Depois de dez anos afastados do universo dos shows de stand-up, Kumail Nanjiani retorna ao ofício em Kumail Nanjiani: Night Thoughts. Paquistanês, radicado nos Estados Unidos, o ator estrelou longas-metragens como Eternos (2021) e Doentes de Amor (2021). Já no catálogo da Disney+, o especial tem uma hora de duração e se passa em Chicago.
Kumail argumenta que seu desejo com esta obra era de criar uma relação com a plateia. “Eu queria mostrar que nós temos muito mais em comum do que diferenças”, expõe. Ao lado do diretor Bill Benz (Portlandia), o objetivo de Kumail, de acordo com ele, seria o de não convocar para a cena malabarismos visuais.
Para o comediante, o plano seria o de ser intimista, deixando a sensação de presença para o público, como se eles tivessem dentro do teatro na noite das filmagens. Sobre as piadas, Nanjiani explica que resolveu trazer um pouco de sua vida para o roteiro. Segundo Kumail, ele não gostaria de retornar para o mundo do stand-up sem um bom motivo e estar vulnerável é uma boa razão para o intérprete.
Kumail revela como é nesta mistura de relatos pessoais e situações universais que ele construiu todo o universo de sua nova produção. Em comentário sobre a piada específica feita sobre shows de música que sempre fazem a encenação do “bis”, ele conta: “eu penso, ah, está tarde, por que vocês não tocam tudo de uma vez?”
ENTREVISTA
Enoe Lopes Pontes – Como foi o processo de construção do roteiro de seu stand-up, pensando que, ao mesmo tempo que ele é universal e faz a gente se relacionar com aquele conteúdo, ele é bem específico e tão você?
Kumail Nanjiani – Eu fiquei uns 10 anos sem fazer stand-up. E quando voltei para essa área meu objetivo era ser o mais eu mesmo dentro do palco. Queria ser o mais vulnerável possível, mostrar o máximo de mim durante essa hora de comédia, entende? Porque eu pensei que se eu fosse voltar a fazer isso, teria que ter um motivo. Não poderia ser só uma hora de piadas no palco.
ELP – Sim.
KN – Eu pensei: “Preciso de um motivo de verdade”. Então, decidi que o objetivo seria ser o mais aberto e vulnerável possível no palco, fazer com que as pessoas se identificassem e sentissem que todos nós passamos por coisas parecidas, sabe? Minha vida, com certeza, é bem diferente da sua. Cada um na plateia tem uma vida completamente diferente, mas todos nós enfrentamos os mesmos problemas. E eu queria mostrar que nós temos muito mais em comum do que diferenças. Eu queria começar de um ponto de vista geral e depois ir levando para algo cada vez mais pessoal. Esse era o objetivo deste especial.
ELP – Uma coisa que me chamou a atenção foi a direção do trabalho com o diretor Bill Benz. Como foi trabalhar com ele?
KN – Ele é ótimo! Sabe, ele dirigiu alguns especiais de amigos meus e eu pensei muito em quem poderia dirigir o meu. Porque eu nunca tinha me envolvido tanto com um diretor fazendo um trabalho assim. Então, eu meio que conversei com ele e disse que eu queria sentir que as pessoas de casa estavam na plateia assistindo. Então, eu não queria nenhuma tomada que desse a impressão de que a câmera estava voando por aí ou algo do tipo, porque acho que isso parece muito artificial, mesmo que o especial seja visualmente lindo.
ELP – Ah, sim.
KN – Ele fez um trabalho incrível. Nós fomos muito cuidadosos sobre quando cortar para um close e quando manter o plano aberto, sabe, esse tipo de coisa. Pensamos muito, muito cuidadosamente nisso porque na edição de filmes você aprende que quando alguém diz algo e a câmera está longe, a sensação é muito diferente de quando a pessoa diz exatamente a mesma coisa, mas a câmera está bem perto. Então, aprendi tudo isso nos últimos anos produzindo filmes e programas de TV e trouxe essa experiência para este projeto. O Bill também tem muita experiência na TV, não só com especiais de stand-up. Então, para nós, isso era algo muito específico. E também, quando cortar para um close e quando afastar a câmera? Porque às vezes, se você fica muito tempo em close, começa a ficar um pouco desconfortável.
ELP – Compreendo. Mas, eu queria trazer aqui a piada sobre o pedir bis em shows (risos). Para mim, é a melhor piada que eu já ouviu na minha vida inteira. Eu nunca fui para um show do mesmo jeito, Eu sempre fico atenta a isso agora. (risos)
KN – Eu me sinto do mesmo jeito. (risos) Eu fico: gente, já está tarde, por que vocês não tocam tudo de uma vez? Não finjam que o show acabou. (risos).
ELP – Exatamente. (risos).
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