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	<title>Arquivos Julia Louis-Dreyfus - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Julia Louis-Dreyfus - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica Thunderbolts*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 May 2025 12:59:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Desde o final da Saga do Infinito com a estreia de Vingadores: Ultimato (2019), o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) não tem tido bons resultados em suas produções. A Saga do Multiverso começou bem com WandaVision (2021), mas logo em seguida começou a se perder pela quantidade de produções e pelos questionamentos sobre sua qualidade. De lá para cá, poucas coisas fizeram sucesso suficiente para convencer o público geral sobre a nova fase da Marvel Studios, assim como não renderam boas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Desde o final da Saga do Infinito com a estreia de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores: Ultimato (2019)</em></a>, o Universo Cinematográfico Marvel (MCU) não tem tido bons resultados em suas produções. A Saga do Multiverso começou bem com <em>WandaVision (2021)</em>, mas logo em seguida começou a se perder pela quantidade de produções e pelos questionamentos sobre sua qualidade. De lá para cá, poucas coisas fizeram sucesso suficiente para convencer o público geral sobre a nova fase da Marvel Studios, assim como não renderam boas bilheterias. 2025, no entanto, chegou com a promessa de ser esse novo momento, iniciado com a estreia de <em><strong>Thunderbolts</strong></em>.</p>
<p>A promessa é de que o novo longa-metragem do MCU, que chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (1º), seja diferente de tudo que a Marvel já fez. Mas será que é mesmo? <em><strong>Thunderbolts </strong></em>traz a comicidade e a ação esperada de um projeto da franquia, tem as referências a algumas das histórias pregressas que costuram eixos narrativos do filme e se baseiam em alguns personagens já conhecidos dos fãs. Até então, uma estrutura bem básica e comum para o estúdio. Há, contudo, um olhar mais voltado para a construção dos personagens nesse longa do que em outros.</p>
<p>A costura de <em><strong>Thunderbolts </strong></em>é feita a partir justamente da relação desse grupo disfuncional de criminosos anti-heroicos. Isso por si só já é um elemento um pouco diferente do comum por tornar o novo projeto da Marvel guiado por personagens e não pelo problema. Ainda assim, não é como se fosse a primeira vez que isso é feito e nem é a vez mais bem trabalhada. A produção traz um pouco mais de camadas do que é usual nas dinâmicas narrativas do MCU, mas ainda deixa muito a desejar, especialmente quando pensamos no cerne que move as figuras centrais da história.</p>
<p>O roteiro de Eric Pearson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-viuva-negra/"><em>Viúva Negra</em></a>, de 2021) e Joanna Calo (<em>Rixa</em>, de 2023) se esforça para desvendar um pouco mais das nuances psicológicas dos personagens, especialmente de Yelena e Bob (interpretados, respectivamente, por Florence Pugh e Lewis Pullman). Mesmo com essa preocupação clara, ainda é pouco para o que a narrativa escancara como dilema moral e pessoal para essas personagens. No caso de Yelena e Bob, eles têm claramente indicativos de ansiedade e depressão e isso, ainda que posto, segue na superfície, diante do que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> se propõe a ser.</p>
<figure id="attachment_19409" aria-describedby="caption-attachment-19409" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-19409" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-750x500.jpg" alt="Thunderbolts* (2025)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2025/05/Thunderbolts-2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-19409" class="wp-caption-text">Cena de &#8216;Thunderbolts* (2025)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Quando um filme tem como vilão esse vazio que nos corrói por dentro, é preciso que o projeto mergulhe de cabeça num drama existencial e psicológico. O filme até tenta elencar momentos-chave para debater de forma mais aprofundada esses elementos, mas não tem a força suficiente para isso. A sensação é que <em><strong>Thunderbolts </strong></em>varia de uma comédia ácida da relação disfuncional desses ex criminosos para um drama existencial sensível e delicado que nunca se concretiza de forma plena.</p>
<p>E eis que este é o maior problema de produzir histórias hoje em dia para o MCU. Há muito o que se comparar. Já foram mais de 20 filmes e mais de 10 séries e minisséries e é inevitável que o público esteja cansado de ver as mesmas histórias com roupagens diferentes. Além da repetição, o Universo Compartilhado Marvel sofreu muito com esse excesso de produções nos primeiros anos da Saga do Multiverso, o que reverbera até hoje &#8211; e <em><strong>Thunderbolts</strong></em> não consegue sair ileso disso. A fórmula de sucesso da Marvel não parece fazer tanto sentido como em sua primeira década.</p>
