Crítica: Um Homem Só

Imagine ter a possibilidade de se afastar do seu emprego insuportavelmente maçante, do seu relacionamento fadado ao fracasso, enfim, da sua própria existência “medíocre”. Um Homem Só, estreia na direção da roteirista Cláudia Jouvin (de O Gorila e Entre Idas e Vindas), traz para o espectador essa hipótese através da história de Arnaldo, personagem interpretado por Vladimir Brichta.

No longa, Arnaldo é um homem infeliz no casamento e no seu trabalho dentro de uma repartição. Através de colegas de escritório, Arnaldo fica sabendo de uma clínica clandestina especializada em criar clones que substituem os seus pacientes em suas respectivas rotinas. O protagonista se submete ao experimento sem ter ciência dos riscos que o mesmo trará a sua própria vida, sobretudo quando se apaixona por Josie, vivida por Mariana Ximenes, que ajuda sua madrasta em um cemitério para animais.

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Trabalhando com o universo do fantástico, Jouvin procura refletir metaforicamente sobre temas profundamente humanos. Assim, Um Homem Só lança luz sobre o potencial que temos de nos reinventar criando versões melhores de nós mesmos. Esse é o caso de Arnaldo que descobre ter muitas diferenças com o seu clone na maneira de se portar na vida, com as pessoas e de se lançar em novas experiências, vivências que até então não faziam parte da sua entediante biografia.

O longa não é de todo irretocável, ele demora a decolar no seu ritmo e traz a leve sensação de retroalimentação de filmes com propostas semelhantes de abordagem, e, nesse sentido, Cláudia Jouvin se apropria de todo o modus operandi do cinema indie norte-americano, inclusive na sua trilha sonora afetivamente sedutora com clássicos da cultura pop e achados do circuito alternativo. Contudo, o filme é muito honesto em sua mensagem e preciso na costura do seu roteiro. Além disso, Jouvin conta com um elenco afiado que se apoia no complicado trabalho de Vladimir Brichta, que tira de letra a composição de duas personagens sutilmente opostas, e Mariana Ximenes, jovial como a encantadora Josie. Ximenes, por sinal, protagoniza um dos desfecho mais líricos que você poderá ver no cinema esse ano.

Assista ao trailer do filme:

 

Wanderley Teixeira391 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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