Crítica: Malala

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Símbolo: Jovem ativista paquistanesa vencedora do prêmio Nobel é referência na luta pela educação das mulheres

 

Ativista pelos direitos das mulheres e pela educação, a pessoa mais jovem a receber o prêmio Nobel, capa da revista Time, que a considerou em 2013 uma das cem pessoas mais influentes do mundo… Malala Yousafzai tem apenas 18 anos mas já tem associada ao seu nome uma série de títulos e feitos que a tornaram símbolo de uma luta contra as ações opressoras do Talibã, movimento fundamentalista islâmico que se difundiu no Paquistão, sobretudo contra as mulheres e o direito delas terem acesso à educação.

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Acerto: Documentarista Davis Guggenheim constroi uma narrativa com forte teor ideológico sem exagerar no tom do seu discurso

 

O documentário Malala narra a trajetória de Malala Yousafzai desde a origem do seu nome, escolhido pelo pai Ziauddin em homenagem a uma guerreira afegã, até os acontecimentos que sucederam o ataque talibã sofrido pela jovem e suas colegas próximo de uma escola. Entre depoimentos de Malala, Ziauddin e do restante dos membros da família Yousafzai, hoje todos residentes na Inglaterra, e animações que remontam algumas passagens da história da jovem ativista antes do ataque covarde que sofrera, o diretor Davis Guggenheim, de Uma Verdade Inconveniente, contrói uma narrativa abertamente pró-educação. Por intermédio da luta de Malala, a mensagem do diretor é clara: a educação abre as portas, engrandece, torna o ser humano mais crítico e preparado para construir um mundo melhor. Não há camuflagem de discursos ou conemporizações em Malala.

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Luta que vem de família: Malala teve o pai como inspiração para asua luta e a presença dele no filme é uma constante

 

Malala é um documentário que assume um partido e é completamente afetuoso e admirador da sua protagonista sem que isso confira deméritos a obra. Ao mesmo tempo em que Guggenheim consegue fazer do filme uma bandeira ideológica, ele não traz grandes afetações melodramáticas e discursos vazios. O realizador busca ir ao íntimo da sua personagem principal, extraindo feridas e acompanhando de perto o dia-a-dia da família Yousafzai, que como qualquer grupo familiar é marcado por hierarquias, conflitos e contradições, mas também por muito amor, implicâncias entre irmãos e relações de sucessão. Tudo é construído para tornar Malala próxima do espectador, criando empatia com a protagonista do documentário, mas sem dramalhões.

O filme de Davis Guggenheim não é inovador em seu gênero, tampouco deseja ser. Em sua narrativa documental repleta de chavões no formato (os flashbacks em animação, os depoimentos dos envolvidos, a linearidade cronológica etc.), Malala encontra sua relevância e é eficiente em seus propósitos ideológicos. Guggenheim acerta ao evitar qualquer sensacionalismo no retrato da trajetória ainda breve de Malala fazendo com que, no fim das contas, o documentário seja um relato sóbrio de sua biografada revestido por uma completa adesão a sua causa.

 

Wanderley Teixeira391 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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