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	<title>Arquivos Enrico Colantoni - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Enrico Colantoni - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Feel The Beat (Netflix)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Enoe Lopes Pontes]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2020 23:02:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Algumas obras são o que elas são e pronto. Esta que vos escreve acredita bastante na lógica de se julgar uma produção pelo o que ela pretende fazer e como ela o faz para alcançar tal intento. Assim, este texto sobre Feel The Beat (disponível na Netflix) vai procurar justamente abordar o filme olhando para o que ele deseja ser. Pensando assim, é possível falar que, em sua totalidade, ele oferece um material eficiente. Em seus primeiros minutos, é possível [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-feel-the-beat-netflix/">Crítica: Feel The Beat (Netflix)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Algumas obras são o que elas são e pronto. Esta que vos escreve acredita bastante na lógica de se julgar uma produção pelo o que ela pretende fazer e como ela o faz para alcançar tal intento. Assim, este texto sobre <strong><em>Feel The Beat</em></strong> (disponível na <a href="https://www.netflix.com/watch/80994878?trackId=13752289&amp;tctx=0%2C0%2C9abfa022-07f5-4fd8-9025-5b6d4d03b2c6-47303812%2Ce71e12d4e5876464c8cd17939cae473900261678%3A613a9b834467f421cc00f057e57e25fb0a5b4164%2C%2C" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Netflix</em></a>) vai procurar justamente abordar o filme olhando para o que ele deseja ser. Pensando assim, é possível falar que, em sua totalidade, ele oferece um material eficiente. Em seus primeiros minutos, é possível entender quem é a protagonista da trama, seus desejos e características centrais de sua personalidade até então. April (Sofia Carson, <em>Descendentes</em>) é uma dançarina bastante dedicada, séria, autocentrada e que mora em Nova Iorque. Contudo, a jovem está cheia de dívidas, é despejada de seu apartamento e volta para sua cidade natal.</p>
<p>É a partir daí que a trama se desenrola. Obviamente, todos do local são calorosos e animados e ela é fria e irritadiça. Seja no texto, nas cores da arte e dos figurinos, este contraponto é bem reforçado em seu começo e, claro, vai se dissolvendo conforme April vai se transformando. Contudo, a premissa e os resultados da narrativa aqui não são o mais importante, porque isto o público já viu repetidamente em diversas Sessões da Tarde. É o &#8220;como&#8221; tudo acontece que faz a projeção valer cada minuto.</p>
<p>A começar pela construção de personagem do núcleo infantil. Ainda que não exista tempo de tela para maturar cada uma das meninas da companhia de dança é possível enxergar particularidades em cada uma delas, através de traços de personalidades que surgem em alguns diálogos e de como elas se comportam na contracena, revelando que há uma direção de atores cuidadosa, que sabe como trabalhar com crianças. Além disto, há uma criação e estabelecimento de empatia para com elas, pois existe uma proximidade com seus sentimentos, medos e vontades.</p>
<p>Outro destaque de elenco é a talentosa Donna Lynne Champlin (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-birdman-ou-a-inesperada-virtude-da-ignorancia/"><em>Birdman ou &#8211; a Inesperada Virtude da Ignorância</em></a>), no papel da professora Barb. Apesar de entrar em algumas cadências sem ritmo, por procurar demais ser frenética, a energia, juntamente com a sensibilidade que ela imprime em sua Miss Barb é notável. É perceptível a consciência cênica que ela possui, dando espaço para que tanto Champlin consiga crescer em cada sequência como quem está atuando com ela também seja enaltecido. Essa qualidade se intensifica quando ela está com Sofia Carson. A dupla cria um bom jogo de dualidade, com uma sendo empolgação e a outra tensão. E Carson não decepciona, no geral. Ainda que não traga nada excepcional, a intérprete tem uma performance equilibrada, sabendo deixar claro o amadurecimento de April no decorrer da exibição.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12956" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3532020.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Feel The Beat" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3532020.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3532020.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2020/06/3532020.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>No entanto, todo carisma do elenco não consegue dar conta da corrida que os roteiristas Michael Armbruster (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bons-meninos-now/"><em>Tarde Demais</em></a>) e Shawn Ku (<em>Samsara</em>) deixam o filme se transformar. Apesar da obviedade do que vai ocorrer, o desenvolvimento das relações tem uma progressão até a metade do enredo. Contudo, em um dado momento, as coisas começam a ficar apressadas e todo o crescimento de April e o carinho dela pelas meninas soa instantâneo. Talvez, a vontade em mostrar muitas situações e peripécias das competições demasiadamente tenha feito com que esta sensação tenha se estabelecido.</p>
