Bege Euforia

25ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Bege Euforia

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Desde seu título, Bege Euforia parece querer evocar uma dualidade. No imaginário coletivo, bege certamente não é uma cor que remete a algo eufórico. No entanto, neste contexto daqui, a tonalidade preenche o ecrã a todo instante, revelando uma passionalidade para o tom. Isto porque, aqui, a cor ganha textura na tela e as emoções terrosas e enraizadas estão espelhadas nas personagens.

Neste sentido, a ideia da natureza e do sensorial, pelo toque, estão presentes, em um sentir a terra com os pés ou uma parte exposta do corpo, por exemplo. Há durante a sessão instantes silenciosos e de investigação, que fomentam esta vontade de passar uma proximidade com a realidade das personagens, através deste convocar de sensações. A câmera toma seu tempo para olhar para aquelas mulheres ali retratadas e compreender porque do partir ou ficar.

No entanto, apesar de possuir momentos de destaque, com imagens que transmitem os sentimentos e desejos das personagens de maneira palpável, falta uma condução mais amarrada dentro do roteiro. As transições temporais e espaciais criam barreiras com espectador, que nem ao menos acompanha o desenvolvimento das relações trazidas no enredo.

Bege Euforia é um curta provocativo, em alguns sentidos, por deixar que o público se depare com as cenas e consiga ir criando sentidos paralelos, enquanto assiste. Contudo, falta explorar esta multiplicidade de interpretações, pelo menos. O local de onde partem as personagens, para onde elas vão e como interagem não aparece durante a sessão. Assim, o que ocorre é uma exposição de imagens sem direcionamento.

Além disso, alguns elementos da técnica comprometem a fruição, principalmente a captação e edição do som. Ruídos e desnivelamentos de volume incomodam e afastam da história. Por mais que se tente uma conexão com a obra, a imersão nela é difícil e os seus encaminhamentos são soltos. Esta é uma produção que fica no meio do caminho e poderia apostar mais no experimental ou não, mas decidir o que quer de fato, para entregar um resultado mais consistente.

Direção: Anália Alencar

Elenco: Mainá Santana, Priscila Vilela, Alice Carvalho