É possível imaginar o quão extenuante é conviver com as dificuldades de um vício em drogas. Falar sobre esta temática em filmes também não é algo simples, já que requer o cuidado para lidar com possíveis gatilhos criados no enredo, ao mesmo tempo em que é preciso se aprofundar e tornar a experiência mais sentimental. O Retorno de Ben consegue fazer isso de maneira muito interessante e acertada, colocando o espectador como mais um personagem na história dramática.

Holly (Julia Roberts) é uma mãe dedicada que vive preocupada com o filho Ben (Lucas Hedges), um jovem doente que foi internado em uma clínica de reabilitação por conta do vício em drogas. Quando o garoto surge no Natal para passar as festas com a família, a matriarca se vê em uma situação emocionalmente complicada, lidando com os demais filhos e o marido, que não apoiam a chegada de Ben.

O diretor Peter Hedges (A Estranha Vida de Timothy Green) traça uma rota cuidadosa e bem explicada da história de Ben e sua família, assim como seu retorno conturbado. Embora Holly sofra com a ausência do jovem, a paz finalmente voltou a reinar na sua casa, depois de anos de turbulência. Seu marido (e padrasto de Ben) a apoia em tudo, embora não concorde com várias de suas atitudes. O roteiro vai mesclando essa dificuldade de definir sentimentos que envolvem amor e medo.

Enquanto Holly tenta acreditar na melhora do filho, sinais vão aparecendo que tudo aquilo não é uma boa ideia e de que precauções precisam ser tomadas. Quando Ben efetivamente se envolve em problemas, o espectador assiste à uma mãe completamente desesperada para salvar a vida do filho e dar um pouco de paz aos seus dias. Ela efetivamente entende o vício como uma doença (diferente do marido) e quer ajudar o garoto no que pode.

Caminhando de maneira lenta, como tem que ser neste caso, O Retorno de Ben envolve o espectador em todas as emoções vividas pelos personagens. Nos pegamos segurando a respiração e torcendo para que o jovem não tome decisões erradas com as tentações que vão aparecendo no caminho. Enquanto isso acontece, a história vai sendo explicada e as camadas sendo um pouco mais desenvolvidas.

Julia Roberts (Álbum de Família) conduz completamente o filme com uma atuação nada menos que incrível. Ela transita nas emoções com tranquilidade e é possível ver a turbulência que existe dentro de si ao amar o filho e torcer por sua melhora, mas saber que, efetivamente, ele não está bem. Uma das cenas mais incríveis e emocionantes é quando ela entra na delegacia implorando para que prendam seu garoto.

Envolto nesta química, temos Lucas Hedges (Lady Bird – A Hora de Voar), filho do diretor, que também nos apresenta uma boa atuação e incorpora muito bem o personagem transtornado que é Ben. Lucas vem participando de ótimos projetos, como Manchester à Beira-Mar e Três Anúncios Para Um Crime, e na companhia de excelentes atores. Ainda vamos ver muito dele por aí e é um conforto saber que ele é efetivamente bom.

A medida que o filme vai chegando ao seu ápice, sente-se falta, no entanto, de maior aprofundamento da história do passado de Ben e dos demais personagens que participam da construção da narrativa, como a irmã e a mãe da ex-namorada do rapaz. É como se o enredo gira-se apenas em todo da dupla principal, perdendo boas chances com os demais.

O Retorno de Ben é um drama intenso que beira a angústia de um suspense por imergir o espectador em tantas emoções. Ainda que não seja o melhor roteiro para descrição do tema de drogas, com muitas questões religiosas envolvidas e personagens que funcionam apenas como acessórios, este é, definitivamente, um filme que vale a pena conferir e se deleitar com grandes atuações.

Direção:Peter Hedges
Elenco: Julia Roberts, Lucas Hedges, Courtney B. Vance, Kathryn Newton

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