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	<title>Arquivos Oscar - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Oscar - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Genocídio da Palestina é tema em três filmes da &#8216;shortlists&#8217; do Oscar 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Jan 2026 20:22:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2026, três filmes cujo foco temático é a Palestina entraram na shortlist do Oscar. A Voz de Hind Rajab, da tunisiana Kaouther Ben Hania, representa a Tunísia. Tudo o que resta de você, da estadunidense Cherien Dabis, vem em nome da Jordânia. Por fim, Palestina 36, da palestina Annemarie Jacir, é o título vindo da Palestina.  Além deste feito, os longas-metragens, dirigidos por cieneastas mulheres, marcaram presença em festivais do mundo inteiro, como apontam as páginas do Instituto Palestino [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Em 2026, três filmes cujo foco temático é a Palestina entraram na shortlist do Oscar. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Voz de Hind Rajab</span></i><span style="font-weight: 400;">, da tunisiana Kaouther Ben Hania, representa a Tunísia. </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o que resta de você</span></i><span style="font-weight: 400;">, da estadunidense Cherien Dabis, vem em nome da Jordânia. Por fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Palestina 36</span></i><span style="font-weight: 400;">, da palestina Annemarie Jacir, é o título vindo da Palestina. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além deste feito, os longas-metragens, dirigidos por cieneastas mulheres, marcaram presença em festivais do mundo inteiro, como apontam as páginas do Instituto Palestino de Cinema (IPC) e da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal). No filme da Kaouther, conta-se</span><span style="font-weight: 400;"> a história da criancinha palestina, de seis anos, assassinada com 355 tiros por israelenses. A<em> Voz de Hind Rajab</em> foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme em língua não inglesa, deste ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra também esteve presente em festivais como o de Mar del Plata e Veneza. A diretora Kaouther Ben Hania explica que sentia a necessidade de honrar a memória de Hind. O desejo da cineasta era o que a impulsionava e a toda sua equipe também. “Os atores estavam no momento, não estavam atuando, estavam realmente devastados, como vocês veem na câmera”, revela Kaouther. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A artista explica que as gravações foram completamente diferentes do que ela geralmente experiencia dentro do set, justamente por conta do grau trágico e da gravidade do que aconteceu com Hind. Por esta razão, ao lado do diretor de fotografia do longa, Juan Sarmiento, a decupagem foi bastante analisada antes de rodarem, para que fossem feitas poucas interrupções durante as filmagens. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<div>
<div><img decoding="async" src="https://www.planocritico.com/wp-content/uploads/2025/10/a_voz_de_hind_rajab_festival_do_rio_plano_critico.jpg" alt="Crítica | A Voz de Hind Rajab - Plano Crítico" /></div>
<h5>Imagem de divulgação de A Voz de Hind Rajab</h5>
</div>
<p><span style="font-weight: 400;">A doutora em Comunicação pela UFPE, professora e curadora Carol Almeida questiona os espaços dados pelas instâncias de poder aos filmes e realizadores palestinos. Para a pesquisadora, falta coragem ao cinema, que institucionaliza e comercializa a dor, mais do que a denuncia. </span><span style="font-weight: 400;">Carol detalha que nos anos 1970 existia uma maior movimentação de realizadores e instituições estrangeiros em relação à luta contra o extermínio dentro da região.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Almeida também elucida que a presença feminina na direção audiovisual da Palestina não é uma novidade, mas que dos três nomes que aparecem na shortlist da Academia, somente Annemarie Jacir é nascida na região. De acordo com a estudiosa, ter uma outra cidadania pode ser um fator facilitador para a seleção de uma obra que trate sobre o país e o genocídio que o mesmo vive. No entanto, ela ressalta que essas obras feitas por não palestinas também são importantes porque conseguem alcançar espaços mais desafiadores para a causa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com o Instituto da Cultura Árabe, em 2025, O IPC procurou fomentar as possibilidades de quem realmente é palestino continue contando suas histórias. Através do lançamento de um fundo cultural,  o ICA destaca que esse olhar local tem a chance de ser ampliado. Neste sentido, o apoio financeiro é voltado para </span><b>todos </b><span style="font-weight: 400;">os palestinos do mundo. O objetivo do intento é apoiar  o audiovisual da Palestina. Dentro desta lógica, o Instituto promove chamadas duas vezes ao ano. Para maiores informações sobre a ação, acesse: </span><a href="https://www.palestinefilminstitute.org/"><b>https://www.palestinefilminstitute.org/</b></a></p>
<p><b>Leia as entrevistas completas com Kaouther Ben Hania e Carol Almeida, a seguir!!!</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Entrevista completa com Kaouther Ben Hania</b></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><img decoding="async" src="https://s2-oglobo.glbimg.com/fbEJgrbF94Y_CIGVxEEP5q2cBtc=/0x0:1200x800/888x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/0/m/dI9NjERe6m1X5YFY0JFA/afp-20250903-73az4k6-v1-midres-italycinemavenicefilmfestivalmostra.jpg" alt="Diretora que comoveu Veneza com filme sobre Gaza quer dar 'uma voz e um rosto às vítimas palestinas'" /></p>
<h5><strong>Kaouther Ben Hania, em 2025, no Festival de Veneza / Foto: Tiziana Fabi/AFP</strong></h5>
<p><b>Enoe Lopes Pontes</b><span style="font-weight: 400;"> – Assim como muitas pessoas, eu também assisti ao filme em um festival. Eu vi ele em Mar del Plata. Foi uma sessão muito intensa, todos choraram. E eu só quero dizer que nunca mais serei a mesma pessoa. E acho que esse é o ponto forte do filme. Não podemos viver normalmente com o que está acontecendo em Gaza. </span></p>
<p><b>Kaouther Ben Hania</b><span style="font-weight: 400;"> – Sim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>ELP</strong> – Mas o que eu gostaria de perguntar é sobre os aspectos formais. Não temos muitos cenários, mas temos muitos ângulos diferentes, com iluminações e movimentos de câmera na mise-en-scène, que modificam a perspectiva sobre a narrativa em cada sequência. Então, eu gostaria de saber como foi esse processo criativo. </span></p>
<p><b>Kaouther Ben Hania </b><span style="font-weight: 400;">– Este filme contou com um longo processo. Na verdade, eu sou um pouco controladora, como todo cineasta no mundo. E sou muito exigente com o cronograma, com a atuação dos intérpretes. Eu exijo muito deles. E com este longa, eu sabia desde o início que não poderia trabalhar assim. Não é um filme e não é uma filmagem normal. Então, o que fizemos com meu diretor de fotografia, Juan Sarmiento, que é um ótimo diretor de fotografia e também cuidou de toda a câmera, foi pré-iluminar cada cena. Não estávamos com vontade de iluminar cada imagem. E, na verdade, filmamos como um documentário. Os atores estavam vivenciando cada momento, não estavam atuando, estavam realmente devastados, como vocês veem na câmera. Então, às vezes, filmávamos tomadas longas e, às vezes, tínhamos algum problema técnico, como o microfone boom no enquadramento. Em uma filmagem normal, eu cortaria e diria: “vamos começar de novo, do começo”. No entanto, eu conseguia ver que os atores estavam realmente com as emoções cruas e reais. </span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Entendi.</span></p>
<p><b>KBH </b><span style="font-weight: 400;">– E não só eles, toda a equipe, porque todos nós estávamos ouvindo aquela voz. Então, filmamos, principalmente, tomadas longas. E na edição, tentei limpar um pouco, porque às vezes não estava tão preciso. E também acho que esta foi a filmagem em que fiz a pausa mais longa, porque a emoção era muito forte. Então, podíamos nos abraçar e conversar. E também pensávamos, quando ficávamos emocionados, que não se tratava apenas de nós tentarmos juntos pensar naquela garotinha, no que ela viu em suas últimas horas. Então, nossa emoção era como a emoção de pessoas privilegiadas. Sabe, precisávamos honrar a voz dela. Então, isso também foi algo muito forte que nos impulsionou a continuar e a honrar a voz dela.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Entrevista completa com a pesquisadora Carol Almeida</b></p>
<p><img decoding="async" src="https://marcozero.org/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-14-at-01.05.23-1024x726.jpeg" alt="É mito a mulher árabe não ter autonomia&quot;, diz curadora sobre cinema feminino - Marco Zero Conteúdo" /></p>
<h5><strong>Professora Carol Almeida / Foto: MCS/MZ</strong></h5>
<p><b>Enoe Lopes Pontes</b><span style="font-weight: 400;"> – </span><span style="font-weight: 400;">Como você enxerga a visibilidade que é dada ao cinema palestino em festivais e premiações? </span></p>
<p><b>Carol Almeida</b><span style="font-weight: 400;"> – Primeiro, a visibilidade que é dada ao cinema palestino em festivais e premiações existe, de uma maneira geral, muito antes de outubro de 2023. O cinema palestino chega às pessoas, geralmente, a partir de festivais que tem um recorte específico. Eles estão um pouco mais atentos aos cinemas que às vezes não são tão narrativos, a cinemas mais experimentais ou cinema documentais. Mas, quando a gente fala, por exemplo, de cinema narrativo palestino, a gente geralmente vê esses filmes circulando em alguns festivais mais independentes. </span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Entendi.</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– Acho que é preciso salientar que, depois de outubro de 2023, como o peso do que vive o povo palestino ao longo de mais de 80 anos, se a gente for pensar que muito antes da </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2023-11/entenda-o-que-foi-nakba-catastrofe-do-povo-palestino"><span style="font-weight: 400;">Nakba </span></a><span style="font-weight: 400;">essas pessoas já estavam sofrendo violência colonial e tendo suas terras retiradas. Em função do peso do genocídio em Gaza – o genocídio mais recente no caso –, que se intensificou após outubro de 2023, os festivais de cinema, principalmente os festivais que as pessoas chamam de festivais classe A que são os festivais que geram mais repercussão internacional, então eu estou falando aqui de Cannes, Berlinale, Veneza, esses festivais europeus, ou mesmo Sundance nos Estados Unidos, eles tiveram relações muito ambíguas (para ser polida) em relação à cinematografia palestina. </span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Você poderia citar alguns exemplos?