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	<title>Arquivos Denis Villeneuve - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Denis Villeneuve - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Duna &#8211; Parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 12:56:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existe uma responsabilidade &#8211; ou ao menos deveria existir &#8211; quando o assunto é um trabalho de adaptação. Ao falar de obras literárias de ficção (fantástica ou científica), onde a construção de universo é uma árdua missão, a realização desse processo adaptativo se torna ainda mais difícil. Denis Villeneuve já havia provado em Blade Runner 2049 (2017) que ele sabia como dar continuidade num universo sci-fi. A renovação trazida por ele é repleta de qualidades e por isso seu trabalho [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400">Existe uma responsabilidade &#8211; ou ao menos deveria existir &#8211; quando o assunto é um trabalho de adaptação. Ao falar de obras literárias de ficção (fantástica ou científica), onde a construção de universo é uma árdua missão, a realização desse processo adaptativo se torna ainda mais difícil. Denis Villeneuve já havia provado em </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><i><span style="font-weight: 400">Blade Runner 2049 (2017)</span></i></a><span style="font-weight: 400"> que ele sabia como dar continuidade num universo </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400">. A renovação trazida por ele é repleta de qualidades e por isso seu trabalho em </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><i><span style="font-weight: 400">Duna (2021)</span></i></a><span style="font-weight: 400"> foi admirável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A ideia de continuar uma história do escopo da adaptação de <strong><em>Duna</em></strong>, ainda sobre o primeiro livro, impressionou o público, mas Villeneuve não decepciona. O trabalho do diretor e roteirista canadense em </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> é ainda mais louvável. A sequência </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400"> chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29) com a promessa de ser o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400"> do ano. O novo longa-metragem consegue superar as expectativas (e seu antecessor) e leva o espectador numa odisseia espacial ainda mais estonteante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Como já foi visto inúmeras vezes ao decorrer da história do cinema, alcançar expectativas de filmes que se tornam uma espécie de ‘clássico instantâneo’ para o seu respectivo gênero é um desafio gigante. </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">, contudo, vem na contramão disso. O segundo capítulo da saga </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400"> interestelar é maior em escopo, qualidade e sensações. Tanto no que Villeneuve e seu colega de roteiro, Jon Spaihts (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho/"><i><span style="font-weight: 400">Doutor Estranho</span></i></a><span style="font-weight: 400"> e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-passageiros/"><i><span style="font-weight: 400">Passageiros</span></i></a><span style="font-weight: 400">, ambos de 2016), fazem ao criar saídas e novas rotas para a adaptação, como no empenho do diretor ao orquestrar essa odisseia espacial, existe uma condução de narrativa invejável no novo longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Talvez o maior mérito de Denis Villeneuve seja este. Construir imagética e esteticamente um universo diferente de tudo já visto &#8211; e o fazer com qualidade técnica e artística &#8211; ao mesmo tempo que ele entrega um produto acessível e possível de alcançar uma bilheteria astronômica. O cineasta canadense justamente é capaz de unir o que alguns chamam de ‘cinema de arte’ com o popular </span><i><span style="font-weight: 400">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400">. E isso é fascinante sobre </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">. O longa será capaz de abarcar um número imenso de espectadores com suas possibilidades narrativas, artísticas e técnicas.</span></p>
<figure id="attachment_17766" aria-describedby="caption-attachment-17766" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-17766" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-750x500.jpg" alt="Duna: Parte 2 (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6.jpg 1053w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17766" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet e Austin Butler em cena de &#8216;Duna: Parte 2&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Ainda sobre essa colisão de mundos gerada pela produção, </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> também se torna um evento por envolver um tipo de projeto que há muito não se via &#8211; ao menos não com a dimensão da saga de Villeneuve. Talvez, na ficção, a última vez que o público vislumbrou algo dessa magnitude tenha sido com a saga </span><i><span style="font-weight: 400">Harry Potter (2001-2012)</span></i><span style="font-weight: 400"> ou </span><i><span style="font-weight: 400">Star Wars (1977-2019)</span></i><span style="font-weight: 400">. Em ambos os projetos, no entanto, nunca houve um processo autoral tão claro como em </span><b><i>Duna</i></b><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Continuando