Crítica: Mentes Sombrias

cena do filme Mentes Sombrias

Anos atrás, o número de produções hollywoodianas baseadas em séries literárias distópicas voltadas para adolescentes era gigantesco, um fenômeno catapultado pelo sucesso de Jogos Vorazes de 2012. Em alguns casos, as próprias editoras encomendavam essas histórias mirando os estúdios de cinema e as eventuais parcerias lucrativas que as adaptações poderiam angariar. Como sempre acontece, o fenômeno logo encontrou sinal de fadiga com exemplares cada vez menos inventivos e que não apresentavam nenhuma distinção, com tramas girando em torno de um grupo de jovens, eventualmente com habilidades especiais que lideravam um motim contra um governo autoritário.

 Adaptado do livro de Alexandra Bracken, Mentes Sombrias tenta pegar carona no último resquício de interesse que o filão ainda pode gerar no espectador contemporâneo. Pouco se importando com o destino interrompido de projetos fracassados como Divergente A 5ª OndaMentes Sombrias mira uma franquia sobre adolescentes com poderes especiais capturados por um governo que teme o estrago que eles e seus dons podem fazer no mundo. Divididos em castas reconhecíveis por cores que, hierarquicamente, representam seus dons, o grupo será liderado pela garota Ruby, detentora de um poder singular.

Dirigido por Jennifer Yuh Nelson, vinda da animação com trabalhos notáveis como a franquia Kung Fu Panda e a série animada Spawn , Mentes Sombrias é a estreia em live action da realizadora, um debut extremamente decepcionante. Com um orçamento estimado em US$ 34 milhões, Mentes Sombrias é visualmente pouco inspirado, não nos fazendo notar 1/10 da inspiração visual que é típica da diretora em suas incursões na franquia animada da DreamWorks.

A trama parece uma colagem de elementos já vistos em outros filmes do filão, não deixando muito claro o que exatamente pretende com sua proposta de futuro distópico. Elementos como os jovens super dotados, o governo autoritário e a segregação da população parecem aleatórios na história, quando, normalmente, nesse tipo de material, estão presentes na trama para apontar discussões sobre temas de cunho social como o preconceito, a ganância e a corrupção em altas esferas do poder. Em Mentes Perigosas toda sorte de expediente narrativo parece estar presente na trama sem compromisso algum, fazendo o filme parecer uma versão de baixo orçamento dos X-Men, porém carente de uma urgência que os quadrinhos da Marvel sempre miraram ao abordar de maneira contundente o preconceito e suas consequências sociais e psicológicas.

Parecendo o piloto de uma série do SyFy sem garantia de continuidade dado os números decepcionantes de sua bilheteria (no primeiro fim de semana o longa ficou em 8º lugar, despencando para a 13ª posição na semana seguinte), Mentes Sombrias parece o último suspiro de um nicho de produção que rendeu muito aos cofres dos estúdios de Hollywood, mas que precisa com urgência de novos ares, histórias que procurem alternativas e premissas mais criativas. Não dá para dizer que Mentes Sombrias representa o “fundo do poço” para as distopias adolescentes porque os executivos americanos sempre nos surpreendem com sua ganância e falta de imaginação, mas é um ponto extremamente baixo de um nicho que já teve momentos bem melhores.

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira460 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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