</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– A Berlinale fez absurdos. Logo após outubro de 2023, ou seja, no começo de 2024, eles criaram narrativas para tentar equivaler o sofrimento do povo israelense ao sofrimento do povo palestino, o que é absurdo, chega a ser meio criminoso, inclusive, fazer isso. E o festival fez isso de várias formas, colocando um trailer do lado de fora na rua para explicar pessoas os “dois lados da história”, como se houvesse dois lados da história dentro de um genocídio. Além disso, puniram uma pessoa que era membro da equipe da Berlinale, e que por causa de um e-mail que essa pessoa, que fazia parte da equipe da Berlinale, mandou e que no final do e-mail dessa pessoa tinha escrito “Palestina Livre”, a diretoria da Berlinale denunciou essa pessoa que trabalhava para o festival.</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– E os outros Lista A?</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– Cannes fez todo um procedimento de evitar com que as pessoas chegassem com o lenço palestino no tapete vermelho e regras às vezes não ditas, de coisas que não deveriam ser ditas em público, apesar de ter equipes palestinas, apesar de ter, inclusive, dentro daquele evento de mercado em Cannes, uma tenda para a Palestina. Então, há um tensionamento também dentro dos próprios realizadores e artistas palestinos, e instituições, até que ponto é interessante ou não estar dentro de um festival grande como esse, como a tenda de mercado? Até que ponto esse festival vai de fato escutar o que esses realizadores têm a mostrar?</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">–  Sim.</span></p>
<p><b>CA</b><span style="font-weight: 400;"> — Depois, temos esse filme sobre o assassinato dessa criança, um assassinato muito brutal e eu acho que o filme teve uma recepção entusiasmada de uma plateia majoritariamente europeia, em Veneza, que foi </span><i><span style="font-weight: 400;">A voz da Hind Rajab</span></i><span style="font-weight: 400;">. Inclusive, eu acho muito importante ressaltar que esse filme, apesar de falar de algo real, que aconteceu com a criança Palestina, que entre várias outras foi sadicamente assassinada pelo exército israelense, esse filme não é de uma diretora Palestina.</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Verdade.</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– Esse filme é de uma diretora tunisiana, uma diretora, que já tem inclusive um histórico de circulação nesses festivais classe A. Portanto, ela não é nem da região que a gente chama de região do Levante, que é a região mais próxima da Palestina, que está muito implicada com a questão palestina. A Tunísia está mais afastada desse contexto. </span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Entendi.</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– Mas, esse cinema europeu, lá nos anos 70, já teve solidariedade ao povo palestino. A palavra solidariedade é importante aqui nesse contexto, porque naquela época a gente tinha diretores como o Godard e vários outros cineastas europeus – holandeses, italianos, alemães –, e de fora da Europa, também diretores japoneses, fazendo filmes em solidariedade à luta armada do povo palestino contra a invasão colonial do seu território e eu acho que hoje o cinema é essa indústria do cinema com esse circuito de festivais que produz dinheiro apenas. O cinema está sendo muito tímido e muito covarde em relação à Palestina.</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;"> Como você enxerga essa movimentação de diretoras em relação ao que acontece na Palestina e como elas escolhem distintas maneiras de contar as histórias?</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– O cinema palestino não é uma coisa que começou agora, é uma coisa que já tem um certo tempo. Diretoras palestinas produzem linguagens que estão muito ligadas a um cinema de vanguarda, um cinema que experimenta, um cinema que tensiona algumas regras da gramática audiovisual e que estão fazendo isso já há um bom tempo. Uma das diretoras, que é diretora do <i>Palestina 36</i>, Aimee Marie Jacir, vem fazendo longas-metragens desde 2008.  A família Jacir, tanto ela quanto a irmã dela – que é artista visual e que também trabalha com cinema, é super tradicional na cidade de Belém, na Palestina – hoje conhecida como Cisjordânia. Elas têm um instituto cultural famosíssimo em Belém, que é a casa da família Jacir e que é uma casa mais do que centenária, construída ainda na época do Império Otomano, muito antes do Império Britânico chegar na região. </span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Sim.</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– São gerações atravessadas também por acesso material às coisas. Então, a Marie-Jacir teve acesso material desde pequena às coisas e ela conseguiu começar a fazer cinema já muito jovem. E começar a fazer cinema narrativo que, além de custar mais dinheiro, exige uma produção muito mais elaborada, de fazer as coisas. Por exemplo, você não pode contratar uma equipe palestina para ir com você para lá e para cá, porque têm vários lugares onde essa equipe não tem o direito de ir e vir pelo próprio território. Essas pessoas vão ser barradas nesses checkpoints israelenses. Então, eu poderia citar casos aqui, por exemplo, de diretoras que já têm uma longa trajetória, de curtas e longas metragens, como a Jumana Manna, como a Basma al-Sharif, como a Azar Hassan, e várias outras, por exemplo, que circulam e que tem produções mais robustas financeiramente, como a Larissa Sansour, que vem fazendo ficção científica, pensando a Palestina, a partir também de comissões de instituições das artes visuais. Então, tem esse cruzamento muito forte também entre essas diretoras, particularmente aquelas que fazem um cinema mais experimental e menos narrativo, com as artes visuais.</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Como você enxerga essa progressiva organização do cinema palestino, com instituições como Instituto de Cinema Palestino (ICP), para a militância contra o genocídio de sua população?</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– Seja em Gaza, seja na Cisjordânia, que vêm fazendo filmes com a certa constância, apesar de tudo, das bombas caindo e de não ter dinheiro, há financiamento sempre de fora para fazer cinema na Palestina ou pela Palestina. Isso exige uma certa benevolência de instituições que acreditam na causa e que conseguem pagar por isso daí. Acho que, por exemplo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Palestina 36</span></i><span style="font-weight: 400;"> é épico porque ele tenta narrativamente dar conta da história de um povo e épico também porque ela conseguiu ter feito esse filme e o filme foi todo filmado pós-outubro de 2023.</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Verdade.</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– É curioso porque o começo das filmagens estava agendado para dia 14 de outubro de 2023. Exatamente, uma semana antes, no dia 7 de outubro de 2023, Gaza começa a ser atacada em função das ações do Hamas e aí muda tudo! O filme ia ser todo filmado numa vila, dentro da Palestina, e toda a produção do filme precisa ser alterada radicalmente. Boa parte do filme que ia ser filmado em território palestino precisou se realocar para a Jordânia. Tudo muito custoso. Eu estou falando tudo isso porque eu vejo as pessoas achando que as mulheres fazendo cinema na Palestina é como se fosse uma exceção, e não, eu diria que é mais a regra do que a exceção. Elas são tão importantes quanto os diretores nessa produção cinematográfica. Elia Suleiman talvez seja o diretor palestino mais conhecido, justamente pela, capilaridade dele nesses grandes festivais, mas um nome como Anne-Marie Jacir é um nome tão importante quanto.</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Compreendo.</span></p>
<p><img decoding="async" src="https://images.mubicdn.net/images/film/431072/cache-1020387-1745503381/image-w1280.jpg?size=800x" alt="All That's Left of You (2025) | MUBI" /></p>
<h5>Imagem de divulgação de <em>Tudo que resta de você</em>, de Cherien Dabis</h5>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– Então, eu acho que não é um movimento recente, é alguma coisa que tem acontecido há muito tempo, várias dessas diretoras são referências quando a gente vai estudar realmente linguagem cinematográfica. O </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo Que Resta de Você</span></i><span style="font-weight: 400;">, da Cherien Dabis. Ela é de família palestina, mas é isso, é outro contexto também, ela vem de um contexto de viver nos Estados Unidos, mas é fundamental que ela consiga fazer isso e que ela consiga fazer isso com um elenco palestino e chegue nesses lugares de exibições comerciais. Mas, tem um filme do Elia Suleiman, que é o segundo filme da trilogia dele, que já foi pré-indicado ao Oscar como um filme da Palestina. Isso já faz alguns anos. E esse filme, que se não me engano se chama</span><i><span style="font-weight: 400;"> Intervenção Divina</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele não foi selecionado para o Oscar, mas a justificativa do Oscar foi a de que Palestina, para para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, não era um país, não era um Estado-nação e porque não era Estado-nação não podia se inscrever como representante de um país.</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Entendi.</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– Aí, eu estou querendo muito entender se o Oscar em 2026 vai reconhecer a Palestina como um Estado-nação, reconhecendo um desses filmes como um possível concorrente a melhor filme estrangeiro pela Palestina. Essa é uma questão. Porque muito está se falando dessas pré-indicações, os filmes estão lá na shortlist, e estar na shortlist significa que alguma coisa aconteceu. Mas, de um jeito ou de outro, é uma visibilidade para o filme, para o que essa diretora já vem fazendo há muitos anos.</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Ah, entendi.</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– Deixa eu falar só mais uma coisa! É fundamental pensar na visibilidade ou não que esses filmes estão tendo. Esse filme da Hind Rajab, ele teve produção de celebridades hollywoodianas. Isso é fundamental para a circulação do filme nesses festivais que a gente chama de festivais classe A. Um outro filme, que ganhou inclusive o Oscar no ano passado, o de melhor documentário, o Sem Chão (No Other Land) ganhou porque ele é um filme que conseguia falar da Palestina, mas que também tem dois diretores israelenses. Então, era um filme de dois diretores israelenses, um homem e uma mulher e dois diretores palestinos. Ali tinha uma certa narrativa de equivalência.</span></p>