o olhar sob os aspectos técnicos de </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> que se destacam, é possível imaginar um futuro repleto de indicações em diversas categorias. O departamento de arte, fotografia, som e efeitos especiais são os principais motivadores desse resultado de tirar o fôlego. Hans Zimmer (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-007-sem-tempo-para-morrer/"><i><span style="font-weight: 400">007 &#8211; Sem Tempo para Morrer</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2021) media o filme com sua trilha sonora epopeica. Para elevar o trabalho do compositor alemão, o restante do departamento de som constrói camadas sensoriais dessa jornada prometida de Paul Atreides. É inevitável não se arrepiar ao ver o personagem de Timothée Chalamet sendo aclamado pelos seus seguidores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Da mesma forma que o som, a composição visual encabeçada pela tríade fotografia, efeitos visuais e arte cria imagens surpreendentes. Seja no quesito construção de universo ou no fator de vislumbre, as três equipes formam imagens inesquecíveis sobre esse universo espacial ficcional idealizado por Frank Herbert. </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> é um presente aos olhos. Quanto maior a tela e melhor o som, a experiência se intensifica. Para a surpresa do público, a sequência <em>sci-fi</em> consegue entregar um trabalho técnico ainda mais impressionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Não menos importante do que o texto, a técnica ou a direção, o elenco que compõe </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> completa essa ópera espacial perfeitamente conduzida. Os conhecidos nomes do primeiro filme, como Chalamet (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-wonka/"><i><span style="font-weight: 400">Wonka</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023), Zendaya (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-sem-volta-para-casa-sem-spoilers/"><i><span style="font-weight: 400">Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2021), Rebecca Ferguson (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-missao-impossivel-acerto-de-contas-parte-1/"><i><span style="font-weight: 400">Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023) e Javier Bardem (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-pequena-sereia/"><i><span style="font-weight: 400">A Pequena Sereia</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023), e as novas adições, como Austin Butler (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><i><span style="font-weight: 400">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2022), Florence Pugh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-se-preocupe-querida/"><em>Não Se Preocupe, Querida</em></a>, de 2022) e Christopher Walken, formam um elenco estelar. Essa reunião de talentos, assim como feita no longa anterior, eleva o projeto a um outro patamar com performances meticulosas e poderosas, como Butler interpretando Feyd-Rautha, o violento e cruel sobrinho do Barão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Essa união de fatores faz de </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> um filme fora da curva. Há muito que não se via uma construção de universo tão detalhada e rica como nesse projeto. Para além de conseguir transpor o mundo interestelar criado por Herbert, um dos maiores méritos de </span><b><i>Duna</i></b><span style="font-weight: 400"> é continuar se levando a sério e, por conta disso, manter a missão de sempre evoluir. A sequência é a prova desse compromisso orquestrado por Denis Villeneuve. O cineasta parece ter tido como meta criar uma odisseia espacial ainda maior, mais bela e impactante. E, com a </span><b><i>Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">, ele foi capaz de realizar isso da forma mais impressionante possível.</span></p>
<p><strong>Direção:</strong> Denis Villeneuve</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Timothée Chalamet, Zendaya, Rebecca Ferguson, Josh Brolin, Austin Butler, Florence Pugh, Dave Bautista, Christopher Walken, Léa Seydoux, Stellan Skarsgård, Charlotte Rampling e Javier Bardem</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/QqmbrvluQRA?si=OfC4g2nhRANkAzG9" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Blade Runner 2049</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Oct 2017 23:39:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>É difícil criar uma continuação com tanta coisa a dizer, marcada por muita personalidade, mas também fidelidade ao original, como Blade Runner 2049, sobretudo quando seu antecessor é um filme como Blade Runner, de 1982, dirigido por Ridley Scott, a partir de um roteiro de Hampton Fancher e David Webb Peoples que adapta um romance de Philip K. Dick. Blade Runner era um sci-fi que fugia dessa urgência de estabelecer franquias seriadas que o cinema de estúdio hoje em dia segue. O filme de 1982 não se prestava à [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;">É difícil criar uma continuação com tanta coisa a dizer, marcada por muita personalidade, mas também fidelidade ao original, como <i>Blade Runner 2049</i><b>,</b> sobretudo quando seu antecessor é um filme como <i>Blade Runner</i>, de 1982, dirigido por Ridley Scott, a partir de um roteiro de Hampton Fancher e David Webb Peoples que adapta um romance de Philip K. Dick. <i>Blade Runner </i>era um <i>sci-fi </i>que fugia dessa urgência de estabelecer franquias seriadas que o cinema de estúdio hoje em dia segue. O filme de 1982 não se prestava à lógica exclusiva do entretenimento, ainda que fosse um deleite assisti-lo em seu entrecruzamento do <i>sci-fi </i>com o <i>noir</i>, além do escopo filosófico e do apuro estético que por vezes escapam aos filmes do gênero. Com <i>Blade Runner 2049</i>, Hollywood parece ter encontrado no diretor Denis Villeneuve (de <i>A Chegada</i>) o nome certo para investir numa expansão da história iniciada trinta e cinco anos atrás. Villeneuve é um diretor que segue a cartilha daquilo que fora concebido no primeiro filme, mas que também consegue fazer da continuação um autêntico exemplar da sua filmografia até porque o canadense parece pensar em imagens de maneira muito semelhante ao Ridley Scott de <i>Blade Runner</i>.</p>
<p class="separator" data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><i>Blade Runner 2049 </i>se passa trinta anos depois dos acontecimentos do primeiro filme. No longa, a humanidade está às voltas com os Replicantes quando K, um policial novato interpretado por Ryan Gosling, desenterra um segredo que pode levar tudo ao mais absoluto caos. Na medida em que o caso vai sendo investigado, as pistas levam K ao veterano e recluso Rick Deckard, icônico personagem de Harrison Ford, que anos atrás desaparecera com a Replicante Rachael sem deixar pistas.</p>
<p data-blogger-escaped-style="clear: both; text-align: justify;"><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8260" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-k-deckard-copertina.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Sobre os temas e direcionamentos filosóficos da história, o roteiro de <i>Blade Runner 2049</i>, co-assinado pelo mesmo Hampton Fancher do original,<i> </i>explora algumas reflexões que o antecessor já havia desenvolvido a respeito do questionamento &#8220;o que é ser humano?&#8221;  e sobre a semente do preconceito social, sobretudo quando adentramos na perspectiva de um Replicante que se torna fundamental para a trama. Na forma, <i>Blade Runner 2049 </i>tem o mesmo tempo e perspectiva para esmiuçar essa questão que o <i>Blade Runner </i>de 1982. À semelhança do que Scott fizera,  Denis Villeneuve parece não ter pressa em revelar todas as camadas da sua trama ao espectador, deixando que o mesmo acompanhe todo o percurso investigativo do seu protagonista, assimilando as informações descobertas e as consequências emocionais das mesmas na jornada pessoal do personagem de Ryan Gosling, que assume em definitivo (e de maneira muito competente) o manto de protagonista da continuação.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Mesmo nas suas cenas de ação, Villeneuve foge da burocrática aceleração rítmica do <i>blockbuster </i>contemporâneo, fazendo com que tudo no filme reverencie em primeiro plano o desenvolvimento do seu protagonista e não a pirotecnia técnica do cinema adolescente ao qual Hollywood tem se curvado nos últimos anos. Com isso, o filme é recheado de personagens interessantes que, mesmo em passagens breves, deixam a sua marca na trama e fazem o personagem de Gosling ir adiante em sua jornada pessoal, como é o caso da sua namorada Joi, vivida pela ótima Ana de Armas, da chefe de polícia Joshi, de Robin Wright, e, claro, de Harrison Ford, interpretando Deckard num outro momento da sua vida.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Para conceber suas imagens, Villeneuve conta com o refinamento estético do diretor de fotografia Roger Deakins, que também, tal qual Jordan Cronenweth de <i>Blade Runner</i>, concebe uma jornada visual fascinante ao espectador. O filme concebe registros imagéticos que aderem à narrativa, sobretudo do ponto de vista psicológico, em cores, elementos cênicos e estímulos sígnicos. O casamento desses dois profissionais (Villeneuve e Deakins) faz com que mesmo possuindo duas horas e quarenta e três minutos de duração, o tempo voe tamanho o fascínio e interesse que <i>Blade Runner 2049 </i>exerce no espectador.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-8261" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2017/10/blade-runner-2049-image.jpg" alt="" width="610" height="348" /></p>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Esse apreço pelas composições imagéticas em <i>Blade Runner 2049 </i>não é algo inédito na trajetória de  Villeneuve, faz parte do seu cinema, daí a reverência da cinefilia por seus filmes. Particularmente, em <i>Sicario </i>e <i>A Chegada</i>,<i> </i>me soou oras indício de presunção, afetação ou mesmo de inadequação às propostas dos respectivos filmes, algo que não ocorria em longas como <i>Incêndios</i>, <i>Os Suspeitos </i>ou <i>O Homem Duplicado</i>. <i>Blade Runner 2049 </i>parece se encaixar perfeitamente na assinatura do realizador em sua relação com esse cinema polido e milimetricamente calculado plano a plano, o que faz do filme um dos melhores da sua carreira.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>A continuação &#8220;tardia&#8221; de <i>Blade Runner </i>prima por aquilo que fez do longa de 1982 um clássico só reconhecido pelo tempo: entender que acima do exibicionismo do poderio técnico do cinema americano, a ficção-científica existe para fazer com que a gente reflita sobre os rumos que a humanidade tomou, está tomando e o que podemos fazer para colocar as coisas nos trilhos. A resposta? Possivelmente um pouquinho mais de humanidade. Com toda a sua tecnologia retrô-futurista, um dos acertos da equipe de direção de arte do longa, mantendo aspectos da identidade do original, <i>Blade Runner 2049 </i>mostra como se dá continuidade a um clássico fazendo uma sequência tão boa quanto o antecessor e como muitas vezes é prudente esperar pela história, pelo momento e pelas pessoas certas para explorar um pouco mais determinados personagens e retornar a universos cinematográficos canonizados.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/OEW3gbptBZg" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
