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	<title>Arquivos Zazie Beetz - Coisa de Cinéfilo</title>
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	<title>Arquivos Zazie Beetz - Coisa de Cinéfilo</title>
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		<title>Crítica: Coringa &#8211; Delírio a Dois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Felipe Aguiar]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Oct 2024 14:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou hype. Tendo isso em mente, Coringa: Delírio a Dois é um ótimo exemplo do que Hollywood ama [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que um projeto audiovisual deva justificar sua existência, no sentido de garantir o seu propósito para com o público, especialmente quando se é um longa-metragem de indústria. Essa justificativa não precisa ser nada filosófica ou profunda, um filme pode simplesmente se justificar pelo propósito da diversão, do entretenimento. O que é difícil de engolir é um projeto que só existe por dinheiro e/ou <em>hype</em>. Tendo isso em mente, <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> é um ótimo exemplo do que Hollywood ama produzir: enlatados sem sentido ou propósito para arrecadar mais alguns milhões de dólares.</p>
<p>O filme é, do início ao fim, um desperdício de tempo e esforço criativo dos envolvidos. E, para agravar ainda mais a situação, a continuação ainda desmerece toda a força dialética do seu antecessor. É claro que a experiência do cinema é algo individual e de momento e essa insatisfação descrita pode parecer pessoal, mas vai além disso. <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> soa como uma explicação que ninguém pediu sobre o longa de 2019. A narrativa, que estreia nesta quinta-feira (3) nos cinemas brasileiros, apenas surfa na onda do sucesso que o primeiro projeto teve e vive com ajuda de aparelhos durante seus 138 minutos.</p>
<p>Nem mesmo a atuação oscarizada de Joaquin Phoenix (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-coringa/"><em>Coringa</em></a>, de 2019) ou a presença magnética de Lady Gaga (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-casa-gucci/"><em>Casa Gucci</em></a>, de 2021) em cena como a Lee Quinzel são capazes de salvar esse navio afundando. Não há nada que sustente <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> e o justifique. A fotografia comandada por Lawrence Sher (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-adao-negro/"><em>Adão Negro</em></a>, de 2022) e a arte, por Mark Friedberg (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-a-baleia/"><em>A Baleia</em></a>, de 2022), são outros pontos altos na produção que também não conseguem sustentar um roteiro sofrível. Não existe um ponto da produção que não seja afetado por esse texto sem fôlego e força.</p>
<p>O retorno da co-escrita entre Scott Silver e Todd Phillips não teve os mesmos frutos que no longa de 2019. Dessa vez eles se perderam em sua própria história, numa missão suicida de fazer da sequência uma grande explicação para suas escolhas brilhantes do primeiro filme. Na época do lançamento do filme sobre o icônico vilão do Batman, muito se falou sobre os perigos da &#8216;mensagem&#8217; do filme de Todd. Até mesmo a polícia ficou de prontidão em alguns cinemas com medo do projeto gerar reações extremas do público &#8211; coisa que não aconteceu. E parece que <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> veio como uma resposta a isso<em><strong>.</strong></em></p>
<p>A sensação que fica ao final da sessão é que a continuação é um pedido de desculpas para todos que criticaram a suposta &#8216;mensagem&#8217; de <strong><em>Coringa (2019)</em></strong>. O texto nada mais é do que um mastigar do primeiro filme, com o claro objetivo de justificar cada uma das escolhas feitas para o antecessor, tornando <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> uma carta aberta que não deixa dúvidas sobre suas intenções. O que havia de narrativamente incendiário no primeiro longa se perde. O que teve de novidade ficou para trás. E o que resta ao público é uma enfadonha história que questiona a inteligência do espectador e que vive pelas migalhas do que foi <strong><em>Coringa</em></strong>.</p>