<p><b>ELP </b><span style="font-weight: 400;">– Verdade.</span></p>
<p><b>CA </b><span style="font-weight: 400;">– Eu acho bastante complicado esse tipo de narrativa, porque não é isso.. Eu acho, por exemplo, o caso do Palestina 36 bem mais complicado, que é um filme de uma diretora palestina que há muito tempo vem fazendo filme na Palestina, que tem uma distribuidora palestina. É mais difícil esse filme chegar em lugares mais altos, porque ele vai encontrar naturalmente muito mais barreiras, mesmo tendo um elenco conhecido. Tem Jeremy Irons no filme, mas mesmo assim eu acho que ele tende a enfrentar mais barreiras.</span></p>
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		<title>Crítica: A Única Mulher da Orquestra</title>
		<link>https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-unica-mulher-da-orquestra/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Feb 2025 01:19:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
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		<category><![CDATA[Molly O'Brien]]></category>
		<category><![CDATA[Orin O'Brien]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em seu novo filme, a diretora Molly O’Brien (The Wild Things) reúne uma equipe de cinema para homenagear e contar a história da pessoa que ela mais admira no mundo: a sua tia. Mas, não se engane, esse não é um “filme de churrasco” tradicional. A tia de Molly é ninguém menos que Orin O&#8217;Brien, uma das maiores contrabaixistas do mundo. Membro da filarmônica de Nova Iorque, Orin foi, por muito tempo &#8220;A Única Mulher da Orquestra” – daí o [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Em seu novo filme, a diretora Molly O’Brien (<em>The Wild Things</em>) reúne uma equipe de cinema para homenagear e contar a história da pessoa que ela mais admira no mundo: a sua tia. Mas, não se engane, esse não é um “filme de churrasco” tradicional. A tia de Molly é ninguém menos que Orin O&#8217;Brien, uma das maiores contrabaixistas do mundo. Membro da filarmônica de Nova Iorque, Orin foi, por muito tempo &#8220;<em>A Única Mulher da Orquestra</em>” – daí o título do filme.</p>
<p>Para realizar tal intento, Molly convoca um formato tradicional de documentários estadunidenses, daqueles que abusam de relatos da protagonista em off, que revelam um certo humor ácido da mesma e que põe algumas fotos e matérias de arquivo para fomentar o discurso de que o público acompanha a história de alguém realmente incrível.  Obviamente, no caso deste doc da Netflix a figura central é sim uma mulher maravilhosa, porém seria criativo buscar outros aspectos da vida de Orin ou até mesmo suas falhas para contrabalancear toda a genialidade e grandeza da artista.</p>
<p>É sempre bom explorar camadas de personagens. Ainda assim, Molly consegue construir um laço de empatia e proximidade com a personagem principal do curta-metragem, justamente através da própria relação que ela tem com a sua tia. São nas sequências das conversas entre as duas que uma dicotomia é estabelecida: de um lado a visão realista e firme de Orin, que se vê como uma mulher talentosa, mas comum. Do outro, há Molly, que idealiza sua tia e a coloca em um pedestal. A criação desta dualidade imprime complexidade para a narrativa do curta. A plateia compreende de forma mais profunda quem é esta única mulher da orquestra.</p>
<p>Até mesmo na escolha de ser contrabaixista, as marcas de personalidade forte de Orin são vislumbradas. Neste sentido, o seu amor pela arte transborda da tela e a musicista se revela não apenas humilde, mas fiel ao mundo da música. Porque ela não está ocupando este espaço por vaidade e sim por vocação. Por isso, além do discurso verbal da obra, era necessário que esse carinho genuíno fosse contemplado visualmente. É por esta razão que Molly parece escolher manter os seus planos mais abertos, com pouca movimentação de câmera, para que quem assiste consiga observar com calma o jeito habilidoso de Orin de tocar e de falar sobre sua profissão.</p>
<p>Inclusive, observar os deslocamentos e pausas da contrabaixista é o que há de mais cativante na produção, principalmente quando ela está tocando. Além disso, é notável como a equipe de arte e de fotografia dialoga e mantém esse universo solar, de quem traz consigo um contetamento pelas escolhas da carreira, através da manutenção ou da exploração de temperaturas mais quentes ou amadeiradas. Aqui, nesta estética, tem-se uma junção de sensação de alegria – vinda dessa concretização de uma carreira brilhante –, mais a ambientação dos espaços artísticos.</p>
<p>É quase possível sentir o cheiro do tablado do palco, dos tacos da sala de Ori e do piano, que quando é aberto libera um aroma muito específico. Desta maneira, ainda que <em><strong>A Única Mulher da Orquestra</strong></em> não entregue nada fora do comum, é na tradição do gênero que Molly O’Brien e sua equipe, juntamente com a figura carismática de Orin, criam uma projeção agradável, que cativa, por contar com o passado de uma mulher essencial para a música novaiorquina e estadunidense e por ser tão inspirador ao lembrar que o estar presente é deveras mais relevante do que se mostrar presente.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Molly O’Brien</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/30B3nVNYd5w?si=MZB1-fy1RkRpi4li" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-unica-mulher-da-orquestra/">Crítica: A Única Mulher da Orquestra</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: Maria Callas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jan 2025 12:44:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A temporada de premiações está aí e, com ela, os lançamentos dos possíveis filmes que podem chegar ao Oscar com alguma indicação. Dentre as estreias da semana, Maria Callas, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16), está entre os longas-metragens que fazem campanha por algumas vagas na maior premiação do cinema mundial. A produção, que conta os últimos dias de vida do ícone da ópera, desponta como um possível indicado em categorias técnicas referentes ao departamento de arte no [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A temporada de premiações está aí e, com ela, os lançamentos dos possíveis filmes que podem chegar ao Oscar com alguma indicação. Dentre as estreias da semana, <strong><em>Maria Callas</em></strong>, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (16), está entre os longas-metragens que fazem campanha por algumas vagas na maior premiação do cinema mundial. A produção, que conta os últimos dias de vida do ícone da ópera, desponta como um possível indicado em categorias técnicas referentes ao departamento de arte no Academy Awards, mas o foco principal de campanha do filme é a atuação de Angelina Jolie (<em>Aqueles que me Desejam a Morte</em> e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-eternos/"><em>Eternos</em></a>, ambos de 2021).</p>
<p><strong><em>Maria Callas</em></strong> é o terceiro longa do diretor Pablo Larraín (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jackie/"><em>Jackie</em></a>, de 2016, e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-spencer/"><em>Spencer</em></a>, de 2021) que foca seus esforços em recriar momentos cruciais da vida de figuras femininas reais. A diferença neste projeto é que o roteirista Steven Knight (<em>Serenidade</em>, de 2019 e <em>Spencer</em>) utiliza da fantasia e de flashbacks constantes para preencher as vivências de Callas, emaranhado a sua vida e morte em números musicais. Essa escolha traz uma estética visual e narrativa de fantasia para o filme, permitindo que sua história vá além de uma simples narração dos últimos dias de vida.</p>
<p>Seja a partir dos devaneios pelos remédios ou através de suas memórias afetivas e dolorosas de vida, a personagem de Angelina teve muito o que viver em seus momentos finais. E esse pastiche de vivências reais e ficcionais permitiram que <strong><em>Maria Callas</em></strong> fosse um projeto um pouco diferente de Larraín. Apesar disso, existe uma estrutura de condução muito clara desse tipo de filme para o diretor. Se o espectador já assistiu Jackie ou Spencer, é possível de imaginar certas escolhas ou encaminhamentos que serão tomados no trabalho do cineasta chileno visto em tela.</p>
<p>Atrelado ainda a ideia de fantasia presente no filme por meio dessas digressões e dos devaneios de Maria, o longa ganha muito nos departamentos de arte e fotografia. Talvez os pontos mais altos de <strong><em>Maria Callas</em></strong> sejam justamente os resultados dos dois departamentos. A arte brilha na composição de sets de época, no figurino e como ele conta a história da personagem-título, tal qual o cabelo e maquiagem finalizam essa composição visual com maestria.</p>
<p><figure id="attachment_19043" aria-describedby="caption-attachment-19043" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-19043" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-750x500.jpg" alt="Maria Callas (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2-770x514.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/01/Maria-Callas-2.jpg 1012w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19043" class="wp-caption-text">Angelina Jolie em cena de &#8216;Maria Callas&#8217; (2024)</figcaption></figure></p>
<p>Da mesma forma, o departamento de fotografia de <strong><em>Maria Callas</em></strong>, comandado por Edward Lachman (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-conde/"><em>O Conde</em></a>, de 2023), mergulha nas possibilidades narrativas mediadas pela fantasia e memória da personagem de Angelina. A composição estética visual do filme se complementa com essa tríade entre os dois departamentos e a força motriz do roteiro que é a fantasia e as memórias de Callas. Com isso, o espectador tem um espetáculo visual mais interessante dentre as três biografias femininas da carreira de Pablo Larraín.</p>
<p>Auxiliando o diretor a apontar a direção do barco da produção, Angelina Jolie vem como uma força em cena. Talvez um de seus melhores trabalhos dramáticos da carreira, <strong><em>Maria Callas</em></strong> permite que a atriz ande em outros tons e camadas de desenvolvimento que talvez não tenha tido a oportunidade &#8211; ou ao menos uma boa oportunidade &#8211; de desenvolver. O resultado de sua performance no longa merece elogios e louros, no entanto, ela se fragiliza nas cenas onde o enfoque em números musicais são maiores. A dublagem da atriz, por vezes, quebra a vivência do público por soar como uma nítida dublagem.</p>
