Crítica: Te Peguei

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Um filme baseado em fatos reais traz um importante elemento para o enredo: o respaldo da veracidade. Quando se trata de um longa de comédia nestes moldes, a situação fica mais interessante, já que elementos que podem beirar o absurdo têm onde se apoiar. No caso de Te Peguei, toda a surrealidade da trama, mesmo que existam exageros não verídicos, torna-se aceitável diante do fato de que existem pessoas reais sendo representadas.

É com um pouco de desconfiança que o espectador inicia a sessão de Te Peguei. Com alguns toques iniciais de besteirol, o filme vai tomando corpo de maneira gradativa, objetiva, mas sem pressa. Isso auxilia o público a entender o que está acontecendo e criar empatia pela história, que é incrivelmente surreal.

Um grupo de amigos que se conhecem desde a infância e sempre brincaram de pega-pega, se reúnem todos os anos no mês de maio para dar continuidade à brincadeira. Claro que com o passar dos anos isso foi ficando cada vez mais difícil e emocionante, já que cada um foi morar em uma cidade diferente, alguns casaram, tiveram filhos, etc. Um dos membros, no entanto, nunca foi pego durante os 30 anos da brincadeira. Sendo assim, o demais resolvem traçar uma estratégia e um plano para finalmente pegar o esperto.

Te Peguei é um filme de muitas risadas. Aliás, risadas sinceras, abismadas e altas. O nível de surrealidade do roteiro ultrapassa qualquer coisa, uma vez que assistimos homens de meia idade correndo atrás uns dos outros e tentando criar emboscadas em prol de um jogo que não tem exatamente um objetivo. Eles efetivamente tiram férias, pedem licença do trabalho, para conseguir participar da brincadeira. Algo muito louco na cabeça do espectador.

O novato diretor Jeff Tomsic faz uma boa estreia nos cinemas, com uma comédia muito engraçada, com história atraente (embora insana) e fluidez no roteiro. A escolha de elenco foi muito acertada. Ed Helms veste bem a camisa da liderança do grupo, enquanto Jon Hamm assume o papel de garanhão rico e perdido que quer apenas fugir das responsabilidade.

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Como uma paródia de si mesmo, Jeremy Renner assume o papel do membro que nunca foi pego e tem milhares de táticas para escapar dos demais. Alguns elementos de ação e espionagem são utilizados e acrescentam bem ao roteiro. Destaque importante para Hannibal Buress, que incorpora o personagem com tamanha maestria que pelo simples fato de entrar em cena, já arranca risadas do espectador.

Como o grupo é composto apenas de homens – eles ressaltam que na época em que fizeram o trato eles eram pequenos e não deixavam menina brincar – as mulheres que surgem servem como apoio e suporte para a trama. Ainda assim, tem boa representatividade ao que se propõem, como é o caso de Isla Fisher, que faz o papel da esposa mega competitiva.

Te Peguei mostra uma clara preocupação em ter uma história, efetivamente, e não apenas fazer um compilado de momentos engraçados. O fato de ser baseado em fatos reais ajuda bastante, mas eles conseguem colocar elementos próprios e ter uma personalidade independente do material original.

Ao final do longa, temos a conclusão que já vai se mostrando ao longo da trama: tudo aquilo não se passa de um motivo para reunir os amigos e curtir os bons tempos de antigamente. É uma válvula de escape para todos eles, uma possibilidade de deixar a criança interior se divertir mais uma vez. Com o desfecho inesperado de um dos personagens, o espectador finaliza o filme com ainda mais empatia por todos e a sensação de que esta é uma comédia que vale a pena.

Assista ao trailer!

 

Marcela Gelinski443 Posts

Jornalista, cinéfila, amante de vampiros, apaixonada por pipoca, fã de livros, viciada em Friends e crente em conto de fadas.

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