Crítica: 10 Segundos para Vencer

estreia 10 Segundos Para Vencer

10 Segundos para Vencer coopta dois grandes gêneros cujas marcas são de conhecimento geral do público, a biografia de uma grande personalidade e o “filme de boxe”. O filme faz isso a partir da história do lutador brasileiro Eder Jofre, apelidado de “galinho de ouro”, esportista que se consagrou campeão mundial na década de 1960, tendo seu pai, o rigoroso Kid Jofre, como treinador. O projeto é dirigido por José Alvarenga Jr., cria da comédia na TV Globo e na Globo Filmes com seriados bem sucedidos como Os Normais, suas versões cinematográficas e também alguns filmes dos Trapalhões nos anos de 1980, além de títulos recentes como Divã Cilada.com.

10 Segundos para Vencer é a primeira incursão de Alvarenga Jr. em algo fora da comédia. De uma maneira geral, o filme não quer escapar de cacoetes narrativos. O longa pretende acompanhar de maneira tradicional a jornada do seu herói, desde o interesse pelo boxe na infância até seu retorno aos ringues aos 37 anos de idade, seu difícil treinamento, os problemas no casamento etc. Tudo isso é ofertado para o público com a inevitável sensação de “lugar-comum”. Ao invés de traçar a jornada do seu biografado como singular, como parece pretender as linhas do seu roteiro, ela acaba se tornando semelhante a tantas outras histórias do gênero. Falta a 10 Segundos para Vencer especificar onde de fato reside a faísca de interesse e peculiaridade na biografia de Eder Jofre para além de algumas obviedades como os recorrentes temas da superação pessoal pelo esporte.

Formalmente, o filme é conservador na construção da sua história, da estrutura do seu roteiro, passando pela trilha sonora que pontualmente convoca batidas de um pop rock para ficar mais contemporânea, a montagem clássica e uma composição de planos esteticamente caprichada. Não teria problema algum para o filme seguir uma tradição, a questão é que ele o faz mal em questões pontuais e nevrálgicas. O roteiro de Thomas Stavros, por exemplo, é um amontoado de frases de efeito que prejudicam até mesmo a interpretação de atores do gabarito de Osmar Prado e Daniel de Oliveira, que algumas vezes soam artificiais por terem que interpretar .

Como algumas cinebiografias, 10 Segundos para Vencer acredita que a exposição dos eventos da vida do seu biografado é suficiente para fazer o público dimensionar a importância de sua trajetória em seu contexto histórico. Sem inventividade, o filme de Alvarenga Jr. não consegue sequer esgarçar um ponto forte do projeto, a relação entre Eder e seu pai Kid, um aspecto que as vezes retira o filme da sua própria banalidade e prefere contar com o benefício de ser uma representação de uma história que de fato ocorreu, algo que garante uma aderência imediata do espectador ao projeto. Em alguns momentos, ele consegue cativar seu público espontaneamente por essas vias, como quando exibe algumas imagens de arquivo da vida de Jofre somadas a informações dramatizadas pelo longa, como o intenso e severo treinamento que Kid submetia seu filho. No entanto, ainda é muito pouco para superar o modus operandi ligado no automático que dá as cartas na maior parte da projeção do filme.

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira462 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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