“Cafarnaum” é uma cidade bíblica que ficou conhecida por uma série de milagres associados a Jesus Cristo. Título do filme da diretora e roteirista Nadine Labaki, “Cafarnaum” também é traduzido como “caos”. O longa libanês indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro traz o retrato de uma realidade na qual não há escapatória e que parece alheia às intervenções do divino, ainda que muitos dos seus personagens sigam tendo fé e recorrendo a religião como esteio. Tudo em Cafarnaum parece irremediável, fruto de uma estrutura social que relega parte da população a completa indigência.

No centro da narrativa do filme de Labaki está o garoto Zain, interpretado pelo expressivo Zain Al Rafeea, um menino que vive com os pais e os irmãos em condições precárias. No começo do filme, vemos Zain preso por ter cometido um crime grave. Na prisão, o garoto quer processar os pais por terem lhe dado a vida e, consequentemente, tê-lo sujeitado a uma existência sem perspectivas.

Cafarnaum

Até tomar a atitude extrema que nos leva a conhecê-lo nas circunstâncias do início de Cafarnaum, Labaki traça uma série de desventuras protagonizadas pelo garoto que nos apresenta a um país em frangalhos e que trata com descaso sua população. A criminalidade é uma alternativa para conter os problemas sociais de uma vida paupérrima e Zain tem que lidar emocionalmente com a perda da irmã de 11 anos que se casa com um conhecido da família e se afeiçoa a uma jovem que após ter engravidado quando trabalhava como prostituta cuida do seu bebê como pode, trabalhando como faxineira num parque de diversões e lavadora de pratos num restaurante.

Labaki faz um filme sem respiros para o espectador, mas também fortemente ancorado no apelo dramático de suas situações. A realizadora não precisaria de muito para arrancar lágrimas da sua plateia, uma vista superficial do público para a vida de Zain bastaria para nos compadecermos da situação do menino. Ainda assim, é interessante como em diversas circunstâncias Cafarnaum consegue ser um filme cru e sem artifícios, que evita estetizar a pobreza, como muitos similares que já exploraram histórias parecidas, seja no Oriente ou na América Latina.

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