40º Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata: A Vida é

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Sabe aquele filme que parece sempre que está no flashback? Ou aquela propaganda de final de ano, que puxa para o piegas para vender perfume? É essa a dinâmica de A Vida é, novo longa-metragem de Lorena Villarreal (Silencio).

A produção parece que nunca vai começar de fato. A trama possui sempre novas informações sendo inseridas toda hora e nenhuma delas tem tempo para ser desenvolvida. A velocidade é confundida com ritmo e exploração de camadas da narrativa é trocada por uma quantidade absurda de subplots.

Desta maneira, a sessão fica exaustiva e é impossível que se crie uma relação de proximidade com as personagens. Se não há intimidade da plateia com as figuras dramáticas, não há conexão com a trama, logo, a projeção se torna desinteressante.

Ainda que o elenco seja esforçado e com uma enorme fé cênica, os diálogos soam artificiais. A forma pronunciada de dizer o texto vêm. justamente, das palavras que parecem mais um discurso do que uma conversa, afastando o público do enredo.

A sensação é a de que a direção é boa demais para um roteiro entulhado de acontecimentos. Villarreal demonstra compreender como transformar emoções em imagens e são muitos sentimentos revelados na tela. A protagonista Greta (Paulina García) é intensa, ama e odeia numa mesma sequência.

Para realizar o intento de transmitir toda essa cachoeira de elementos presentes na construção de Greta, a cineasta, junto com o diretor de fotografia Matias Goth (Coração Delator), cobre o ecrã de luzes e planos fechados no rosto da figura central da obra.

Lorena também investe no uso do zenital para imergir o espectador nas vivências de Greta, pondo quem assiste quase como uma figura celestial. Neste sentido, a produção brilha, porque os ângulos e quadros estão à serviço da narrativa e conseguem convocar um pouco de profundidade para a história.

Contudo, por mais que a decupagem auxilie na fruição, falta dramaturgia para imprimir química na contracena. Os atores se esforçam, é notável, porém a interação entre os pares românticos e os amigos é frouxa. Não há como “shippar” nem “OTP” e nem “BROTP“.

Se não existe torcida e os consumidores estão exaustos, um produto midiático falhou. Além disso, a música incidental procura emocionar demasiadamente. A melhor maneira de tirar lágrimas do receptor dentro da sala de cinema – sem utilizar animalzinhos de estimação ou crianças sofridas -, é criar progressão, ritmo e nuances.

A monocordia somente pode ser utilizada com intenção real – e, mesmo assim, ela pode falhar. Desta forma, A vida é procura ser um grande romance, com uma heroína disruptiva e diferentona, porém traz uma produção sem liga, abarrotada de reviravoltas e pouco trabalhada.

 

 

Direção: Lorena Villarreal

Elenco: Paulina García,

 

 

 

40º Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata: A Vida é
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