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	<title>Arquivos Austin Butler - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Austin Butler - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Duna &#8211; Parte 2</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 29 Feb 2024 12:56:13 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Existe uma responsabilidade &#8211; ou ao menos deveria existir &#8211; quando o assunto é um trabalho de adaptação. Ao falar de obras literárias de ficção (fantástica ou científica), onde a construção de universo é uma árdua missão, a realização desse processo adaptativo se torna ainda mais difícil. Denis Villeneuve já havia provado em Blade Runner 2049 (2017) que ele sabia como dar continuidade num universo sci-fi. A renovação trazida por ele é repleta de qualidades e por isso seu trabalho [&#8230;]</p>
<p>O post <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna-parte-2/">Crítica: Duna &#8211; Parte 2</a> apareceu primeiro em <a href="https://coisadecinefilo.com.br">Coisa de Cinéfilo</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400">Existe uma responsabilidade &#8211; ou ao menos deveria existir &#8211; quando o assunto é um trabalho de adaptação. Ao falar de obras literárias de ficção (fantástica ou científica), onde a construção de universo é uma árdua missão, a realização desse processo adaptativo se torna ainda mais difícil. Denis Villeneuve já havia provado em </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-blade-runner-2049/"><i><span style="font-weight: 400">Blade Runner 2049 (2017)</span></i></a><span style="font-weight: 400"> que ele sabia como dar continuidade num universo </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400">. A renovação trazida por ele é repleta de qualidades e por isso seu trabalho em </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-duna/"><i><span style="font-weight: 400">Duna (2021)</span></i></a><span style="font-weight: 400"> foi admirável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">A ideia de continuar uma história do escopo da adaptação de <strong><em>Duna</em></strong>, ainda sobre o primeiro livro, impressionou o público, mas Villeneuve não decepciona. O trabalho do diretor e roteirista canadense em </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> é ainda mais louvável. A sequência </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400"> chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (29) com a promessa de ser o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400"> do ano. O novo longa-metragem consegue superar as expectativas (e seu antecessor) e leva o espectador numa odisseia espacial ainda mais estonteante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Como já foi visto inúmeras vezes ao decorrer da história do cinema, alcançar expectativas de filmes que se tornam uma espécie de ‘clássico instantâneo’ para o seu respectivo gênero é um desafio gigante. </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">, contudo, vem na contramão disso. O segundo capítulo da saga </span><i><span style="font-weight: 400">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400"> interestelar é maior em escopo, qualidade e sensações. Tanto no que Villeneuve e seu colega de roteiro, Jon Spaihts (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-doutor-estranho/"><i><span style="font-weight: 400">Doutor Estranho</span></i></a><span style="font-weight: 400"> e </span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-passageiros/"><i><span style="font-weight: 400">Passageiros</span></i></a><span style="font-weight: 400">, ambos de 2016), fazem ao criar saídas e novas rotas para a adaptação, como no empenho do diretor ao orquestrar essa odisseia espacial, existe uma condução de narrativa invejável no novo longa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Talvez o maior mérito de Denis Villeneuve seja este. Construir imagética e esteticamente um universo diferente de tudo já visto &#8211; e o fazer com qualidade técnica e artística &#8211; ao mesmo tempo que ele entrega um produto acessível e possível de alcançar uma bilheteria astronômica. O cineasta canadense justamente é capaz de unir o que alguns chamam de ‘cinema de arte’ com o popular </span><i><span style="font-weight: 400">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400">. E isso é fascinante sobre </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">. O longa será capaz de abarcar um número imenso de espectadores com suas possibilidades narrativas, artísticas e técnicas.</span></p>
