Uma lista de filmes religiosos tem surgindo nos últimos tempos, seja no cenário nacional ou internacional. Longas que tratam de fé, crença, religião, de diferentes formas e com objetivos bem distintos. É nessa esfera que se encaixa Superação – O Milagre da Fé, longa que estreia esta semana nos cinemas brasileiros.

John Smith é um jovem de 14 anos adotado por uma família muito religiosa no estado de Missouri, nos EUA. Ele brincava com os amigos em um lago congelado, quando o mesmo quebra na superfície e o garoto se afoga na água congelante. Ele fica imerso em água por mais de 20 minutos até ser resgatado. Chegando no hospital, os médicos não conseguem trazê-lo de volta e chegam a dar ele como morto. Quando sua mãe, Joyce Smith, chega, ela junta todas a forças e suplica na fé para que o filho sobreviva. Sua prece poderosa foi responsável por um milagre inédito.

A história parece um pouco fantasiosa para os menos crentes, mas foi baseada em um fato verídico que aconteceu há cerca de 4 anos. Dito isso, todo o enredo toma uma proporção bem diferente, já que sabemos que, por mais surreal que possa parecer, aquilo efetivamente aconteceu.

A trama é toda trabalhada em cima da fé da família principal, especialmente a mãe. A escola que o garoto estuda é cristã, eles frequentam a igreja todo fim de semana (a mãe vai todo dia), existem muitos momentos de oração ao longo do filme, etc. Tudo isso cria uma atmosfera de compaixão pela situação do garoto, enquanto alimentamos a mesma esperança que a mãe.

Chrissy Metz (This Is Us) comanda todas as cenas e leva o filme praticamente sozinha. Ela é a chefe da família, a líder da comunidade, a que tem a fé mais forte (talvez até do que o próprio pastor da igreja). Isso faz com que a personagem seja marcante, mas ao mesmo tempo, solitária. Seu marido, vivido por Josh Lucas (J. Edgar) é um zero a esquerda que passa boa parte do filme sem falar nada e nem tomar atitudes. E isso incomoda muito, pois fica parecendo um peso inerte na trama.

Superação - O Milagre da Fé

Não podemos dizer o mesmo do pastor, interpretado por Topher Grace (Infiltrado na Klan), que tem participação ativa na luta pela melhora do pequeno John. Ele, juntamente com o médico e o bombeiro que salvou o garoto, dão mais apoio à protagonista, que seguia sozinha inicialmente.

A história evolui da maneira esperada e nos apresenta clichês clássicos de filmes religiosos. A fé colocada em dúvida, a descoberta da mesma pelos mais descrentes, a mensagem de Deus, os sinais cristãos que surgem para avisar a todos que eles não estão só no Universo. Tudo isso, no entanto, é feito de maneira relativamente amenizada. Já assisti longas que tratam a temática de maneira muito mais utópica, o que me incomoda profundamente.

A fé é tratada como um suporte emocional para aquelas pessoas. Ela funciona como a união das tribos, sejam elas quais forem. Ao final do filme, todos as pessoas da cidade se unem em uma grande vigília pela melhora de John e este é um dos momentos mais emocionantes. Ver como a fé, na tradução do amor, pode mover as pessoas e alimentar a esperança.

Superação – O Milagre da Fé tem lá seus percalços e clichês que poderiam ser dispensados sem prejuízo. No entanto, para um filme completamente religioso e dedicado à fé, ele é bem menos místico do que poderia ser. E vejo isso como um grande ganho. No entanto, funciona muito mais para quem tem alguma fé do que para os descrentes.

Direção: Roxann Dawson
Elenco: Chrissy Metz, Mike Colter, Topher Grace, Josh Lucas, Dennis Haysbert, Marcel Ruiz

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