Um suspense que não sabe para onde vai. Essa é uma frase que consegue resumir a totalidade de Brick, novo longa-metragem do alemão Phlip Koch (Picco). A premissa é criativa e trata de um prédio que fica cercado por tijolos em toda as saídas existentes no local. No centro da trama, há o casal principal, que não possui química ou carisma e que as atuações intercalam entre boas e ruins. Esse fato parece vir do roteiro que tem um texto pobre, com diálogos repetitivos, o que gera uma inconstância qualitativa nos atores. Em 20 minutos de projeção, o espectador já cansou do conflito interno de Tim (Matthias Schweighöfer), em relação à perda do bebê de sua esposa, Olivia (Ruby O. Fee), justamente por conta da maneira pela qual a história da dupla é mostrada.
São muitos flashbacks, mesclados com textos expositivos. Além disso, o restante do elenco não entrega interpretações melhores que os principais. Pelo contrário, todos ficam na forma, convocando uma artificialidade na fala e nos gestos. Cada movimento soa forçado e isso influencia na construção de suspensão. Um exemplo é a sequência na qual os tijolos da porta se liquidificam e uma das vizinhas coloca a mão dentro do espaço. Esse era para ser um momento sufocante e intenso, porém é previsível em seu resultado e cansativo pelo tom não orgânico. Era necessário que um relacionamento mais próximo com esta personagem – e todas as outras – fosse realizado para que o impacto do que ocorre com ela fosse gerado.
Para além de diálogos embaraçosos e atores fracos, o próprio plot é indeciso. Uma busca que muitos filmes de mistério têm, e que pode ser a danação deles, é esse desejo de tentar enganar o espectador. A falta de assertividade de quem é o vilão e do que são esses (malditos) tijolos cria uma incoerência no roteiro. Não há um argumento político estabelecido, apesar do longa parecer querer criar um. Não há medo de que os moradores do edifício não escapem, porque os roteiristas – de Koch, com Chrisn Ryden (Counterpoint) – não formulam figuras que estimulem empatia em quem assiste. Também falta qualidade técnica no elenco, na montagem e na direção de arte.
As luzes e temperaturas não dialogam entre si. Falta uma construção de atmosfera provocada pelas visualidades. Falta pensar nos adereços, figurinos e maquiagem como pontos constituintes da encenação. Falta conectar imagens para que os papéis estabelecidos pelas personagens sejam apropriadamente fruídos. Há uma ausência de fluidez na edição, que é fruto desse desejo de ser “cool” e misturar temporalidades dos acontecimentos. Mas, o básico não é feito: criar suspense dentro de filme de suspense! Não, ao invés disso, o público ganha reiterações. Todo mundo já entendeu que Tim está apreensivo. No entanto, instantes solitários do rapaz sofrendo são mais constantes do que aqueles voltados para elaborações de tensão. Talvez, uma conversa mais duradoura sobre a Segunda Guerra Mundial ou sobre as políticas de contenção e proteção alemães fossem mais efetivas.
O tom das falas e a mudança da velocidade dos takes também ajudam. Não tem como uma produção audiovisual ter ritmo se tudo é corrido! Intercalar os tempos é o que cria o desenvolvimento rítmico da encenação. Todavia, tudo se passa ligeiramente, mas, ao mesmo tempo, com repetições. Assim, a história não avança muito, tampouco se torna interessante para a plateia. Por isso que Brick é mais um título genérico na Netflix. Esta é uma daquelas sessões esquecíveis e desagradáveis, que vieram junto com a alta produção de canais streaming no mundo.
Direção: Philip Koch
Elenco: Matthias Schweighöfer, Ruby O. Fee, Frederick Lau
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