Renée Zellweger vinha de anos de glórias consecutivas com a vitória no Globo de Ouro por A Enfermeira Betty em 2000 e sua primeira indicação ao Oscar pelo hit de 2001 O Diário de Bridget Jones. A atriz perdeu o prêmio da Academia para Halle Berry e seu desempenho no drama A Última Ceia, mas vinha criando terreno para uma vitória futura. Em 2002, o musical Chicago parecia uma aposta segura.

Chicago era uma adaptação da versão da Broadway do musical de Bob Fosse e venceu seis estatuetas do Oscar quando lançado, incluindo a de Melhor Filme. No longa, Zellweger interpretava uma corista narcisista que fazia de tudo para conquistar a fama. A atriz incorporou o humor irônico e sexy da produção que basicamente abordava a insana cultura das celebridades. “Se não conseguir a fama, seja infame”, dizia o pôster da produção. E era basicamente isso que Roxie Hart, a personagem de Renée, fazia ao ganhar a fama por ter matado o seu amante Fred Kelly.

A interpretação de Zellweger foi alvo de controvérsia na época pois muita gente não creditava a atriz por suas performances musicais. A recusa de Zellweger de protagonizar o número “I Move On” na cerimônia do Oscar ao lado da colega Catherine Zeta-Jones parece ter endossado um grupo de haters para os trabalhos da atriz que a seguiriam em outros anos. Como em todo caso, com a popularidade, a texana também ganhava algumas “torcidas de nariz”.

Renée Zellweger

Em uma das performances de dança do filme Chicago.

Zellweger sempre pareceu imprimir uma assinatura muito forte em suas interpretações, sendo detectável em qualquer de seus trabalhos traços característicos de suas reações e abordagens para as personagens que interpreta. Quando finalmente venceu o Oscar pelo romance histórico Cold Mountain esta cisão na recepção dos trabalhos da atriz ficou mais evidente.

O filme de 2003 de Anthony Minghella era protagonizado por Nicole Kidman e Jude Law e narrava uma melancólica jornada de Ulisses (A Odisseia) tendo como contexto a guerra civil norte-americana e um romance interrompido entre uma aristocrata (Kidman) e um rapaz humilde (Law). Todos os personagens da produção estavam imersos em dramas severos, perdas, problemas financeiros etc. A Ruby Sparks de Zellweger surge como um elemento cujo tom parecia um pouco acima dos demais, sendo vista como um alívio cômico na narrativa. No entanto, a abordagem de Zellweger pode ser vista por uma outra perspectiva, a atriz parecia interpretar uma figura que tentava combater seu drama pessoal com humor. Junto com Kidman, Zellweger conseguiu construir uma amizade poderosa entre personagens femininas, algo bem raro numa Hollywood erguida pelo mito da rivalidade entre mulheres.

Renée Zellweger

Ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por Cold Mountain.

Com o Oscar na mão, Renée Zellweger seguiu sua agenda com a subestimada comédia Abaixo o Amor (uma delícia de filme até hoje subestimado), e aceitou o cachê valorizado pelo selo “vencedora do Oscar”  em Bridget Jones: No Limite da Razão, não tão bem aceito quanto o antecessor de 2001. Em 2005, A Luta pela Esperança trouxe Zellweger como uma personagem de praxe em dramas oscarizáveis, a esposa do protagonista. O filme narrava a história de vida do boxeador James J. Braddock vivido por Russell Crowe. O longa de Ron Howard não teve a repercussão esperada, mas rendeu indicações ao Oscar em edição, maquiagem e ator coadjuvante (Paul Giamatti). Nada para Zellweger, nem mesmo menções ao Globo de Ouro.

Renée Zellweger

Junto com Russell Crowe no filme A Luta Pela Esperança.

Em seguida, Renée esteve no cartaz de produções que não tiveram a expressividade esperada, como a biografia Miss Potter, O Amor Não Tem Regras de George Clooney, o western Appaloosa de Ed Harris, o terror Caso 39 e a comédia Recém Chegada. O drama Minha Canção de Amor de 2010 foi a última produção da atriz antes que ela fizesse uma longa pausa na carreira.

Desde 2010, o público não teve notícia de Renée Zellweger, até que a atriz teve uma aparição no evento de uma revista e logo gerou manchete em tabloides, todos chamavam a atenção para o rosto dela. No início dos anos 2000, Zellweger começou a exibir traços de intervenções cirúrgicas e mudanças sensíveis nas suas feições foram sentidas, mas a nova “cara” de Zellweger parecia uma versão “desmanchada” da sua antiga identidade. Como de praxe, a aparência da atriz gerou comentários (todos depreciativos). De maneira aberta, Zellweger chegou a confirmar ter se submetido a cirurgias plásticas, alegando que seu “novo” rosto na verdade era resultado dessa história e do seu esforço de reduzir essas intervenções. O público teria que se acostumar com ela como era agora – e, sinceramente, prefiro a versão atual da Zellweger, com rugas e traços da sua história (que inclui suas cirurgias plásticas) do que a “versão antiga”.

Em meio a tudo isso, Zellweger escolheu retornar às telas com uma relativa segurança: interpretaria Bridget Jones pela terceira vez. O Bebê de Bridget Jones de 2016 teve uma imediata resposta positiva da crítica, mais do que o segundo filme, inclusive, e o longa trazia de volta a diretora Sharon Maguire no comando. No entanto, a bilheteria do longa foi pífia, afinal, chegou com um certo atraso para o público da personagem.

Renée Zellweger

Seu retorno às telonas no longa O Bebê de Bridget Jones

Depois de O Bebê de Bridget Jones, o retorno de Zellweger ao trabalho foi gradual, com participações modestas em longas como Versões de um Crime e Somos Todos Iguais. A atriz parece ter guardado mesmo sua munição para 2019 com a série Dilema que estreia na Netflix dia 24 de maio e a cinebiografia Judy.

O longo hiato de Renée Zellweger é representativo de uma constante na carreira da atriz. Zellweger nunca foi o tipo de profissional que acumula quatro ou cinco produções no mesmo ano, ela sempre esperou o projeto certo para dar às caras. A texana parece mirar uma nova indicação ao Oscar e, quem sabe, um Emmy, inaugurando uma nova fase na sua trajetória artística na maturidade.

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