<p>Diante de tudo isso, ainda há o fator do controle criativo. Kevin Feige é essa figura que representa a Marvel Studios e todo o seu controle criativo. O plano de comando do MCU, liderado por Feige, por mais que diga o contrário, não permite extrapolações de verdade. Seja por medo de não agradar ou por acreditarem que há limites para os tipos de produções dentro do emblema do MCU, a Marvel não dá liberdade criativa de verdade para seus realizadores. E, das poucas vezes que deu &#8211; como em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-eternos/"><em>Eternos (2021)</em></a> -, o público mais radical destruiu as obras com críticas. E, com todo esse cenário, é claro que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> acaba sendo castrado criativamente também.</p>
<p>Apesar dessas questões, o longa de fato é mais interessante do que muitos dos últimos filmes lançados nos últimos anos. Mesmo que na superfície, os dramas psicológicos dos personagens permitem que o elenco tenha uma interação positiva que entretém e enriquece as cenas com a química evidente. Intérpretes como Florence (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/"><em>Duna: Parte 2</em></a>, de 2024) e Sebastian Stan (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-aprendiz/"><em>O Aprendiz</em></a>, de 2024) ajudam a dar um fôlego a mais para a história, mesmo com todos os problemas que a rodeiam. No fim, apesar dos esforços do elenco e roteiro, ainda falta mais densidade nas camadas desses personagens e desse projeto que é guiado por personagem para que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> fosse tudo o que podia &#8211; e se propõe narrativamente a &#8211; ser.</p>
<p>Jake Schreier (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cidades-de-papel/"><em>Cidades de Papel</em></a>, de 2015) parece querer deixar a sua marca como cineasta no novo longa da Marvel, mas ele também sofre com esse controle criativo sob o cabresto. O diretor, ao lado dos roteiristas, tenta criar um pouco mais de nuances para diferenciar esse projeto dos demais. Para muitos, a missão provavelmente terá sido cumprida por fugir levemente dessa fórmula estanque do MCU. No entanto, basta um olhar mais atento e fica perceptível que ainda falta muito para que <em><strong>Thunderbolts</strong></em> alcance o potencial que poderia. Todos esses dilemas giram em torno do controle criativo que poda e afunda a Marvel cada vez mais nessa areia movediça que ela mesmo entrou.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Direção:</strong> Jake Schreier</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Florence Pugh, Sebastian Stan, Wyatt Russell, Olga Kurylenko, Lewis Pullman, Geraldine Viswanathan, David Harbour, Hannah John-Kamen e Julia Louis-Dreyfus</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/4pgrNd79cnk?si=69PYf2jwVDDhxo1W" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Verdades Dolorosas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Nov 2023 16:31:03 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Com a crise de imagem vivida por Woody Allen nos últimos anos em razão do imbróglio envolvendo as acusações de abuso sexual da sua filha Dylan Farrow e da sua ex-esposa Mia Farrow, a diretora e roteirista Nicole Holofcener pode perfeitamente tomar o posto do cineasta com histórias que possuem muitos paralelos com as marcas conhecidas dos filmes do realizador. A maioria dessas histórias são dramédias ambientadas em Nova York, protagonizadas por uma classe média alta com gostos elitizados e cheia de neuroses e dilemas amorosos. A carreira da cineasta tem sido preenchida por essas histórias e <em><strong>Verdades Dolorosas</strong></em> é um título que confirma essa vocação da diretora, se juntando a outros de seus títulos, como À Procura do Amor e Amigas com Dinheiro.</p>
<p>A protagonista de <em><strong>Verdades Dolorosas</strong></em> é Beth uma escritora e professora de literatura cujo relacionamento é abalado ao ouvir sem querer uma confissão do marido Don, um renomado terapeuta: ele não gosta tanto assim dos textos da esposa. A revelação da verdadeira opinião do marido deflagra uma série de crises em Beth, que também passa a avaliar sua própria carreira até aqui. Com o filme, Nicole Holofcener quer tratar daquele tipo de mentira socialmente aceita que dizemos para manter a cordialidade das relações. A cineasta traz a temática não só para a relação do casal, mas também para as dinâmicas propostas por mães com seus filhos, dos filhos com suas mães e até de pacientes com seus terapeutas, no sentido de que nessas interações nem sempre a sinceridade é de bom tom.</p>