</div>
</div>
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		<title>Crítica: A Chegada</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Nov 2016 22:32:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em A Chegada, Amy Adams (Trapaça) interpreta Louise Banks, uma especialista em Linguística chamada às pressas para solucionar um entrave de comunicação entre humanos e uma raça alienígena que acaba de chegar na Terra. O que a protagonista e o espectador do mais recente longa do canadense Denis Villeneuve (Sicario) não esperam é que esse contato acabe trazendo à tona determinadas recordações de profundo teor emocional para Louise. Ao final da sessão, a protagonista do filme e, possivelmente, o público [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div data-blogger-escaped-style="text-align: left;">
<p><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">Em </span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">A Chegada</i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">, Amy Adams (</span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">Trapaça</i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">) interpreta Louise Banks, uma especialista em Linguística chamada às pressas para solucionar um entrave de comunicação entre humanos e uma raça alienígena que acaba de chegar na Terra. O que a protagonista e o espectador do mais recente longa do canadense Denis Villeneuve (</span><i data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">Sicario</i><span data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">) não esperam é que esse contato acabe trazendo à tona determinadas recordações de profundo teor emocional para Louise. Ao final da sessão, a protagonista do filme e, possivelmente, o público ficarão devastados com o que toda a situação acaba revelando a respeito dos caminhos traçados pela acadêmica.</span></p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>A ficção-científica que o leitor verá em <i>A Chegada </i>não é simplificada por efeitos especiais de ponta, ainda que eles existam, ou por sequências sonoramente estridentes de espaçonaves explodindo o nosso planeta. O roteiro de Eric Heisserer (<i>Quando as Luzes se Apagam</i>), baseado no romance <i>Story of Your Life </i>de Ted Chiang, parece querer utilizar sua trama de invasão extraterrestre como catalisadora de questões filosóficas de fundo privado. Esse intuito parece claro desde o primeiro momento, quando o espectador tem contato com a história de Louise e sua filha, morta por uma trágica doença. Esta história não é sobre a humanidade, ainda que possamos traçar paralelos com a vida de qualquer um, mas sobre Louise Banks.</p>
</div>
<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Realizador de filmes tendentes a cisão de opiniões, Denis Villeneuve tem no currículo títulos certeiros na execução das suas metas como <i>Os Suspeitos</i>, suspense protagonizado por Hugh Jackman e Jake Gyllenhaal, e outros vacilantes como <i>Sicario</i>, longa cujo elenco é encabeçado por Emily Blunt, mas que tem um maestro perdido em meio a inconsistências do roteiro. <i>A Chegada </i>me parece uma obra intermediária da sua filmografia. O longa tem uma inegável e eficiente carga emocional, oferecendo um desfecho intenso que nos dá conta dos caminhos percorridos por sua protagonista e de uma compreensão profunda sobre ela a partir das escolhas que faz mesmo ciente do que a espera no futuro, nisso o longa de Villeneuve é preciso e atinge com muito impacto o espectador. Contudo, o diretor parece ainda sob efeito de uma certa falta de &#8220;pé no chão&#8221; durante a execução da sua obra.</p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter size-full wp-image-6968" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2016/11/Arrival.jpg" alt="arrival" width="610" height="348" /></p>
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<div data-blogger-escaped-style="text-align: justify;">
<p>Até chegar a esse momento de grande impacto emocional no final do seu longa, Villeneuve lida com <i>flashbacks </i>e projeções do futuro da protagonista que só parecem instigantes no último ato da sua trama, quando todas as suas questões parecem ficar mais claras. Diante das demandas inevitáveis de uma história atravessada por passado e futuro, o diretor parece estender o seu filme um pouco mais do que ele de fato solicita, conferindo ao mesmo um ar etéreo <i>kubrickiano</i> que o longa parece não requerer do realizador a partir de sonhos da protagonistas, silêncios entre os personagens e elocubrações visuais da fotografia de Bradford Young. Nesse aspecto, Villeneuve tropeça, ainda que, sublinho, ofereça um arco dramático inegavelmente forte para a sua protagonista, defendida com a discrição e sensibilidade pela sempre competente Amy Adams.</p>