<p>Com algumas poucas indicações na temporada de prêmios, <strong><em>Maria Callas</em></strong> tem como foco da campanha a indicação de Jolie ao Oscar e, talvez, menções nas categorias dos departamentos de arte e fotografia. Se as chances de indicação ao prêmio de Melhor Atriz já são pequenas por conta do ano disputadíssimo, as vitórias se tornam ainda melhores. Suas chances maiores de indicações e até mesmo possíveis vitórias se concentram nos departamentos de visualidades do longa. No entanto, as expectativas são baixas para o filme despontar como favorito ao Oscar.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Pablo Larraín</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Angelina Jolie, Pierfrancesco Favino, Alba Rohrwacher, Haluk Bilginer e Kodi Smit-McPhee</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/nHcoK0uuxIw?si=t6j4BGeK8rhFkKUD" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Titanic</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Feb 2023 16:49:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Uma das histórias mais famosas do cinema hollywoodiano, Titanic está de volta aos cinemas, em 4K e 3D, por conta da comemoração dos 25 anos de sua estreia original. Mas, o que pode ser dito, em 2023, sobre uma produção que bateu tantos recordes &#8211; como na sua vitória de 11 Oscar ou em seu terceiro lugar como maior bilheteria de todos os tempos, após o seu relançamento? Talvez, a melhor alternativa seja dar alguns passos para trás e tentar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Uma das histórias mais famosas do cinema hollywoodiano, <strong><em>Titanic</em> </strong>está de volta aos cinemas, em 4K e 3D, por conta da comemoração dos 25 anos de sua estreia original. Mas, o que pode ser dito, em 2023, sobre uma produção que bateu tantos recordes &#8211; como na sua vitória de 11 Oscar ou em seu terceiro lugar como maior bilheteria de todos os tempos, após o seu relançamento? Talvez, a melhor alternativa seja dar alguns passos para trás e tentar olhar para o longa-metragem sob uma perspectiva “comum”, não pensando nele tanto como um hit.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, é preciso salientar neste texto que esta crítica que vos escreve chegou a número 90 de vezes assistidas. Sim, é uma fã que está escrevendo aqui! No entanto, a recepção de uma produção sempre pode mudar com o tempo e com as novas experiências, que são sempre adquiridas. Um exemplo que ilustra esta redescoberta, após quase 100 sessões do mesmo título, é a sensação de que os protagonistas são muito jovens, enquanto os outros que o cercam são mais velhos, mas cobram atitudes demasiadamente maduras deles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 31 anos &#8211; e não mais aos 06 anos de idade &#8211; fica mais que compreensível todo o comportamento do casal central e como eles são postos na narrativa: tão inconsequentes, impulsivos e com uma rebeldia juvenil aflorada. Inclusive, esta é uma das mágicas do roteiro e da direção de James Cameron (<em>Exterminador do Futuro</em>). </span><span style="font-weight: 400;">A criação de empatia com o casal Rose Dewitt Bukater (Kate Winslet, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-despedida/"><em>A Despedida</em></a>) e Jack Dawson (Leonardo Di Caprio, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-olhe-para-cima-netflix/"><em>Não Olhe Para Cima</em></a>) move e emociona o espectador, deixando que as mais de 3 horas de exibição ocorram de maneira fluida e veloz. </span></p>
<p>Dentro desta estratégia de fazer o que Cameron chama “colocar Romeu e Julieta dentro do navio”, há também o fato de que é possível acompanhar cada detalhe sobre a jornada do Titanic, desde a sua saída da Inglaterra, passando por toda a tragédia do naufrágio, até o resgate das vítimas. É inteligente como James consegue amarrar a trama principal com suas subtramas fictícias e, ao mesmo tempo, informa o seu público sobre os fatos ocorridos entre 10 e 14 de abril de 1912, com o máximo de veracidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16451" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2.png" alt="Titanic" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/1cd30389e36d9c40438a6793baf22da2-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É por isso que, dentro deste universo de plots e subplots, o que mais chama a atenção é o quanto James Cameron consegue trazer sensações, contexto e subtexto sobre a jornada dos coadjuvantes, com pouco texto falado, investindo no poder da imagem e da sugestão. <span style="font-weight: 400;">Para quem assistiu <strong><em>Titanic</em> </strong>poucas vezes, talvez, certos <em>frames</em> passem despercebidos, mas a aproximação com o enredo e as vítimas deste acidente acontece porque o público já viu cenas com aquelas figuras anteriormente e criou uma espécie de conexão com elas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São vários exemplos desta lógica de Cameron, alguns deles são: a menina Cora (Alex Owens-Sarno), que aparece no início da projeção ao lado do pai e depois na sequência da festa da terceira classe &#8211; inclusive, existem uma cena deletada, na qual o final triste da menina é contado -, o jovem Fang Lang (Van Ling), um passageiro real, que sobreviveu ficando em cima de uma porta ou Charles Joughin (Liam Tuohy), cozinheiro que sobreviveu ao ingerir uma quantidade absurda de álcool e que também é inspirado na realidade. Estas personagens ficam no consciente ou no subconsciente e a narrativa faz com que o público torça por elas e sofra por elas também.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, uma conexão com a história é estabelecida de uma maneira abrangente, fazendo com que seja criada uma imersão com o longa. Isto é, sem dúvidas, um mérito do trabalho de Cameron. O diretor, além de ter pensando nos detalhes que mesclavam a realidade com o teor ficcional dentro do seu roteiro, elaborou a sua decupagem de forma cuidadosa, pois ela está sempre à serviço da narrativa e possui este preciosismo em revelar em múltiplas camadas o contexto vivenciado dentro do navio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de seu fotógrafo Russell Carpenter (True Lies), James Cameron cria quadros  que imprimem o estado emocional das personagens e o seus pensamentos, através de questões como as temperaturas e os destaques colocados nas seleções de planos. </span>Algo que talvez soe óbvio para quem já assistiu <strong><em>Titanic</em> </strong>diversas vezes, porém que marca fortemente as três ambientações do filme &#8211; tempos “atuais” (1996), pré-naufrágio e naufrágio &#8211; são as tonalidades quentes e frias, que compõe estados de melancolia/nostalgia, vida, morte/tragédia.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16452" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal.jpg" alt="Titanic" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/02/titanic-portal-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Na verdade, estas escolhas de iluminação e cor renderiam artigos e análises profundas, mas nesta crítica cabe dizer que a composição criativa de Cameron e Carpenter é ampliada através do trabalho da equipe de arte. <span style="font-weight: 400;">O setor conta com mais de vinte integrantes e diversos chefes de departamento, mas o que importa ressaltar aqui é que as texturas, tons, colocações etc dos figurinos, dos cenários e da maquiagem fomentam os sentidos e ampliam as interpretações do público. </span><span style="font-weight: 400;">Para além dos detalhes de recomposição da época e do próprio navio, que são bastante apurados, os objetos cênicos cumprem bem os seus propósitos narrativos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um exemplo simples disto é o fato de Rose ir perdendo elementos de suas vestes, mostrando a libertação progressiva da personagem, que inicia sua jornada com chapéu, penteados bem presos, luvas, vestido apertado, com cores mais fechadas (como vinho e azul marinho).</span><span style="font-weight: 400;"> Contudo, antes do navio afundar, quando Rose decide ficar com Jack, ela está utilizando um vestido leve e de cores pastel, com os cabelos soltos. </span><span style="font-weight: 400;">São nestas particularidades que <strong><em>Titanic</em> </strong>se revela uma obra meticulosa, na qual o real se mistura com a ficção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de relatos de passageiros, documentações do passado e da imaginação de James Cameron, o mundo ganhou um longa que continua fazendo sentido e engajando quem assiste. Já faz 25 anos e este segue sendo um filme impactante, o que revela sua qualidade técnica. Para alguns, não apenas o Titanic era o navio dos sonhos, como o filme sobre ele pode também o ter sido. Para esta que vos fala, ele foi, ele realmente foi…E sempre será.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Direção:</strong> James Cameron</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Elenco:</strong> Kate Winslet, Leonardo Di Caprio, Gloria Stuart, Billy Zane, Kathy Bates, Frances Fisher, Bill Paxton, Bernard Hill</span></p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/IH6_CA_ocqY" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Especial: Entenda porque Babilônia não tem chances de ganhar Oscar de Melhor Filme</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Jan 2023 12:30:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O novo longa de Damien Chazelle chega nesta quinta-feira (19) aos cinemas brasileiros e, apesar do esforço do diretor, a produção não é capaz de atravessar como primeira na linha de chegada. Mas o que fez Babilônia, um filme tão a cara do Oscar, se distanciar tanto da tão almejada consagração cinematográfica? A trajetória sob os holofotes de Hollywood do diretor, produtor e roteirista franco-americano explica isso. Chazelle começou a sua carreira com longas-metragens no topo. Logo em seu primeiro [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O novo longa de Damien Chazelle chega nesta quinta-feira (19) aos cinemas brasileiros e, apesar do esforço do diretor, a produção não é capaz de atravessar como primeira na linha de chegada. Mas o que fez <b><i>Babilônia</i></b>, um filme tão a cara do Oscar, se distanciar tanto da tão almejada consagração cinematográfica? A trajetória sob os holofotes de Hollywood do diretor, produtor e roteirista franco-americano explica isso.</p>
<p>Chazelle começou a sua carreira com longas-metragens no topo. Logo em seu primeiro projeto não independente, ele conquistou nomeações no Oscar em diversas categorias, inclusive “Melhor Direção” e “Melhor Roteiro Adaptado”. <i>Whiplash: Em Busca da Perfeição</i> (2014) fez com que o jovem cineasta iniciasse a sua vida na grande Hollywood de forma estratosférica.</p>
<p>Seu filme seguinte, o premiado <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-la-la-land-cantando-estacoes/"><i>La La Land &#8211; Cantando Estações</i></a> (2016), conquistou um espaço ainda maior e concedeu a Chazelle o seu primeiro Oscar. Apesar do inesquecível erro do prêmio de “Melhor Filme” ter sido anunciado para <i>La La Land</i>, o segundo longa de Damien não conquistou a estatueta. Assim, ele saiu da maior premiação do cinema, mais uma vez, sem esse louro.</p>
