Por Que Você Não Chora?

Festival de Gramado: Por Que Você Não Chora?

Na noite desta última sexta-feira (18), começaram as exibições dos filmes da Mostra Competitiva de Curtas e Longas brasileiros e Ibero-americanos do 48º Festival de Cinema de Gramado, um dos mais tradicionais do país. O longa brasileiro de abertura foi Por Que Você Não Chora?, da diretora Cibele Amaral e com Carolina Monte Rosa, Bárbara Paz e Elisa Lucinda no elenco. 

Logo no início da projeção, o filme traz uma cartela com a informação do contato para o CVV (Centro de Valorização da Vida). Este dado já revela para o espectador que o suicídio poderá ser tratado. Por ser um assunto delicado e difícil de ser abordado, a apreensão do que estar por vir já pode ser instalada desde o início do longa. No entanto, dificilmente alguém poderá imaginar como o tema vai ser abordado de maneira tão ruim e, para completar, com questões problemáticas praticamente em todos os quesitos da obra.

A começar pela construção da imagem da saúde mental e das doenças psicológicas. O tom de distanciamento e a caricatura deste tipo de paciente são incômodos até para quem não é da área de saúde. A composição dos corpos em cena e a maneira como os textos são ditos compõem uma caricatura. Além disso, quando os professores de psicologia dentro da trama falam seus textos são intensamente aleatórios e dificilmente sairiam da boca de pessoas da vida real. Pelo menos não daquela maneira. Há quase uma atmosfera de deboche.

Por Que Você Não Chora?

Outro ponto que chama atenção é a falta de habilidade do roteiro de Por Que Você Não Chora? em saber que história deseja contar. Após passar boa parte da narrativa com o foco no plot de Bárbara (Bárbara Paz), este enredo desaparece, sem ao menos que os conflitos sejam resolvidos para seguir adiante. Há todo uma tensão entre ela e a protagonista, Jéssica (Carolina Monte Rosa), desperdiçada. Em seguida, há um estalo em Jéssica e ela parte por outro caminho completamente diferente, sem que aqueles traços tivessem sido totalmente construídos anteriormente.

Existem também as analogias da relação dela com a mãe e com seu passado inseridas durante toda a exibição, mas estas nunca investigadas ou postas com um propósito palpável. Diversos de seus sonhos são colocados e parecem mais uma tentativa de criar um efeito do que uma forma de deixar a personagem mais complexa e com camadas. Para completar, os diálogos são expositivos e subestimam a capacidade do espectador de compreender um enredo básico.

Ao final de Por Que Você Não Chora?, a única coisa que se salva em toda produção é a interpretação de Bárbara Paz, que parece lutar arduamente para criar uma figura menos estereotipada e rasa. A atriz domina o espaço cênico e consegue transmitir algumas emoções pontuais que deixam mais crível as situações postas na tela. Mesmo que as palavras ditas sejam descuidadas, ela parecer ter trabalhando em uma construção de personagem, enquanto as suas colegas de cena, infelizmente, demonstram ter apenas entrado no automático e usado algum tipo de chave de interpretação, para buscar uma mínima dignidade.

Direção: Cibele Amaral

Elenco: Carolina Monte Rosa, Bárbara Paz, Elisa Lucinda

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