<figure id="attachment_18771" aria-describedby="caption-attachment-18771" style="width: 750px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-18771" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg" alt="Coringa - Loucura a Dois (2024)" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-750x500.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-360x240.jpg 360w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-720x480.jpg 720w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1-770x513.jpg 770w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Coringa-Loucura-a-Dois-1.jpg 1011w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /><figcaption id="caption-attachment-18771" class="wp-caption-text">Joaquin Phoenix em cena de &#8216;Coringa &#8211; Loucura a Dois (2024)&#8217;</figcaption></figure>
<p>Ironicamente, o que mais preocupava o público de uma forma geral era o enquadramento que Phillips daria às cenas musicais em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>. Muito se especulou, criticou e questionou essa escolha, mas ela é uma das melhores feitas no novo filme. Diria até que é um dos poucos (se não o único) acerto de novidade trazida para o novo projeto. A música sempre foi um elenco presente no primeiro filme, que sempre esteve associado aos momentos de maior delírio do personagem-título. Tendo isso claro, é possível entender a progressão que é feita na sequência com a expansão desse elenco que já era vital.</p>
<p>Em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em>, a música se torna um elemento mais presente e vivo em cena. Além disso, a música demarca esse outro sentimento do personagem principal: o amor por sua parceira do crime. Ainda que no plano da imaginação, as cenas musicais entram como uma forma de visualização do que se passa na mente perturbada do personagem de Phoenix. Dos momentos astairianos aos lalalandianos, as cenas musicais do roteiro prestam uma homenagem a esse tipo de cinema hollywoodiano, ao mesmo tempo que criam um artifício narrativo interessantíssimo.</p>
<p>Para além de uma homenagem ao gênero cinematográfico, as cenas musicais também dizem respeito ao que se passa na mente de Arthur Fleck. Do amor aos delírios de grandeza até chegar no medo da traição. Esse trânsito imaginativo composto pelas músicas consegue materializar um vislumbre do que havia de criativo e interesse no primeiro filme. Ele é capaz de compor uma complexidade em um roteiro tediosamente didático e verborrágico. Talvez, o último flash de esperança criativa em <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> esteja nessas cenas, que foram vastamente criticadas durante a produção do filme.</p>
<p>Para tristeza de muitos, a sequência será uma decepção. Desde seu lançamento no Festival de Veneza que o longa divide opiniões entre a crítica e deve seguir por esse caminho. Ainda assim, o fôlego desse filme não deve alcançar o do seu antecessor. O longa será uma surpresa para muitos. Surpreenderá com as cenas musicais fazendo sentido e sendo um respiro na mediocridade que rodeia o filme e, da mesma forma, surpreenderá por ser uma decepção tamanha por outros motivos que não essa escolha estética das músicas. A vida útil de <em><strong>Coringa: Delírio a Dois</strong></em> parece ter prazo de validade &#8211; e ele não deve estar longe de vencer.</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips</p>
<p><strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Lady Gaga, Brendan Gleeson, Catherine Keener e Zazie Beetz</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/exeVIM3j3y0?si=61zbjjjSpi96XN9V" width="750" height="500" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"><span data-mce-type="bookmark" style="display: inline-block; width: 0px; overflow: hidden; line-height: 0;" class="mce_SELRES_start">﻿</span></iframe></p>
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		<title>Crítica: Contato Visceral</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Michel Gutwilen]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Oct 2019 22:30:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Antes de Contato Viseral (Wounds, no original) começar, uma citação do clássico romance O Coração das Trevas surge na tela. O trecho escolhido fala sobre um homem que ignorava coisas a seu próprio respeito, mas, quando descobre, fascinação terrível lhe domina. Como todo exercício do gênero de terror, este segundo longa de Babak Anvari (À Sombra do Medo) diz algo sobre seus protagonistas. Ou melhor, tenta. Dono de um bar em Nova Orleans, Will (Armie Hammer, Me Chame Pelo Seu Nome) parece confortável com o fato [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de <em><strong>Contato Viseral </strong></em>(<em>Wounds</em>, no original) começar, uma citação do clássico romance <em>O Coração das Trevas </em>surge na tela. O trecho escolhido fala sobre um homem que ignorava coisas a seu próprio respeito, mas, quando descobre, fascinação terrível lhe domina. Como todo exercício do gênero de terror, este segundo longa de Babak Anvari (À<em> Sombra do Medo</em>) diz algo sobre seus protagonistas. Ou melhor, tenta.</p>
