A comédia besteirol sempre existiu no cinema, mas ganhou dois importantes boons, um nos anos de 1980 e outro nos anos 2000 com filmes cuja proposta era fazer uma crônica do adolescente médio estadunidense. Do gênero saíram longas cultuados por uma geração como Porky’s, A Vingança dos Nerds, American Pie e Superbad. A história sempre trazia o arco de um colegial que ocasionalmente tinha como meta de vida perder a virgindade e passar de ano, corrigindo alguma grande burrada cometida nesse meio tempo antes que seus pais descobrissem e fosse tarde demais.

Bons Meninos é um exemplar que se encaixa nas marcas desse gênero, só que no lugar dos adolescentes do high school prestes a entrar na universidade, o diretor e roteirista Gene Stupnitsky (Professora Sem Classe) leva toda essa gramática do besteirol teen para o universo infantil. Os protagonistas de Bons Meninos têm preocupações do tipo dar o primeiro beijo e ficam às voltas com infrações como beber mais que um gole de cerveja ou acessar pornografia pela internet, coisas que para adultos talvez não tenham grande importância.

Bons Meninos

Stupnitsky consegue um resultado hilário no seu filme ao unir a inocência dos seus protagonistas, afinal todos são crianças e ainda tem um olhar bastante ingênuo para situações como o sexo, o consumo de drogas e a vida adulta de maneira geral, com a típica malícia e escracho desse tipo de material. O diretor insere esse grupo improvável de personagens nas marcas do besteirol americano e tira proveito do ruído que essa situação provoca rendendo momentos hilários como a vez em que os garotos confundem um frasco de vitaminas com drogas pesadas ou sequer desconfiam das utilidades de alguns toys de sex shop, como uma boneca inflável ou ferramentas de sadomasoquismo. Por essa razão, o filme foi tão bem recebido em sua estreia nos EUA ano passado, mas também causou bastante polêmica. Afinal, quem imaginaria ver o angelical Jacob Tremblay de O Quarto de Jack metido nesse tipo de odisseia?

O acerto de Bons Meninos é justamente tirar proveito da maneira como esse grupo de personagens está alheio à malícia do seu próprio roteiro, ou seja, da trama na qual os mesmos acabam sendo inseridos, vivendo uma série de descobertas comuns às suas respectivas idades sem que com isso Stupnitsky os subestime como crianças “bobinhas”. É interessante, por exemplo, como eles encontram espaço nessa jornada para momentos de completa ludicidade como quando vão negociar a entrega de um drone com duas adolescentes emulando o comportamento de chefões da máfia ou como a situação de atravessar uma avenida movimentada representa um grande perigo enfrentado por eles (e de fato é!). A maneira como o longa conduz esses movimentos da história é o que garante o barato do filme aliado ao seu elenco de prodígios da comédia.

Direção: Gene Stupnitsky
Elenco: Jacob Tremblay, Keith L. Williams, Brady Noon, Molly Gordon, Midori Frances, Izaac Wang, Millie Davis, Josh Caras, Will Forte

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