<figure id="attachment_17766" aria-describedby="caption-attachment-17766" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-17766" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-750x500.jpg" alt="Duna: Parte 2 (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/02/Duna-Parte-2-6.jpg 1053w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-17766" class="wp-caption-text">Timothée Chalamet e Austin Butler em cena de &#8216;Duna: Parte 2&#8217; (2024)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Ainda sobre essa colisão de mundos gerada pela produção, </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> também se torna um evento por envolver um tipo de projeto que há muito não se via &#8211; ao menos não com a dimensão da saga de Villeneuve. Talvez, na ficção, a última vez que o público vislumbrou algo dessa magnitude tenha sido com a saga </span><i><span style="font-weight: 400">Harry Potter (2001-2012)</span></i><span style="font-weight: 400"> ou </span><i><span style="font-weight: 400">Star Wars (1977-2019)</span></i><span style="font-weight: 400">. Em ambos os projetos, no entanto, nunca houve um processo autoral tão claro como em </span><b><i>Duna</i></b><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Continuando o olhar sob os aspectos técnicos de </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> que se destacam, é possível imaginar um futuro repleto de indicações em diversas categorias. O departamento de arte, fotografia, som e efeitos especiais são os principais motivadores desse resultado de tirar o fôlego. Hans Zimmer (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-007-sem-tempo-para-morrer/"><i><span style="font-weight: 400">007 &#8211; Sem Tempo para Morrer</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2021) media o filme com sua trilha sonora epopeica. Para elevar o trabalho do compositor alemão, o restante do departamento de som constrói camadas sensoriais dessa jornada prometida de Paul Atreides. É inevitável não se arrepiar ao ver o personagem de Timothée Chalamet sendo aclamado pelos seus seguidores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Da mesma forma que o som, a composição visual encabeçada pela tríade fotografia, efeitos visuais e arte cria imagens surpreendentes. Seja no quesito construção de universo ou no fator de vislumbre, as três equipes formam imagens inesquecíveis sobre esse universo espacial ficcional idealizado por Frank Herbert. </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> é um presente aos olhos. Quanto maior a tela e melhor o som, a experiência se intensifica. Para a surpresa do público, a sequência <em>sci-fi</em> consegue entregar um trabalho técnico ainda mais impressionante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Não menos importante do que o texto, a técnica ou a direção, o elenco que compõe </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> completa essa ópera espacial perfeitamente conduzida. Os conhecidos nomes do primeiro filme, como Chalamet (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-wonka/"><i><span style="font-weight: 400">Wonka</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023), Zendaya (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-homem-aranha-sem-volta-para-casa-sem-spoilers/"><i><span style="font-weight: 400">Homem-Aranha: Sem Volta para Casa</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2021), Rebecca Ferguson (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-missao-impossivel-acerto-de-contas-parte-1/"><i><span style="font-weight: 400">Missão: Impossível – Acerto de Contas Parte 1</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023) e Javier Bardem (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-pequena-sereia/"><i><span style="font-weight: 400">A Pequena Sereia</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2023), e as novas adições, como Austin Butler (</span><a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-elvis/"><i><span style="font-weight: 400">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400">, de 2022), Florence Pugh (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nao-se-preocupe-querida/"><em>Não Se Preocupe, Querida</em></a>, de 2022) e Christopher Walken, formam um elenco estelar. Essa reunião de talentos, assim como feita no longa anterior, eleva o projeto a um outro patamar com performances meticulosas e poderosas, como Butler interpretando Feyd-Rautha, o violento e cruel sobrinho do Barão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Essa união de fatores faz de </span><b><i>Duna: Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400"> um filme fora da curva. Há muito que não se via uma construção de universo tão detalhada e rica como nesse projeto. Para além de conseguir transpor o mundo interestelar criado por Herbert, um dos maiores méritos de </span><b><i>Duna</i></b><span style="font-weight: 400"> é continuar se levando a sério e, por conta disso, manter a missão de sempre evoluir. A sequência é a prova desse compromisso orquestrado por Denis Villeneuve. O cineasta parece ter tido como meta criar uma odisseia espacial ainda maior, mais bela e impactante. E, com a </span><b><i>Parte 2</i></b><span style="font-weight: 400">, ele foi capaz de realizar isso da forma mais impressionante possível.</span></p>