<p>Dono de um bar em <em>Nova Orleans</em>, Will (Armie Hammer, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><em>Me Chame Pelo Seu Nome</em></a>) parece confortável com o fato de ter largado a faculdade e seguido a vida de <em>bartender</em>. Sempre brincalhão, seu estabelecimento abraça todo tipo de pessoa: mulheres obesas sem camisa; um confederado briguento; sua amiga Alicia (Zazie Beetz, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><em>Coringa</em></a>), com quem possui uma tensão sexual ambígua — apesar do namorado Jeffrey (Karl Glusman, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-love/"><em>Love</em></a>)— ; e claro, menores de idade.</p>
<p>Todavia, após uma briga generalizada desencadear, esses jovens menores saem correndo — por medo da polícia chegar — e um deles esquece o celular. Por conseguinte, Will leva o objeto para casa e, junto com sua namorada Carrie (Dakota Johnson, <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-cinquenta-tons-de-cinza/"><em>Cinquenta Tons de Cinza</em></a>), começa a perceber coisas estranhas naquele aparelho, como mensagens de socorro chegando ou a foto de uma cabeça decapitada. Em seguida, uma espiral de loucura e baratas se espalham por <em><strong>Contato Visceral</strong></em>.</p>
<p>Uma das coisas mais interessantes do roteiro de Babak Anvari é como ele trabalha as frustrações inconscientes de Will. Por dentro de um homem niilista que acredita que ficar bêbado todo dia a partir das dez horas da manhã é &#8220;aproveitar a vida&#8221;, há um próprio ressentimento dele com suas escolhas do passado. Por exemplo, &#8220;<em>malditos millenials&#8221;,</em> diz ele, após o celular ser esquecido pelos adolescentes. De mesmo modo, quando leva Carrie para universidade, faz comentários maldosos sobre os estudantes. Evidentemente, ele está falando sobre si mesmo.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-11624" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Contato-Visceral2.jpg" alt="Contato Visceral" width="745" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Contato-Visceral2.jpg 745w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/Contato-Visceral2-610x409.jpg 610w" sizes="(max-width: 745px) 100vw, 745px" /></p>
<p>Similarmente, outra discussão fortemente presente em <em><strong>Contato Visceral </strong></em>é o do namoro psicologicamente abusivo. Enquanto Will acha que Carrie irá sair com professor da faculdade, esta acha que o celular esquecido é de uma menina que ele teve um caso. Assim, este relacionamento é marcado por um enorme desconfiança, deixando sempre um ar pesado entre os dois. Naturalmente, a assombração da trama é uma grande metáfora para esse caráter destrutivo e obsessivo do casal.</p>
<p>Apesar dessas desconstruções sociais com que o longa flerta, não há como não analisá-lo pelo que ele é: <em>terror</em>. Neste sentido, <strong><em>Contato Visceral </em></strong>fracassa completamente. Desde seus primeiros minutos, quando uma barata aparece no bar e Jeffrey afirma: &#8220;<em>onde há uma, há milhares escondidas</em>&#8220;, qualquer um que já tenho visto uma produção similar anteriormente, sabe que essa fala se concretizará. Além dos clichês, Babak falha em criar uma atmosfera assustadora, ao ponto que precisa recorrer a cortes rápidos de planos aleatórios para assustar o espectador. Igualmente, o diretor coloca, erroneamente, suas fichas no objeto central da trama (o celular), acreditando que a edição de som com vibrações e toques podem criar tensão.</p>
<p>Sem muitas explicações profundas, a entidade maligna está ligada a um ritual gnóstico. Para a religião, é através de uma ferida (<em>wound</em>) que se chega a transcendência e um contato com seres superiores. Obviamente, como todo <em>terror</em>, tal entidade tentará absorver o máximo de seus vassalos. Quando Carrie diz para Will que ele é apenas um corpo, isso serve tanto como essa explicação superficial quanto é também uma indicação de sua essência. O protagonista é uma pessoa sem ambições e conteúdo, algo que ele vai descobrindo ao ter contato com essa experiência.</p>