<p>Assim, <i>A Chegada </i>é um filme que conquista o espectador emocionalmente, mas oferece como contrapartida algumas decisões questionáveis do seu realizador, que, assim como ocorrera <i>Sicario</i>, segue distraído na contemplação do seu próprio poder de composição imagético, muito mais do que às requisições da sua própria obra. Villeneuve estica o seu filme até não poder mais deixar de entregar o seu desfecho e se distrai com firulas por tempo demais. É certo que ele consegue oferecer um final satisfatório e dilacerante, mas um certo fio da meada se perde até chegar ao seu clímax emocional.</p>
<p><strong>Assista ao trailer do filme:</strong></p>
<p style="text-align: center;"><iframe src="https://www.youtube.com/embed/rNciXGzYZms" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Crítica: Sicario &#8211; Terra de Ninguém</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Oct 2015 22:27:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Benício Del Toro]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Denis Villeneuve]]></category>
		<category><![CDATA[Emily Blunt]]></category>
		<category><![CDATA[Josh Brolin]]></category>
		<category><![CDATA[Sicario - Terra de Ninguém]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Desde que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por Incêndios, o canadense Denis Villeneuve tem colhido frutos interessantes aqui e ali, estabelecendo-se como um realizador de filmografia diversificada e de volumosa repercussão. Do enervante Os Suspeitos, provavelmente um dos melhores longas do gênero suspense nesta década, ao divisivo O Homem Duplicado, adaptação do livro homônimo de José Saramago, Villeneuve tem conseguido se firmar e ser disputado por estúdios, atores e roteiristas de Hollywood. Sicario &#8211; Terra de Ninguém [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_3762" aria-describedby="caption-attachment-3762" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/sicario-mv-3.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3762 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/sicario-mv-3-620x330.jpg" alt="sicario-mv-3" width="620" height="330" /></a><figcaption id="caption-attachment-3762" class="wp-caption-text">No comando: Emily Blunt toma a frente de um filme monopolizado por homens e dá conta do recado</figcaption></figure>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Desde que foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro por <i>Incêndios</i>, o canadense Denis Villeneuve tem colhido frutos interessantes aqui e ali, estabelecendo-se como um realizador de filmografia diversificada e de volumosa repercussão. Do enervante <i>Os Suspeitos</i>, provavelmente um dos melhores longas do gênero suspense nesta década, ao divisivo <i>O Homem Duplicado</i>, adaptação do livro homônimo de José Saramago, Villeneuve tem conseguido se firmar e ser disputado por estúdios, atores e roteiristas de Hollywood. <i>Sicario &#8211; Terra de Ninguém </i>é mais um exemplar dessa lista, tendo colhido muitos elogios na última edição do Festival de Cannes e, após a sua recente estreia no circuito comercial norte-americano, começa a ser apontado como um dos títulos com potencial de angariar indicações ao Oscar em 2016. O mais recente longa do realizador canadense tem os seus bons momentos, sim, mas também revela-se como um dos mais mornos exemplares da carreira do diretor.</p>
</div>
<div>
<p>Em <i>Sicario</i>, uma policial do FBI (Emily Blunt) é escolhida e aceita participar da caçada ao líder de um cartel de drogas do México. A protagonista acaba enredada em uma trama de corrupção e violência que coloca sua rigidez ética à prova, sobretudo quando ela passa a trabalhar com um homem misterioso que parece conhecer como ninguém o funcionamento da guerra do tráfico na América Central.</p>
</div>
<figure id="attachment_3763" aria-describedby="caption-attachment-3763" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/Sicario-2.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3763 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/Sicario-2.jpg" alt="Sicario-2" width="600" height="337" /></a><figcaption id="caption-attachment-3763" class="wp-caption-text">Carências: Falta melhor tratamento dos personagens pelo roteiro</figcaption></figure>
<div>
<p>&nbsp;</p>
<p>Fotografado impecavelmente por Roger Deakins &#8211; sim, porque, nesse caso, comentar sobre o trabalho de Deakins nunca é uma menção residual a fotografia -, <i>Sicario </i>é um filme tenso do início ao fim e Villeneuve consegue construir toda essa atmosfera de incertezas ao lado do veterano diretor desse departamento. É uma pena que, no caso de <i>Sicario</i>, o espectador fique mais impactado por esse programa de efeitos proporcionado pelo realizador do que pela trama em si, que, por sinal, parece uma versão de <i>A Hora mais Escura </i>porém ambientado na guerra contra o tráfico no México &#8211; até as imagens infra-vermelho da Kathryn Bigelow o Denis Villeneuve usa em determinado momento.</p>
</div>
<div>
<p>Emily Blunt está excelente no longa e é um dos melhores elementos da história. Na pele da agente Kate Macer, Blunt consegue percorrer todos os dilemas éticos e morais pelos quais a policial passa em sua missão no México. O mesmo pode ser dito de Benício Del Toro que tem na impassibilidade do seu olhar um instrumento capaz de dimensionar a dor, a raiva e a obstinação do seu personagem diante do seu grande objetivo. Por fim, Josh Brolin chama pontualmente para si diversos momentos do longa com um personagem repleto de senso de humor, mas de caráter questionável. É verdade que o filme falta com o público e com o próprio elenco por não se aprofundar nos fantasmas dos seus personagens, mas os atores conseguem &#8220;dar conta do recado&#8221; em todos os momentos em que são solicitados.</p>