<p><strong>Direção:</strong> Denis Villeneuve</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Timothée Chalamet, Zendaya, Rebecca Ferguson, Josh Brolin, Austin Butler, Florence Pugh, Dave Bautista, Christopher Walken, Léa Seydoux, Stellan Skarsgård, Charlotte Rampling e Javier Bardem</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe width="750" height="500" src="https://www.youtube.com/embed/QqmbrvluQRA?si=OfC4g2nhRANkAzG9" title="YouTube video player" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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		<title>Crítica: Elvis</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jul 2022 00:46:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Será que Elvis não morreu? Essa é a sensação de legado que o filme de Baz Luhrmann deixa para seus espectadores, com as mais de 2h30 de duração. Responsável por longas primorosos como Romeu + Julieta, Austrália e Moulin Rouge &#8211; Amor em Vermelho, o diretor traz aqui a história de um dos maiores cantores de todos os tempos, só que sob a ótica de seu ganancioso empresário Tom Parker (Tom Hanks, Um Lindo Dia na Vizinhança), que estava mais [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Será que <strong><em>Elvis</em> </strong>não morreu? Essa é a sensação de legado que o filme de Baz Luhrmann deixa para seus espectadores, com as mais de 2h30 de duração. Responsável por longas primorosos como <em>Romeu + Julieta, Austrália e Moulin Rouge &#8211; Amor em Vermelho</em>, o diretor traz aqui a história de um dos maiores cantores de todos os tempos, só que sob a ótica de seu ganancioso empresário Tom Parker (Tom Hanks, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-um-dia-lindo-na-vizinhanca/"><em>Um Lindo Dia na Vizinhança</em></a>), que estava mais preocupado com seu próprio enriquecimento do que qualquer outra coisa.</p>
<p>Elvis descobriu a paixão pela música ainda criança, frequentando as igrejas para negros, que eram comuns nos EUA na época. Tão logo ele soube que aquele era o caminho que desejava trilhar e contou com o apoio da família para ir em busca de seu sonho de ser um cantor de sucesso. No meio da estrada, se deparou com Parker, que ajudou a impulsionar sua carreira de maneira astronômica, mudando completamente a realidade dele e da família.</p>
<p>É muito curioso o começo do filme quando Baz deixa o espectador tão curioso em descobrir quem é Elvis, como o próprio Parker. Até o momento em que eles de fato se conhecem, nós apenas temos vislumbres do artista, sua silhueta, sua voz. Foi um artifício acertado do diretor, que só começava a mostrar todo o cuidado que teve ao longo da trama, em termos de imersão do espectador. Enquanto isso, vamos descobrindo a fome por dinheiro e poder que o empresário tem, mostrando um lado bem diferente de Tom Hanks.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-15706" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/i562850.jpeg" alt="Elvis" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/i562850.jpeg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/i562850-360x240.jpeg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/i562850-610x407.jpeg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2022/07/i562850-720x480.jpeg 720w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Para um ator que costuma fazer papéis de pessoas bacanas, encarar um vilão tão sem escrúpulos como esse é tarefa difícil, mas que ele leva com muita facilidade. Conseguimos odiar cada momento em que Parker surge, graças à maestria magnífica de seu protagonista. Uma performance digna de premiação, tal qual a do próprio Elvis. É curioso como Austin Butler (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-era-uma-vez-em-hollywood/"><em>Era uma Vez em&#8230; Hollywood</em></a>) não parece nem um pouco com o cantor original, mas coube perfeitamente na sua representação. Ele estudou maneirismos, jeito de andar, de falar. Tudo para assumir este importante papel. Um investimento valioso pois acredito realmente que ele receberá diversas indicações, sendo um forte candidato a levar as estatuetas.</p>
