Crítica: De Repente Uma Família

De Repente Uma Família

A temática adoção é, por muitas vezes, romantizada no cinema e até na sociedade em geral. Falam sempre sobre como é maravilhoso dar um lar para uma criança que perdeu ou foi rejeitada pela família e como isso pode tornar todo mundo mais unido. É um gesto de amor. Mas como tudo na vida, tem seu lado difícil, negativo. De Repente Uma Família trata sobre essa temática de maneira bastante honesta e assertiva, ponderando não apenas as emoções positivas, como as negativas também.

Pete e Ellie são um casal bem resolvido com a vida e que não têm filhos. Quando estão chegando perto dos 40 anos, decidem que talvez seja o momento de aumentar a família. Eles acabam se encantando com a ideia de adotar uma criança e partem para o processo de adoção. No meio do caminho, acabam se deparando com três irmãos e, o que antes era um casal com um cachorro, de repente se torna pai, mãe e três filhos, de diferentes idades.

Este é um filme cuidadoso. Sim, ele pega uma temática que é constantemente romantizada e mostra o lado complicado e difícil da decisão de adotar. Ainda assim, faz isso de maneira tão leve e contundente, que deixa o espectador reflexivo e apaixonado.

Construindo a história do casal com muito apreço, o enredo primeiramente nos mostra como que a dinâmica amorosa funciona. Como que surgiu a ideia de adoção em um casal que não tem problema algum de fertilidade. Por si só, isso já acrescenta muito ao espectador. Sempre vemos histórias em filmes de casais que decidiram adotar porque não podiam ter filhos. Este não é o caso. Eles apenas queriam dar um lar para uma criança que precisava.

Quando começam o processo e vão para as reuniões, outros casais com diferentes histórias começam a ser inseridos. Cada um de um jeito, com objetivos diferentes e motivações distintas. Desde o começo do longa, o tom de humor é presente, mas de maneira muito leve. É para suavizar a sensação e dar um pouco menos de sobriedade ao tema. Ainda assim, apesar dos risos, sabemos que o assunto está sendo levado a sério e explorado da melhor forma.

Por conseguinte, somos apresentados a três crianças super simpáticas e sensíveis, que se tornaram os filhos de Pete e Ellie. De origem latina, o histórico deles é mostrado logo de início. Com idades diferentes (15, 10 e 5 anos – mais ou menos), cada pessoinha daquela é um universo. E cada uma reagiu de maneira diferente ao abandono parental.

Vamos conhecendo também como funciona o processo de adoção nos EUA, que se inicia com o acolhimento das crianças para depois, se tudo der certo, partir para a adoção definitiva. O filme nos mostra a dúvida que cresce nos pais, o medo de não dar certo e até a possibilidade da desistência. Enquanto isso, o espectador começa a se questionar sobre a relação difícil de adoção de crianças mais velhas, que já possui personalidade mais definida e um passado na história.

De Repente Uma Família

De Repente Uma Família fala sobre as dificuldades de adaptação dos dois lados. Sobre como é simples preparar um quarto para receber uma criança, mas como é difícil, da noite para o dia, ter uma outra pessoa dentro de sua casa. O entendimento de todos, como cada um funciona. Tudo isso é posto à prova no longa, que vai esmiuçando cada detalhe e particularidade deste processo incrível e difícil que é a adoção.

Ainda que recheado de momentos complicados, a adoção vai se mostrando também um processo de puro amor e construção. Um amor que não surge absolutamente do nada (como as mães de útero costumam afirmar), mas que vai sendo construído dia após dia, atitude após atitude. E da dúvida também, porque são todos humanos. Dúvida se eles realmente querem três crianças quebrando a rotina e se aquelas crianças querem eles como pais.

O filme fala ainda sobre o quão traumático o processo pode ser para as crianças, que muitas vezes voltam para orfanatos por desistência das famílias. Ou ainda como é difícil adotar crianças mais velhas, ou irmãos que não devem ser separados. Qualquer coisa parece se tornar um empecilho neste processo, o que torna tudo mais complicado.

A finalização do filme não é menos coerente e encantadora. Ela trabalha com nossas emoções com cuidado e clareza. Ficamos emotivos e animados, na mesma dosagem. A informação de que a história é baseada em um fato real transforma nossa percepção também. Ainda assim, é o elenco que nos conquista. Rose Byrne e Mark Wahlberg estão excelentes no papel dos pais, mostrando cada transição de sentimento, o medo, a força, o amor e a dúvida. Da parte das crianças, Gustavo Quiroz, Isabela Moner e Julianna Gamiz dão um show de performance e envolvem o público em cada tomada.

De Repente Uma Família é um longa que fala sobre amor, provação e aceitação. Trata da adoção como temática importante que é, de maneira honesta e nada romantizada. Ela como ela efetivamente é. E esse é o que define a recepção do público, que se encanta a cada cena. Super recomendo!

Assista ao trailer!

 

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