</div>
<figure id="attachment_3764" aria-describedby="caption-attachment-3764" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/Sicario_2_83907.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-3764 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2015/10/Sicario_2_83907.jpg" alt="Sicario_2_83907" width="600" height="300" /></a><figcaption id="caption-attachment-3764" class="wp-caption-text">Incertezas: Benicio Del Toro encara dúbio personagem</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Apesar de encher os olhos do público com excelentes tomadas e uma precisão técnica usual na carreira do diretor, ao final de <i>Sicario </i>as conclusões de Villeneuve sobre sua história são absurdamente &#8220;lugar comum&#8221;, todas simplificadas ao subtítulo brasileiros do longa: estamos diante de uma terra de ninguém. Seria preciso bem mais do que isso para fazer do filme uma obra que refletisse de fato sobre os problemas que pretende abordar e sobre a natureza dos seus próprios personagens cuja complexidade é alcançada em parte graças ao excelente trabalho do seu trio principal, jamais por esforços de Villeneuve e muito menos do seu roteirista Taylor Sheridan.</p>
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		<title>Crítica: O Homem Duplicado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Wanderley Teixeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jun 2014 02:08:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
		<category><![CDATA[Denis Villeneuve]]></category>
		<category><![CDATA[Jake Gyllenhaal]]></category>
		<category><![CDATA[O Homem Duplicado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Homem Duplicado se junta a Inside Llewyn Davis &#8211; Balada de um Homem Comum e Sob a Pele como uma das obras cinematográficas mais instigantes do ano. Com sua já atestada preferência por tramas que investigam um lado não tão agradável da natureza humana, o cineasta canadense Denis Villeneuve radicaliza  de vez em sua abordagem nesse suspense que flerta com o cinema onírico, introspectivo, lisérgico e sombrio de David Lynch (Cidade dos Sonhos), mas também com a maneira como [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Homem Duplicado </em>se junta a <em>Inside Llewyn Davis &#8211; Balada de um Homem Comum </em>e <em>Sob a Pele </em>como uma das obras cinematográficas mais instigantes do ano. Com sua já atestada preferência por tramas que investigam um lado não tão agradável da natureza humana, o cineasta canadense Denis Villeneuve radicaliza  de vez em sua abordagem nesse suspense que flerta com o cinema onírico, introspectivo, lisérgico e sombrio de David Lynch (<em>Cidade dos Sonhos</em>), mas também com a maneira como Darren Aronofsky (<em>Cisne Negro) </em>realiza a simbiose entre a psicologia do seu protagonista e a forma do seu filme. Baseado no romance de José Saramago, que inclusive já abordamos aqui no <a href="http://coisadecinefilo.com.br/dois/">texto de Teco Sodré</a>, <em>O Homem Duplicado </em>não só explora a profunda e conturbada psicologia do seu personagem central como a transforma em espaço e engrenagem da própria narrativa. Não seria o tipo de narrativa que recomendaríamos a todos porque é difícil mesmo para o público se acostumar e entender que abordagens radicalmente opostas aos padrões de narração cinematográfica e que exigem uma constante e elástica decodificação, já que tudo que está na tela não pode ser interpretado em seu sentido literal, são positivas e trazem um aperfeiçoamento da própria gramática cinematográfica. É um estranhamento comum do qual outras obras foram &#8220;vítimas&#8221;. Não à toa, lá fora, <em>O Homem Duplicado </em>teve uma recepção tão amarga.</p>
<p>O filme tem como ponto de partida a vida do professor universitário Adam Bell (os nomes foram adaptados para o filme e apesar da alcunha Tertuliano Máximo Afonso ser funcional no livro, aqui não faz tanta falta assim) que descobre em um filme um ator idêntico a ele. Bell, entediado com sua própria vida, começa a procurar esse homem para tentar saber a razão de tamanha semelhança. Logo, as vidas dos dois personagens passam a se entrelaçar e suas decisões começam a interferir nas suas rotinas e afetar os relacionamentos amorosos de ambos. No mais, desculpem amigos, mas fazer uma sinopse mais esmiuçada do que isso seria sacrificar a experiência de todos de desvendar o que existe por trás desses personagens pouco a pouco, tal qual deseja Denis Villeneuve.</p>