<p>Para além do elenco incrível e afiado, o roteiro de <em><strong>Elvis</strong> </em>é emocionante e envolvente. O espectador acaba descobrindo ainda mais detalhes da origem e início da carreira do músico, assim como entende o frenesi pelo seu nome na época, que perdura até hoje. O sonho dele era espalhar as suas canções pelo mundo, envolver as pessoas com seus poemas cantados. No entanto, tudo isso foi frustrado pela manipulação de Parker em sua vida e sua família. O objetivo dele era sugar ao máximo todo o dinheiro que podia com a carreira de Elvis (não à toa que eles tinham contratos que rendiam 50% de lucros para o empresário), apostando em casinos, fumando charutos e bebendo uísque.</p>
<p>É surreal pensar que Elvis não foi nem metade do que ele poderia ser por conta deste agente. Ele não realizou turnês internacionais, que era algo que almejava muito, pois foi proibido e acuado pelo empresário. Fico imaginando como seria o seu legado mundial, pois mesmo com essas privações, ele ainda foi o que foi e é o que é.</p>
<p>Não existe excessos em <em><strong>Elvis</strong></em>. Este é um filme que galga seus caminhos com assertividade, sem pressa, mas também sem enrolação. A medida que somos envoltos pela história, ela não se priva de avançar e mostrar mais nuances e cenários. É um filme intenso, impactante e tão grandioso quanto o próprio foco da cinebiografia. Elvis se mostra, de fato, eterno, pois seu legado persiste mesmo com o passar dos anos e de gerações.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Baz Luhrmann</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Austin Butler, Tom Hanks, Olivia DeJonge, Richard Roxburgh, Kelvin Harrison Jr., David Wenham, Kodi Smit-McPhee, Luke Bracey, Xavier Samuel</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/0vXTcMkSzdI" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
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		<title>Especial: O 9º filme de Tarantino e seu legado</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Aug 2019 23:31:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A filmografia de Quentin Tarantino é conhecida mundialmente como sinônimo de violência recheada com altas doses de ação, sarcasmo e (muito) sangue. A cada anúncio de uma nova obra do diretor, sua legião de fãs espera ansiosa por mais um pouco desse conjunto descrito como padrão – e com a divulgação de Era Uma Vez em&#8230; Hollywood não foi diferente. Muito se especulou sobre o que esse longa-metragem abordaria, afinal ele começou sendo promovido como uma produção que coexiste com [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>A filmografia de Quentin Tarantino é conhecida mundialmente como sinônimo de violência recheada com altas doses de ação, sarcasmo e (muito) sangue. A cada anúncio de uma nova obra do diretor, sua legião de fãs espera ansiosa por mais um pouco desse conjunto descrito como padrão – e com a divulgação de <em><strong>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</strong></em> não foi diferente. Muito se especulou sobre o que esse longa-metragem abordaria, afinal ele começou sendo promovido como uma produção que coexiste com o assassinato da atriz Sharon Tate, em 1969. O público esperou de um tudo, mas nenhuma teoria os preparou para a surpresa do que estava por vir.</p>
<p><em>Once Upon a Time&#8230; in Hollywood</em> (título original) descreve uma trajetória diferente do que já se viu na arte de Tarantino. Mesmo com uma carreira extensa e extremamente original, onde cada nova produção representa um universo repleto de inovações, seus filmes sempre trouxeram propostas semelhantes ao retratar a sua temática fundamental: a violência. Os traços de exagero – seja no sangue, sejam nas cenas de luta ou morte – e o humor ácido e satírico moldaram múltiplas dinâmicas que variam desde o controlado <em>Jackie Brown</em> (1997) até o espalhafatoso <em>À Prova de Morte</em> (2007). A estrutura de sua nona criação se organiza, contudo, de forma distinta. Tarantino quebra qualquer expectativa com seu novo filme que chegou aos cinemas brasileiros na última quinta-feira (15).</p>
