p>
<p style="text-align: center;">Dir.: Andrey Zvyagintsev</p>
<p style="text-align: center;">Elenco: Aleksey Serebryakov, Elena Lyadova, Roman Mayanov</p>
<p>Em uma cidade da Rússia, um pai de família resolve enfrentar o prefeito corrupto do local que resolve demolir a sua casa. Ele chama um amigo para ajudá-lo na missão, porém esse apoio acaba lhe custando ainda mais caro. O filme foi um dos destaques da última seleção do Festival de Cannes.</p>
<p><iframe src="//www.youtube.com/embed/tqyL0h4AYQw?rel=0" width="640" height="360" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Crítica: Acima das Nuvens</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 05 Jan 2015 22:24:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Acima das Nuvens]]></category>
		<category><![CDATA[Chloe Grace Moretz]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Juliette Binoche]]></category>
		<category><![CDATA[Kristen Stewart]]></category>
		<category><![CDATA[Olivier Assayas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Acima das Nuvens, novo filme de Olivier Assayas, é um longa que possui no seu elenco Juliette Binoche, atriz francesa que circula pelas cinematografias de diversos países, alternando entre o drama autoral de um diretor iraniano (Cópia Fiel) ao romance épico vencedor do Oscar de melhor filme (O Paciente Inglês), e Kristen Stewart, jovem estrela de Hollywood que alcançou o ponto mais alto da sua carreira na saga Crepúsculo, mas que também viveu o ônus dessa confusão que comumente é [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_2560" aria-describedby="caption-attachment-2560" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/SIls-Maria.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2560 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/SIls-Maria-620x338.jpg" alt="SIls-Maria" width="620" height="338" /></a><figcaption id="caption-attachment-2560" class="wp-caption-text">Retiro: Atriz interpretada por Juliette Binoche isola-se com sua assistente, vivida por Kristen Stewart, antes de encarnar a sua nova personagem.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Acima das Nuvens</em>, novo filme de Olivier Assayas, é um longa que possui no seu elenco Juliette Binoche, atriz francesa que circula pelas cinematografias de diversos países, alternando entre o drama autoral de um diretor iraniano (<em>Cópia Fiel</em>) ao romance épico vencedor do Oscar de melhor filme (<em>O Paciente Inglês</em>), e Kristen Stewart, jovem estrela de Hollywood que alcançou o ponto mais alto da sua carreira na saga <em>Crepúsculo,</em> mas que também viveu o ônus dessa confusão que comumente é feita entre o mundo das artes e da espetacularização da vida alheia ao ter sua vida devassada pelos tablóides. De uma certa, a trajetória das protagonistas fora das telas dialoga com a de suas personagens no filme de Assayas, que, por sua vez, possuem conexões com as personagens que eventualmente interpretam na peça fictícia &#8220;Maloja Snake&#8221;. Dessa forma, <em>Acima das Nuvens </em>parece aquelas <em>matrioshkas </em>(bonecas russas que quando abertas escondem réplicas ainda menores de si mesmas), revelando ao espectador o intercâmbio de papeis que se instaura sempre que diferentes gerações se relacionam.</p>
<p>No filme, Juliette Binoche vive Maria Enders, uma atriz francesa prestigiada internacionalmente  surpreendida com a morte do escritor responsável pelo seu grande sucesso no teatro e, posteriormente, no cinema, o texto &#8220;Maloja Snake&#8221;, um drama sobre a conturbada relação entre uma atriz de meia idade e sua jovem e bela assistente. Ainda abalada com a notícia, Enders aceita protagonizar uma nova montagem teatral do texto, só que dessa vez interpretando Helena, a atriz veterana. Durante a preparação para a peça, Maria isola-se com sua assistente Valentine, personagem de Kristen Stewart, na casa do escritor de &#8220;Maloja Snake&#8221; e, entre um ensaio e outro, a atriz começa a refletir sobre a passagem do tempo.</p>
<p><figure id="attachment_2561" aria-describedby="caption-attachment-2561" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/Clouds-of-Sils-Maria-still-3.jpeg"><img decoding="async" class="wp-image-2561 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/Clouds-of-Sils-Maria-still-3-620x338.jpeg" alt="Clouds-of-Sils-Maria-still-3" width="620" height="338" /></a><figcaption id="caption-attachment-2561" class="wp-caption-text">A passagem do tempo: Longa trata da maneira como vemos as mesmas coisas em diferentes momentos das nossas vidas.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Em linhas gerais, <em>Acima das Nuvens </em>trata do fascínio e da repulsa que temos a tudo o que é novo ou a tudo o que é velho e como podemos assumir diferentes perspectivas sobre um mesmo assunto quando estamos na maturidade. Dividindo a história em três atos, Assayas dirige de maneira elegante o seu filme e consegue lidar com as múltiplas camadas e interconexões que ele inevitavelmente acaba proporcionando, afinal, além da relação com a própria trajetória das atrizes em questão fora das telas, as personagens de Binoche e Stewart representam na ficção as mesmas funções de Helena e Sigrid, protagonistas da peça em questão. Há quedas de ritmo consideráveis na transição do segundo para o terceiro ato, contudo, o diretor consegue manter sua narrativa desafiadora aos olhos e mentes do espectador, o que é sempre um ponto positivo.</p>
<p>Juliette Binoche e Kristen Stewart se complementam em cena, ponto fundamental para a execução acertada das intenções do roteiro. Binoche consegue construir, como de praxe, todos os conflitos da sua personagem, tudo muito delicado e sem as habituais afetações hollywoodianas que algumas atrizes de sua geração (e mais novas) costumam cair. Já Kristen Stewart surpreende os mais céticos ao rivalizar sem maiores problemas e impor o seu ritmo e as argumentações da sua personagem a uma atriz do porte de Binoche. Também participa do filme Chloe Grace Moretz, que interpreta a jovem atriz contratada para viver Sigrid na nova montagem. Moretz também tem seus momentos na pele da típica jovem estrela de cinema &#8220;subversiva&#8221;, algumas cenas bem divertidas, por sinal.</p>
<p><figure id="attachment_2562" aria-describedby="caption-attachment-2562" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/chloe-grace-moretz.png"><img decoding="async" class="wp-image-2562 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/01/chloe-grace-moretz.png" alt="chloe-grace-moretz" width="600" height="337" /></a><figcaption id="caption-attachment-2562" class="wp-caption-text">Garota-problema: Chloe Grace Moretz vive conturbada estrela teen às voltas com o lado ruim da fama.</figcaption></figure></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Lidando sem cortes muito abruptos com esse diálogo entre o que é da própria trama e o que é externo a ela, Olivier Assayas consegue fazer de <em>Acima das Nuvens </em>um filme que, se não é o mais memorável da sua carreira, ao menos mantém o padrão das suas melhores produções. Contudo, é inegável que o filme é um curioso canal para uma parceria improvável e muito bem sucedida, a de Juliette Binoche e Kristen Stewart.</p>
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