<p>A terceira produção do diretor claramente foi uma resposta dele para a Academia, uma investida para conquistar os votantes na empreitada de alcançar o que quase conseguiu na cerimônia de 2017. No entanto, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-primeiro-homem/"><i>O Primeiro Homem</i></a> (2018) foi uma tentativa falha e se tornou o filme mais esquecível da carreira de Chazelle. <b><i>Babilônia</i></b>, no entanto, pareceu ter vindo como uma outra chance. A cartada final do cineasta em busca do desejado reconhecimento pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.</p>
<p>O problema do novo truque de Damien em direção aos principais prêmios do Oscar está justamente em seu desejo. <b><i>Babilônia</i></b> funciona como uma orgia intelectual de amantes do cinema. Tudo no filme é pretensioso. Desde os elementos que deveriam até os que se tornam um erro. A dramédia sobre o período de transição do cinema muda para o falado, tenta mirar sua estética num visual absurdo e exagerado, tal qual foi feito por Baz Luhrmann em <i>Moulin Rouge &#8211; Amor em Vermelho</i> (2001) e <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><i>Elvis</i></a> (2022), mas se torna uma produção de excessos que cansa o espectador.</p>
<p>Diferente dos feitos de Luhrmann, Chazelle usa essa estética do absurdo em cada segundo dos longos 189 minutos de duração. Não apenas mantém esse exagero presente o tempo inteiro como também o utiliza em cada etapa e processo da produção. Por um lado, ele conseguiu entregar ao público um filme deslumbrante do ponto de vista visual e com uma unidade clara. Por outro, Chazelle fez <b><i>Babilônia</i></b> se perder.</p>
<p><figure id="attachment_16358" aria-describedby="caption-attachment-16358" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-16358" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-750x500.jpg" alt="Babilônia (2022)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-1536x1024.jpg 1536w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-2048x1365.jpg 2048w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Babilonia-2-1-1400x933.jpg 1400w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-16358" class="wp-caption-text">Margot Robbie em cena de &#8220;Babilônia&#8221; (2022)</figcaption></figure></p>
<p>O que era para ser o maior filme de sua carreira &#8211; superando até mesmo o brilhante <i>Whiplash</i> &#8211; se tornou um dos mais exaustivos. É verdadeiramente cansativo passar pelas três horas de duração do filme. E uma vez sabendo onde Chazelle queria chegar, o tempo da sessão de <b><i>Babilônia</i></b> se mostra ainda mais desnecessário. O roteiro se perde na tragédia de erros dos artistas. O drama existencial e a discussão das dificuldades adaptativas do mercado são trocados por um pastiche cômico sem razão.</p>
<p>Com isso, Chazelle mostrou que nem sempre sabe como concluir uma narrativa. Diferente do seu primeiro longa-metragem ou de <i>La La Land</i>, o final do novo filme do diretor se arrasta por cerca de 30 minutos, o que faz com que a sensibilidade de sua apoteótica montagem final perca a força. <b><i>Babilônia</i></b> seria outro filme se o desejo de chegar no Olimpo das premiações não estivesse dominando as decisões do cineasta.</p>
<p>Ao menos uma coisa é certa, Damien Chazelle não errou o título do seu novo projeto. <b><i>Babilônia</i></b> é o nome perfeito para descrever a essência do filme. O que é vista em tela pelo espectador é uma profusão de informações. Sejam elas estéticas, visuais ou sonoras, o projeto é uma experiência de excessos do início ao fim. Chazelle até tenta associar essa escolha aos eventos narrados, uma pena que isso não é o suficiente para sustentar a ideia.</p>
<p>No fim da equação, <b><i>Babilônia</i></b> passa da conta com uma quantidade exagerada de artifícios. Ainda que tenha uma fotografia, direção de arte, maquiagem e figurinos excepcionais, a montagem, trilha e o roteiro se perdem. Com isso, a própria direção de Chazelle não consegue ser um dos pontos altos do longa-metragem. A ânsia de fazer um filme metalinguístico que serve de ode ao início do cinema que conhecemos hoje cai por terra por conta desse vislumbre no prêmio.</p>
<p><b><i>Babilônia</i></b> deve ser lembrado no Oscar, mas nas categorias relacionadas ao departamento de arte (“Melhor Design de Produção”, “Melhor Figurino” e “Melhor Cabelo e Maquiagem”) e, talvez, uma indicação pela fotografia. Desses, os prêmios mais possíveis estão na arte. É claro que o nome do longa pode sair entre os indicados a “Melhor Filme”, mas é um candidato muito fraco e não hegemônico entre os votantes para ganhar. Parece que o desejo excessivo em realizar o que quase conseguiu em 2017 atrapalhou a direção e o que seria mais um roteiro inteligente e criativo de Chazelle. Assim, o projeto entra no doloroso <i>hall</i> de filmes que tinham o potencial de alcançar os voos mais altos, mas desabaram do alto.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Damien Chazelle</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Brad Pitt,  Margot Robbie,  Diego Calva,  Jean Smart,  Jovan Adepo e  Li Jun Li</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=kHRxUylmwqs]</p>
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		<title>Confira a lista de indicados ao Globo de Ouro 2023!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Dec 2022 13:01:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Premiações]]></category>
		<category><![CDATA[Globo de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[Globo de Ouro 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Premiação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood anunciou, na última segunda-feira (12), os indicados do Globo de Ouro 2023. São cinco filmes em cada uma das 27 categorias da premiação, que envolvem séries e filmes. Nos destaques, temos o filme Os Banshees de Inisherin, recebendo oito indicações, seguido de Tudo em todo lugar ao mesmo tempo, indicado em seis categorias. Já na categoria de prêmios para TV, destaque para Abbott Elementary&#8221;, com 5 indicações. Cinco séries empataram com quatro indicações: [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood anunciou, na última segunda-feira (12), os indicados do Globo de Ouro 2023. São cinco filmes em cada uma das 27 categorias da premiação, que envolvem séries e filmes.</p>
<p>Nos destaques, temos o filme <em>Os Banshees de Inisherin</em>, recebendo oito indicações, seguido de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tudo-em-todo-lugar-ao-mesmo-tempo/"><em>Tudo em todo lugar ao mesmo temp</em></a>o, indicado em seis categorias.</p>
<p>Já na categoria de prêmios para TV, destaque para Abbott Elementary&#8221;, com 5 indicações. Cinco séries empataram com quatro indicações: <em>The Crown</em>, <em>Dahmer: Um Canibal Americano</em>, <em>Only Murders in the Building</em>, <em>Pam &amp; Tommy</em> e <em>White Lotus</em>, que está rendendo o maior burburinho nos últimos dias.</p>
<p>Essa é 80ª edição da premiação, que retorna à sua exibição em TV, após os escândalos do ano passado (confira aqui). A cerimônia acontece no dia 10 de janeiro.</p>
<p>Confira a lista completa de indicados!</p>
<h4><strong>CINEMA</strong></h4>
<p><strong>Melhor Filme de Drama</strong><br />
Avatar: O Caminho da Água<br />
Elvis<br />
Os Fabelmans<br />
Tár<br />
Top Gun: Maverick</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz em Filme de Drama</strong><br />
Cate Blanchett &#8211; Tár<br />
Olivia Colman &#8211; Império da Luz<br />
Viola Davis &#8211; A Mulher Rei<br />
Ana de Armas &#8211; Blonde<br />
Michelle Williams &#8211; Os Fabelmans</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Ator em Filme de Drama</strong><br />
Austin Butler &#8211; Elvis<br />
Bendan Fraser &#8211; A Baleia<br />
Hugh Jackman &#8211; O Filho<br />
Bill Nighy &#8211; Living<br />
Jeremy Pope &#8211; A Inspeção</p>
<p><strong>Melhor Filme Musical ou de Comédia</strong><br />
Babilônia<br />
The Banshees of Inisherin<br />
Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo<br />
Glass Onion: Um Mistério Knives Out<br />
Triângulo da Tristeza</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz em Filme Musical ou de Comédia</strong><br />
Lesley Manville &#8211; Sra. Harris Vai Para Paris<br />
Margot Robbie &#8211; Babilônia<br />
Anya Taylor-Joy &#8211; O Menu<br />
Emma Thompson &#8211; Boa Sorte Para Você, Leo Grande<br />
Michelle Yeoh &#8211; Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz em Filme Musical ou de Comédia</strong><br />
Duego Calva &#8211; Babilônia<br />
Daniel Craig &#8211; Glass Onion: Um Mistério Knives Out (Netflix)<br />
Adam Driver &#8211; Ruído Branco<br />
Colin Farrell &#8211; The Banshees of Inisherin<br />
Ralph Fiennes &#8211; O Menu</p>
<p><strong>Melhor Filme de Animação</strong><br />
O Pinóquio de Guilhermo Del Toro<br />
Inu-Oh<br />
Marcel the Shell with Shoes On<br />
O Gato de Botas: O Último Desejo<br />
Red: Crescer é uma Fera</p>
<p><strong>Melhor Filme de Língua Estrangeira</strong><br />
Nada de Novo no Front &#8211; Alemanha<br />
Argentina, 1985 &#8211; Argentina<br />
Close &#8211; França<br />
Decisão de Partir &#8211; Coreia do Sul<br />
RRR &#8211; Índia</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz Coadjuvante</strong><br />
Angela Bassett &#8211; Pantera Negra: Wakanda para Sempre<br />
Kerry Condon &#8211; The Banshees of Inisherin<br />
Jamie Lee Curtis &#8211; Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo<br />
Dolly De Leon &#8211; Triângulo da Tristeza<br />
Carey Mulligan &#8211; Ela Disse</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Ator Coadjuvante</strong><br />
Brendan Gleeson &#8211; The Banshees of Inisherin<br />
Barry Keoghan &#8211; The Banshees of Inisherin<br />
Brad Pitt &#8211; Babilônia<br />
Ke Huy Quan &#8211; Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo<br />
Eddie Redmayne &#8211; O Enfermeiro da Noite</p>
<p><strong>Melhor Diretor</strong><br />
James Cameron &#8211; Avatar: O Caminho da Água<br />
Daniel Kwan, Daniel Scheinert &#8211; Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo<br />
Baz Luhrmann &#8211; Elvis<br />
Martin McDonagh &#8211; The Banshees of Inisherin<br />
Steven Spielberg &#8211; Os Fabelmans</p>
<p><strong>Melhor Roteiro</strong><br />
Todd Field &#8211; Tár<br />
Daniel Kwan e Daniel Scheinert &#8211; Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo<br />
Martin McDonagh, &#8211; The Banshees of Inisherin<br />
Sarah Polley &#8211; Entre Mulheres<br />
Steven Spielberg, Tony Kushner &#8211; Os Fabelmans</p>
<p><strong>Melhor Trilha Sonora Original</strong><br />
Cartes Burwell &#8211; The Banshees of Inisherin<br />