<p>As subtramas também têm seus sentidos desfeitos quando não há tempo para que elas sejam vivenciadas, partindo para encerramentos rápidos. Algumas delas, inclusive, nem precisavam existir, como bailarino Dick, que fica de lado o tempo inteiro e, de repente, passa a fazer parte da equipe. O que seria orgânico, pois o menino mostra interesse pela arte e isto acaba ficando como uma justificativa para um garoto poder dançar. Essa classificação da dança como &#8220;coisa de menina&#8221; é o ponto mais lamentável do longa. Completamente desnecessário, ainda mais sendo reforçado a cada momento que homens aparecem no ecrã.</p>
<p>Ainda assim, apesar destes pequenos detalhes de amarração e exageros de histórias paralelas, <strong><em>Feel The Beat</em> </strong>ganha o público pelo coração. Com figuras carismáticas em cena, coreografias divertidas e uma boa intenção de criar camadas para todos os papéis principais, a produção é uma boa pedida para uma tarde leve e sem pretensões. Ainda que sufocado de <em>plots</em>, as tonalidades coloridas, os poucos respiros quando não há nenhum conflito ocorrendo e a dinâmica dos atores, equilibram o resultado final, que não fica totalmente comprometido.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Elissa Down</p>
<p><strong>Elenco</strong>: Sofia Carson, Donna Lynne Champlin, Wolfgang Novogratz, Dennis Andres, Enrico Colantoni, Lidya Jewett</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe src="https://www.youtube.com/embed/E1L1I_ebdS0" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p><p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-feel-the-beat-netflix/">Crítica: Feel The Beat (Netflix)</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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		<title>Crítica: Um Lindo Dia Na Vizinhança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Jan 2020 13:00:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caso esteja procurando uma crítica sobre como Um Lindo Dia Na Vizinhança (A Beautiful Day in the Neighborhood) é fiel ou não ao seu material original, sugiro que feche este texto agora. Aqui, o retrato da vida de Fred Rogers é a camada mais superficial de uma história superficial sobre otimismo e fé. Aliás, eu nem cresci vendo o apresentador infantil, então pouco me interessa julgar a produção por sua fidelidade com o real. O longa de Marielle Heller (Poderia [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/">Crítica: Um Lindo Dia Na Vizinhança</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400">Caso esteja procurando uma crítica sobre como </span><b><i>Um Lindo Dia Na Vizinhança</i></b><i><span style="font-weight: 400"> (A Beautiful Day in the Neighborhood</span></i><span style="font-weight: 400">) é fiel ou não ao seu material original, sugiro que feche este texto agora. Aqui, o retrato da vida de Fred Rogers é a camada mais superficial de uma história superficial sobre otimismo e fé. Aliás, eu nem cresci vendo o apresentador infantil, então pouco me interessa julgar a produção por sua fidelidade com o real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">O longa de Marielle Heller (<em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-poderia-me-perdoar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Poderia Me Perdoar?</a></em>) conta a história de Lloyd Vogel (Matthew Rhys, <em><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-the-post-a-guerra-secreta/">The Post &#8211; A Guerra Secreta</a></em>), um jornalista investigativo que é cercado de problemas paternos. Não só ele é um pai e marido ausente, por conta de sua dedicação ao trabalho, como também guarda um rancor do próprio pai, Gary Vogel (Chris Cooper, <em>Álbum de Família</em>). Todavia, Lloyd é designado por sua chefe para um trabalho incomum: ele deve ir ao programa de Fred Rogers (Tom Hanks, <em>O Círculo</em>), apresentador infantil nacionalmente famoso, e traçar seu perfil para uma matéria sobre heróis do ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Por conta de seu perfil investigativo, é muito revelador como uma das primeiras perguntas de Lloyd para Fred seja sobre como ele consegue lidar com as duas personalidades — o personagem que aparecere diante da câmera e sua pessoa real. Afinal, para Llyoyd, não é possível que aquele apresentador seja real, certo? Rogers é como essa figura imaculada e perfeitamente ingênua. Ele é vegetariano porque não mataria ninguém que tenha uma mãe. Dá atenção para garotos doentes que lhe visitam antes da gravação. Tira foto de todas as pessoas que encontra e possui um hipnotizante jeito de falar, com suas pausas e um tom inofensivo.