<p>Graças a um bom trabalho de Armie Hammer, Will consegue passar essa imagem do típico homem acomodado e despreocupado, ainda que guarde alguma fagulha dentro dele. Entretanto, nem sempre o roteiro ajuda o personagem, como uma estranha habilidade com malabarismo no início da trama que nunca tem função. Por outro lado, Zazie Beetz é sua figura antagônica, que, além de servir para que seja constantemente lembrado do passado, mostra um propósito em sua existência. Já Dakota Johnson, que possui menos atenção do roteiro e aparece a maior parte do tempo mostrando as pernas, é apenass outro artifício para expor verdades à Will.</p>
<p>Por fim, <em><strong>Contato Visceral </strong></em>é um péssimo terror que, de alguma maneira, consegue funcionar como retrato do privilégio branco masculino. Will é, no fundo, aquela pessoa destrutiva que nunca viu esse potencial negativo em si, preferindo acreditar que o mundo conspira contra ele. Por isso, nada mais apropriado do que a principal ameaça do filme estar representada num celular, um aparelho tão obsoleto quanto ele.</p>
<p><strong>Direção: </strong>Babak Anvari</p>
<p><strong>Elenco: </strong>Armie Hammer, Dakota Johnson, Zazie Beetz, Karl Glusman</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
<p>[youtube https://www.youtube.com/watch?v=81uxmIO_lps&amp;w=750&amp;h=500]</p>
<p>Confira o longa <strong>Contato Visceral</strong> diretamente na <a href="https://www.netflix.com/watch/80207495?trackId=13752289&amp;tctx=0%2C1%2C1c848ceb23a79644d3b5a2a1da6239217a43beb9%3Af20ddc769acb62c2af6a4463c091a1f045c335e3%2C%2C">Netflix</a>!</p>
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		<title>Crítica: Coringa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marcela Gelinski]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 02 Oct 2019 15:02:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Críticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Coringa é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em Batman (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em Esquadrão Suicida (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (Ela) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos. Como [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O <em><strong>Coringa</strong> </em>é um personagem controverso que atrai a atenção do público há décadas nos cinemas. Tivemos a versão pastelão de Cesar Romero em <em>Batman</em> (1968), a incrível adaptação de Jack Nicholson em 1989, o visceral e imortal Heath Ledger no premiado <em>Batman &#8211; O Cavaleiro das Trevas</em> (2008) e até mesmo a esquecível versão de Jared Leto em <a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-esquadrao-suicida/"><em>Esquadrão Suicida</em></a> (2016). Seja como for, Joaquin Phoenix (<em>Ela</em>) chegou trazendo grande expectativa para os fãs e apreciadores dos quadrinhos.</p>
<p>Como eu já comentei aqui algumas vezes, filmes que criam muita expectativa me preocupam, já que a chance de decepção é maior. Quando se trata de um personagem que por si só gera ansiedade, a situação fica ainda mais complicada. No entanto, afirmo sem medo que este é um dos melhores filmes dos últimos anos, não apenas no quesito de adaptação de HQs.</p>
<p>Para começar, os quadrinhos são apenas um pano de fundo para trazer uma história complexa e realista sobre a jornada de um cidadão doente abandonado pela sociedade da barbárie. Gotham City está sitiada por manifestações contra o governo. A taxa de desemprego é absurda, o lixo se amontoa nas ruas e os poderosos zombam da pobreza, como se ela fosse uma escolha. Em meio a isso, as pessoas vão se tornando cada vez mais amargas e incrédulas de um futuro melhor.</p>
<p>Arthur Fleck tem problemas mentais diagnosticados e trabalha como palhaço. A dualidade já começa aí, quando uma pessoa triste tem que colocar a máscara da alegria para fazer os outros rirem, sufocando todas as suas emoções. A frase que surge em dado momento, &#8220;o problema da doença mental é que as pessoas querem que você aja como se não a tivesse&#8221;, deixa muito claro que a sociedade pouco se importa com o que ele está passando. E isso se repente em muitos momentos.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11450" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/coringa-joaquin-phoenix-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>A medida que o protagonista vai sofrendo repetidas investidas negativas do cenário e criando camadas de rancor, o espectador começa a entender o que levou o Coringa a se tornar alguém ruim e amargurado. Temos até lapsos de empatia, que rapidamente se dissolvem. É a sociedade do abandono para alguém que só queria se sentir minimamente importante e notado. Somos apresentados às confusões mentais do <strong><em>Coringa</em></strong>, que nos trazem questionamentos sobre a veracidade de certos fatos que estamos vendo.</p>
