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	<title>Arquivos Issa Rae - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Issa Rae - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Barbie</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jul 2023 20:34:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Barbie finalmente chegou aos cinemas e eu falo com tranquilidade que é um dos filmes mais esperados dos últimos tempos. O hype em cima do longa só fez crescer as expectativas, com as marcas aproveitando o momento para fazer coleções exclusivas, cheias de rosa, com direito até a maionese de hambúrguer pink e, porque não, acarajé rosa. Toda essa euforia com o longa, claro, tinha motivo, já que o marketing foi tão bem feito que as pessoas estavam ansiosas por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Barbie</strong> </em>finalmente chegou aos cinemas e eu falo com tranquilidade que é um dos filmes mais esperados dos últimos tempos. O hype em cima do longa só fez crescer as expectativas, com as marcas aproveitando o momento para fazer coleções exclusivas, cheias de rosa, com direito até a maionese de hambúrguer pink e, porque não, acarajé rosa. Toda essa euforia com o longa, claro, tinha motivo, já que o marketing foi tão bem feito que as pessoas estavam ansiosas por algo que não sabiam nem exatamente o que esperar. Só sabíamos do roteiro de maneira mais ampla.</p>
<p>Fico profundamente feliz em dizer que <em><strong>Barbie</strong> </em>vale toda a expectativa que foi criada. O filme é simplesmente primoroso em todos os detalhes. Começamos com o mundo encantado da Barbielândia, onde todas as bonecas vivem harmoniosamente, como num conto de fadas. Lá são as mulheres que dominam, como um grande matriarcado utópico. Elas têm a certeza de que inspiraram meninas e mulheres do mundo real a serem mais fortes e lutarem por seus objetivos.</p>
<p>As coisas começam a dar errado quando a Barbie Estereotipada (Margot Robbie, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-babilonia/"><em>Babilônia</em></a>) começa a apresentar alguns defeitos. No desespero, ela recorre à Barbie Esquisita (Kate McKinnon, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-o-escandalo/"><em>O Escândalo</em></a>), que sugere que ela faça uma viagem para o mundo real e resolva o problema diretamente com a sua humana responsável. No meio do caminho, o Ken (Ryan Gosling, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><em>Blade Runner 2049</em></a>) se esconde em seu carro e decide ir junto com ela.</p>
<p>Uma premissa muito simples que vai sendo bem trabalhada desde o início. As nuances dos detalhes mostram como a boneca funciona num mundo imaginário, não apenas porque ela toma banho em um chuveiro que não cai água ou sai flutuando de seu quarto até o carro (como acontece nas brincadeiras com a boneca na vida real), mas também porque a distopia de um mundo que não oprime as mulheres é tão surreal quanto parece.</p>
<p>O roteiro, que conta não apenas com a diretora Greta Gerwig (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adoraveis-mulheres/"><em>Adoráveis Mulheres</em></a>), como também com Noah Baumbach (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-historia-de-um-casamento/"><em>História de um Casamento</em></a>) traz uma melancolia discreta sobre o quão incríveis as mulheres poderiam ser num mundo onde o patriarcado não minasse suas expectativas e possibilidades. Rimos muito ao longo de todo o filme, mas sempre ficamos na dúvida se é uma risada nervosa ou despretensiosa. O tom de acidez é na dosagem certeza, trazendo sempre aquele amargor adocicado da realidade.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16931" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542.jpg" alt="Barbie" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/07/5443542-720x480.jpg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Lidar com o mundo real foi um grande choque para a Barbie, descobrindo que as mulheres não são respeitadas nem ouvidas. Isso a faz sucumbir em emoções e sentimentos que nunca vivenciou anteriormente, fazendo-se questionamentos sobre o propósito da vida e qual seria o seu papel ali. Em meio a essa crise existencial profunda, o Ken, que é apenas o acessório em Barbielândia e vive em função da sua boneca, começa a usufruir daquele patriarcado onde qualquer homem sem qualidades consegue se destacar. Ele, que é um nada, vê naquilo uma esperança.</p>