</span></p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12076" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2709272.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Um Dia Lindo Na Vizinhança" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2709272.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2709272.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/2709272.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p><span style="font-weight: 400">Não que Lloyd seja um personagem unidimensional ranzinza, mas ele não acredita em heróis. Pelo menos, não depois do pai abandonar sua mãe enquanto ela morria, para se afundar no álcool. Todo esse trauma gerou um ceticismo muito grande dentro dele. Justamente por isso, quando ele encontra Rogers, há essa dificuldade em aceitar que um homem da idade do pai possa ser tão perfeito. É como se o protagonista ficasse procurando um defeito escondido no apresentador para desmascará-lo e revelar suas fraquezas, pois ele reflete em Rogers suas próprias frustrações paternais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400">No entanto, ao longo de <b><i>Um Lindo Dia Na Vizinhança</i></b></span><span style="font-weight: 400">,  Lloyd vai sendo teletransportado da realidade fria e cinzenta (a própria entrada de sua casa é bem decadente) para o mundo mágico de Rogers. A presença do famoso carrega um magnetismo de otimismo e fantasia ao seu redor, como na cena do metrô em que uma menina lhe reconhece e, literalmente, todas as pessoas daquele vagão começam a cantar. Justamente pela realidade do jornalista ser tão fria e sóbria, a bondade do apresentador vira uma entidade quase que não pertencente dentro deste universo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Se acreditamos na pureza de Rogers</span>, é porque Tom Hanks está em um dos papéis mais dóceis de sua carreira. Ele externaliza toda a inocência (até meio infantil) do personagem, mas que, ao mesmo tempo, também traz uma presença dominante muito forte. Realmente, é como se ele fosse um ser superior. Quando o próprio Lloyd vai entrevistá-lo, ele consegue inverter a situação e começa a questionar sobre a vida do jornalista. Portanto, Rogers acaba sendo essa espécie de guru espiritual que veio mudar a visão de mundo do protagonista, Como um anjo que surge em sua vida. Neste sentido, <strong><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></strong> me remete a <em>A Felicidade Não Se Compra </em>(1946), de Frank Capra.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-12075" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/0740237.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg" alt="Um Dia Lindo Na Vizinhança" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/0740237.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/0740237.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/12/0740237.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Na direção, a própria Heller tem aqui um trabalho muito cuidadoso para construir uma figura sacra e onipresente de Rogers. Para exemplificar, em um dos quadros de seu programa, ele está controlando um fantoche. Em um <em>travelling</em>, a câmera passeia por toda a extensão dos bastidores do cenário e para em um enquadramento captando o fantoche e o apresentador. Em seguida, um <em>zoom </em>aproxima Fred da tela e a única coisa que resta é sua imagem se entregando na manipulação daquele boneco. Toda essa sequência está prol desta noção de que Rogers e o programa são uma coisa só.</p>
<p>No mesmo sentido, é interessante notar como Heller decide fazer diversas transições no filme usando as maquetes das cidades do programa de Rogers. Tal escolha reforça essa ideia da onipresença do personagem, como se ele controlasse tudo. A própria sequência onírica na qual Lloyd está dentro do castelo de fantoche deixa bem clara esta ideia de que ele está sendo diretamente influenciado e manipulado (no bom sentido) pelo apresentador.</p>
<p>No fim, <em><strong>Um Lindo Dia Na Vizinhança </strong></em>acaba sendo como o grande clássico natalino de Capra. Exalando otimismo e inocência, Rogers é como este grande anjo que resgata o próprio espírito infantil do protagonista e daquele que está assistindo o filme.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Marielle Heller<br />
<strong>Elenco:</strong> Tom Hanks, Matthew Rhys, Chris Cooper, Susan Kelechi Watson, Maddie Corman, Enrico Colantoni, Wendy Makkena, Tammy Blanchard</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=AGt5L9SrZQE]</p>
<p>*Filme assistido durante exibição no <a href="http://www.festivaldorio.com.br/"><strong><em>Festival do Rio 2019</em></strong></a>.</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/">Crítica: Um Lindo Dia Na Vizinhança</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
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