<figure id="attachment_1350" aria-describedby="caption-attachment-1350" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/enemy-movie-2014.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1350 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/enemy-movie-2014-620x333.jpg" alt="enemy-movie-2014" width="620" height="333" /></a><figcaption id="caption-attachment-1350" class="wp-caption-text">A possibilidade da curva: Protagonista fantasia uma vida diferente da sua através do seu sósia, um sujeito completamente diferente dele em sua personalidade.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Já que tocamos no nome do diretor de <em>O Homem Duplicado </em>é preciso enaltecer a sua coragem e o seu esforço de apropriar-se sem violentar a ideia central da obra de José Saramago. Como poucos cineastas na sua mesma posição, Villeneuve não se intimidou com a carga  de cobrança externa e interna por estar adaptando o livro de um autor cultuado como Saramago e imprimiu vida própria ao seu filme, mantendo os propósitos da obra original, mas fazendo os cortes e as adaptações necessárias, claro que com a ajuda do roteirista Javier Gullón. <em>O Homem Duplicado </em>de Villeneuve tem muita personalidade enquanto obra audiovisual, tendo como ponto de sustentação recursos como a fotografia que abusa do tom sépia, os ambientes impessoais, uma montagem que obedece aos comandos do diretor e acompanha o desenvolvimento dos seus personagens, todos em perfeita comunhão para criar uma atmosfera que intriga o espectador do início ao fim. O elenco é outra peça fundamental na engrenagem da obra. E se alguém não tinha firmeza em Jake Gylenhaal como ator, é melhor rever os conceitos. Interpretando duas personalidades completamente opostas que  colidem no terceiro ato do filme, Gylenhaal dá conta do recado de maneira  muito eficiente. O ator também está cercado por ótimas companhias, já que Mélanie Laurent (a namorada de Adam) e, principalmente, Sarah Gadon (a esposa do ator) dão conta do recado e funcionam como peças fundamentais para o desfecho do mistério em torno dos sósias.</p>
<p>Preferia não adentrar nas interpretações da obra pois, como já disse, estragaria a experiência do leitor/espectador. Como esse exercício de falar sobre um filme sem revelá-lo é extremamente complicado e posso acabar soltando algo, peço (e espero que seja ouvido) que <strong>pare de ler esse texto a partir de agora, caso não tenham visto o filme</strong>. O que pode ser dito é que Villeneuve esmiúça o elo entre Adam e seu sósia de maneira brilhante para chegarmos a uma conclusão satisfatória que nos obriga a fazer um retrospecto das pistas deixadas pelo filme desde o início. Com o claro intuito de falar sobre esse compreensível e arriscado desejo que temos de estar na pele de outra pessoa e de dar vazão a nossas mais recônditas fantasias abafadas por nossa vida corrente, o realizador traz um exercício de reflexão louvável se voltarmos e pararmos para pensar um pouco mais em toda a &#8220;engenharia&#8221; que ele construiu até chegar ao seu desfecho. Esse exercício de assimilar a obra com o devido tempo, sem a necessidade de conclusões imediatas que são tão correntes nesse consumo instantâneo que é feito com cada vez mais frequência no que concerne ao audiovisual, é  o que torna <em>O Homem Duplicado </em>uma preciosidade no meio de tantos trabalhos &#8220;mastigados&#8221; e com conclusões e interpretações prontas. Aqui, o público é parte da própria obra e isso é fascinante.</p>
<figure id="attachment_1351" aria-describedby="caption-attachment-1351" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-1351 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/enemy-jake-gyllenhaal1.jpg" alt="enemy-jake-gyllenhaal" width="620" height="335" /><figcaption id="caption-attachment-1351" class="wp-caption-text">Obsessão: A vida do sósia passa a ser cobiçada pelos dois personagens. Suas mulheres, vividas por Melanie Laurent e Sarah Gadon, sofrem as consequências de tamanho conflito.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>O Homem Duplicado </em>é daqueles tipos de filme que chega a ser arriscado traçar um &#8220;diagnóstico&#8221; sobre ele no seu lançamento pois corre o risco de cometermos uma leviandade. É o tipo de obra que merece ser vista, revista, dissecada e estudada em suas camadas. Não querendo ser definitivo nessas últimas linhas sobre o filme, recomendo apenas que se deem a oportunidade de conferir esse filme desafiador e por vezes desconfortante em sua linguagem. É incomum &#8211; não digo original porque Denis Villeneuve tem suas fontes -, mas é com esse tipo de empreitada que o cinema avança e que a gente aprende a refinar e ser mais exigente como espectador, dialogar com a obra e não encerrar abruptamente nossa relação com ela com o subir dos créditos. Afinal, como sugere a própria epígrafe do longa, &#8220;Caos é a ordem ainda indecifrada&#8221;. Portanto, tentemos decifrar <em>O Homem Duplicado</em>. É recompensador.</p>
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		<title>Dois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Teco Sodre]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Jun 2014 12:19:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especiais]]></category>
		<category><![CDATA[Denis Villeneuve]]></category>
		<category><![CDATA[Jake Gyllenhaal]]></category>
		<category><![CDATA[O Homem Duplicado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esse é a minha primeira resenha para o Coisa de Cinéfilo e confesso que tive de me transformar em dois para concluí-la. São muitos os afazeres diários que nos impedem de fazer o que realmente amamos e eu realmente amo escrever sobre cinema ou literatura. Este convite foi muito importante para mim, pois reativou meu tesão para escrever resenhas sobre cinema, uma das minhas grandes paixões. Espero fazer jus ao convite e contribuir para um site tão cuidadosamente cultivado. Adaptar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/20061401.jpg"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-1228 aligncenter" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/20061401-620x295.jpg" alt="20061401" width="620" height="295" /></a></p>