<p>O filme mostra constantemente como a vida é extremamente fácil e benevolente para os homens, enquanto as mulheres precisam se desdobrar em mil e não ter nem o espaço ou reconhecimento pelo esforço. A boneca Barbie entra como uma possibilidade que foi completamente deturpada pela empresa que a detém, a Mattel (muito criticada no longa). A criadora original Ruth fala sobre a sua intenção por trás da boneca e como as coisas não saíram como esperado, justamente por conta dos homens.</p>
<p><strong><em>Barbie</em> </strong>é um filme que se aprofunda nas sutilezas de seu tema, tocando detalhes do quanto o patriarcado é nocivo para as mulheres, de uma maneira tão íntima que apenas nós mesmas vamos perceber. Definitivamente é um longa que vai funcionar diferente para cada gênero. Ainda que o homem comum possa se compadecer de toda aquela situação, ele certamente vai perder várias alfinetadas, pelo simples fato de que aquilo não o afeta em nada.</p>
<p>Alfinetadas essas que definem a trama da personagem a todo momento, nos levando do riso ao choro, sem que a gente seja nem avisado. O roteiro é impecável, a execução é primorosa e toda a expectativa que eu tinha sobre o longa foi cumprida para mais. Poucos filmes me fazem ter a sensação de que são incríveis ainda durante a sessão. E esse foi um deles. E pensar que uma boneca tão estereotipada como a Barbie pudesse render um filme altamente feminista, não é?</p>
<p>Como um soco no estômago leve, engraçadinho e muito rosa, <strong><em>Barbie</em> </strong>transcende a expectativa de que é apenas um hype blockbuster criado para vender merchandising. Acredito inclusive, que essa foi uma jogada muito estratégica e inteligente de Greta para vender mais o filme, fazer mais pessoas assistirem e ela tentar disseminar ainda mais a sua mensagem. O mundo pode ser das mulheres, sim. Mas é preciso um longo e doloroso processo de transformação para que tudo seja mudado a ponto de termos, no mínimo, um equilíbrio.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Greta Gerwig</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Margot Robbie, Ryan Gosling, America Ferrera, Ariana Greenblatt, Simu Liu, Kingsley Ben-Adir, Issa Rae, Michael Cera, Emma Mackey, Will Ferrell, Dua Lipa, Hellen Mirren, Ncuti Gatwa, Kate McKinnon, John Cena</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/lwZTCYst6yw" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Homem-Aranha: Através do Aranhaverso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 May 2023 20:33:18 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso finalmente chegou aos cinemas para deixar os fãs mais assíduos em polvorosa. Depois do enorme sucesso que foi o primeiro longa Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), que rendeu até o Oscar de Melhor Animação, não é de se estranhar a ansiedade de todo mundo para saber os próximos passos de Miles Morales (Shameik Moore, Samaritano). E já posso adiantar sem o julgo de estar &#8220;emocionada demais&#8221; que ele é muito além do que poderíamos esperar. Embora eu [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso</strong></em> finalmente chegou aos cinemas para deixar os fãs mais assíduos em polvorosa. Depois do enorme sucesso que foi o primeiro longa <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-no-aranhaverso/"><em>Homem-Aranha no Aranhaverso</em></a> (2018), que rendeu até o <a href="https://coisadecinefilo.com.br/confira-os-vencedores-do-oscar-2019/"><em>Oscar de Melhor Animação</em></a>, não é de se estranhar a ansiedade de todo mundo para saber os próximos passos de Miles Morales (Shameik Moore, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-samaritano/"><em>Samaritano</em></a>). E já posso adiantar sem o julgo de estar &#8220;emocionada demais&#8221; que ele é muito além do que poderíamos esperar.</p>
<p>Embora eu não seja a maior entusiasta de longas de super-heróis (apesar de gostar bastante de alguns específicos, como a franquia <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-vingadores-ultimato-sem-spoiler/"><em>Vingadores</em></a>), este personagem sempre me cresceu aos olhos. Tenho simpatia pela história, pelo humor, pelo protagonista. Ele é no estilo que eu imagino de bons filmes de heróis cheios de poderes que são, relativamente, palpáveis para nós. Então tem um &#8220;quê&#8221; de empolgação a mais ao ver um estudante comum escalando paredes e voando entre os prédios.</p>