<p>É preciso entender que <strong><em>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</em></strong> comporta todas essas características “tarantinescas”. A violência não deixa de ser tema central, o sangue não deixa de aparecer e o humor continua existindo na mesma medida, porém esses fatores são vistos sob uma nova perspectiva. Tarantino transforma seu nono filme num conto intimista sobre a Hollywood que ele conheceu desde novo. Essa é a sua ode ao universo que o abraçou e nunca mais o deixou ir embora. E é essa pessoalidade tão palpável que faz do longa inusitado. Esse olhar sensível e próprio sobre um momento onde, literalmente, tudo mudou na célebre Los Angeles é a sacada que eleva a obra do diretor e roteirista para um novo patamar.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11123" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Era-uma-Vez-em-Hollywood-1280x720-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Era-uma-Vez-em-Hollywood-1280x720.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Era-uma-Vez-em-Hollywood-1280x720-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Era-uma-Vez-em-Hollywood-1280x720-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A estrutura narrativa do nono filme de Tarantino se estabelece através do dia a dia das personagens principais. O cotidiano, a monotonia e a decadência dessas figuras são os pilares dessa história sobre personas. Contudo, a relevância deles e de seus diálogos já são uma marca do diretor. Em produções como <em>Cães de Aluguel</em> (1992), <em>Pulp Fiction – Tempos de Violência</em> (1994) e <em>Os 8 Odiados</em> (2015) é clara a relevância dessas características atreladas ao ritmo um pouco mais lento – não tanto quanto no novo filme – para desenvolver com maestria todos os nuances da trama.</p>
<p>Outra marca de Tarantino que se repete de forma mais expressiva em sua nova obra é a vitalidade presente nas cenas. As imagens falam por si só graças as cores vivas e pulsantes da Hollywood de 1969. Pela cidade funcionar como uma das figuras principais da história, existe uma preocupação em dar corpo e voz a capital mundial do cinema. Seja através das inúmeras cenas de passeios com carro ou pelas andanças pelos estúdios, a Cidade dos Anjos é representada minuciosamente como uma grandiosa, porém triste personagem que guarda consigo todas as frustrações e anseios de milhares. As tonalidades vibrantes de Los Angeles remetem a outros trabalhos do diretor, onde as cores em cena, ao lado do jogo de luz e sombra, falam e são fundamentais na compreensão da história – como <em>Pulp Fiction</em>, <em>Kill Bill &#8211; Volumes I e II</em> (2003 e 2004), <em>Bastardos Inglórios</em> (2008) e <em>Os 8 Odiados</em>.</p>
<p>Embora essas características tenham uma expressiva relevância para o resultado do longa-metragem, nada se compara ao poder de suas personagens em tela. Mais do que nunca Tarantino aposta em figuras (reais ou não) cheias de camadas para dar liga a sua história. Em cena, essas personalidades são o elemento número nessa jornada pela antiga Hollywood. A profundidade delas atrelada ao tempo investido em seus dilemas criam uma narrativa sólida e emocionante. Dessa forma, <strong><em>Once Upon a Time&#8230; in Hollywood</em></strong> funciona como uma história palpável feita por alguém que presenciou o fim da era de ouro do cinema hollywoodiano ao mesmo tempo que a Cidade dos Anjos viveu o fim de sua inocência.</p>
<p>O brutal assassinato da atriz Sharon Tate e de seus amigos na fatídica noite de 8 de agosto de 1969 mudaram os rumos e as dinâmica de sua sociedade. Assim, o longa se configura como uma homenagem tanto ao mercado cinematográfico que Tarantino viu crescer, mudar e pelo qual se apaixonou, como aos envolvidos nessa nova realidade. A presença de Margot Robbie no filme, por exemplo, funciona como uma espécie de luz angelical que traz paz e leveza ao mesmo tempo que se contrapõe às dinâmicas e aos dilemas das personagens vividas por DiCaprio e Pitt.</p>
<p style="text-align: left;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11122" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/margot-robbie-era-uma-vez-em-hollywood-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/margot-robbie-era-uma-vez-em-hollywood.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/margot-robbie-era-uma-vez-em-hollywood-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/margot-robbie-era-uma-vez-em-hollywood-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Mas qual seria a relevância desses enredos individuais para a composição de um produto tão extenso e parado? A crise profissional de Rick Dalton com sua decadência; a aceitação de Cliff Booth à sua vida pacata e sem glamour; a presença quase divina de Sharon Tate e sua carreira simples; e todo o histórico de horror cometido pela Família Manson costuram essa complexa e profunda narrativa sobre o vazio e o tempo. E para dar ainda mais força a cada uma dessas personagens eis que existe a maior de todas, a cidade dos sonhos: Hollywood. O polo cinematográfico do cinema americano se transfigura numa persona cuja história compõe e explica as relações entre as personagens e suas vivências.</p>