<p>Esse é a minha primeira resenha para o <em>Coisa de Cinéfilo</em> e confesso que tive de me transformar em dois para concluí-la. São muitos os afazeres diários que nos impedem de fazer o que realmente amamos e eu realmente amo escrever sobre cinema ou literatura. Este convite foi muito importante para mim, pois reativou meu tesão para escrever resenhas sobre cinema, uma das minhas grandes paixões. Espero fazer jus ao convite e contribuir para um site tão cuidadosamente cultivado.</p>
<p>Adaptar<em> O Homem Duplicado</em>, do saudoso escritor português José Saramago, também não deve ter sido uma tarefa muito fácil para Denis Villeneuve, o qual deve ter se desdobrado em muitos outros para conseguir o resultado visto em <em>Enemy</em> ( a produção Canadá/Espanha recebeu o mesmo título do livro no Brasil). Saramago foi um escritor ímpar, dono de uma narrativa inigualável e de uma imaginação tão criativa quanto provocativa. Seus livros compreendem um universo de possibilidades inimagináveis, cujas histórias transcendem o realismo fantástico ao tanger reflexões filosóficas sobre o ser humano e suas pré-concebidas relações.</p>
<p>Em <em>O Homem Duplicado</em>, o autor nos divide ao expor a história de Tertuliano Máximo Afonso, professor de história que descobre um sósia seu atuando em um filme de baixo orçamento que lhe fora indicado por um colega de profissão. A partir daí, a narrativa acompanha a busca do protagonista por respostas à sua própria duplicidade.</p>
<figure id="attachment_1231" aria-describedby="caption-attachment-1231" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/o-homem-duplicado.png"><img decoding="async" class="wp-image-1231 size-medium" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/o-homem-duplicado-620x348.png" alt="o-homem-duplicado" width="620" height="348" /></a><figcaption id="caption-attachment-1231" class="wp-caption-text">Diretor e ator nos sets: Villeneuve e Gyllenhaal já trabalharam juntos no suspense &#8220;Os Suspeitos&#8221; de 2013, com Hugh Jackman.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>O filme de Villeneuve (também diretor do excelente <em>Incêndios</em>) é uma livre adaptação dessa brilhante história. O diretor e o roteirista Javier Gullón chegaram a preparar uma lista de questionamentos para o autor da obra na qual o filme é inspirado, porém Saramago faleceu antes que ambos tivessem a chance de dirimir suas dúvidas sobre as nuances da história. Entretanto, o trabalho de Villeneuve e Gullón consegue imprimir as sensações típicas de alguns trabalhos de Saramago, como angústia, vertigem e inquietação com os padrões sociais de rotinas e relacionamentos, todas bem presentes na obra em questão.</p>
<p>A princípio, é impossível não perceber que a atmosfera do filme muito se assemelha à da adaptação de outra obra de Saramago para as telonas, <em>Ensaio Sobre a Cegueira</em> (Brasil/Canadá/Japão, 2008), dirigida pelo brasileiro Fernando Meireles. É bem verdade que o clima narrativo de Saramago traz à imaginação de seu leitor um desenho climático próprio aos seus temas, o que ficou bem retratado em ambas as adaptações. Texturas cruas, cores apáticas e muita despretensão nos takes dão ao filme o movimento da narrativa: no início, a repetição cotidiana e o dissabor impregnam o protagonista; ao longo da película, a angústia e o medo do (des) conhecido convoca a tensão, o que, aos poucos, transforma-se em insanidade e/ou aceitação do improvável da vida.</p>
<figure id="attachment_1230" aria-describedby="caption-attachment-1230" style="width: 620px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/enemy-jake-gyllenhaal.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-1230 size-full" src="http://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2014/06/enemy-jake-gyllenhaal.jpg" alt="enemy-jake-gyllenhaal" width="620" height="335" /></a><figcaption id="caption-attachment-1230" class="wp-caption-text">O obscuro, o erotismo e a sugestão: Filme explora apectos do litaratura de José Saramago tendo ciência de que é uma adaptação e não uma cópia do livro.</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p>Jake Gyllenhaal nunca foi um ator mediano. Desde <em>Donnie Darko</em> (EUA, 2001) é possível perceber suas inclinações para papéis que flertam com o estranho/diferente e que provocam em si e nos espectadores identificação e repulsa, simultaneamente. Seus personagens em Enemy são tão convincentes em suas particularidades que o próprio movimento de atração/repulsão, que existe entre entre eles, torna-se um novo personagem na história. O vínculo entre ambos e suas respectivas cônjuges caracterizam o filme mais como um thriller erótico, cuja sensualidade não está lá apenas para excitar, mas para entrelaçar uma história que em sua ambiguidade, revela a o caráter dualístico ocidental do homem contemporâneo.</p>
<p>O livro não está presente, predominantemente, na obra fílmica, mas é possível perceber elementos da obra literária no trabalho de Villeneuve. A própria Pilar del Rio, viúva de Saramago, afirmou que certamente não encontraríamos o livro nas telas, mas que Saramago estaria dentro do filme e, de fato, não se pode negar sua presença nas simbologias, no clima incisivo e nas emoções duplamente latentes refletidas nos personagens representados por Gyllenhaal. Se o &#8220;eu é um outro&#8221;, como diria o célebre poeta francês Arthur Rimbaud, então é exatamente o reflexo de nós mesmos, no próprio espelho, o que nos motiva a assumir nossa(s) identidade(s) e nos estimula a ser quem (e quantos) somos nesta vida.</p>
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