<p>Morales, então, consegue fazer isso da maneira mais leve e descompromissada possível, ficando lado a lado com o Peter Parker de Tom Holland (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-sem-volta-para-casa-sem-spoilers/"><em>Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</em></a>) com a personalidade mais parecida com o herói dos quadrinhos. Miles aqui sofre o luto pelo tio que se foi, enquanto sente saudades constantes de Gwen Stacey (Hailee Steinfeld, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bumblebee/"><em>Bumblebee</em></a>). Não pretendo, no entanto, entrar nas miudezas dos detalhes do roteiro, já que spoiler é algo que ninguém gosta.</p>
<p>O que mais me chama a atenção nesta produção é o quanto a dedicação da parte gráfica faz toda a diferença na experiência do espectador. Com menos de 20 minutos de exibição, eu estava pensando sobre o quão incrível é esta parte da franquia e como dá tão certo. Unir diversas técnicas, das mais antigas às mais novas, assim como as diferenças estéticas de cada período, resulta em uma explosão de cenários e possibilidades, transformando cada cena em um ato único. Isso pode vir a ser caótico, claro, em alguns momentos, quando vemos um excesso de técnicas misturadas. E, por vezes, me pergunto como deve ser assistir este longa para pessoas com sensibilidades visuais.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-16754" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4393277.png" alt="Homem-Aranha: Através do Aranhaverso" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4393277.png 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4393277-360x240.png 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4393277-610x407.png 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4393277-720x480.png 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Diferente de outros filmes de multiverso que simplesmente jogam os personagens em qualquer realidade, como uma catapulta sem sentido entre o espaço e tempo, em <strong><em>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso</em></strong> nós temos sentido e qualidade. Sim, diversas realidades nos são apresentadas (talvez até demais), mas de uma maneira tão coesa e justificada, que não ficamos perdidos em momento algum com o que está acontecendo. Tem propósito em cada invertida de universo que vemos ali.</p>
<p>Como um grande serviço aos fãs, este longa traz inúmeros detalhes escondidos em meio a trama, como personagens que surgem do nada e cenas de filmes e animações anteriores. É uma combinação dedicada ao público fiel, mas não chega ao nível da bajulação, o que seria extremamente desnecessário. Afinal, ele não precisa convencer ninguém a gostar de algo que, obviamente, é excelente.</p>
<p>A evolução e transição dos personagens, principalmente a dupla principal, é uma das melhores partes de acompanhar da trama. Gwen e Miles sofrem as dores de seus mundos e como isso os transforma como seres humanos, saindo da adolescência enquanto são empurrados para a maturidade sem dó. É um choque de realidade ao se dar conta que não há alternativa a não ser simplesmente aceitar os fatos como são e ter resiliência para lidar com eles.</p>
<p>Assim como no longa anterior, vai ser difícil encontrar alguém que não tenha gostado ou se apaixonado por <strong><em>Homem-Aranha: Através do Aranhaverso</em></strong>. A riqueza de detalhes, a qualidade do enredo, os personagens envolventes e bem aprofundados, fazem com que o espectador fique deslumbrado a todo momento com aquilo que nos é apresentado. Um resultado primoroso e dedicado que mostra o quanto uma animação tem a nos oferecer em termos de qualidade em cinema.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Joaquim Dos Santos, Kemp Powers, Justin Thompson</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Oscar Isaac, Shameik Moore, Issa Rae, Hailee Steinfeld, Karan Soni, Daniel Kaluuya, Jake Johnson, Jason Schwartzman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/_4is7I_ZxTg" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: A Fotografia (Looke)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2020 16:06:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Fotografia é um romance com dupla faceta. Ao mesmo tempo que o longa dirigido e roteirizado por Stella Meghie (de Tudo e Todas as Coisas e de alguns episódios da série Insecure) procura se desvincular de todo o imaginário hollywoodiano acerca de relacionamentos amorosos, A Fotografia apresenta uma evidente raiz no melodrama e em todos os seus estratagemas