O Livro de Lila

7º BIFF: O Livro de Lila

Buscando criar uma metáfora sobre memória, infância e crescimento, a diretora e roteirista colombiana Marcela Rincón traz a aventura de Lila (Sofía Montoya). Em O Livro de Lila, o público acompanha como a garota, que era uma personagem literária, tem sua história roubada por pássaros e passa a viver no mundo real, desvanecendo lentamente. A partir desta premissa, vê-se a menina se juntando aos amigos Manuela (Estefanía Giraldo) e Ramón (Antoine Marín) para tentar resgatar o que lhe foi tirado, para que esta não possa ser esquecida.

Com uma trama que revela gradativamente a intenção de chamar a atenção dos espectadores, principalmente das crianças, sobre a importância da leitura e da imaginação, há  certa coragem de Rincón em tratar de temas pesados, como a morte e o luto, através de alegorias e cenas delicadas. A passagem que estabelece a relação de Ramón com sua mãe, seguida da perda dela, é um dos momentos chaves dessa sensibilidade da realizadora.

A construção de Lila, a diferença dela e de seu mundo para aqueles que vivem fora da ficção também é um destaque. Algumas características são óbvias, como as cores vibrantes do universo da protagonista ou seu cabelo lilás. Outros traços são mais sutis, como a maneira que ela fala, os seus diálogos e a forma de encarar as situações. Estas características transmitem um reforço para o tom de fantasia presente nela, para além da própria construção ficcional da animação em si.

O Livro de Lila

No entanto, alguns incômodos aparecem durante a projeção. A primeira questão que salta aos olhos é a justificativa para Lila precisar de Ramón. Esta soa um tanto fraca e arbitrária. No longa é dito que os dois têm uma ligação, porque o menino lia a historinha que foi furtada. Depois da partida de sua mãe, ele foi a esquecendo gradativamente. Contudo, qualquer outra criança poderia ocupar aquele cargo e é estranho como a explicação acontece. Após este direcionamento, fica uma sensação de que caminhos mais fáceis para encurtar o trabalho do texto estão sendo tomados, como a concha que contém todas as soluções para a personagem principal, adiantando o desfecho do conflito.

Outro ponto que não encaixa muito em O Livro de Lila são as canções que aparecem na produção. Além de nem todas serem bem performadas, elas são muito espaçadas e um tanto expositivas. Este último fator talvez seja o mais significativo, pois em uma obra na qual o metafórico se sobrepõe e há uma tentativa de evocar discussões e diálogos apostando nos símbolos, uma música que vem para dar uma explicaçãozinha reduz os esforços anteriores e posteriores a elas.

Direção: Marcela Rincón

Elenco: Sofía Montoya, Estefanía Giraldo, Antoine Marín

Assista ao trailer!

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