Crítica: Bird Box

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Com planos curtos, sons de respiração ofegante e clima de perseguição, Bird Box já começa com a energia para cima, podendo deixar o espectador sem fôlego. Poucos instantes depois, o público tem o momento de relaxamento quando começa a conhecer as irmãs Malorie (Sandra Bullock) e Jessica (Sarah Paulson), em um flashback. Contudo, a paz e a tranquilidade cessam e é possível voltar para a jornada por este universo distópico, que passa a ganhar vida quando a população do mundo inteiro começa a ficar em pânico, e uma onda de suicídio se instala.

Alguns aspectos podem ser observados na tentativa de contar esta história. A constância da aceleração e momentos impactantes diminuem a geração de ritmo e a força das cenas. Contudo, este fator aumenta a criação dos laços entre as personagens. Ao mesmo tempo que são exageradas e cansativas as coisas que acontecem com a protagonista e aos que a cercam, é todo este sistema que faz com quem assiste ao filme tenha empatia diante da situação projetada.

O mérito maior nisto é a interpretação de Bullock que é certeira, porque ela não traz muitas firulas, dando o tom seco que Malorie precisa. O texto sai com fluidez e o corte das sentenças mostram como a heroína é uma mulher prática, objetiva e não é melosa. A construção corporal contribui para esta visão de dureza. A tonicidade, força e destreza da persona revelam uma criação que a mesma teve na fazenda do pai, onde aprendeu a usar armas e a se proteger.

Contudo, o longa, além do ritmo, peca por dispensar algumas figuras de forma forçada, por não construir bem as situações de pânico e ataque. Além disso, as idas e vindas no enredo enfraquecem a trama. Desta forma, talvez fosse melhor ter criado dois longas distintos e contar com plenitude todos os acontecimentos. Ainda que a direção tente resolver buscando uma dinamicidade de movimentação de câmera que mais atrapalha do que ajuda, ao final da projeção fica somente o tédio e pouca complexidade explorada, tanto do mistério posto no ecrã, quanto das próprias personagens e soluções para os seus problemas durante a exibição.

Assista ao trailer!

 

Enoe Lopes Pontes66 Posts

Do blockbuster ao chamado cult, estou aqui para observar o cenário do cinema e das séries. Cinéfila desde os seis anos de idade, o vício permanece. Até hoje. Até sempre.

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