narrativos. No entanto, é preciso que fique bem claro, essa mistura de chaves de comunicação aparentemente opostas no lugar de gerar [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>A Fotografia</em></strong> é um romance com dupla faceta. Ao mesmo tempo que o longa dirigido e roteirizado por Stella Meghie (de <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-tudo-e-todas-as-coisas/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Tudo e Todas as Coisas</em></a> e de alguns episódios da série <em>Insecure</em>) procura se desvincular de todo o imaginário hollywoodiano acerca de relacionamentos amorosos, <em>A Fotografia</em> apresenta uma evidente raiz no melodrama e em todos os seus estratagemas narrativos. No entanto, é preciso que fique bem claro, essa mistura de chaves de comunicação aparentemente opostas no lugar de gerar conflitos para a trama traz viço para toda a história.</p>
<p><em><strong>A Fotografia</strong></em> acompanha o desenrolar do relacionamento entre um jornalista e a curadora de um museu. Eles se conhecem quando ele descobre com uma de suas fontes uma fotografia antiga da mãe dela. Na medida em que o sentimento deles evolui de uma paixão casual para algo mais sério, ela têm contato com alguns segredos do passado da sua mãe e começa a avaliar suas decisões e o peso que coisas como amor, trabalho e segurança têm na sua vida.</p>
<p><em><strong>A Fotografia</strong></em> é um filme que opera com clichês na medida em que se apoia nessa dinâmica entre passado e futuro com segredos de familiares da sua protagonista que são revelados ao longo da história, utilizando como suporte toda sorte de estratagemas já conhecidos de melodramas, o principal deles, as cartas deixadas como inventário de uma vida por personagens que já se foram. Isso ocorre na relação entre a personagem de Issa Rae e sua mãe. Conforme essa personagem lê as cartas escritas de próprio punho pela sua mãe, ela vai se deparando com questões pessoais e a partir disso o filme constrói um arco de evolução para essa mulher. Questões familiares mal resolvidas, segredos que apesar de suspeitos desde o princípio da história são descobertos por seus protagonistas, encontros e desencontros amorosos. Tudo isso é de praxe nesse tipo de história e <em>A Fotografia</em> não tem muita timidez na articulação desses elementos que aqui se convertem em um elegante &#8220;novelão&#8221;.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-13098" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1088415.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="A Fotografia, Coisa de Cinéfilo" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1088415.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1088415.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/08/1088415.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Ao mesmo tempo que flerta com o clichê, o longa de Meghie é extremamente original na maneira como conduz as relações amorosas na sua história, tanto aquela vivida pelos personagens de Issa Rae e Lakeith Stanfield, quanto aquela protagonizada pela mãe da protagonista, interpretada pela ótima Chanté Adams. Mesmo trazendo para a tela toda aquela aura romântica e até excessivamente cafona desse tipo de narrativa, a diretora e roteirista consegue trazer um pouco de &#8220;pés no chão&#8221; para todas essas tramas amorosas. Ao mesmo tempo em que transborda elas de sentimentos intensos, tudo é muito crível mantendo a aura calorosa típica do encantamento da paixão. Esse equilíbrio é mérito sobretudo do excelente elenco que Meghie conseguiu e da condução da diretora que consegue extrair de talentos como Issa Rae, Lakeith Stanfield, Chanté Adams e Y&#8217;lan Noel desempenhos que trabalham a favor dessa orientação.</p>
<p><strong><em>A Fotografia</em></strong> ainda tem o mérito de trazer para as telas um tipo de representação infelizmente ainda escassa para negros em Hollywood. Ainda é muito difícil ver atores negros protagonizarem romances, sobretudo nas esferas sociais retratadas pelo filme. Essa combinação de elementos bem sucedidos e acertos do ponto de vista da reparação histórica tornam o longa se não memorável, pelo menos um acerto em diversas vias.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Stella Meghie<br />
