Um protagonista carismático e uma direção à serviço da narrativa, Balada de um jogador quase é um bom filme. Mas, onde ele falha? Na sua base, no roteiro.
Colin Farrell se entrega completamente na criação do atrapalhado Lorde Doyle. A sua construção física é intensa e sutil, ao mesmo tempo.
Isso porque o público enxerga as tremedeiras e olhares tontos de Doyle. No entanto, Farrell emprega uma retenção corporal que, dentro de todo o tônus que o ator aplica, os gestos ganham justeza.
Essa estratégia, inclusive, funciona como dosador do trágico e do cômico dentro da personagem.
Neste sentido, Edward Berger (Conclave) também entrega uma visão balanceada de uma desventura de um viciado em apostas, que vê em Xangai a possibilidade de uma reviravolta em sua sorte.
Apesar do forte uso de movimentações e efeitos de câmera, Berger é meticuloso no que vai utilizar. A sua decupagem procura traduzir o universo alucinante de Doyle.
Giros e panorâmicas elevam o potencial das emoções colocadas na tela. Ao mesmo tempo, respiros são acionados, nas quais os quadros são mais fechados e o plano parado.
Berger sabe o que faz, porém a história que escolheu contar possui falhas que interferem no resultado geral. O roteiro de Rowan Joffe (Antes de dormir) e Lawrence Osborne (O Perdoado) é simplório e óbvio.
Cada ação mostrada no ecrã pode ser prevista pelo espectador. Talvez, se Balada fosse um curta-metragem funcionasse um pouco mais. Porque além de todos os passos de Doyle serem nítidos, o longa se alastra sem necessidade.
Apenas o início do primeiro ato e o final do terceiro realmente acontecem com fluidez. As repetições das situações vivenciadas pelo Lorde Doyle somente reiteram o que a plateia já compreendeu nos primeiros minutos de projeção.
Desta maneira, a produção pode valer a pena para quem é entusiasta do trabalho de Farrell e/ou de Berger. Mas, como filme, o título falha em construir uma trama criativa e interessante.
Direção: Edward Berger
Elenco: Colin Farrell, Tilda Swinton, Alex Jennings
Assista ao trailer!