<p>É diante desse cenário devastado pelo tempo que uma nova era se instaura – tanto para a indústria cinematográfica dos EUA como na vida das figuras principais. O dilema de Tarantino ao escolher esse momento histórico do cinema está justamente ligado ao jogo entre realidade e ficção. E, da mesma forma que fez em <em>Bastardos Inglórios</em>, o diretor se permite reescrever a história outra vez. Ao fazê-lo, Tarantino cria a sua “carta de amor” à Hollywood por dar ao público uma perspectiva de renovação ao contornar a dor e tensão que a história comporta. Dessa forma, o cineasta usa sua criatividade e proeminência no mercado para dar vida a uma grande homenagem as suas memórias afetivas e íntimas desse universo.</p>
<p>O público, quando se encontra imerso nas histórias de cada uma das personagens, não consegue mais fugir da narrativa. Tarantino se provou, pela nona vez, um brilhante cineasta. A inesperada sensibilidade que abraça a produção do início ao fim é de arrepiar. As referências à cultura pop e a metalinguagem entre realidade e ficção formam uma transparente obra-prima que transborda talento, amor e cuidado com a responsabilidade do fazer cinema.</p>
<p>Com uma carreira cheia de louros, o diretor cria uma obra que expande ainda mais as suas possibilidades como artista e mostra para o mundo que ele ainda tem muito o que mostrar. <strong><em>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</em></strong> é um desafio do diretor ao público. Tarantino elabora uma obra que desafia o olhar do espectador ao utilizar suas marcas como artista de uma maneira diferente. Todas as suas habilidades e características, já vistas em seus filmes anteriores, estão presentes aqui de forma viva. As escolhas são meticulosas e precisas para criar um filme único e ímpar até mesmo para sua carreira. Sendo este o seu nono produto cinematográfico, Quentin Tarantino se aproxima do emblemático décimo filme – mencionado pelo diretor como sua última criação – e continua a impressionar o mundo com sua singular capacidade criativa. O diretor acaba de entregar para o mundo a sua mais nova, surpreendente e emocionante criação.</p>
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		<title>Crítica: Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Aug 2019 19:48:45 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Eis que chegamos ao lançamento do nono filme do diretor Quentin Tarantino (<em>Bastardos Inglórios</em>) e a expectativa era grande. Conhecido por seu estilo mais assertivo, sangrento e irreverente, o cineasta nos oferece um longa que é parte diferente e parte original de seu perfil. <em><strong>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</strong></em> mistura as aguardadas cenas de ação, referências culturais, personagens confusos e cheios de personalidade, humor cítrico, etc.</p>
<p>No final dos anos 1960, o astro de TV Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) está lidando com os rumos que sua carreira tomou e sua necessidade de se firmar nas telonas, em Hollywood. Juntamente com seu dublê Cliff Booth (Brad Pitt), Dalton conhece pessoas influentes da indústria cinematográfica, que podem abrir as portas profissionais para ele. Enquanto isso, ele é vizinho do casal Sharon Tate (Margot Robbie) e Roman Polanski (Rafal Zawierucha), o que acaba levando o roteiro a tratar da Família Manson e da iminência do assassinato de Sharon.</p>
<p>A temática em si já envolve muitas nuances e atrativos. A junção de uma estrela do cinema em conflito com a triste história de Sharon Tate abre portas para diversos desdobramentos, tanto no parâmetro ficcional quanto real. Quentin vai brincando com ficção e realidade o tempo inteiro, oferecendo diversas referências culturais e histórias ao espectador.</p>
<p>Uma das características interessantes de Tarantino é que ele pressupõe a inteligência de seu espectador, o que é relativamente raro na indústria. O diretor entende que os diálogos não precisam ser tão expositivos e que o subentendido é que pode acrescentar ainda mais veracidade às cenas. Isso fica muito claro no momento em que Charles Manson bate na porta de Tate e Polanski, procurando os moradores anteriores. Nada é dito sobre o nome dele, então cabe ao espectador perceber a referência ou simplesmente não compreender a cena.</p>
