Nesta semana, estreou o novo filme de Quentin Tarantino, Era uma Vez em… Hollywood. Anunciado como penúltima obra do diretor, o longa reconta a história da família Mason e o evento que aconteceu com Sharon Tate, atriz de Hollywood em ascensão e esposa do cineasta Roman Polanski. Em 1969, aos 26 anos de idade e grávida, ela foi brutalmente assassinada, junto com seus amigos, por um grupo de satanistas, membros do clã Mason. Apesar do trágico acontecimento com Tate, a artista deixou uma pequena filmografia, com oito anos de carreira e uma indicação ao Globo de Ouro, em 1968. Pensando nisso, o Coisa de Cinéfilo reuniu uma lista com as produções mais importantes da intérprete, considerando não apenas as qualidades das projeção em geral, mas no seu trabalho especificamente.

Confira!


Arma Secreta contra Matt Helm (1968)

Ao lado de Dean Martin (4 Heróis do Texas), Sharon Tate interpreta a atrapalhada Linka Karensky. Aqui, vê-se uma atuação engraçada e divertida da artista, que parece – não apenas neste trabalho, mas como em outros também – saber reconhecer o estilo de interpretação que precisa imprimir para causar os efeitos que o diretor deseja passar. Além de suas tiradas cômicas, Tate também apresenta noções de luta e demonstra empoderamento feminino para aquela época. Vale destacar que seu estilo de atuação também coincide com a passagem dos anos 1960 e 1970, que novos estilos de enredo e performances, algo menos conservador e mais livre e Sharon, talvez, tivesse sido, assim como outras colegas de seu período, uma dessas atrizes que seguiram com o novo tipo de interpretação, como Jane Fonda e Shirley MacLaine, por exemplo.


O Olho do Diabo (1967)

Interpretando Odile de Caray, a atriz entrega uma performance que condiz com o gênero do longa: horror. Com um tom de mistério que paira em sua voz e expressões faciais, Sharon Tate consegue imprimir uma sensação de medo, sem exageros. O tom que ela utiliza combina com o próprio clima que o filme parece tentar construir, em sua música ou em planos e cortes que estabelecem tensão e suspense. Definitivamente, o destaque aqui são os olhares que Tate criou para a Odile, que não vacilam, são fixos e quase parados, deixando uma ideia quase de possessão nos olhos. O seu estilo de interpretação e presença lembram, em diversos momentos e não apenas aqui, atrizes francesas como Catherine Deneuve e Françoise Dorléac.


A Dança dos Vampiros (1967)

Dirigido por Roman Polanski (Repulsa ao Sexo), o filme satiriza produções de terror, com um humor denso e sombrio. O longa, assim como tantos outros do cineasta, é angustiante e possui um clima sombrio e sufocante, ainda que seja uma espécie de comédia. A atuação de Sharon é bem pontual e a jovem faz uma típica mocinha de histórias de vampiros. O ponto alto aqui é a energia vibrante, tão pertencente a sua interpretação, utilizada em contraponto com a ambientação da trama e como ela parece estar consciente desta vibração interna que possui. O resultado é uma personagem carismática, que provoca empatia, mas com toques de distanciamento que pode fazer com o que público lembre que está vendo uma sátira.


O Vale das Bonecas (1967)

Indicada ao Globo de Ouro por sua performance, Sharon dá vida a Jennifer North, uma jovem modelo e atriz, objetificada pela indústria e com uma visão inferior sobre si mesma. O ar serelepe de Tate é visivelmente reduzido e a atriz entrega uma performance mais intensa e complexa do que geralmente trazia. Este fator pode ser visto de várias formas, ela era uma intérprete no início da carreira e de pouca idade. Logo, a produção deixa uma sensação de que a artista está começando a mostrar o seu talento e sua capacidade de aprofundar as emoções de suas personagens, saindo da primeira camada de moça esperançosa e ingênua.

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