Crítica: Love

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Inventário de uma vida: Protagonista de “Love” passa a limpo os seus erros do passado

 

Love conta a história de Murphy, um homem que antes fora um jovem americano estudante de cinema em Paris estudar cinema e que hoje encontra-se casado e com filho. Após receber uma ligação da mãe de sua ex-namorada Electra falando que ela está desaparecida, Murphy teme que ela tenha cometido um suicido e passa a questionar a vida enquanto relembra cenas do passado turbulento com a ex.

Do diretor argentino Gaspar Noé, Love chega ao Brasil após a exibição no Festival de Cannes com as sessões mais concorridas. Com fama transgressora, Noé cumpre a promessa de mostrar muito sexo explícito em seu novo trabalho. O diretor é responsável por uma das obras mais chocantes da história do cinema, Irreversível (2012), em que uma cena de estupro é filmada sem cortes, por nove minutos.

Em uma declaração ao site UOL, Noé explica: “Quis filmar o sexo como um ato amoroso, da forma mais íntima possível. É algo de um cinema que desapareceu depois dos anos 70. Hoje em dia, ou vemos o ato amoroso ou o sexo como duas coisas separadas”.

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Ménage: Gaspar Noé choca mais uma vez as plateias do Festival de Cannes com longas cenas de sexo explícito

 

Sangue, esperma e lágrimas.

O filme começa com uma cena de sexo explícito num plano aberto, com fotografia amarelada e o protagonista Murphy (Karl Glusman) e sua namorada Electra (Aomi Muyock) masturbando-se mutuamente por minutos. A cena não tem cortes e só termina quando ele ejacula. Os primeiros minutos do filme já revelam o caráter provocativo da obra e choca o público desavisado.

O relacionamento entre eles foi curto e fulminante, com promessas de amor, intensidade, sexo e traição. Sangue, esperma e lágrimas, como diz a própria personagem, é disso que se trata o filme. Um delicado e sincero retrato de um relacionamento passional, corrosivo e autodestrutivo, com uso de drogas e abuso de gozo.

O namoro termina após a descoberta de que ele teria engravidado outra mulher, Omi (Klara Kristin). Omi é a vizinha de Murphy, uma jovem de dezessete anos que despertou a atenção do casal e foi sendo seduzida até viver o maior desejo sexual deles: um ménage à trois. Uma das mais longas do filme, a cena causa desconforto na sala de cinema com realismo sem pudor e partes intimas à mostra, só encerra após o orgasmo.

Love é provocante, sensorial e capaz de despertar a libido com suas cenas explícitas, numa espécie de pornô sutil, marcado por longas cenas de sexo e mais exibição do corpo masculino do que do feminino. Com cenas de flashback, é possível mergulhar no universo melancólico de Murphy, imergir em sua confusão mental e desejo de fuga e de retorno ao passado, ao lado de Electra.

Em Love a história de um relacionamento é marcado por erros, traições e arrependimentos, o retrato de uma geração que está aprendendo a lidar com suas emoções e desejos mais íntimos. Sem dúvida, o filme marca não só pelas cenas de sexo explícito, mas também pela densidade dos personagens e dos relacionamentos, pela narrativa em flashback e pelas cenas sensoriais. O retrato de uma história com rupturas, dor e entrega.

 

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