Diretor e produtora de Zootopia 2 revelam detalhes sobre a animação, em entrevista exclusiva para o Coisa de Cinéfilo

Em cartaz nos cinemas de Salvador, Zootopia 2 traz a continuação das aventuras da coelha Judy Hopps e da raposa Nick Wilde. As dublagens em inglês possuem nomes como os de Ginnifer Goodwin, Jason Bateman e Ke Huy Quan. Já em português, intérpretes como Monica Iozzi, Rodrigo Lombardi e Danton Mello compõem o elenco. 

Na continuação da animação, o público se depara com um novo mundo animal e a presença dos répteis. De acordo com o diretor Byron Howard, ele e Jared Bush – diretor e roteirista da obra –, estudaram por mais de uma década sobre o comportamento de bichos. Para o cineasta, este mergulho teórico foi essencial para a construção das personagens e da narrativa.

“Foi assim que Nick e Hopps começaram, como a raposa e o coelho, inimigos naturais, mas que formam a dupla perfeita, sabe, justamente por serem tão diferentes”, revela Byron. Para ele, a dinâmica da dupla funcionou tão apropriadamente na primeira história da saga, que havia uma certeza que Nick e Hopps continuariam a ser o foco da nova história.

Dentro desta lógica, a produtora Yvett Merino ressalta o desafio de continuar uma produção tão famosa quanto Zootopia. Anteriormente, o longa-metragem faturou mais de 1 bilhão de dólares mundialmente e conquistou o Oscar de melhor animação. 

Mesmo com toda a sua experiência na área e participação em sequências como Moana 2 e Frozen 2, com este cenário, Yvett relata que sua entrada na equipe a deixou preocupada. Ainda assim, ela afirma que se tornou focada em entregar um material com um nível semelhante ao do seu antecessor.

Merino elucida ainda que o seu maior objetivo, e de todos que integraram o projeto, era o de conseguir misturar surpresas para a plateia com a qualidade do longa antecessor. A produtora ainda ressalta que, para alcançar esse objetivo, foi fundamental mirar no relacionamento de Nick e Hopps.

ENTREVISTA

Enoe Lopes Pontes – Como foi o processo de criação dessa decupagem, onde mantemos a essência dos personagens originais, mas também abrimos muitos novos horizontes com os novos personagens?

Byron Howard – Essa é uma ótima pergunta, na verdade. É engraçado, porque acho que Jared e eu começamos a explorar esse mundo há quase 15 anos, quando nos juntamos pela primeira vez. E muito do que este universo é e o que filme representa vem das pesquisas que fizemos. Fizemos quase dois anos de pesquisa sobre animais. Então, tivemos muitos especialistas em animais do mundo todo. E havia um especialista em animais, que realmente falava sobre eles como se fossem personagens, como, por exemplo, os gnus são os animais mais estúpidos do mundo. As raposas são solitárias, mas na verdade são ótimas companheiras de suas família. Os coelhos têm comportamentos muito específicos. 

ELP – Sim.

BH – E tudo começou daí. Acho que quando realmente mergulhamos de cabeça e pensamos: o que há de especial no animal real? Isso nos dá o ponto de partida para explorar diferentes espécies. Foi assim que Nick e Hopps começaram, como a raposa e o coelho, inimigos naturais, mas que formam a dupla perfeita, justamente por serem tão diferentes. E o fato de o filme ser todo sobre diferenças foi incrível, porque estamos entrando no mundo dos répteis pela primeira vez. Então, temos Gary, a cobra, como o primeiro réptil que encontramos no mundo de Zootopia. Completamente diferente de tudo que alguém já viu no mundo de Zootopia.

ELP – Entendi.

BH –  E, novamente, tudo começou com um desenho conceitual incrível que Cory Loftis fez de uma linda víbora-arborícola tailandesa azul, com escamas impressionantes. E com a voz de Ke Huy Quan, na versão em inglês, que realmente transmite as emoções da personagem, a história foi se construindo. Acho que você começa com algo que seja realista, algo que faça sentido para o animal, e então deixa que ele meio que te diga qual será a história. E até mesmo com Gary, a cobra Gary, ele é tão doce e emotivo. Ele realmente se tornou um ponto central do filme, mas tudo acontece de forma muito orgânica. Essa é uma ótima pergunta. Obrigado.

ELP – Yvette, você tem tanta experiência em produzir sequências como Moana e Frozen, por exemplo, mas qual foi o desafio específico de produzir a sequência de um filme tão importante e grandioso como Zootopia?

Yvett Merino – Sim, eu acho que quando queremos continuar as histórias é sempre um desafio. Esses filmes em geral são enormes. Zootopia, em particular é o maior. Ele é o filme mais ambicioso que já fizemos aqui na Disney Animation, em termos de construção de universo e de personagens. E então, ao entrar nesse universo, eu não trabalhei no primeiro Zootopia, mas era um grande fã. Então, ao entrar neste universo, fiquei muito animado por ter a oportunidade de participar e simplesmente fazer parte dele.

ELP – Imagino.

YM –  Mas eu também não queria estragar tudo porque eu realmente amo o filme e sei que muitas pessoas também amaram. Então, quando continuamos a história, nosso objetivo final era focar em Judy e Nick. Todos nós amamos muitos personagens do primeiro filme, mas Judy e Nick são aqueles em que realmente nos concentramos. Então, conversamos muito no início sobre o que queríamos que o filme fosse e qual seria a história, mas quando escolhemos focar no relacionamento deles, as coisas começaram a se encaixar.Fazer uma sequência é – e eu sei que algumas pessoas podem achar mais fácil-, mas para mim, é mais difícil, porque é um universo já conhecido e amado no mundo todo e há muitas expectativas em torno dele.

ELP – Ah, sim.

YM – Então, nos esforçamos muito para tentar que o filme não se parecesse apenas uma continuação da história deles, mas queríamos surpreender as pessoas e trazer de volta os personagens que amamos, mas de uma forma que a plateia não diga simplesmente: “Ah, fizemos a mesma coisa que fizemos no primeiro filme”. 

ELP – Gostaria de saber como foi o processo de construção dessa geografia da cena.

BH – O Mercado Marsh é um ótimo exemplo aqui. Aquele ambiente levou mais de um ano para ser projetado. E é tão imersivo, mas eu adoro que tenha surgido da ideia de pessoas pensando no que os animais construiriam. Tipo, tem esteiras rolantes e tubos de transporte, porque os animais daquela área vivem dentro e fora da água. Então, a gente pensou: do que eles precisariam? Isso realmente enriquece o ambiente.

ELP – Sim.

BH – E também, vendo onde a família de linces vive, em partes de Tundratown, os linces são muito ligados à neve. E isso é um ótimo comentário sobre suas personalidades e o papel que desempenham no filme. Então, sempre que criamos um ambiente novo, nossas equipes adoram. Eles sempre arrasavam e entregavam muito mais do que esperávamos. Então, mais uma vez, nossas equipes são incríveis. Todos são os storytellers, por conta própria, faziam muito mais do que pedimos para contar a história.

Assista a entrevista completa: