Crítica: Borg vs. McEnroe

Revivendo a rivalidade entre o americano John McEnroe e o sueco Björn Borg, Borg vs. McEnroe “bebe” a tradição dos filmes sobre dramáticas disputas esportivas. O filme do dinamarquês Janus Metz, do documentário Armadillo, possui conclusões muito parecidas às de Rush: No Limite da Emoção, longa de 2013 de Ron Howard que narrava o confronto entre os pilotos Niki Lauda e James Hunt. O intuito de Borg vs. McEnroe é mostrar a competição como combustível, mas também como dimensão de cumplicidade entre sujeitos que, apesar de lidar de maneira diferente com os desafios do próprio oficio, sentem empatia pelo oponente. É nesse exato lugar que Borg vs McEnroe quer chegar.

Ambientado no torneio de Wimbledon de 1980, o filme conta parte da trajetória do campeão mundial de tênis Björn Borg a partir de eventos que o prepararam para sua grande partida com John McEnroe, jovem tenista americano conhecido como o bad boy das quadras. Popularizada como a “partida do século no tênis”, a final serviu para ambos estabelecerem laços e marcou a ascensão de McEnroe e a despedida de Borg das quadras.

Com uma estrutura que alterna momentos presentes com flashbacks das infâncias de Borg e McEnroe, sem dúvida, o longa é mais feliz no retrato do primeiro, ainda que o intérprete do segundo, Shia LaBeouf, obtenha mais êxito em cena que o sueco Sverrir Gudnason. Na essência, Borg vs. McEnroe reproduz decisões formais comuns a filmes de esporte, como o mote da superação, a dramaticidade e a tensão das quadras e toda a mitologia do herói desportivo em evidência.

O filme fica mais interessante quando o percebemos como um drama que retrata o perfil de dois jovens dedicados às suas carreiras, lidando com as pressões desse mundo de maneira distinta. Enquanto John McEnroe explodia com um temperamento difícil de lidar, o que lhe conferia uma má fama por vezes desproporcional à realidade, Borg era a personificação do controle emocional dentro e fora dos campeonatos, um quadro que fora resultado de uma longa jornada de aprendizado nos primeiros anos como tenista. O desafio em comum de enfrentar as pressões da carreira cria um sentimento de empatia nos dois sem que ambos precisem trocar palavras a respeito durante todo o filme, basta uma partida, a disputa decisiva dos ícones de uma geração nas quadras. A difícil final de Wimbledon protagonizada por Borg e McEnroe se encarregou de estabelecer o elo entre os dois, sintetizado pela cena que encerra o filme num encontro casual de aeroporto.

Reiterando determinadas chaves interpretativas de um lado, mas também encontrando em uma relevância temática que justifique o filme, Borg vs. McEnroe é um longa com bons momentos, dramatizando um episódio importante na história do esporte. Carece de mais informações sobre os personagens que estão no centro da “arena”, mas ainda assim tem insights curiosos que extrapolam uma leitura estritamente narrativa da obra.

Assista ao trailer:

 

Wanderley Teixeira426 Posts

<p>Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.</p>

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