<strong>Elenco:</strong> Issa Rae, Lakeith Stanfield, Chanté Adams, Y&#8217;lan Noel, Kelvin Harrison Jr., Lil Rel Howery, Teyonah Parris, Jasmine Cephas Jones, Marsha Stephanie Blake</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/BFQ6PskLc1I" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Dica do Dia: Um Crime Para Dois (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2020 15:09:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um Crime Para Dois é a típica comédia que insere um casal comum em uma situação completamente destoante da rotina deles. Os personagens interpretados por Issa Rae (O Ódio que Você Semeia) e Kumail Nanjiani (MIB: Homens de Preto – Internacional) estão casados faz algum tempo e passam por uma crise no relacionamento. Eles estão prestes a terminar a união quando acabam envolvidos em um assassinato com potencial de conexão da autoria do crime a ambos. Nesse momento, o casal [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Um Crime Para Dois</strong></em> é a típica comédia que insere um casal comum em uma situação completamente destoante da rotina deles. Os personagens interpretados por Issa Rae (<em>O Ódio que Você Semeia</em>) e Kumail Nanjiani (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-mib-homens-de-preto-internacional/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>MIB: Homens de Preto – Internacional</em></a>) estão casados faz algum tempo e passam por uma crise no relacionamento. Eles estão prestes a terminar a união quando acabam envolvidos em um assassinato com potencial de conexão da autoria do crime a ambos. Nesse momento, o casal se une para tentar provar a inocência em uma jornada que os levarão a criminosos e a uma sociedade secreta.</p>
<p>O filme de Michael Showalter (o mesmo do excelente <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doentes-de-amor/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Doentes de Amor</em></a>, também protagonizado por Nanjiani) é uma variação pouco inventiva de longas do gênero que tem como alicerce o ótimo <em>timing</em> para a comédia da sua dupla principal. De talento comprovado em materiais como as séries <em>Insecure</em> (Era) e <em>Sillicon Valley</em> (Nanjiani), o casal principal de <strong><em>Um Crime Para Dois</em></strong> trazem uma naturalidade muito benéfica para a dinâmica da longa e incomum DR que o filme se transforma. Há nos dois uma disposição para arrancar o cômico de situações engraçadas e não de estereotipias aplicadas a seus personagens.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12828" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/05/0464103.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Um Crime para Dois" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/05/0464103.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/05/0464103.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/05/0464103.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É curioso, entretanto, perceber como Showalter, que teve tanta habilidade para tirar da comédia romântica <em>Doentes de Amor insights</em> inteligentíssimos sobre choques culturais, não conseguiu explorar a acidez potencial para o comentário social que o filme tinha em mãos &#8211; mas também lá ele contava com roteiristas melhores. Ocasionalmente tirando um sarro pelo fato dos seus protagonistas representarem grupos sociais comumente vítimas de injúria, o longa não consegue (ou não quer) explorar o potencial cômico e a ironia dessa situação na sua trama.</p>
<p>No lugar da comédia através do comentário social (algo que parece perscrutar o filme vez ou outra, como no momento em que os protagonistas são flagrados na cena do crime ou quando são pegos pela polícia), <strong><em>Um Crime Para Dois</em> </strong>se alicerça em situações de comicidade já exploradas em outros títulos e que soam rasas demais para o potencial das suas estrelas, entre elas, o fato da personagem de Issa Rae utilizar durante parte do longa uma roupa de unicórnio ou da dupla cair por acaso em uma grande orgia sexual. Esse tipo de truque para extrair riso está mais do que batido e infelizmente é o que <strong><em>Um Crime Para Dois</em></strong> prefere. E convenhamos que colocar Issa e Kumail nesse tipo de comédia genérica é um completo desperdício.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Michael Showalter<br />
<strong>Elenco:</strong> Issa Rae, Kumail Nanjiani, Anna Camp, Moses Storm, Kyle Bornheimer, Aaron Abrams, Catherine Cohen, Kenneth Bryan</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/msvHbCb1cB4" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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