<p>Além disso, ele não tem pressa em desenvolver seus personagens, o que torna a experiência muito melhor. As cenas são mais longas, com plano principal e de fundo, elementos no cenário que contribuem para a construção da narrativa e do próprio personagem. As conexões dos personagens também vão acontecendo aos poucos, como uma colcha de retalhos que vai sendo tecida. Em <strong><em>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</em></strong> talvez essa característica tenha sido levada ao extremo, já que fica pouco tempo para o roteiro efetivamente se desenvolver, depois que passa a longa fase de construção dos personagens.</p>
<p>Se o roteiro é bom, as atuações são definitivamente o maior ganho do longa. Leonardo DiCaprio  (O Lobo de Wall Street) foi a escolha mais inteligente para interpretar Rick Dalton. Confuso, egocêntrico, com baixa autoestima e carente, ele consegue passear por todas essas nuances com muita facilidade e naturalidade. Cada cena é instigante para o espectador. Para além dele, temos Brad Pitt (<em>Bastardos Inglórios</em>), que considero ainda mais destaque em atuação. Cliff Booth é objetivo e focado em ser um bom profissional. Ele não tem as ambições que seu chefe e prefere levar uma vida com mais tranquilidade. A medida que o roteiro evolui, ele vai mostrando um passado conturbado de Booth, mas que pouco define o seu presente.</p>
<p style="text-align: center;"><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11085" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/margot_robbie_era_uma_vez_em_hollywood_tarantino_analise-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/margot_robbie_era_uma_vez_em_hollywood_tarantino_analise.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/margot_robbie_era_uma_vez_em_hollywood_tarantino_analise-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/08/margot_robbie_era_uma_vez_em_hollywood_tarantino_analise-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>Enquanto Dalton tenta desesperadamente ser amado por todos e ter o trabalho reconhecido, Booth se contenta em ser amado pela cadela de estimação e trabalhar corretamente. Paralelo a isso, Margot Robbie (Duas Rainhas) interpreta a estrela em ascensão Sharon Tate. Nem sempre reconhecida, ela confere uma leveza singular à personagem, que é sempre sorridente e positiva. A cena no cinema é cuidadosa e nos oferece um ótimo momento de Robbie. Talvez fique uma sensação de falta de aprofundamento da personagem, mas é preciso entender que o foco não é na história dela. Muito embora os olhos acabem focando nisso, invariavelmente.</p>
<p>O trio principal é acompanhado de diversos outros excelentes atores, mesmo em breves papéis. Acredito que é isso que torna a experiência ainda mais rica. Cada <em>flash</em> de momento é um presente em atuação. Louros que o diretor já colhe por ter consagrado seu nome no cinema.</p>
<p>Outro ponto alto do filme é o uso de plano-sequência, uma característica forte de Tarantino, que se torna ainda mais possível por conta do elenco de peso que ele tem. Cenas longas com tantos personagens e sem corte favorecem a inserção do espectador na trama. Ele também faz uso de enquadramentos mesclados que contam a história de uma maneira diferente e se adequam a cada momento em cena, como na exposição dos <em>westerns</em> de Dalton.</p>
<p>Ao final do longa, não adentrando em <em>spoilers</em>, Tarantino se permite misturar ainda mais a ficção com a realidade dos fatos. A conjunção do trio principal e o restante do elenco, até então um tanto paralela, finalmente converge em situações que se completam na história. A felicidade de Sharon de ter um filme reconhecido, o autorreconhecimento de Dalton a cerca de seu trabalho e qualidade profissional e a aceitação passiva de Booth com o seu destino.</p>
<p><em><strong>Era Uma Vez em&#8230; Hollywood</strong></em> é um filme com os traços originais de Quentin Tarantino, mas com grandes diferenças de roteiro com relação aos demais. Talvez por isso as opiniões possam ficar tão divididas e alguns fãs mais fervorosos possam ficar um pouco frustrados. Mas abrindo um pouco mais o olhar para as infinitas possibilidades e levando em conta que é preciso sopros de mudança na carreira do diretor, o longa se torna muito bom e superior a tantos outros.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Quentin Tarantino<br />
<strong>Elenco:</strong> Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie, Emile Hirsch, Margaret Qualley, Dakota Fanning, Timothy Olyphant, Julia Butters, Al Pacino, Austin Butler, Luke Perry, Lena Dunham</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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