<p>Holofcener faz um panorama interessante sobre suas personagens repleto de virtudes, mas também pontos falhos. Como é de praxe no trabalho da cineasta, ela é muito boa em sustentar uma narrativa centrada em diálogos (ecos de Woody Allen). Os filmes de Holofcener são extremamente verborrágicos e <strong><em>Verdades Dolorosas</em></strong> não foge desse esquema. O casal principal é interpretado por Julia Louis-Dreyfus (que dispensa apresentações, mas ficou mais conhecida por seu trabalho em Seinfeld e Veep) e Tobias Menzies (da série Outlander), atores que &#8220;devoram&#8221; as palavras de Holofcener e sabem muito bem conduzir esse tipo de proposta dramatúrgica da cineasta.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-17499" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/You-Hurt-My-Feelings_destaque-1024x576-1.jpg" alt="Verdades Dolorosas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/You-Hurt-My-Feelings_destaque-1024x576-1.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/You-Hurt-My-Feelings_destaque-1024x576-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/You-Hurt-My-Feelings_destaque-1024x576-1-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/11/You-Hurt-My-Feelings_destaque-1024x576-1-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Na verdade, todos os atores estão muito bem no filme, cabendo ainda destacar os momentos da personagem de Dreyfus com a irmã Sarah, vivida pela ótima Michaela Watkins, e a participação brilhante de Jeannie Berlin, sempre uma alegria em cena como a mãe da protagonista (um match irresistível com Julia Louis-Dreyfus). Holofcener vira do avesso essas personagens, explorando complicadas nuances de suas personalidades e meandros das suas relações, contextualizando todos os eventos com o tema do envelhecimento.</p>
<p>Como já antecipado, nem tudo funciona com perfeição em <strong><em>Verdades Dolorosas</em></strong>. O longa é sim um pouco pernóstico quando sublinha sua trama em um recorte demográfico específico, uma elite norte-americana. Isso, por vezes, traz ramificações dos conflitos das personagens centrais que soam demasiadamente problematizadas pela cineasta (o famoso white people problem). Os segmentos envolvendo o filho dos protagonistas, por exemplo, é excessivamente oco e nem sempre sua diretora tem consciência disso, sendo muitas vezes condescendente com o seu mimado personagem. Além disso, o fato de falarmos de um longa que preza tanto pelo diálogo em detrimento da imagem na concepção de uma narrativa faz com que, por vezes, as DRs de <em>Verdades Dolorosas</em> soem cansativas, especialmente para quem não gosta tanto desse tipo de obra. Portanto, fica evidente que o filme não é recomendável para todos os tipos de público.</p>
<p><em><strong>Verdades Dolorosas</strong></em> é uma sessão prazerosa para quem gosta desse tipo de filme &#8211; e os paralelos com o cinema de Woody Allen podem ser um parâmetro relevante na decisão se vale a pena ou não investir tempo nessa sessão. Mais uma vez, Nicole Holofcener faz um pequeno filme cheio de reflexões inteligentes sobre relacionamentos humanos, com um tom divertido que não pesa no drama, priorizando personagens e valorizando o trabalho de um elenco talentosíssimo. É verdade que, por vezes, é um cinema ensimesmado em seu próprio microcosmo de uma elite americana, mas que ainda assim guarda recompensas para o público que gosta do subgênero.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Nicole Holofcener</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Julia Louis-Dreyfus, Tobias Menzies, Michaela Watkins, Arian Moayed, Owen Teague, Amber Tamblyn</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/hWg7HF1S8Po" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Certas Pessoas (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Feb 2023 21:03:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Entre falhas e acertos, a nova comédia romântica da Netflix consegue entregar como resultado um filme, majoritariamente, divertido e que conta com um ship central com muita química. A maior questão de Certas Pessoas é que, dentro do grande desafio de, a partir de todas tensões presentes em seu tema central permanecer sendo uma comédia, a atmosfera pesa. Além disso, a resolução soa como repentina demais. É neste universo que o longa-metragem traz Ezra e Amira, um casal que se [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">Entre falhas e acertos, a nova comédia romântica da Netflix consegue entregar como resultado um filme, majoritariamente, divertido e que conta com um ship central com muita química. A maior questão de<strong><em> Certas Pessoas</em></strong> é que, dentro do grande desafio de, a partir de todas tensões presentes em seu tema central permanecer sendo uma comédia, a