<p>Além disso, a cuidadosa inserção do personagem de Bruce Wayne é ainda mais gloriosa. Importante e contundente, mas passageira como deveria ser. O foco ali não é no Batman, definitivamente. Mas nos leva a questionamentos sobre uma possível interseção deste <strong><em>Coringa</em> </strong>com o Batman de Robert Pattinson (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-bom-comportamento/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Bom Comportamento</em></a>), que deve chegar aos cinemas em 2021.</p>
<p>A grandeza do personagem é respeitada desde a sua construção inicial. A primeira cena do filme já vale a magnífica atuação de Phoenix no filme inteiro. E sim, sinto cheiro de Oscar para o papel, o que será muito merecido. Ele está incorporado no <strong><em>Coringa</em></strong>, de corpo e alma. Todas as angústias, frustrações e desesperos traduzidos em olhares e mudanças de expressão. É uma performance intensa, profunda e sem exageros. Ele consegue deixar o espectador sem ar, mas não beira o caricato. O que só prova a sua magnitude.</p>
<p>Além disso, o filme não tem grandes coadjuvantes. E não digo isso sobre as atuações dos demais. Temos Robert De Niro, por exemplo, que está ótimo, como sempre. Mas o filme não é sobre os coadjuvantes. Eles só estão ali para dar ainda mais espaço para o protagonista. E levar um filme inteiro praticamente sozinho não é tarefa para qualquer ator. Mas Phoenix já havia feito isso em <em>Ela</em> e repete o padrão aqui, com ainda mais complexidade e intensidade.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-11449" src="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-750x500.jpg" alt="" width="750" height="500" srcset="https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3.jpg 750w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-610x407.jpg 610w, https://coisadecinefilo.com.br/wp-content/uploads/2019/10/cropped-JOKER-CORINGA-JOAQUIN-PHOENIX_3-360x240.jpg 360w" sizes="(max-width: 750px) 100vw, 750px" /></p>
<p>É curioso pensar que o diretor Todd Phillips, que tem filmes como <em>Se Beber, Não Case</em> e <em>Cães de Guerra</em> como principais na filmografia, conseguiria nos apresentar um trabalho tão aparado e sem arestas como esse. <em><strong>Coringa</strong> </em>é um filme lapidado, sem excessos ou faltas. Todos os pontos são preenchidos e com muita maestria. Ele conta ainda com a produção de Bradley Cooper (<a href="https://coisadecinefilo.com.br/critica-nasce-uma-estrela/" target="_blank" rel="noopener noreferrer"><em>Nasce Uma Estrela</em></a>), que tem cada vez mais se filiado a projetos grandiosos.</p>
<p>E na finalização, o filme foi ainda mais assertivo. O cuidado de deixar claro que o <strong><em>Coringa</em> </strong>não é um herói, embora a sociedade o coloque neste lugar. Ele é um reflexo personificado das doenças e mazelas daquelas pessoas abandonadas pelo apoio político. Ele é a unicidade de tantos sentimentos ruins e, por isso, não deve ser entendido como herói. O <strong><em>Coringa</em> </strong>é a sombra do que somos de pior como humanos. E o filme não se poda ao nos mostrar isso.</p>
<p>Para quem já gosta das versões anteriores do <strong><em>Coringa</em></strong>, com destaque especial ao de Nicholson e Ledger, é surpreendente como nem lembramos deles ao assistir o de Phoenix. É como se fosse a evolução casada e perfeita dos dois, que chegou ao ápice agora.</p>
<p><strong><em>Coringa</em> </strong>é um filme que vai muito além de uma banal adaptação de quadrinhos. É uma produção que insere sub-textos de política, discussões sociais e doenças mentais. Tudo isso orquestrado por uma trilha sonora poderosa e calculista, que sabe exatamente onde se mostrar e onde dar a vez da atuação crua. Uma produção fascinante e memorável!</p>
<p><strong>Direção:</strong> Todd Phillips<br />
<strong>Elenco:</strong> Joaquin Phoenix, Robert De Niro, Zazie Beetz, Frances Conroy, Brett Cullen, Shea Whigham, Bill Camp, Douglas Hodge, Glenn Fleshler,</p>
<p><strong>Assista ao trailer!</strong></p>
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