Crítica: Missão: Impossível – Efeito Fallout

Chega aos cinemas mais um capítulo da franquia Missão: Impossível que promete não decepcionar os espectadores. Em Efeito Fallout, Ethan Hunt tem que resolver os problemas causados por uma missão que não saiu como planejado e acabou colocando uma poderosa arma na mão dos inimigos. Ele vai contar com a ajuda de seu time parceiro e ainda receberá apoio do novato Walker, interpretado por Henry Cavill. Tudo isso dirigido por Christopher McQuarrie, responsável também por Missão: Impossível – Nação Secreta, o longa anterior.

A construção da trama se dá de maneira evolutiva e acertada, justificando as mais de 2h de duração do filme. Desde o começo o roteiro vai encaixando as peças que vão culminar no ápice, explicando todos os motivos que levam aquilo a acontecer. Efetivamente, isso já atrai o espectador, uma vez que ultimamente os filmes de ação estão deixando a desejar em construção de narrativa. Indo contra a maré e mantendo a sua tradição de bons roteiro, Efeito Fallout consegue mesclar muito bem as cenas mentirosas de ação com uma história coerente.

Aliás, tais cenas mentirosas de ação merecem destaque. Diferente de filmes como Duro de Matar e o mais recente Arranha-Céu: Coragem Sem Limite, Missão: Impossível – Efeito Fallout realmente oferece uma ótima combinação de cenas de luta, tiros e explosões que são fora da realidade, mas que mantém um perfil tão crível que convence até o espectador mais desconfiado. Algo como se a forma como as cenas fossem feitas tornasse aquela mentira possível. E claro que isso confere ainda mais emoção ao roteiro, uma vez que envolve o espectador, que passa a torcer pelos personagens com muito mais veemência.

Mesmo trazendo importantes informações dos filmes anteriores e mantendo uma continuidade, esse longa consegue se manter independentemente da franquia, o que mostra o seu potencial. Claro que o espectador que só chegou aqui neste sexto episódio vai ficar um pouco perdido com as referências, mas nada que comprometa a percepção como um todo. Acredito que isso é fundamental para esse tipo de franquia que, assim como Velozes e Furiosos, já possui muitas películas e não pretende parar tão cedo.

O diretor Christopher McQuarrie demonstra que está muito à vontade com a franquia e traz uma evolução importante desde o último filme, que já foi bom. Manter o fôlego não é exatamente fácil, mas ele faz isso com qualidade, apresentando um produto que efetivamente vale a pena, trazendo arcos narrativos interessantes e vilões intrigantes.

A presença do ator Henry Cavill trouxe ainda mais força ao filme. Nosso Super-Homem aparece no papel de parceiro de Hunt, protagonizando a maior parte das cenas de ação ao lado de Tom Cruise. Claro que esse último tem lá seu complexo e não deixa o primeiro brilhar tanto quanto poderia. Mas, afinal, o filme é dele, então vamos respeitar isso aí. É engraçado ver, no entanto, o complexo de altura de Cruise nas cenas em que Cavill está ao lado dele e o jogo de câmeras claramente favorece o primeiro (a diferença de ambos é de 15 cm, mas em tela parece bem menor).

Trazendo o restante do elenco como um todo, a unidade é bem visível e favorece o resultado final. A química de atuações é equilibrada e acaba envolvendo o espectador. Assim como no filme anterior, temos a presença de personagens femininas fortes, encarnadas na pele de Rebecca Ferguson, Angela Bassett, Michelle Monaghan e Vanessa Kirby. De alguma forma, todas elas acabam ajudando ou salvando Hunt em determinados momentos, conferindo ao papel feminino ainda mais importância.

Na pele de Hunt, Tom Cruise precisa lidar com a dualidade de seu caráter e aquilo que seu trabalho impõe. A todo momento ele é questionado a repensar a sua bondade e o fato de colocar as pessoas ao seu redor em primeiro lugar. Numa busca desenfreada de salvar o mundo de uma falha que ele mesmo cometeu, nos questionamos se realmente é preciso essa dissociação tão enfática que a maioria dos filmes de ação faz de protagonistas que não conseguem manter vida pessoal e profissional. No entanto, a própria trama se encarrega de responder esses questionamentos.

O fato do próprio Cruise realizar as cenas de ação e não usar dublês também traz um tempero a mais no filme. Claro que, com o passar dos anos, os estúdios foram usando cada vez mais essa cartada. Mas o fato é que o público gosta de ver esse tipo de coisa e é impossível negar que isso torna a história ainda mais atraente, reforçando o argumento anterior de cenas mentirosas críveis.

Com uma boa mistura de intriga, desconfiança, agentes engraçadinhos, vilões misteriosos, armações, o filme caminha sem dificuldade alguma. As decisões finais são empolgantes e eletrizantes, na melhor escolha de termos. Como dito anteriormente, o roteiro caminha para esse ápice gradativamente e quando chega nele, não decepciona. Cenas de ação muito bem dirigidas e orquestradas, trazendo não apenas empolgação como qualidade de cena.

Missão: Impossível – Efeito Fallout prova, mais uma vez, que filmes de ação podem e devem trazer mais do que apenas tiro e explosão, além de reafirmar que franquias longas também conseguem manter o fôlego, se bem trabalhadas. Um ótimo resultado que merece ser visto no cinema (apesar do 3D extremamente dispensável).

Assista ao trailer!

 

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