atmosfera pesa. Além disso, a resolução soa como repentina demais. É neste universo que o longa-metragem traz Ezra e Amira, um casal que se apaixona tão profundamente que decide se casar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todavia, Amira é negra e Ezra é branco e os conflitos por conta disso acabam surgindo para ambos. Aqui, vale ressaltar que por mais que a obra tente colocar a balança no meio, por trazer a figura de Akbar, pai de Amira (Eddie Murphy, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-meu-nome-e-dolemite/"><em>Meu Nome é Dolemite</em></a>), como desconfiado e Shelley, mãe de Ezra (Julia Louis-Dreyfuss, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-dois-irmaos-uma-jornada-fantastica/"><em>Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica</em></a>), como sem noção, a temática do filme não é qualquer querela trivial típica de romcoms. O ponto tocado aqui é grave e profundo. Não tem como equilibrar estas duas figuras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, mesmo que tropeçando neste quesito, a produção leva o fato de que a dupla principal está em um namoro interracial a sério.</span><span style="font-weight: 400;"> Inclusive, a partir do terceiro ato o tom da seriedade se eleva tanto que, mesmo sendo à toa, é neste ponto que a obra se perde e se apressa. Se Ezra e Amira iriam ou não terminar juntos não era o que realmente importava, no final das contas. O como a narrativa traria essa escolha dentro da sua conclusão era a chave de tudo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro deste contexto, o que acontece com <strong><em>Certas Pessoas</em></strong> é o que acaba aparecendo em muitos filmes do gênero: conclusão repentina com solução simples.  </span><span style="font-weight: 400;">De repente, todos os problemas se dissolvem. Shelley ganha um letramento social instantâneo e Akbar vê que, na verdade, apesar de Ezra ter diversos comportamentos que o incomodam, ele é um homem bom para a sua filha. Assim, em três cenas, o que foi construído de tensão, progressivamente, com estabelecimento de uma incompatibilidade tão intensa que o rompimento dos protagonistas é determinado, desaba para dar espaço ao casamento alegre dos dois.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16395" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02.jpg" alt="Certas Pessoas" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/01/certas-pessoas-filme-netflix-02-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um tanto desagradável acompanhar esse encerramento? </span>É. Todavia, também vale ressaltar que boa parte da sessão diverte e conta com diálogos engraçados. Uma grande qualidade do longa vem do trabalho do elenco. Os dois núcleos contam com interpretações que convocam organicidade para um texto que poderia cair em algo artificial e morno. O maior exemplo disso é na sequência do jantar, no qual as mães e os pais de Amira e Ezra discutem sobre um assunto delicadíssimo.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que seja óbvia a resposta para o dilema posto à mesa, os atores conseguem, dentro de todo constrangimento que as ações e falas podem causar no espectador, imprimir comicidade. A movimentação corporal é mínima ali, mas ela também entra para fomentar a lógica cômica. Esta contenção, na verdade, preenche toda a sessão, mas de uma forma positiva. Isto porque os instantes fortes para a trama ganham mais força e geram risos maiores, quando há uma seleção maior do que ganhará destaque na narrativa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse mérito vem também do roteiro de Kenya Barris &#8211; que também é o diretor &#8211; com Jonah Hill (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-olhe-para-cima-netflix/"><em>Não Olhe Para Cima</em></a>), porque a montagem e as inserções gráficas quebram um pouco do ritmo e do estabelecimento da própria conexão do público com as personagens. Em alguns momentos, certas emoções são perdidas, pelas quebras da edição, que são seguidas desta espécie de vinheta, que ronda o longa inteiro. </span>Apesar de tudo, isso não é algo que compromete tanto quanto a finalização da narrativa, mas que poderiam ser elementos melhor executados.</p>
<p>Assim, <em><strong>Certas Pessoas</strong></em> vale por entreter ali em suas quase duas horas. Poderia ser melhor? Sim, porém na maior parte de sua duração ele é efetivo.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Kenya Barris</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Jonah Hill, Lauren London, Eddie Murphy, Julia Louis-Dreyfus, Nia Long, David Duchovny, Sam JayMolly Gordon</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/amfSSqTJqB4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Dois Irmãos &#8211; Uma Jornada Fantástica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2020 14:26:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Ali Wong]]></category>