Alexandre Desplat &#8211; O Pinóquio de Guilhermo Del Toro<br />
Hilgur Guenadóttir &#8211; Mulheres Conversando<br />
Justin Hurwitz &#8211; Babilônia<br />
John Williams &#8211; Os Fabelmans</p>
<p><strong>Melhor Música Original</strong><br />
“Carolina” de Taylor Swift &#8211; Um Lugar Bem Longe Daqui<br />
“Ciao Papa” de Alexandre Desplat &#8211; O Pinóquio de Guilhermo Del Toro<br />
“Hold My Hand” de Lady Gaga, BloodPop, Benjamin Rice &#8211; Top Gun: Maverick<br />
“Lift Me Up” de Tems, Rihanna, Ryan Coogler, Ludwig Göransson &#8211; Pantera Negra: Wakanda Para Sempre<br />
“Naatu Naatu” de MM Keeravani &#8211; RRR</p>
<h4><strong>TELEVISÃO</strong></h4>
<p><strong>Melhor Série de drama</strong><br />
Better Call Saul<br />
The Crown<br />
A Casa do Dragão<br />
Ozark<br />
Ruptura</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz em Série de Drama</strong><br />
Emma D’Arc &#8211; A Casa do Dragão<br />
Laura Linney &#8211; Ozark<br />
Imelda Stauton &#8211; The Crown<br />
Hilary Swank &#8211; Alaska Daily<br />
Zendaya &#8211; Euphoria</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz em Série de Drama</strong><br />
Jeff Bridges &#8211; The Old Man<br />
Kevin Costner &#8211; Yellowstone<br />
Diego Luna &#8211; Andor<br />
Bod Odenkirk &#8211; Better Call Saul<br />
Adam Scott &#8211; Ruptura</p>
<p><strong>Melhor Série Musical ou de Comédia</strong><br />
Only Murders in the Building<br />
Abbott Elementary<br />
O Urso<br />
Hacks<br />
Wandinha</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz em Série Musical ou de Comédia</strong><br />
Quinta Brunson &#8211; Abbott Elementary<br />
Kaley Cuoco &#8211; The Flight Attendant<br />
Selena Gomez &#8211; Only Murders in the Building<br />
Jenna Ortega &#8211; Wandinha<br />
Jean Smart &#8211; Hacks</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Ator em Série Musical ou de Comédia</strong><br />
Martin Short &#8211; Only Murders in the Building<br />
Steve Martin &#8211; Only Murders in the Building<br />
Donald Glover &#8211; Atlanta<br />
Bill Hader &#8211; Barry<br />
Jeremy Allen White &#8211; O Urso</p>
<p><strong>Melhor Minissérie</strong><br />
Black Bird<br />
Dahmer: Um Canibal Americano<br />
The Dropout<br />
Pam &amp; Tommy<br />
The White Lotus</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz em Minissérie</strong><br />
Jessica Chastain &#8211; George &amp; Tammy<br />
Julia Garner &#8211; Inventando Anna<br />
Lily James &#8211; Pam &amp; Tommy<br />
Julia Roberts &#8211; Gaslit<br />
Amanda Seyfried &#8211; The Dropout</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Ator em Minissérie</strong><br />
Taron Egerton &#8211; Black Bird<br />
Colin Firth &#8211; The Staircase<br />
Andrew Garfield &#8211; Em Nome do Céu<br />
Evan Peters &#8211; Dahmer: Um Canibal Americano<br />
Sebastian Stan &#8211; Pam &amp; Tommy</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz Coadjuvante em Minissérie</strong><br />
Jennifer Coolidge &#8211; The White Lotus<br />
Claire Danes &#8211; A Nova Vida de Toby<br />
Daisy Edgar-Jones &#8211; Em Nome do Céu<br />
Niecy Nash &#8211; Dahmer: Um Canibal Americano<br />
Aubrey Plaza &#8211; The White Lotus</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Ator Coadjuvante em Minissérie</strong><br />
F. Murray Abraham &#8211; The White Lotus<br />
Domhnall Gleeson &#8211; The Patient<br />
Paul Walter Hauser &#8211; Black Bird<br />
Richard Jenkins &#8211; Dahmer: Um Canibal Americano<br />
Seth Rogen &#8211; Pam &amp; Tommy</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Atriz Coadjuvante em Série Musical, Dramática ou de Comédia</strong><br />
Elizabeth Debicki &#8211; The Crown<br />
Hannah Einbinder &#8211; Hacks<br />
Julia Garner &#8211; Ozark<br />
Janelle James &#8211; Abbott Alementary<br />
Sheryl Lee Ralph &#8211; Abbott Alementary</p>
<p><strong>Melhor Atuação de Ator Coadjuvante em Série Musical, Dramática ou de Comédia</strong><br />
John Lithgow &#8211; The Old Man<br />
Jonathan Pryce &#8211; The Crown<br />
John Turturro &#8211; Ruptura<br />
Tyler James Williams &#8211; Abbott Elementary<br />
Henry Winkler &#8211; Barry</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Confira os ganhadores do Oscar 2022!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Mar 2022 18:08:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Premiações]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Premiação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em meio à uma noite polêmica, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood realizou na noite deste domingo, 27 de março, a 94ª cerimônia de entrega do Oscar. Tivemos o primeiro ator surdo a ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, com Troy Kotsur por No Ritmo do Coração. O filme levou ainda o maior prêmio da noite, de Melhor Filme, e de Melhor Roteiro Adaptado. Ataque dos Cães, que começou a temporada como um favorito, acabou ficando [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em meio à uma noite polêmica, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood realizou na noite deste domingo, 27 de março, a 94ª cerimônia de entrega do Oscar. Tivemos o primeiro ator surdo a ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, com Troy Kotsur por No Ritmo do Coração. O filme levou ainda o maior prêmio da noite, de Melhor Filme, e de Melhor Roteiro Adaptado.</p>
<p>Ataque dos Cães, que começou a temporada como um favorito, acabou ficando com apenas uma estatueta, a de Melhor Direção, para Jane Campion. Duna faturou seis prêmios em categorias técnicas, se consagrando com um filme grandioso. Will Smith venceu como Melhor Ator por King Richard e deu um discurso emocionado sobre família.</p>
<p>A confusão entre Will Smith e Chris Rock, no entanto, acabou sendo o destaque a noite. O comediante fez uma piada de mau gosto sobre o cabelo raspado de Jada Pinkett Smith, esposa de Will. Ela tem uma doença autoimune que impede o cabelo de crescer. O ator acabou tomando as dores da amada, subiu no palco e deu um tapa na cara de Rock, dizendo ainda para ele tirar o nome da esposa da boca. O comediante ainda insistiu um pouco, mas parou em seguida. A briga repercute até hoje.</p>
<p><strong>Confira a lista completa de vencedores!</strong></p>
<p><strong>MELHOR FILME</strong></p>
<p>Belfast</p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>No Ritmo do Coração</strong></span></p>
<p>Não Olhe Para Cima</p>
<p>Drive My Car</p>
<p>Duna</p>
<p>King Richard: Criando Campeãs</p>
<p>Licorice Pizza</p>
<p>O Beco do Pesadelo</p>
<p>Ataque dos Cães</p>
<p>Amor, Sublime Amor</p>
<p><strong>MELHOR DIREÇÃO</strong></p>
<p>Kenneth Branagh por Belfast</p>
<p>Ryûsuke Hamaguchi por Drive My Car</p>
<p>Paul Thomas Anderson por Licorice Pizza</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Jane Campion por Ataque dos Cães</span></strong></p>
<p>Steven Spielberg por Amor, Sublime Amor</p>
<p><strong>MELHOR ATOR</strong></p>
<p>Javier Bardem, por Apresentando os Ricardos</p>
<p>Benedict Cumberbatch por Ataque dos Cães</p>
<p>Andrew Garfield, por Tick, Tick… Boom!</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Will Smith por King Richard: Criando Campeãs</span></strong></p>
<p>Denzel Washington por A Tragédia de Macbeth</p>
<p><strong>MELHOR ATRIZ</strong></p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>Jessica Chastain por The Eyes of Tammy Faye</strong></span></p>
<p>Olivia Colman por A Filha Perdida</p>
<p>Penélope Cruz por Mães Paralelas</p>
<p>Nicole Kidman por Apresentando os Ricardos</p>
<p>Kristen Stewart por Spencer</p>
<p><strong>MELHOR ATOR COADJUVANTE</strong></p>
<p>Ciarán Hinds por Belfast</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Troy Kotsur por No Ritmo do Coração</span></strong></p>
<p>Jesse Plemons por Ataque dos Cães</p>
<p>J.K. Simmons, por Apresentando os Ricardos</p>
<p>Kodi Smit-McPhee por Ataque dos Cães</p>
<p><strong>MELHOR ATRIZ COADJUVANTE</strong></p>
<p>Jessie Buckley por A Filha Perdida</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Ariana DeBose por Amor, Sublime Amor</span></strong></p>
<p>Judi Dench por Belfast</p>
<p>Kirsten Dunst ppor Ataque dos Cães</p>
<p>Aunjanue Ellis por King Richard: Criando Campeãs</p>
<p><strong>MELHOR ROTEIRO ORIGINAL</strong></p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Kenneth Branagh por Belfast</span></strong></p>
<p>Adam McKay por Não Olhe Para Cima</p>
<p>Zach Baylin, por King Richard: Criando Campeãs</p>
<p>Paul Thomas Anderson, por Licorice Pizza</p>
<p>Eskil Vogt &amp; Joachim Trier, por The Worst Person in the World</p>
<p><strong>MELHOR ROTEIRO ADAPTADO</strong></p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>Siân Heder, por No Ritmo do Coração</strong></span></p>
<p>Ryûsuke Hamaguchi &amp; Takamasa Oe, por Drive My Car</p>
<p>Jon Spaiths, Denis Villeneuve &amp; Eric Roth, por Duna</p>
<p>Maggie Gyllenhaal, por A Filha Perdida</p>
<p>Jane Campion, por Ataque dos Cães</p>
<p><strong>MELHOR FOTOGRAFIA</strong></p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>Greig Fraser por Duna</strong></span></p>
<p>Dan Lautsen por O Beco do Pesadelo</p>
<p>Ari Wegner por Ataque dos Cães</p>
<p>Bruno Delbonnel por A Tragédia de Macbeth</p>
<p>Janusz Kominski por Amor, Sublime Amor</p>
<p><strong>MELHOR TRILHA SONORA</strong></p>
<p>Nicholas Britell, por Não Olhe Para Cima</p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>Hans Zimmer, por Duna</strong></span></p>
<p>Hermaine Franco, por Encanto</p>
<p>Alberto Iglesias, por Mães Paralelas</p>
<p>Jonny Greenwood, por Ataque dos Cães</p>
<p><strong>MELHOR CANÇÃO ORIGINAL</strong></p>
<p>“Be Alive” (King Richard: Criando Campeãs)</p>
<p>“Dos Oruguitas” (Encanto)</p>
<p>“Down to Joy” (Belfast)</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">“No Time to Die” (007 – Sem Tempo Para Morrer)</span></strong></p>
<p>“Somehow You Do” (Four Good Days)</p>
<p><strong>MELHOR EDIÇÃO</strong></p>
<p>Hank Corwin, por Não Olhe Para Cima</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Joe Walker, por Duna</span></strong></p>
<p>Pamela Martin, por King Richard: Criando Campeãs</p>
<p>Peter Sciberras, por Ataque dos Cães</p>
<p>Myron Kerstein &amp; Andrew Weisblum, por Tick, Tick… Boom!</p>
<p><strong>MELHOR FIGURINO</strong></p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Jenny Beavan, por Cruella</span></strong></p>
<p>Massimo Cantini Parrini &amp; Jacqueline Durran, por Cyrano</p>
<p>Jacqueline West &amp; Robert Morgan, por Duna</p>
<p>Luis Sequeira, por O Beco do Pesadelo</p>
<p>Paul Tazewell, por Amor, Sublime Amor</p>
<p><strong>MELHOR CABELO &amp; MAQUIAGEM</strong></p>
<p>Um Príncipe em Nova York 2</p>
<p>Cruella</p>
<p>Duna</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">The Eyes of Tammy Faye</span></strong></p>
<p>Casa Gucci</p>
