Crítica: Atômica

Não fosse o sucesso de Mad Max: Estrada da FúriaAtômica provavelmente não existiria. O filme de David Leitch, que co-dirigiu De Volta ao Jogo com Keanu Reeves e atualmente está comandando Deadpool 2, praticamente respira em função de Charlize Theron e dos esforços da sua trama de sublinhar a vencedora do Oscar por Monster: Desejo Assassino como heroína de ação. A boa notícia é que, durante boa parte da projeção, Atômica consegue isso, ainda que às custas de uma certa sensação de banalidade da sua trama central. Não fosse a presença de Theron, seu desempenho como a espiã Lorraine Broughton e a destreza do seu diretor no comando de intensas sequências de ação, Atômica seria pouca coisa, quase nada.

No filme, Charlize interpreta uma agente disfarçada do MI-6 mandada a Berlim no final da Guerra Fria para investigar o assassinato de um oficial e o paradeiro de uma lista contendo nomes de agentes duplos. Para a missão, a personagem conta com a ajuda de Percival, papel de James McAvoy (da franquia X-Men Fragmentado), que conhece a região e pode indicar os caminhos para Lorraine recuperar a lista.

O que o público verá em Atômica é um filme de espionagem altamente estetizado. Existe um cuidado de Letch com a composição dos seus planos em detalhes como as cores do seus cenários, um excesso de rosa e azul neon que ambientam a produção nos anos de 1980. O filme também parece desejar subverter algumas marcas de filmes de espionagem pela chave do gênero, colocando Theron como uma figura que por tradição costuma ser interpretada por homens e trazendo para a sua espiã um envolvimento amoroso com a agente francesa interpretada por Sofia Boutella (de A Múmia), uma mulher fragilizada que encontra amparo nos braços da protagonista.

Explorando o contexto histórico da Guerra Fria sem almejar complexificar demais o cenário político que serve de fundo para sua trama, Atômica é recheado de cenas de ação conduzidas com maestria por Letch que explora toda a fisicalidade da interpretação de Charlize Theron. Indubitavelmente, a atriz exibe fôlego ao comandar um verdadeiro “quebra pau” em plano-sequência lá pela segunda metade do longa entre tantas outras cenas que comanda com muita segurança ao longo do filme. O êxito nesse departamento, faz com que Atômica cumpra sua função de fazer coro à leva de blockbusters girl power que têm invadido as salas nos últimos anos, um quadro que, torça o nariz ou não, é uma realidade.

Assista ao trailer do filme:

 

Wanderley Teixeira426 Posts

Pesquisador, jornalista e crítico de cinema, fã do Paul Thomas Anderson e também da Nicole Kidman, leitor esporádico de HQs de super-heróis e consumidor voraz de qualquer tipo de besteira colecionável.

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