		<category><![CDATA[Chris Pratt]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Dan Scanlon]]></category>
		<category><![CDATA[Dois Irmãos - Uma Jornada Fantástica]]></category>
		<category><![CDATA[Filme]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira o longa Dois Irmãos &#8211; Uma Jornada Fantástica, mais uma animação super fofa da Pixar que trata com delicadeza de questões profundas. Ian (Tom Holland, Homem-Aranha: Longe de Casa) é um jovem que acaba de completar 17 anos e é um tanto deslocado no colégio. Ele vive com sua mãe Laurel (Julia Louis-Dreyfus, série Veep) e com o excêntrico irmão mais velho Barley (Chris Pratt, Jurassic World: Reino Ameaçado), já que seu pai morreu quando [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Chega aos cinemas nesta quinta-feira o longa <em><strong>Dois Irmãos &#8211; Uma Jornada Fantástica</strong></em>, mais uma animação super fofa da Pixar que trata com delicadeza de questões profundas. Ian (Tom Holland, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-longe-de-casa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Homem-Aranha: Longe de Casa</em></a>) é um jovem que acaba de completar 17 anos e é um tanto deslocado no colégio. Ele vive com sua mãe Laurel (Julia Louis-Dreyfus, série <em>Veep</em>) e com o excêntrico irmão mais velho Barley (Chris Pratt, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-jurassic-world-reino-ameacado/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Jurassic World: Reino Ameaçado</em></a>), já que seu pai morreu quando ele ainda era um bebê. Com a descoberta de um presente que o pai deixou para quando os filhos fossem maior de 17 anos, a dupla de irmãos tem que embarcar em uma jornada para tentar ver a figura paterna novamente, mesmo que por menos de 24 horas.</p>
<p>Toda essa história é envolta em magia desde o começo. O roteiro nos explica que o mundo era cheio de coisas fantásticas nos primórdios, mas que a facilidade de implementar a tecnologia acabou deixando isso de lado. Então hoje, seres fantásticos vivem como comuns, já que não que não precisam mais praticar seu lado mágico.</p>
<p>Ian é extremamente ligado à memória do pai. Então a simples possibilidade de conhecer ele por 24 horas é o suficiente para mover céu e terra neste objetivo. Por parte de Barley, ele só quer apoiar o irmão, sendo seu fiel escudeiro. Essa relação vai sendo construída desde o início do roteiro. Inicialmente, vemos o estranhamento e diferenças dos dois. Logo em seguida, percebemos que é justamente isso que os une e os torna completos como dupla.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12518" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/2925053.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Dois Irmãos - Uma Jornada Fantástica" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/2925053.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/2925053.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/03/2925053.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Com o passar do tempo, o objetivo acaba sendo secundário e a jornada é o que realmente interessa. Ian percebe que não é a presença do pai que vai torná-lo mais completo, e sim a sua consciência de que ele teve no irmão, todo o suporte que precisava. O protagonista aprende a valorizar mais aquilo que ele já tem e aqueles que são presentes, muito além de buscar algo inalcançável.</p>
<p>Sendo assim, <strong><em>Dois Irmãos &#8211; Uma Jornada Fantástica</em></strong> fala sobre relações fraternais, sobre amizade, sobre tolerância com as diferenças, sobre crenças. Temos uma personagem que esqueceu a própria essência pela necessidade de ganhar dinheiro e se sustentar. Ela foi oprimida pelo mundo ao seu redor e vive superficialmente, fingindo que não tem poderes fantásticos e que não é frustrada por não usá-los. Note a profundidade de tais embates.</p>
<p>E como estamos falando de <em>Pixar</em>, tudo isso é envolto em emoções e sentimentos profundos. Os personagens vão apresentando suas camadas e questões que precisam ser trabalhadas. De uma maneira leve e divertida, a dupla de irmãos passeia por diversas nuances. Este é um filme de entretenimento para as crianças, mas de profunda reflexão para os adultos. O carisma dos personagens nos diverte a todo momento, mas os temas são tratados com muita sabedoria. E é isso torna ele perfeito para qualquer público.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Dan Scanlon<br />
<strong>Elenco:</strong> Tom Holland, Chris Pratt, Julia Louis-Dreyfus, Octavia Spencer, Ali Wong, Mel Rodriguez, Lena Waithe</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/yo0CR654lVg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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