<p><strong>MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO</strong></p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Patrick Vermette, por Duna</span></strong></p>
<p>Tamara Deverell, por O Beco do Pesadelo</p>
<p>Grant Major, por Ataque dos Cães</p>
<p>Stefan Decbant, por A Tragédia de Macbeth</p>
<p>Adam Stockhausen, por Amor, Sublime Amor</p>
<p><strong>MELHOR FILME INTERNACIONAL</strong></p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>Drive My Car (Japão)</strong></span></p>
<p>Flee (Dinamarca)</p>
<p>A Mão de Deus (Itália)</p>
<p>Lunana: A Yak in the Classroom (Butão)</p>
<p>The Worst Person in the World (Noruega)</p>
<p><strong>MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM</strong></p>
<p>Ascension</p>
<p>Attica</p>
<p>Flee</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Summer of Soul (… ou Quando a Revolução Não Pode Ser Televisionada)</span></strong></p>
<p>Writing with Fire</p>
<p><strong>MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM</strong></p>
<p>Audible</p>
<p>Lead Me Home</p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>The Queen of Basketball</strong></span></p>
<p>Three Songs for Ben Azir</p>
<p>When We Were Bullies</p>
<p><strong>MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA METRAGEM</strong></p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>Encanto</strong></span></p>
<p>Flee</p>
<p>Luca</p>
<p>A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas</p>
<p>Raya e o Último Dragão</p>
<p><strong>MELHOR ANIMAÇÃO EM CURTA METRAGEM</strong></p>
<p>Affairs of the Art</p>
<p>Bestia</p>
<p>Boxballet</p>
<p>Robin Robin</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">The Windshield Wiper</span></strong></p>
<p><strong>MELHOR CURTA METRAGEM EM LIVE-ACTION</strong></p>
<p>Ala Kachuu – Take and Run</p>
<p>The Dress</p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>The Long Goodbye</strong></span></p>
<p>On My Mind</p>
<p>Please Hold</p>
<p><strong>MELHOR SOM</strong></p>
<p>Belfast</p>
<p><strong><span style="color: #c6222f;">Duna</span></strong></p>
<p>007 – Sem Tempo Para Morrer</p>
<p>Ataque dos Cães</p>
<p>Amor, Sublime Amor</p>
<p><strong>MELHORES EFEITOS VISUAIS</strong></p>
<p><span style="color: #c6222f;"><strong>Duna</strong></span></p>
<p>Free Guy: Assumindo o Controle</p>
<p>007 – Sem Tempo Para Morrer</p>
<p>Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis</p>
<p>Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa</p>
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		<title>Crítica: Mães Paralelas (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 05 Mar 2022 00:09:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Mães Paralelas]]></category>
		<category><![CDATA[Milena Smit]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2022]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Almodóvar]]></category>
		<category><![CDATA[Penélope Cruz]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Melodrama, dor, paixão e segredos que consomem alguém até a última gota. Todos os elementos costumeiros de obras de Pedro Almodóvar (Dor e Glória) estão presentes em Mães Paralelas, juntamente com as suas tonalidades intensas, que preenchem a tela. Para entregar a sua nova obra como um belo exemplar “Almodóvar raiz” (porém um raiz mais maduro), o realizador mescla temas que se encontram em só: a maternidade e a memória. Apesar de toda passionalidade convocada pelo cineasta, esta é uma [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Melodrama, dor, paixão e segredos que consomem alguém até a última gota. Todos os elementos costumeiros de obras de Pedro Almodóvar (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dor-e-gloria/"><em>Dor e Glória</em></a>) estão presentes em <strong><em>Mães Paralelas</em></strong>, juntamente com as suas tonalidades intensas, que preenchem a tela. Para entregar a sua nova obra como um belo exemplar “Almodóvar raiz” (porém um raiz mais maduro), o realizador mescla temas que se encontram em só: a maternidade e a memória.</p>
<p>Apesar de toda passionalidade convocada pelo cineasta, esta é uma passionalidade calculada e bem articulada, durante as 2 horas de projeção. Para além de a narrativa contar com a história de duas mães, os enredos também são paralelos. De um lado, o espectador acompanha o encontro de Janis (Penélope Cruz, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-todos-ja-sabem/"><em>Todos Já Sabem</em></a>) e Ana (Milena Smit), que se conhecem na maternidade e que, mesmo com faixas etárias distintas, precisam lidar com as experiências palpáveis e surreais que estão postas em suas realidades.</p>
<p>Do outro, é possível ver a busca de Janis, ao lado de seu amigo e amante Arturo, pelos corpos de pessoas enterradas em valas comuns, durante a Guerra Civil espanhola, de 1930. Assim, Almodóvar arremata toda uma discussão política complexa, que trata de luas de classe, mas também imprime toda a potencialidade e força de mulheres mães solo. Este jogo de idas e vindas temáticas – e até temporais – é perigoso, porém não há perda do rumo da trama aqui. Pelo contrário.</p>
<p>Há uma habilidade em conduzir esta história e amarrá-la, permitindo que exista espaço para o respiro entre um plot e outro, mas nunca os deixando de lado. Neste sentido, a direção consegue fomentar esta construção do paralelo, fazendo um jogo de quadros mais abertos e fechados para cada determinada intenção. Nos momentos de mais intensidade emocional, Almodóvar traz seus super closes, alguns deles até laterais. Esta estratégia, obviamente, aproxima o público das sensações das personagens e amplifica os seus sentimentos também.</p>
<p>Os movimentos de câmera são poucos, bem pontuais, e a duração dos planos é gerenciada para que haja tempo suficiente de se olhar para aquelas figuras. Os fluxos de pensamento e as ações ali inseridas são compreendidos de forma mais profunda, justamente porque é permitido que se olhe para elas com cuidado e de perto. Ao mesmo tempo, quando o espectador retorna para as questões de memória, a maioria dos quadros está mais aberto, podendo causar uma impressão de liberdade, esperança, redenção e até reflexão.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15324" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maes-paralelas-695281.jpg" alt="Mães Paralelas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maes-paralelas-695281.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maes-paralelas-695281-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maes-paralelas-695281-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/03/maes-paralelas-695281-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ao contemplar a imensidão da estrada e das terras onde vários corpos foram enterrados, por exemplo, quem assiste é afastado do aspecto individual e se encaminha para focar no macro daquela situação. Transitando neste contexto, do particular para o geral e vice-versa, está Penélope Cruz, que também é um ponto positivo certeiro dentro de <em><strong>Mães Paralelas</strong></em>. Habita aqui uma interpretação mais madura de Penélope, com mais contenção de movimentos e gestos precisos.</p>
<p>A sua construção é calcada em uma retenção que conta muito sobre a sua Janis: uma mulher observadora, racional e segura. Assim, as respirações e deslocamentos são justos, não sobram, trazendo uma organicidade para o papel. Este é um tipo de atuação menos óbvio, porque esta é uma composição sutil. A elaboração de sentido criado por Cruz é bem profunda e diversos rumos da narrativa são perceptíveis através de seu olhar.</p>
<p>Contudo, este traço positivo em Penélope acaba não sendo tão bom no contexto geral da produção. Alguns caminhos escolhidos por Almodóvar deixam a trama um tanto óbvia. Quando o mesmo deixa que certas peripécias demorem demasiadamente, o enredo soa ingênuo. Esta questão não perpassa todo o longa, não comprometendo a sua totalidade. Mas, a enrolação para desvendar o suspense central não se sustenta quando quem assiste já entendeu o que está se passando e não há mais necessidade de criar mistério.</p>
<p>Além disso, este fator combinado com o desfecho abrupto, sem encerramento, faz com que pontas fiquem soltas em <strong><em>Mães Paralelas</em></strong>. Talvez, o roteiro quisesse deixar este final sem conclusão, sem respostas, porém a execução poderia ser mais precisa, preparando o público para tal estratégia.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Pedro Almodóvar</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Penélope Cruz, Milena Smit, Aitana Sánchez-Gijón</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/50cJUKw9RU8" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: A Mão de Deus (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Mar 2022 13:42:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[A Mão de Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Filippo Scotti]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
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		<category><![CDATA[Teresa Saponangelo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Buscando retornar para as origens de sua infância em Nápoles, o diretor e roteirista Paolo Sorrentino convoca toda a atmosfera da classe média italiana dos anos 1970 para construir o universo de A Mão de Deus. Os tipos sociais são postos de maneira intensa e sem pudores. Durante a projeção o público encontra na história os arquétipos de homens brancos cis, como: o infiel, o que bate na esposa, o virgem atento aos corpos femininos, o trambiqueiro etc e, claro, todos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Buscando retornar para as origens de sua infância em Nápoles, o diretor e roteirista Paolo Sorrentino convoca toda a atmosfera da classe média italiana dos anos 1970 para construir o universo de <strong><em>A Mão de Deus</em></strong>. Os tipos sociais são postos de maneira intensa e sem pudores. Durante a projeção o público encontra na história os arquétipos de homens brancos cis, como: o infiel, o que bate na esposa, o virgem atento aos corpos femininos, o trambiqueiro etc e, claro, todos eles são fanáticos por futebol.<br /><br />Do outro lado, não seria diferente com as mulheres brancas cis, todas estão lá: a matrona, a musa, a viúva misteriosa, a mulher zelosa traída, a tia falastrona etc. Aos poucos, para completar esta espécie de checklist de obras como esta, todas estas figuras femininas vão progressivamente se tornando objetos centrais para o amadurecimento do protagonista, Fabietto (Fillipo Scotti). Elas impulsionam ele. Mas, o que são obras como esta? Para tratar sobre isso, é necessário notar toda a inspiração de Sorrentino em relação ao cinema italiano clássico.</p>
<p>Este fator está presente em sua filmografia intensamente, como em <em>A Grande Beleza</em> (2013) ou <em>Juventude</em> (2015). Provavelmente, a cinematografia da Itália fez parte do letramento de Sorrentino no audiovisual e isto aparece na tela o tempo inteiro. Seja na decupagem como nos próprios encaminhamentos narrativos, o autor convoca imagens e diálogos que remetem a longas-metragens como <em>A Doce Vida</em> ou <em>Amarcord</em> – somente para exemplificar, porque são diversas referências ali.</p>
<p>Nesta lógica, ele se entrega a um olhar antigo, de outra época, mesclando o que viu no ecrã, com o que escutou durante o início de sua vida, e não tem medo de trazer estas personagens que proferem frases terríveis e cometem atos pesados, pois ele parece estar mais interessado neste flerte do real com o absurdo. Para causar tal mescla, Sorrentino coloca estas personas em voga, em situações difíceis de fruir por esta ausência de filtro algum. O que pode deixar cada sequência de <strong><em>A Mão de Deus</em></strong> complicada de acompanhar.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15313" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/FILME-THE-HAND-OF-GOD-30.jpg.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/FILME-THE-HAND-OF-GOD-30.jpg.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/FILME-THE-HAND-OF-GOD-30.jpg-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/FILME-THE-HAND-OF-GOD-30.jpg-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/FILME-THE-HAND-OF-GOD-30.jpg-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>E está tudo ali, desde o início da projeção, como no plot da musa de Fabietto, logo quando a mesma é apresentada. Patrizia, ao chegar em sua casa, é espancada pelo marido e chamada de louca. Quando os familiares vão até a sua residência parecem não incomodar com o seu nariz sangrando. Pelo contrário, Fabietto observa a sua “tia” com as vestes rasgadas e um seio para fora. Este quadro dura um tempo considerável e é como se Sorrentino enxergasse beleza em uma mulher com sangue na face e um peito amostra.</p>
<p>Há todo um apuro estético para aquela cena. O corpo exposto em quadro, com a mise-en-scène milimetricamente elaborada, quase como em um pintura. Patrizia não se importa em estar seminua na presença dos parentes de seu esposo, muito menos é perguntada sobre qual é seu estado. O que fica em voga, naquele instante, é o fato de Fabietto e seu pai estarem contemplado Patrizia, com o vestido rasgado. Um suprassumo do male gaze e, para algumas pessoas, um momento violento dentro da produção.</p>
<p>Outro momento destacável, neste aspecto é quando todos da família estão dentro mar. Uma das tias é caçoada por seu peso, sendo chamada de “baleia”, entre outros adjetivos dolorosos. Evidentemente, existe uma parte do público que é cúmplice deste tipo de discurso ou obra, sendo eles divididos em dois tipos: 1. O que não se fere com estes elementos e considera as pautas contemporâneas “mimimi”; 2. Os que justificam a presença da permanência de mal gosto e falta de empatia no cinema pelo fato de enredo se passar em outra época.</p>
<p>Todavia, ainda que <strong><em>A Mão de Deus</em></strong> se passe nos anos 1970, seu lançamento é 2021 e existem caminhos para imprimir a sordidez humana dentro da ficção sem ser conivente com ela ou fomentá-la. Mesmo que Paolo busque homenagear um cinema do passado, que possuiu, obviamente, todo seu esplendor em seu período, há de se pensar em como fazê-lo trazendo o discurso para o contexto atual. Assim, acompanhar a trama pode ser uma missão árdua para alguns.</p>
<p>No entanto, se algumas imagens e alguns diálogos são ofensivos, Sorrentino suaviza esta característica se valendo de absurdos costumeiros em dramas italianos, bem como do melodrama. Há a relação de Fabietto com algumas personagens masculinas, como com seu irmão Marchino (Marlon Joubert), que é posta com sensibilidade e cuidado; com Armando, seu amigo contrabandista, um alívio cômico e respiro dentro daquela lógica ou com o seu cineasta cultuado.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15312" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/163831117061a6a50231b48_1638311170_3x2_md.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/163831117061a6a50231b48_1638311170_3x2_md.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/163831117061a6a50231b48_1638311170_3x2_md-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/163831117061a6a50231b48_1638311170_3x2_md-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/02/163831117061a6a50231b48_1638311170_3x2_md-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Estas relações são olhadas com mais respeito e dedicação por Paolo Sorrentino e são investigadas após um acontecimento dentro da história que acaba por fortalecer a qualidade geral de <strong><em>A Mão de Deus</em></strong>. Depois da virada da trama, quando Fabietto fica praticamente sozinho, a narrativa parece andar mais livremente. É aqui que o amor pelo audiovisual vai ganhando cada vez mais espaço na projeção e os sentimentos mais profundos de Fabietto também. Os problemas com o longa não estão ligados à qualidade técnica.</p>
<p>Pelo contrário! E é preciso apontar este tipo de observação, porque, em diversos momentos, a suposta genialidade ou mera inteligência de um diretor vira argumento para diminuir os desgostos vindos de roteiros ofensivos. Desta forma, é apontável que Sorrentino entrega uma direção atenta, com uma decupagem consciente de cada efeito que deseja ser passado. O tempo de cada plano e as movimentações de câmera trabalham à favor da narrativa, o que é essencial para o trabalho de um bom cineasta.</p>
<p>Já na escrita, Paolo demora de conduzir o público para onde ele quer. Com um primeiro ato arrastado, há uma preocupação em apresentar todas as personagens e ambientar quem assiste naquele mundo, porém a dinâmica presente na primeira parte da exibição é um tanto repetitiva e cansativa. A subida ocorre após sua metade, quando os conflitos e desenlaces vão ganhando contorno. Há também um olhar apurado da fotografia e da direção de arte, feitas, respectivamente, por Daria D&#8217;Antonio (<em>Entre Tempos</em>) e Saverio Sammali (<em>Dois Papas</em>).</p>
<p>As transformações inseridas na iluminação, nos posicionamentos dos objetos, nas seleções e nos usos das locações revelam todas as transições que Fabietto vive, nesta passagem da adolescência para a fase adulta. Os seus conflitos internos, medos e angústias são traduzidos imagética e esteticamente ali. Dito isto, <strong><em>A Mão de Deus</em></strong> é mais um título de um cineasta europeu, que com todos os seus privilégios de acesso ao conhecimento e a equipamentos reforça a mesma visão que já vem sendo posta a tantos anos.</p>
<p>Longe de diminuir o talento do realizador, que possui bastante apuro estético em suas obras, o que esta crítica deseja apontar é a recorrente dificuldade em finalizar sessões como essa, pois elas apresentam conteúdos com misoginia e gordofobia, por exemplo. Mas, para os mais antigos de mente e alma, talvez seja um deleite acompanhar os aventuras e perdas de Fabietto Schisa.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Paolo Sorrentino</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Filippo Scotti, Toni Servillo, Teresa Saponangelo</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/2EXX-AogK3A" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-mao-de-deus-netflix/">Crítica: A Mão de Deus (Netflix)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: Audible (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Feb 2022 15:15:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Audible]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Média-metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Netflix]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2022]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 39 minutos de duração, Audible deseja mostrar a trajetória do adolescente Amaree McKenstry, que estuda em uma escola para surdos e faz parte do time de futebol americano do colégio. Dentro desta lógica, o média-metragem aposta em deixar que as personagens se expressem, sem se colocar diretamente, convocando apenas o ponto de vista delas. Neste sentido, apesar deste tipo de documentário – chamado popularmente de “cabeças flutuantes” – possuir menos criatividade dentro de seu gênero, algumas saídas são encontradas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 39 minutos de duração, <strong><em>Audible</em> </strong>deseja mostrar a trajetória do adolescente Amaree McKenstry, que estuda em uma escola para surdos e faz parte do time de futebol americano do colégio. Dentro desta lógica, o média-metragem aposta em deixar que as personagens se expressem, sem se colocar diretamente, convocando apenas o ponto de vista delas.</p>
<p>Neste sentido, apesar deste tipo de documentário – chamado popularmente de “cabeças flutuantes” – possuir menos criatividade dentro de seu gênero, algumas saídas são encontradas para efetuar um dinamismo durante a sessão. As sequências das entrevistas são intercaladas com cenas dos jogos, com os discursos do treinador e o dia a dia dos jovens, com momentos sobre paqueras, namoros e amizade.</p>
<p>De certa forma, as estratégias do média funcionam e não funcionam. As idas para os momentos que ilustram as vidas das personagens são os respiros das entrevistas e a ideia é bem-vinda. No entanto, a montagem frenética faz com que o suposto equilíbrio entre falas e passagens não exista. O ritmo também é quebrado se há aceleração demasiada. As velocidades precisam ser intercaladas para que o espectador consiga criar uma relação com o que está sendo mostrado.</p>
<p>É como se o diretor Matthew Ogens (<em>American Native</em>) e o montador Darrin Roberts (<em>A Caixa</em>) quisessem colocar o tom do filme sempre para cima, porém a agilidade das imagens provoca um efeito oposto ao do desejado e deixa a exibição cansativa. Para completar esta sensação de exaustão dentro da fruição, a quantidade de temas escolhidos também é exagerada.</p>
<p>São muitos conflitos que extrapolam o protagonista ou o cerne central do documentário. Há a relação com o pai de Amaree, o suicídio de um de seus melhores amigos, a falta de encaixe com a família, o futuro depois do final da escola etc. Talvez, este número extenso de situações e caminhos da obra não fosse um problema se o espaço dedicado a cada temática fosse pensando de forma mais consciente.</p>
<p>O que incomoda é que nada é aprofundado e uma figura tão cheia de potencialidade como Amaree é olhada de forma muito superficial. No final das contas, <strong><em>Audible</em> </strong>é uma produção que fica na média, mas não ultrapassa ela, porque na gana de ser emocionante e impactante, se esquece de olhar com cuidado e sensibilidade para uma jornada tão cativante e intensa.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Matthew Ogens</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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